sábado, agosto 18, 2007
Manipulação estatística
Brazão de Castro enaltece tendência decrescente dos índices na Madeira
A taxa de desemprego na Madeira foi, no segundo trimestre de 2007, de 6,3%, ou seja menos 0,6 pontos percentuais face ao primeiro trimestre do ano, embora mais 1,3% face a período homólogo em 2006, anunciou ontem o Instituto Nacional de Estatística.
(...)
Em comunicado, a Secretaria Regional dos Recursos Humanos acentua que os valores em causa, calculados pelo INE com base em amostragem, revelam uma tendência decrescente dos valores mais recentes do desemprego na Região. No JM.
O Secretaria Regional dos Recursos Humanos persiste em cair no mesmo erro (?). Destaca apenas o que interessa... Os jornalistas fazem-lhes a vontade.
Se quisermos representar os níveis de desemprego ao longo de um ano, verificaríamos que tendencialmente o desemprego diminui até ao final do Verão, aumentando nos últimos do ano e continuando até aos primeiros meses do ano. Graficamente, era uma curva tipo ''U''.
A taxa de emprego aumenta no Verão pelo facto de muitos funcionários das empresas irem de férias, obrigando à sua substituição, ou em resposta à maior necessidade em determinados sectores (hotelaria, restauração, etc.).
Perante isto, o que faz sentido, é comparar os dados do período actual com o período homólogo do ano anterior. Face a isto, torna-se evidente que no segundo trimestre de 2007 a taxa de desemprego aumentou 1,3%. Ou seja, a taxa de desemprego na Região tem vindo a aumentar.
A ver a preocupação dos governantes…
sexta-feira, agosto 17, 2007
Recordar o Eça, sempre actual
Eça de Queiróz, Os Maias, 1888
Lei, burocracia, corrupção e o "jeitinho"
Os acólitos caninos
São seguidores. Dependentes. Como todos os subservientes, são seres primários. Facciosos. Intrepretam mal. Atrevem-se a fazer juízos de valor. Como seres primários, verborreiam asneiradas. Sem noção do ridículo.
Os bastardos
Pequena nota
Colaboracionistas VI
Colaboracionistas V
Colaboracionistas? II
Colaboracionistas do Regime?
quinta-feira, agosto 16, 2007
Comprativa
Imagens retiradas do filme-documentário do cineasta alemão Thomas Harlan sobre a reforma agrária do pós-25 de Abril.
Uma relíquia.
Revisão da Constituição da Venezuela

Hugo Chávez apresentou hoje 33 propostas de alteração à Constituição da Venezuela. No entanto, não deixa de ser curioso o Editorial do Le Monde Diplomatique da semana passada. Ver a versão portuguesa.
Deixo dois artigos interessantes publicados hoje sobre a proposta de Chávez. No ElTiempo.com e no Bloomerang.com
Um assunto para seguir atentamente.
Socialistas avançam com acção de perda de mandato contra Albuquerque

Os vereadores socialistas na Câmara Municipal do Funchal vão avançar com uma acção, junto do Tribunal Administrativo e Fiscal, com vista à perda de mandato do actual presidente da autarquia, o social-democrata Miguel Albuquerque.
JFS no DN-M digital
Mendes Bota a Presidente!

Segundo o Público de hoje, o jantar do PSD em Quarteira teve muita azia..., e ainda deve estar por digerir. Consta que o pequeno líder foi eclipsado pelo Mendes Bota (apoiante de Menezes). Merece uma leitura.
Arrogante e mal agradecido

O mundo dá muitas voltas...
Não, não foi o Francisco Louçâ. Nem sequer o Jerónimo de Sousa ou o Manuel Alegre. Foi o José Manuel Rodrigues do PP.
De que tem medo Albuquerque?

Para os que conhecem M. Albuquerque na sua vida pública, sabem que ele aparece sempre acompanhado de um grande ego, mostra segurança, muito descontraído perante as suas façanhas. Respira confiança. Até ontem. Ontem vi um Miguel Albuquerque extremamente nervoso, muito inseguro, receoso. Procurou sempre desviar as atenções das questões em discussão. Divagou. Refugiou-se em desculpas ridículas. Fora de contexto. Depois afirmava que ‘’os madeirenses já perceberam’’, claramente numa tentativa de pôr uma pedra num assunto melindroso e que o incomoda.
Será que existem condições anímicas, políticas e morais para continuar à frente dos destinos da Câmara? De que forma irá enfrentar os funcionários? O que pensa Albuquerque quando os funchalenses olharão para ele? Uma vítima ou alguém que não diz a verdade?
quarta-feira, agosto 15, 2007
Informação
negociatas?
- analisar os projectos da 1ª dama
- analisar o ponto 3.5 do relatório adm.
Assim que tivermos acesso ao relatório, iremos concerteza ter em consideração as suas recomendações.
O Farpas agradece.
O desporto regional

Têm sido feitos ao longo destes últimos anos fortes investimentos no desporto regional. Destaco, e bem, a construção de boas infra-estruturas desportivas. São investimentos, que a prazo poderão ter retorno, humano e financeiro. Ficam por faltar maiores apostas na divulgação destes equipamentos junto da população local (p.e. Desporto para Todos) e junto de segmentos no exterior que estão disponíveis para viajar e pagar as despesas destas actividades.
À parte disto, tem sido injectado milhões nos clubes profissionais de alta competição, com destaque para o Marítimo, Nacional e União. Só para terem uma ideia, os dois primeiro-divisionários, têm apresentado ao longo destes últimos anos o quarto e quintos maiores orçamentos da 1ª Liga. Não se deve a grandes proezas de gestão dos dirigentes, mas, à subsídio dependência destes clubes do Governo Regional. O facto de estarem a ser transferidas verbas para o futebol e desporto profissional, altamente dependente dos dinheiros públicos, desviam verbas significativas de outros sectores que mereciam maior apoio, nomeadamente em áreas sociais.
Chegamos ao ponto de ter atletas estrangeiros, que comportam grandes custos (viagens, ordenados, alojamentos, famílias), a representar clubes e associações de bairro. Veja-se o exemplo do Ponta do Pargo.
Alguns clubes e modalidades disputam e marcam presença em campeonatos nacionais à custa dos estrangeiros. A principal razão para haver este forte apoio público, a formação, foi sempre o parente pobre. Para os que conhecem o desporto regional, sabem bem que o atleta madeirense foi sempre desconsiderado em relação ao estrangeiro. Nunca houve interesse dos dirigentes de valorizar o atleta madeirense. As excepções existem, mas porque são protegidos dos Presidentes dos clubes…
Conheço exemplos, em que a prova é no Porto Santo, mas são mais os dirigentes, os amigos, os familiares, etc. que o número de atletas. Tudo porque as viagens são à borla, ou melhor, suportadas pelo erário público. Hoje, os dirigentes desportivos, que durante anos andaram mal-habituados e comportaram-se como meninos ricos, reclamam mais. Mas muito pouco ou nada lhes foi exigido. E tem sido assim.
Alguém consegue dar-me um exemplo de um projecto desportivo regional sustentável e exemplar, que tenha construído os alicerces para o futuro? Fico a aguardar a vossa resposta, porque eu desconheço.
A espaços, houve mesmo assim alguns bons resultados (p.e. andebol), mas, viam-se que eram projectos desportivos e empresariais pouco sustentáveis (p.e. CAB, hóquei do Porto Santo, etc.)
Ao que parece irão agora, e bem, avançar com os clubes-escola, reduzindo as verbas para a formação dos clubes. Ao que parece eram utilizados indevidamente para o sector profissional.
As recentes resoluções de Governo, apontam para a redução de 25% de dotação pública para o futebol profissional. Está previsto uma redução faseada ao longo dos próximos cinco anos, mas mesmo assim de forma muito ligeira. Por exemplo, para a época 2007/2008 e em comparação com o ano anterior a redução será de apenas de 3%.
O Governo Regional, e pelo IDRAM, conhece tudo isto, mesmo dando alguns sinais de mudança no rumo das políticas desportivas, não acredito em alterações significativas. E fica muito por fazer. Para quando a alienação da participação do Governo Regional nas Sociedades Desportivas?
Sem contar com as infra-estruturas, custa-me a admitir que ao fim destes anos de forte investimento público e esforço dos madeirenses, o resultado seja quase zero.
Outras Notas

1.Não acham estranho que até ao momento ainda não foram ouvidos os anteriores vereadores, nomeadamente, Graciano Góis, Rui Marote, Gonçalo Câmara e Duarte Gomes, que são, a par de Miguel Albuquerque, os principais visados da inspecção e responsáveis pelas irregularidades? Vão continuar caladinhos?
2.Entre os dez casos de violação ao PDM, repare no caso n.º4 publicado no DN-M: Tiago de Sousa e esposa; Viola o PDM e Plano Parcial Frente Mar; Loteamento/duas moradias isoladas – Bica de Pau – 2004; Índice de construção ultrapassado;
Agora atente à argumentação da Câmara para explicar a violação ao PDM (e ao interesse público): para possibilitar moradia para filho do proprietário e viabilizar crédito bancário.
Conforme refere Albuquerque na conferência, ‘’é uma questão muito técnica’’.
3.A Direcção Nacional do PSD retirou a confiança política, e bem, a vários Presidentes da Câmara (Valentim Loureiro, Isaltino Morais e por fim a Carmona Rodrigues). Será interessante conhecer a posição da Direcção Nacional do PSD e do seu líder sobre este caso. A ver vamos o que diz.
4.Entre o vasto conjunto de irregularidades administrativas e financeiras, mas no que respeita às violações ao PDM, e para uma pequena amostra de 14 projectos inspeccionados, 10 violavam o principal instrumento de planeamento e ordenamento do Funchal. Perante tais graves irregularidades (com ou sem dolo, agora cabe à Justiça averiguar), para Miguel Albuquerque estava tudo normal, numa boa, como se nada tivesse acontecido de maior. Ia dizendo que se tratavam de ‘’meras irregularidades formais, processuais e admnistrativas’’…, tamanho desplante e descaramento. Será que o homem não consegue pôr a mão na consciência e verificar de situação tão calamitosa. É que o principal responsável é ele próprio. A ouvir novamente as palavras de M. Albuquerque na conferência para confirmar o que eu digo…
5.Para agravar toda esta situação, existem indícios (e elementos) que apontam para a continuidade das irregularidades já neste executivo. Se dúvida, atente aos casos do Funchal Centrum ou do CS Hotel. Verifique nas actas as posições da vereação.
6.Ao fim de 13 anos de liderança de M. Albuquerque na CMF, o balanço é muito negativo. Verifica-se que a gestão da CMF está hoje à deriva, sem rei nem roque, numa total desorganização municipal…
7.Em 2006, numa conversa com um amigo, quadro superior há vários anos na CMF, sobre alegadas suspeitas que caiam sobre determinados departamentos na CMF, eu dizia-lhe que seria conveniente realizar uma inspecção a todos os serviços da Câmara. Ele, muito prontamente respondeu-me que o melhor mesmo era chamar a Polícia Judiciária. E mais não disse. Perante isto, eu mais nada lhe perguntei.
Curiosidade
Fraude com receitas na Madeira
No DN.
E AGORA?
Violações do Plano Director Municipal (PDM) e de outros planos em vigor.
Processos desorganizados e potenciação de extravio de documentos.
Movimentação de contas por vereadores sem competência delegada.
Deficiente gestão de stocks.
Ausência de cobrança coerciva de dívidas.
Divergências de saldos entre registos."
No DN-M de hoje
Nota: E para além disto tudo há mais um facto a juntar: Miguel Albuquerque convocou uma conferência de imprensa, olhou toda a gente nos olhos, e MENTIU!
terça-feira, agosto 14, 2007
Venezuela: Petroleum socialism
The Economist
AntiPúblico
Algumas notas
2. Medo. A inspecção foi realizada após a denúncia de Cunha e Silva de que existiam ''negociatas'' na CMF. Albuquerque requereu uma inspecção. Já na fase final deste processo alegava a inconstitucionalidade dos inspectores...
3. Dúvida. O Vice-presidente deve vir a terreno explicar as razões da sua denúncia. Cunha e Silva deve explicações. E se sabe mais, deveria materializar o que afirma, designadamente, em denunciar nos locais próprios. Ao não o fazer, está a colaborar com as ilegalidades e com os infractores…
4. Esta inspecção debruça-se sobre uma amostra aleatória dos processos administrativos e financeiros da CMF (o DN dizia serem 10). Num conjunto de milhares de actos administrativos ao longo de um ano, muito fica por analisar.
5. Seja qual for o resultado da inspecção, não apaga a péssima imagem que cai sobre a Câmara e na pessoa do Presidente. Albuquerque sai muito fragilizado. São suspeitas de favorecimentos, constantes processos em tribunal administrativo, continuas violações ao Plano Director e tantos outros instrumentos municipais, concursos públicos irregulares, incumprimento dos processos de licenciamento (p.e. CS Hotel), Empresas Municipais na bancarrota e sem cumprirem os objectivos iniciais propostos para a sua criação, etc. É uma Câmara à deriva!
6. Se se confirmar as tais negociatas e irregularidades, Albuquerque deveria ter assumido ontem que demitia-se e colocava o seu lugar à disposição.
7. À luz do regimento, a oposição na Assembleia Municipal do Funchal tem força para pedir uma sessão extraordinária para debater o relatório final na primeira quinzena de Setembro.
Irregularidades formais?!
segunda-feira, agosto 13, 2007
Relatório confirma várias irregularidades na CMF
Porque é tão difícil desmascarar o charlatão
"Uma das lições mais tristes da história é a seguinte: Se formos enganados durante muito tempo, temos tendência a rejeitar qualquer prova de fraude.
Carl Sagan, in "O Mundo Infestado de Demónios"
Conferência de M. Albuquerque
São 19 longos minutos. Salvo duas ou três questões colocadas por um dos jornalistas, esta conferência de imprensa tem dois protagonistas. Albuquerque, evidentemente, e Lília Bernardes. Os restantes jornalistas limitam-se a ouvir, o que não deixa de ser bem elucidativo.
Deixem-se de atirar areia aos olhos das pessoas
- seja no que diz respeito ao ordenamento de território, com reiterada violação do PDM;
- seja em matéria de contratos e compras feitas com pouca transparência, até a empresas que pertencem a filhos de vereadores;
- seja na forma como são conduzidos os concursos públicos, de forma a beneficiar meia dúzia de empresários;
- seja na aprovação imediata de projectos, pela simples razão de serem da autoria de uma determinada arquitecta;
- seja atravês de decisões que lesam o bem público para beneficiar empresários do regime, tais como o fechar a cantina nova para contratar um serviço de catering ao mesmo empresário que ganhas os concursos dos parcómetros.
É isto que está em causa. Não é uma questão interna de um partido. Não é uma questão de luta pessoal. Não é por causa de um texto "polémico". O que está em causa são factos que todos conhecem, mas que ninguém quer falar e que o MP, até agora, não investigou convenientemente.
Deixem de atirar areia aos olhos das pessoas. Falemos do essencial.
Concentrem-se no essencial

domingo, agosto 12, 2007
Plágio
Orçamentos desiguais

Para a época futebolística que se adivinha, o F.C. do Porto apresenta o maior orçamento do campeonato, 40 milhões de euros, seguido de Benfica (25) e Sporting (20). Só o Porto quase que paga a totalidade dos orçamentos dos outros 13 clubes, 47,7 milhões de euros. A soma dos valores apresentados pelos três clubes grandes representa 64% do dinheiro que vai ser gasto pelos 16 clubes que constituem a Bwin liga. Aliás, o orçamento médio por clube, excluindo os três grandes, é de apenas 3,7 milhões de euros. Por exemplo, a transferência de Simão Sabrosa pagava dez equipas da Naval. Se no caso do F.C. do Porto, mais orçamento significou, na época 2006/2007, sucesso, tal não é sempre verdade. Veja-se o caso do Marítimo que, com o quarto orçamento da liga ficou no 11º lugar, muito atrás do Paços de Ferreira, que planeia gastar somente 1,7 milhões de euros na época vindoura (15º orçamento). O Marítimo é mesmo o clube mais gastador a seguir aos três grandes. Na linha do Paços de Ferreira estão ainda clubes como o Estrela da Amadora e a União de Leiria.
No SE.
O Barco dos Tolos
À medida que o navio alcançava latitudes cada vez mais longínquas, os passageiros e a tripulação ficavam cada vez mais desconfortáveis. Começaram a surgir disputas entre eles e a queixarem-se das condições em que viviam.
“Os meus ossos até tremem”, afirmou um hábil marinheiro, “esta é a pior viagem que alguma vez fiz. O convés está escorregadio com gelo; quando estou de vigia o vento entra-me pela jaqueta como uma faca; sempre que enrolo as velas quase que congelo os dedos; e tudo o que ganho com isto são uns miseráveis cinco xelins por mês!”
“Você acha que está mal!” afirmou uma senhorita passageira. “Eu não consigo dormir à noite por causa do firo. As senhoritas neste navio não têm a mesma quantia de cobertores que os homens. Não é justo!”
Um marinheiro mexicano ressoou: “Humilhação! Eu só ganho metade do ordenado dos marinheiros ingleses. Precisamos de bastante comida para nos mantermos quentes neste clima, e não recebo a minha parte: os ingleses ganham mais. E o pior de tudo é que os imediatos só me dão ordens em inglês em vez de o fazerem em espanhol.”
“Tenho mais razões de queixa que todos vós,” afirmou um marinheiro índio americano. “Se os caras pálidas não tivessem roubado as minhas terras ancestrais, eu nem estaria neste navio, entre icebergs e ventos árcticos. Estaria a remar uma canoa num plácido e agradável lago. Mereço uma compensação. No mínimo, o capitão devia permitir que eu organizasse um jogo de dados para que pudesse ganhar algum dinheiro.”
O contramestre juntou-se à conversa: “Ontem o primeiro imediato chamou-me de “maricas” só porque gosto de chupar pilas. Tenho direito a chupar pilas sem que me chamem nomes!”
“Não são só os humanos que são maltratados neste navio,” exclamou um defensor dos direitos dos animais entre os passageiros, com a voz a tremer de indignação. “Ora, a semana passada vi o segundo imediato a pontapear o cão que vive no barco por duas vezes!”
Um dos passageiros era professor universitário. Esfregando as mãos exclamou, “Isso é tudo terrível! É imoral! É racismo, sexismo, discriminação de espécies, homofobia e exploração da classe trabalhadora! É discriminação! Nós temos que ter justiça social: ordenados iguais para o marinheiro mexicano, ordenados mais altos para todos os marinheiros, compensação para o índio, cobertores em número igual para as senhoritas, um direito consagrado a chupar pilas, e a nunca mais pontapear o cão!”
“Sim, sim!” gritaram os passageiros. “Ai, ai!” gritou a tripulação. “É discriminação! Temos que exigir os nossos direitos!”
O camareiro limpou a garganta.
“Há ham. Têm todos boas razões de queixa. Mas parece-me que o que nós realmente precisamos fazer é virar este barco e rumar de volta para o Sul, porque se continuarmos para Norte com toda a certeza que mais cedo ou mais tarde vamos naufragar, e então os ordenados, cobertores e direito a chupar pilas não vos vão adiantar de nada, porque nos iremos todos afogar.”
Mas ninguém lhe prestou atenção, pois ele era só o camareiro.
O capitão e os imediatos, dos seus postos na popa, estavam a observar e a ouvir. Agora sorriam e piscavam o olho entre si, e com um gesto do capitão o terceiro imediato desceu da popa, deslocou-se para junto dos passageiros e da tripulação e abriu caminho entre eles. Fez uma expressão muito séria e disse exactamente isto:
“Nós, oficiais, temos que admitir que têm acontecido neste barco algumas coisas realmente indesculpáveis. Não tínhamos percebido quão ruim era a situação até ouvirmos as vossas queixas. Somos homens de boa vontade e queremos fazer o que é mais correcto para vocês. Mas – bem – o capitão é um tanto ou quanto conservador e tem os seus modos, e talvez tenha que ser ligeiramente pressionado antes de levar a cabo quaisquer mudanças substanciais. Pessoalmente a minha opinião é de que se protestarem vigorosamente – mas sempre pacificamente e sem violar quaisquer uma das regras do navio – irão tirar o capitão da inércia e obrigá-lo a dar atenção aos problemas dos quais se queixam tão justamente.”
Tendo dito isto, o terceiro imediato regressou à popa. Enquanto partia, os passageiros e a tripulação gritaram-lhe, “Moderado! Reformista! Bom liberal! Palhaço do capitão!” Mas, contudo, fizeram como ele disse. Reuniram-se num só grupo ante a popa, gritaram insultos aos oficiais, e exigiram os seus direitos: “Eu quero ordenados mais altos e melhores condições de trabalho,” clamou o marinheiro hábil. “Cobertores em número igual para as mulheres”, clamou a senhorita passageira. “Quero receber as minhas ordens em espanhol”, clamou o marinheiro mexicano. “Quero o direito de organizar um jogo de dados”, clamou o marinheiro índio. “Eu não quero ser chamado de maricas”, clamou o contramestre. “Nunca mais pontapeiem o cão”, clamou o defensor dos animais. “Revolução já”, clamou o professor.
O capitão e os imediatos amontoaram-se e deliberaram por vários minutos, pestanejando, concordando com a cabeça e sorrindo uns para os outros enquanto isso. Então o capitão deu um passo em frente na popa e, com uma grande manifestação de benevolência, anunciou que o ordenado do marinheiro hábil seria aumentado para seis xelins por mês; o ordenado do marinheiro mexicano seria aumentado para dois terços dos salários dos marinheiros ingleses e a ordem para enrolar as velas seria dada em espanhol; as senhoritas iriam receber mais um cobertor; o marinheiro índio teria permissão para organizar um jogo de dados aos Sábados à noite; o contramestre não seria chamado de maricas desde que mantivesse o acto de chupar pilas estritamente em privado e o cão não seria pontapeado excepto se fizesse algo mesmo rude, como roubar comida da cozinha do navio.
Os passageiros e a tripulação comemoraram estas concessões como se fossem uma grande vitória, mas na manhã seguinte sentiam-se novamente insatisfeitos.
“Seis xelins por mês é uma ninharia, e eu ainda congelo os dedos quando enrolo as velas”, resmungou o marinheiro hábil. “Ainda não ganho o mesmo ordenado que os ingleses, ou comida suficiente para este clima”, afirmou o marinheiro mexicano. “Nós mulheres ainda não temos cobertores suficientes para nos mantermos aquecidas”, disse a senhorita passageira. Os restantes tripulantes e passageiros exprimiam queixas similares, e o professor encorajou-os.
Quando terminaram, o camareiro falou – mais alto desta vez, para que os outros não o pudessem ignorar tão facilmente:
“Realmente é terrível que o cão seja pontapeado por roubar um pedaço de pão da cozinha de serviço, e que as mulheres não tenham número igual de cobertores, e que o marinheiro hábil congele os dedos; e não vejo porque o contramestre não deva chupar pilas quando quiser. Mas olhem agora para a densidade dos icebergs, e como o vento sopra cada vez mais severo! Temos que virar este navio de volta para Sul, porque se continuarmos para Norte iremos naufragar e afogar-nos.”
“Oh, sim”, afirmou o contramestre, “É realmente horrível que continuemos a rumar para Norte. Mas porque tenho eu de continuar a chupar pilas no armário? Porque tenho que ser chamado de maricas? Não sou tão bom como os outros?”
“Velejar para o Norte é terrível”, disse a senhorita passageira. “Mas você não vê? É exactamente por isso que as mulheres precisam de mais cobertores para se manterem aquecidas. Exijo número igual de cobertores igual para as mulheres, já!”
“Realmente é verdade”, afirmou o professor, “que velejar para Norte impõe grandes apuros para todos nós. Mas mudar de rumo em direcção ao Sul seria irrealista. Não se pode dar a volta ao relógio. Temos que encontrar um modo maduro de lidar com a situação.”
“Olhem”, disse o camareiro, “Se deixarmos aqueles quatro malucos lá na popa fazerem o que querem, vamos afogar-nos todos. Se conseguirmos retirar este navio do perigo, então depois podemos preocupar-nos com as condições de trabalho, cobertores para as mulheres e o direito a chupar pilas. Mas antes temos que virar esta embarcação para o outro lado. Se alguns de nós nos juntarmos, fizermos um plano e manifestarmos alguma coragem, conseguimos salvar-nos. Não seriam precisos muitos de nós – seis ou oito seriam suficientes. Podíamos atacar a popa, atirar aqueles lunáticos ao mar e virar o barco para Sul.”
O professor ergueu o nariz e afirmou de modo austero, “Não acredito em violência. É imoral.”
“Não é ético recorrer à violência, de modo nenhum”, afirmou o contramestre.
“Tenho pavor à violência”, disse a senhorita passageira.
O capitão e os imediatos observavam e ouviam tudo aquilo. A um sinal do capitão o terceiro imediato desceu para o convés principal. Passou pelos passageiros e pela tripulação, afirmando que ainda existiam muitos problemas no navio.
“Obtivemos muitos progressos”, afirmou, “mas resta ainda muito por fazer. As condições de trabalho ainda são duras para o marinheiro hábil, o mexicano ainda não ganha o mesmo ordenado que os ingleses, as mulheres ainda não têm o mesmo número de cobertores que os homens, o jogo de dados aos Sábados à noite do índio é uma compensação insignificante pelas terras perdidas, é injusto para o contramestre ter que chupar pilas no armário, e o cão ainda é pontapeado de quando em vez.”
“Acho que o capitão precisa de ser pressionado novamente. Iria ajudar se todos fizessem outro protesto – contanto que permaneça pacífico.”
Enquanto o terceiro imediato regressava à popa, os passageiros e a tripulação gritaram insultos, mas mesmo assim fizeram o que ele disse e reuniram-se em frente do convés da popa para outro protesto. Discursaram e enfureceram-se, brandindo os punhos, e até atiraram um ovo podre ao capitão (que se esquivou habilmente).
Após ouvir as queixas, o capitão e os imediatos amontoaram-se em conferência, no decorrer da qual pestanejaram e sorriram amplamente entre si. Então o capitão deu um passo em frente no convés da popa e anunciou que seriam dadas luvas ao marinheiro hábil para manter os dedos aquecidos, o marinheiro mexicano iria receber um ordenado igual a três quartos dos ordenados de um marinheiro inglês, as mulheres iriam receber mais um cobertor, o marinheiro índio iria poder organizar um jogo de dados nas noites de Sábado e Domingo, o contramestre teria permissão para chupar pilas após o escurecer em qualquer lado e ninguém poderia pontapear o cão sem permissão especial do capitão.
Os passageiros e a tripulação estavam em êxtase com essa grande e revolucionária vitória, mas pela manhã seguinte já se encontravam novamente insatisfeitos e começaram a resmungar sobre os mesmos velhos sofrimentos.
O camareiro desta vez já estava a enfurecer-se.
“Malditos tolos!” gritou. “Não vêem o que o capitão e os imediatos estão a fazer? Estão a manter-vos ocupados com as vossas queixas triviais sobre cobertores, ordenados e os pontapés no cão para que não pensem no que realmente está mal neste navio – que se está a dirigir cada vez mais longe para Norte e que nos iremos afogar todos. Se apenas alguns poucos entre vós recuperarem a razão, se unirem, e atacarem o convés da popa, podemos virar este navio e salvar-nos. Mas tudo o que fazem é choramingar sobre questões insignificantes e triviais como condições de trabalho, jogos de dados e o direito de chupar pilas.”
Os passageiros e a tripulação ficaram enxovalhados.
“Insignificantes!!” gritou o mexicano, “Acha que é razoável que eu ganhe apenas três quartos do ordenado de um marinheiro inglês? Isso é trivial?”
“Como pode chamar de trivial a minha queixa?” gritou o contramestre. “Não sabe quão humilhante é ser chamado de maricas?”
“Pontapear cães não é uma ‘questão insignificante e trivial!’” berrou o defensor dos animais. “É insensível, cruel e brutal!”
“Tudo bem então”, respondeu o camareiro. “Essas questões não são insignificantes nem triviais. Pontapear um cão é cruel e brutal e é humilhante ser chamado de maricas. Mas em comparação com o nosso problema real – em comparação com o facto de que o navio ainda ruma para Norte – as vossas queixas são insignificantes e triviais, porque se não virarmos o barco o mais rápido possível, vamos todos morrer afogados.”
“Fascista!” disse o professor.
“Reaccionário!” afirmou a senhorita passageira. E todos os passageiros e a tripulação soaram um após o outro, chamando o camareiro de fascista e de reaccionário. Afastaram-no para longe e voltaram a resmungar sobre ordenados, sobre cobertores para as mulheres, sobre o direito de chupar pilas e sobre o modo como o cão era tratado. O navio continuou a navegar para o norte e, passado algum tempo, esmagou-se entre dois icebergs e morreram todos.
Ted Kaczynski
Tradução de Flávio Gonçalves
sábado, agosto 11, 2007
Jardim segundo Eduardo Prado Coelho

Inspiração
caminante, no hay camino, se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino, sino estelas en la mar."
Antonio Machado
Responsabilização
A decisão do juiz não é ainda uma nota de culpa, mas obriga os responsáveis do Ministério do Fomento a serem ouvidos pela justiça acompanhados pelos seus advogados
No Público.
Está pouco interiorizado na nossa cultura, na Administração, na Justiça, a necessidade de haver responsabilização dos actos negligentes, de falhas nos equipamentos públicos (p.e. elevada incidência de acidentes num ponto de uma estrada), etc. Os profissionais, os detentores de cargos políticos, mas que em comum, são os responsáveis pela tomada das decisões, deveriam ser responsabilizados pelas deficiências, pelos insucessos, que acarretam prejuízos humanos e materiais.
Eu não falo apenas das responsabilidades políticas e das devidas ilações que deverão ser tidas em conta em altura de acidentes, etc., falo sim, de imputar responsabilidades cíveis e criminais aos decisores políticos, aos donos da obra e responsáveis técnicos pela gestão da obra/equipamento.
O caso mais recente, e paradigmático, é o da queda da ponte de Entre-os-Rios. Para a Madeira recordo-me dos três candidatos a guarda-florestais que em prova no Pico do Areeiro faleceram. Para ambos, a justiça encontrou responsáveis, julgou-os e condenou-os. Mas, nesta cadeia de responsabilidade na tomada de decisão, houve a condenação apenas de uma das partes. Dos responsáveis técnicos. Os restantes saíram ilesos.
Concordo em responsabilizar judicialmente os responsáveis profissionais e titulares de cargos políticos, que em determinada fase do projecto ou acto tiveram poder na tomada de decisão. Não trata-se só de incutir o princípio da responsabilização na sociedade, mas também o de adequar às competências destes elementos o valor da exigência e acção em boa fé, que são chaves mestras no nosso sistema público e político.
Falta de memória
É incrível a falta de memória dos jornalistas madeirenses. Ontem na recepção hipócrita de Jardim ao embaixador de Timor Leste, ninguém se lembrou que Jardim foi, desde o dia do referendo, a única voz dissonante entre os políticos portugueses sobre o apoio financeiro de Portugal a Timor-Leste, contrariando mesmo o presidente do PSD.Jornalismo preguiçoso e desmazelado
Sugestão de leitura

"Terra Sonâmbula" é um dos grandes romances de Mia Couto. Nesta viagem por uma terra destroçada pela guerra, dividida entre os sonhos e a realidade, as ilusões, as lendas, o sangue que ainda mancha a terra e as recordações que fazem doer o lado esquerdo, este moçambicano escreve como só ele sabe.
O Mia inventa e reinventa palavras, relembra expressões perdidas, coloca o leitor lá numa terra que vive numa dormência activa, sem se aperceber que adormeceu e que continua a circular...por aí.
É incrível como a obra deste sigular indivíduo nos emociona. É uma maravilha ler os seus textos. A alma fica lavada e o coração agradece.
Vá, pela pena mágica de Mia Couto, conhecer a identidade do povo moçambicano e sem sair de casa.
Sugestão de viagem

A imagem é da praça principal de Maputo, capital de Moçambique, antiga Lourenço Marques. Não se vê na foto mas do lado direito está o Rovuma Hotel, que pertence à família Pestana, e que em tempos se chamou Hotel Funchal.
Ir a Moçambique foi uma experiência que me marcou. Não fui na prespectiva do turista ocidental, fui participar num estudo sobre a transição para a democracia. Desta forma tive oportunidade de conhecer, por dentro, muitas instituições governamentais, associações, clubes e de visitar bairros e embaixadas. Foi um "banho" de cultura e história. Nós, os tugas, que pensávamos que sabíamos alguma coisa, passamos várias semanas sempre a aprender.
O que me impressionou foi, pela primeira vez, perceber que a grandeza de Portugal no mundo, a nossa História, não é textos escritos em manuais, ela é bem real. Foi incrível ver Portugal em África.
Foi impressionante constatar que de facto nada move os moçambicanos contra os portugueses, antes pelo contrário. Povo fantástico aquele!
Fiquei surpreendido, quando no Tribunal Administrativo um juiz pergunta-me se era da Madeira, respondo-lhe afirmativamente, o gajo dá uma gargalhada e diz: "Eu também! De Machico, sou irmão do padre Martins Júnior".
Quem tiver oportunidade de conhecer Moçambique, não pode deixar de conhecer o seu povo. Não se escondam numa instância turística, passam ao lado que o país tem de melhor. Comprem no Mercado. Dancem nas discotecas. Passeiem pela cidade. Comprem artesanato (regatear sempre). Vão às praias fora de Maputo, visitem a Ilha e tenham cuidado com o gidunco, aquilo é fogo em estado sólido.
Recomendação de som

A cantora e o disco têm o mesmo nome: Maria Rita. Para quem não conhece é a filha de Elis Regina a diva que lançou, entre outros, Milton Nascimento e Gilberto Gil.
No seu caso o talento foi hereditário, Maria Rita tem uma voz fantástica, tem carisma, um jeito de mulher-menina que encanta.
O disco é muito bom.
sexta-feira, agosto 10, 2007
TAP - estória com água no bico (continuação)
A orquestra está muito bem ensaiada.
Já estou mesmo a ver o filme.
1 - Fala-se do mau serviço que a TAP presta à Madeira
2 - Culpa-se o Governo Socialista do Eng. Sócrates
3 - Com a liberalização das ligações aéreas, e previsivel diminuição do nº de voos da TAP para a Madeira, diz-se que o Eng. Socrates quer estrangular a Madeira (apesar de passar a haver mais voos de outras companhias)
4 - E finalmente, a cereja em cima do bolo: qualquer derrapagem no nº de visitantes e receitas do turismo serão inputadas ao Eng. Sócrates e ao traidor do Sec. de Estado do Turismo que nada fez para evitar.
O impacto da descaracterização paisagistica, da falta de competitividade do Turismo da Madeira serão desvalorizados e esquecidos, e a culpa de tudo será sempre dos outros.
Esta estória da TAP trás água no bico

De repente parece que todos os iluminados do PSD-M se lembraram que a TAP presta um mau serviço à Madeira. Primeiro foi Jardim Ramos, depois foi o outro Jardim (o Alberto), e hoje vem um artigo no JM do outro Alberto (o Casimiro), e penso que a coisa é para continuar.
Nota-se claramente que este tema servirá nos próximos tempos para alimentar o conflito com o inimigo externo, desviando as atenções das culpas próprias.
Que a TAP é um poço de vicios ninguém duvída, agora dizer que o problema só se verificou com este governo da republica é que é um pouco forçado.
No breve periodo em que os Madeirenses tiveram uma alternativa, aquando da presença da Air Luxor nas ligações regulares, notou-se claramente que os madeirenses anseavam por melhores serviços (menos atrasos e menos bagagens perdidas).
Por outro lado, os maus resultados da TAP eram o reflexo da partidarite que durante muitos anos atacou os cargos de Administração desta empresa.
Quem não se lembra, mais recentemente, dos conflitos entre Cardoso e Cunha (PSD) e Fernando Pinto, que tiveram reflexos negativos nos resultados da TAP e que quase levaram à saida de Fernando Pinto da TAP?
Tenho esperança que a liberalização da linha aérea venha a trazer mais concorrencia e uma consequente melhoria dos preços e do serviço prestado a todos os madeirenses que têm no transporte aéreo a unica porta de saída desta região ultraperiférica.
P.S. - Para quando uma companhia aéria regional que nos permita ultrapassas os condicionalismos impostos por outros?
A RAA criou a SATA com o sucesso que se reconhece.
Os nazistas e o papel da mulher na sociedade: Procriação
[...] those things that belong to the man must remain his. That includes politics and the military. That is not to disparage women, only a recognition of how she can best use her talents and abilities.
[...]
revolutionary transformations have largely taken from women their proper tasks. Their eyes were set in directions that were not appropriate for them. The result was a distorted public view of German womanhood that had nothing to do with former ideals.
quinta-feira, agosto 09, 2007
Se não podes com eles junta a eles

Muito já se disse sobre a marina do lugar de baixo: Que o pontão não proteje; que as ondas são muito fortes; que a localização não é a mais adequada, etc.
E se em vez de tentarmos parar as ondas as usassemos em benefício próprio!
Nos Açores, mais precisamente na ilha do Pico está a ser testado um sistema de produção de energia através das ondas.
O sistema é denominado de Coluna Oscilante de Água e utiliza a pressão de ar criada dentro de uma câmara pelo embater das ondas para fazer girar uma turbina.
Este projecto está a ser desenvolvido pelo Instituto Superior Técnico e pela Universidade dos Açores e tem financiamento da UE.
De que é que estão à espera para fazer uma coisa semelhante na Marina do Lugar de Baixo, aproveitando o facto de ter de corrigir uma asneira, para recorrer a fundos da UE, aumentar o conhecimento dos nossos quadros superiores e ainda tornar-nos mais autonomos em termos energéticos.
P.S. - Uma vez que estas estruturas envolvem muito betão, ninguém fica insatisfeito.
Regulação da actividade de observação de cetáceos na Madeira

O recente projecto empresarial para a observação de cetáceos (golfinhos e baleias) nos mares da Madeira é de aplaudir. Louvo a iniciativa de jovens empresários que arriscaram e aproveitaram um vazio no mercado regional, diversificando deste modo a oferta de actividades turísticas na nossa região. No entanto, esta actividade de turismo de mar, com uma grande componente de educação ambiental, carece de regulamentação própria na região. Existem portanto, regras a cumprir, mormente, na atenuação e minimização dos impactos inerentes da actividade junto destes mamíferos. O facto de aparecer uma empresa a explorar este segmento no mercado de turismo regional, coloca o ónus sobre os decisores políticos de modo a fazer aprovar um regulamento próprio na próxima sessão legislativa na Assembleia Legislativa da Madeira, atendendo à necessidade e face à ausência de legislação específica.
A Região Autónoma da Madeira é a única região do País sem regulação para a observação de cetáceos. Foi criada legislação (Decreto-Lei n.º 9/2006)para regular a observação de cetáceos para o continente, enquanto que nos Açores, região onde esta actividade existe desde há alguns anos, existe regulamentação própria desde 1999(Decreto Legislativo Regional n.º 9/99/A alterado pelo D.L.R. n.º 10/2003/A).Este diploma açoriano, com larga participação das partes interessadas e sustentado em conhecimento científico, é um bom exemplo de regulação, podendo inclusive servir de base ao futuro diploma regional de regulação para a Madeira. Como exemplo, está consagrado neste diploma que apenas é permitido a aproximação das embarcações até a um máximo de 50 metros dos animais, inviabilizando o mergulho de turistas com os golfinhos, contrário ao que vem sendo enunciado pela nova empresa na Madeira. Na ausência de um regulamento, não seria conveniente adoptar as normas consagradas na legislação nacional?
Um abraço ao Zé Manel Rodrigues

A não esquecer
A aguardar respostas
1. Comparticipação nos medicamentos adquiridos pelos inscritos no Serviço Regional de Saúde no continente. As farmácias continentais exigem o valor total, sem comparticipação do Estado, alegando o incumprimento do Governo Regional [entenda-se pagamento das dívidas] com estas. Um bom tema a questionar ao novel Secretário Regional dos Assuntos Sociais.
2. Resultados do inquérito ao acidente ocorrido no túnel (via Cancela-Camacha), que resultou na morte de um automobilista. Os meios de combate ao fogo eram apenas fachada...
São dois assuntos que não serão esquecidos.
Estamos em boas mãos

Foi vergonhoso o papel a que se prestou o Director Regional de Saúde Pública ao tentar branquear as responsabilidades da empresa Frente Mar na qualidade da água das piscinas do Lido e da Barreirinha.
Os valores das análises à água indicavam valores para os residuos fecais 4 vezes superiores aos máximos permitidos, numa análise efectuada às 11 da manhã (2 horas depois da abertura dos complexos balneares). É evidente que a Frente Mar não tomou as medidas adequadas para substituir a água antes da chegada dos utentes, mas o dito Director Regional preferiu salientar a falta de civismo e higiene de algumas pessoas.
Parece-me que o Dr. Mauricio Melim está mais preocupado com a Frente Mar do que com a Saúde Pública dos Madeirenses.
Recordo que por altura do aparecimento do "mosquito de Sta. Luzia" este senhor também dizia que a culpa era das pessoas que deixavam frascos com água estagnada,esquecendo-se da água estagnada do jardim de Sta. Luzia.
É caso para dizer: se o povo é o culpado, mude-se o povo.
ACTUALIZAÇÃO
Chegou-me a informação que afinal o problema da má qualidade da água (pelo menos no caso do lido) poderá não se limitar à água da piscina.
Consta que a estação elevatória de residuos que se situa junto á estrada monumental, está frequentemente inoperacional, e que quando isso acontece os residuos são lançados no mar, mesmo em frente á zona turistica do Funchal.
Assim sendo, existe a possibilidade de a água utilizada para encher a piscina já estar poluida antes de entrar em contacto com os banhistas. E esta heim!
Remodelação no Governo Regional

Parece que houve uma remodelação da orgânica do GR e ninguém foi avisado.
O sector dos transportes, depois de sair da alçada da Secretaria do Equipamento Social para o Turismo, passa a ficar sobre a alçada dos Assuntos Sociais.
quarta-feira, agosto 08, 2007
A Sicília do Atlántico
CDS em maus lençóis (act.)
Ler aqui.
Dirigente do CDS terá planeado trocar influências por 3,2 milhões
Curiosidade
Os talibãs e os sapos no Jardim
Rui Santos no CM.
Choque das autonomias
Hoje, o DE divulga a posição dos Açores (alegam inconstitucionalidades) sobre esta matéria.
terça-feira, agosto 07, 2007
segunda-feira, agosto 06, 2007
Sinais dos tempos
Porsche Cayenne Hybrid

A Porsche acaba de anunciar o seu novo automóvel Hibrido, isto é, que funciona com um motor de combustão conjuntamente com um motor eléctrico.
Estes automóveis permitem reduções muito significativas de consumo de combustivel, uma vez que o motor eléctrico é "carregado" com energia que nos motores normais é desperdiçada nas travagens e quando o motor está em descompressão (p. ex. descidas.
Além disso, quando a circular a baixas velocidades o carro funciona essencialmente com o motor eléctrico, permitindo reduzir as emissões praticamente a Zero em ambientes urbanos.
Estou convencido que a solução dos carros hibridos é muito mais viável e ecologica que os carros exclusivamente eléctricos, uma vez que grande parte da energia eléctrica ainda é produzida com recurso a combustiveis fosseis tais como o carvão.
Espero que a visibilidade que a Porsche tem permita que muitos outros fabricantes comecem a estudar soluções deste tipo de modo a reduzir a dependência energética e a poluição do ar nas grandes cidades.
domingo, agosto 05, 2007
Para adicionar aos favoritos

Um bom directório (com ligação ao Youtube) de música que permite explorar por artistas ou por categoria musical. Muito bom.
Clique AQUI.
Acesso ao ensino superior
Entre alguns dados estatisticos, como o número de alunos que se tinham candidatado e entrado na universidade, este senhor afirmou que a empregabilidade não deveria ser um factor a ter em consideração na escolha do curso. E acrescentou: o mais importante é que os alunos escolham um curso que gostem.
Considero esta atitude de uma irresponsabilidade total. Gostaria de saber a opinião deste senhor quando os licenciados ficam anos a fio sem encontrarem trabalho.
Considero que os alunos devem ter em consideração os cursos que mais gostam mas nunca desprezando o seu futuro profissional e a empregabilidade desses cursos.
Este tipo de mentalidade que floresce no nosso país, permite que alguns cursos sem qualquer tipo de interesse para a sociedade continuem a ser financiados apenas para ocupar o tempo de alguns professores universitários e de alguns alunos a caminho do desemprego.
Em países com mentalidades muito mais viradas para a produtividade, é possível em qualquer altura saber como está o mercado de trabalho para quem tem determinados conhecimentos e qual o salário médio desses trabalhadores, fornecendo informação valiosa na altura de escolher o curso universitário e a universidade.
A/c do Ministério Público
Exmos. Srs. Procuradores do Ministério Público,
usar um equipamento público para um fim privado não consubstancia um crime de peculato?
Paulo Portas em entrevista

Paulo Portas - No momento em que o Governo e Durão Barroso caiu eu percebi que as condições políticos para a maioria governar se tornaram muito vulneráveis e que iria haver eleições. Nessa altura tomei vários decisões. Passou a haver um vice-presidente, houve mais actividade interna e fizemos mais de cem eventos para recolha de fundos.
CM - Mais de cem?
Paulo Portas - Exacto. Ninguém nos pediu a lista desses eventos mas nós temo-la. Fomos recolhendo fundos num tempo político agitado e instável. E fizemos o depósito para não perdermos o dinheiro.
Da entrevista de PP conclui-se que:
* PP tem uma veia de vidente (influência do Zandinga Santana?)
* Os militantes do CDS/PP estão cheios de papel. É que recolher 1 milhão de euros em 3 meses não deve ser tarefa muito fácil...
* O CDS/PP destaca-se cada vez mais como uma organização para realização de eventos. São congressos estéreis, promoção de jovens da JP a candidatos à liderança do Partido, campanhas de recolha de fundos que ninguém conhece, visitas a feiras e mercados, combates de boxe nas Comissões Políticas e claro participações em campanhas autárquicas por capricho.
* PP vai contando as coisas às pinguinhas..., e que muito ainda fica por contar...
No CM.
sábado, agosto 04, 2007
O fora da lei
Emídio Rangel no CM.
sexta-feira, agosto 03, 2007
Entrevista: Albuquerque no melhor...

Para os mais desconfiados, confirmo que todas as passagens são mesmo reais.
Tribuna – Do que é que não gosta no Funchal quinhentista que tenha acontecido nos últimos 15 anos?
Miguel Albuquerque (MA) – A pergunta é difícil. Mas como as decisões políticas funcionam por orientações gerais, acho que as orientações gerais tomadas nos últimos 15 anos foram as mais correctas.
Tribuna – Não há nada que fira o seu gosto?
MA - Creio que não.
Com perguntas destas até o Pato Donald era Presidente da Câmara. E o Pateta era jornalista...…
...
Tribuna – A CMF está pronta para indemnizar o concorrente preterido no concurso público dos parcómetros?
MA – Não vamos pagar indemnização nenhuma porque está provado que essa empresa não teve prejuízo nenhum. O concurso foi transparente e não regista nenhuma ilegalidade. A CMF foi sim contestada mas por excesso de zelo.
Contestada por excesso de zelo? Tem graça..., alteraram o regulamento de avaliação a meio do concurso, beneficiando um dos concorrentes, por sinal o vencedor. Ao que consta ainda falta uma decisão do Tribunal Administrativo a um recurso da Câmara. Tantas certezas?
...
Tribuna – Atrás da desertificação vem a insegurança, os assaltos, a criminalidade.
MA – A insegurança é uma questão que está relacionada com o tráfico de estupefacientes. Mas é evidente que eu não tenho poderes de polícia. Agora, terá de haver um investimento forte do Estado central ao nível do número de efectivos da PSP e da PJ.
Para o seu Presidente é tudo tão claro, tudo tão simples, melhor, tão primário. Então não se combate o crime e a insegurança actuando na fonte dos problemas, através de políticas inclusivas e dissuasoras, ou promovendo-se políticas de emprego, educação, etc. A responsabilidade é sempre dos outros...
...
Tribuna - Um dos problemas que mais afectam a imagem pública da CMF é o trânsito.
Correcto. É porque faltavam acrescentar os constantes processos em tribunal administrativo com prejuízos para a Câmara, as violações ao PDM, as ilegalidades dos concursos públicos, as suspeições nos quadros técnicos da Câmara, que tudo acumulado levam às desconfianças dos cidadãos e dos empresários...
...
MA - Há 35 anos só havia meia dúzia de carros na cidade...
O rigor, a objectividade de Albuquerque no seu esplendor...
No Tribuna.
Jornais de propaganda política
quinta-feira, agosto 02, 2007
Resultados da Sondagem do "Farpas"
Mau - 67.4%
Bom - 28.3%
Mediano - 4.3%
quarta-feira, agosto 01, 2007
20% das casas a custos controlados
Ao contrário das taxas de crédito bonificadas, que só serviam para os promotores imobiliários ganharem mais algum, esta medida leva a um real ajuste entre os valores de mercado e o custo da construção.
Além do mais, numa cidade como a de Lisboa, com uma desertificação galopante (para as periferias) e consequente aumento do transito e de outros problemas, é essencial que se incentive a habitação dentro da cidade.
No entanto, existem alguns perigos, tais como uma diminuição da qualidade da construção. Para evitar isso, será necessário que as entidades competentes estejam muito atentas.
À atenção dos amigos do Garajau

Contaram-me por estes dias que num concurso púbico para a manutenção e limpeza de boias maritimas, um dos candidatos derrotados tinha apresentado uma proposta de 3000€ por boia.
A empresa que ganhou o concurso apresentou uma proposta de 6000€ por boia.
Concerteza que foi apresentado algum argumento de modo a justificar a escolha do candidato vencedor. Todos nós sabemos como estes concursos públicos são feitos à medida, e sempre dentro da lei.
Depois de ganho o concurso, com as necessárias influências (no estabelecimento dos critérios), a empresa ganhadora, uma vez que não tinha pessoal qualificado para realizar o trabalho, contratou o canditato derrotado, pagando-lhe 3000€ por boias.
Assim se fazem bons negócios na Madeira.
Um país, claramente dois sistemas
As inspecções realizadas pela Inspecção-geral da Administração do Território (IGAT) às autarquias estão a partir de hoje disponíveis para consulta na Internet, uma medida prevista no Simplex.
Estarão em consulta pública no site do IGAT o relatório, contraditório, pareceres jurídicos e final e o despacho dos processos de inspecção, inquérito ou sindicância realizados por aquela entidade. Ficam excluídos os elementos dos processos sujeitos ao segredo de justiça.
Notícia do DE.
Em 2006 o IGAT tinha criado a ''Queixa electrónica'', possibilitando aos cidadãos denunciar casos/suspeitas relacionados com as autarquias. A partir de hoje estarão disponíveis on-line as inspecções do IGAT às autarquias do continente. Na RAM, o organismo público equivalente ao IGAT é a Direcção Regional das Autarquias Locais, sob a tutela da Vice-Presidência. Até ao momento apenas se conhece a inspecção realizada à CMF e a pedido desta. No entanto, e face às resistências dos envolvidos para divulgar o relatório desconhece-se as conclusões dos inspectores às actividades da Câmara liderada por Albuquerque.
Outras prácticas...










