Quanto ao lugar de Emanuel Jardim Fernandes na lista do PS acompanho o pensamento de
André Escórcio. Mas estará Emanuel num lugar elegível, como assegura o Diário?
No estudo da ciência política há um divisão entre eleições mais importantes e menos importantes, isto do ponto de vista do eleitor médio. São mais importantes as que servem para eleger quem vai governar o país e menos as outras. De acordo com esta teoria as "europeias" são consideradas eleições de segunda ordem. Sobre este tema, um estudo de André Freire concluí que:
1. Pequenos partidos tendem a ser recompensados em eleições de segunda ordem (em comparação com eleições de primeira ordem);
2.Grandes partidos tendem a ser punidos em eleições de segunda ordem;
3. Partidos no governo tendem a ser mais punidos, especialmente se as eleições de segunda ordem se dão a meio do ciclo das eleições de primeira ordem.
Ora, a conjugação de todos este factores prejudica o PS.
Nas Europeias de 2004,Portugal elegia 24 deputados e o resultado foi o seguinte:
PS: 46,32% - 12 eleitos
Força Portugal (PSD + PP): 34,64% - 9 eleitos
CDU: 9,46% - 2 eleitos
BE: 5,12% - 1 eleito
Emanuel Jardim Fernandes foi eleito directamente ao PE.
Nesta Europeias, Portugal só elege 22 deputados e para conseguir eleger 11 deputados o PS teria que atingir um resultado igual ao que lhe garantiu a maioria absoluta nas eleições legislativas de 2005, i.e., cerca de 46%.
Porém a última sondagem que tive acesso dava o seguinte resultado (31/3/09):
PS: 39,6% (39,0%)
PSD: 29,6% (28,3%)
BE: 9,6% (10,4%)
CDU: 9,4% (9,6%)
CDS-PP: 7,0% (7,7%)
OBN: 4,8% (5,0%)
Com estes dados, a repetição de uma maioria absoluta do PS nestas Europeias não parece ser um cenário realista.
A se repetirem estes resultados o CDS assegurava 1 deputado, a CDU 2 e o BE outros dois, num total de 5 deputados. Sobram 17 deputados para serem disputados entre o PS e PSD.
Mesmo sem fazer a simulação, parece ser possível ao PS eleger 9 deputados. Mas se se verificarem os factores descritos supra e que caracterizam a reacção do eleitor médio nas eleições de segunda ordem, pode ser que o PS se fique pelos 8 deputados. Portanto, parece que o PS elegerá entre 8 a 9 deputados ao PE.
Assim, a eleição directa de Emanuel Jardim Fernandes ao PE parece ser um cenário muito pouco realista.
E mesmo para chegar ao PE, através de substituição de outros, o Partido Socialista terá de conseguir superar os factores das eleições de segunda e eleger 9 deputados e ainda há que esperar pela vitória [difícil] de Elisa Ferreira para a Câmara do Porto e a quase impossível conquista da Câmara de Sintra por Ana Gomes.
Deste modo, o PS deveria ter garantido um lugar à Madeira até o 9.º lugar, isso sim seria, nas actuais circunstâncias, um lugar elegível e um sinal de respeito pela Madeira, pelo PS-Madeira e por EJF.