quinta-feira, novembro 23, 2006

Completamente de acordo

Em declarações ao Jornal de notícias o presidente do Tribunal Constitucional diz haver um "uso excessivo da Constituição no debate político"

"O presidente do Tribunal Constitucional alertou ontem para a "transferência de questões essencialmente políticas para as instâncias judiciais". Uma "tendência" que, não sendo exclusiva de Portugal, tem vindo a "acentuar-se nos últimos anos".
Para o juiz-conselheiro, este "abusivo" recurso à justiça para dirimir questões políticas serve para que as teses defendidas adquiram "maior consistência". É uma certa maneira de escorar a argumentação", disse, admitindo que têm aumentado os "recursos dilatórios" no Constitucional, mas que este tribunal tem dado resposta célere, procurando assim fazer com que deixem "de ter sentido".
No discurso de abertura da conferência comemorativa dos 30 anos da Constituição, Maurício classificou de "frenético" esse apelo à Constituição, que "está longe de a enobrecer e antes a banaliza". É um apelo "onde se procura legitimar as posições assumidas" no confronto político, "não já pela força e consistência das razões políticas, mas pela suposta incontestabilidade de juízos de conformidade ou desconformidade constitucional formulados por órgãos judiciais com o seu estatuto de independência". A Constituição é chamada "para o centro da controvérsia política, perdendo-se como factor primeiro da estabilidade do funcionamento das instituições democráticas para se configurar como pólo de discórdia político-partidária, disfarçada de controvérsia puramente jurídica". E isto, conforme disse, concluindo, "é o meio mais seguro para destruir uma instituição cuja autoridade é a autoridade do direito". " in JN

«Economia acelerou no terceiro trimestre»

Caro Sancho Gomes, depois do Banco de Portugal, agora é a vez do INE.
Para ficar esclarecido.

- O INE assinala também que o indicador de clima económico, que reflecte as perspectivas dos empresários da indústria, comércio, construção e serviços, estabilizou em Outubro mantendo-se no nível mais elevado dos últimos dois anos, 0,5.
- No mercado de trabalho, o desemprego diminui no terceiro trimestre pela primeira vez desde os três meses iniciais de 2001 e o emprego aumentou a um ritmo um pouco mais superior do que no trimestre anterior.

- A síntese económica do INE revela ainda que as indicações existentes apontam para um ritmo de crescimento forte ao nível das exportações no terceiro trimestre, com valores que não se verificavam desde 2000

Confirmar aqui.

PS lança pacote de reforma do sistema político em Janeiro

Alberto Martins relança no início do ano a lei eleitoral das autarquias e as incompatibilidades na Madeira. Seguem-se a reforma do Parlamento e a lei eleitoral da AR. No DE.

Revisão do PDM Funchal – Fase Preliminar

Audiência de Interessados da Revisão do PDM Funchal

Durante o período compreendido entre 19 de Outubro a 30 de Novembro, decorrerá a Audiência de Interessados para a Revisão do Plano Director Municipal do Funchal.

Este momento de participação pública, decorrente do processo de tramitação da Revisão do PDM, visa a recolha de sugestões e observações de todos os interessados.

Consultar aqui.

quarta-feira, novembro 22, 2006

País de 3º mundo


"A Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Benfica chegaram ontem a um acordo de patrocínio que prevê os naming rights do Centro de Estágio do Seixal (...) um contrato com a duração de dez anos e um montante global de 15 milhões de euros – 1,5 milhões/ano."
"Festa da Música cancelada por dificuldades orçamentais
" (...) no lugar daquele que se tornou uma imagem de marca do CCB, foi anunciada a organização de um evento mais modesto, "Os dias da Música em Belém", (...) O orçamento é de 200 mil euros, cerca de 1/3 do montante da Festa. "
Ou seja, o Estado, atrvês do seu banco (a CGD) vai dar 1,5 milhões de ano para ter o seu nome no centro de estágios do Benfica no Seixal, enquanto que o mesmo Estado faz o CCB cancelar a Festa da Música por não poder dispender metade dessa verba na maior festa da música clássica que se realiza em Portugal.

No comments

terça-feira, novembro 21, 2006

Dívida Pública Regional V

"A soma da dívida directa e indirecta da Região atinge 1.433 milhões de euros, o que representa, segundo Ventura Garcês, 41% do PIB regional. Uma taxa muito inferior à nacional em que a dívida atinge cerca de 60% do PIB."
in DN-M de 21/11/06
Partindo do princípio que era esse o valor da dívida pública regional e se considerarmos que o valor do PIB Regional está empolado em 21%, percentagem a que não corresponde um substrato económico efectivo da Região mas tão só a operações financeiras no CINM, então a dívida pública da Região é de 62% do PIB regional, ou seja estaria ao nível da dívida pública nacional. Sendo que a Região não paga nada pelos serviços de Segurança Pública, Defesa, Diplomacia, Justiça e recebe transferências directas do Orçamento de Estado.
Mas se compararmos com a outra Região Autónoma:
"Madeira com o dobro da dívida dos AçoresJardim duplicou a dívida em três anos e César mantém "endividamento zero" há cinco anos"
in Jornal O Público de 15/11/06

Dívida Pública Regional IV

A dívida pública madeirense, directa e indirecta, quase duplicou entre 2001 e 2004 (passou de 690 para 1.252 milhões de euros, montante próximo do total do orçamento), tendo neste ano de eleições regionais crescido 171% os encargos assumidos e não pagos pela região, compromissos financeiros esses que, como alertou então o tribunal, põem em causa os critérios de convergência e a concretização de uma política orçamental equilibrada." in Diário Digital de 2/10/06

Dívida Pública Regional III

Mas apenas 5 anos depois, o Governo Regional da Madeira chegou ao fim de 2003, com uma nova dívida de 1.134,9 milhões de euros, um acréscimo de 35,9% face a 2002.

(Este valor resulta da soma da dívida pública (443,5 milhões de euros), da dívida indirecta (341,6 milhões) e a fornecedores (350,1 milhões).)
( Divída indirecta é sobretudo avales concedidos num total de 341,6 milhões de euros. Nesta questão concluiu-se que houve um aumento da ordem dos 143,2 milhões euros (+22,3%).)

Dívida Pública Regional II

No entanto, logo em 1997 a dívida pública da Madeira era 159 milhões de contos e foi o Governo da República (com António Guterres como PM) que assumiu cerca de 70% da dívida da Madeira no valor de 110 milhões de contos.
"Governo perdoa 220 milhões às ilhas O ESTADO assumiu ontem 110 milhões de contos, ou seja, 70 por cento, dos 159 milhões de dívida da Madeira e outros 110 milhões, que o mesmo é dizer 90 por cento, dos 133 milhões de contos de dívida dos Açores." Expresso, 11.10.97

Dívida Pública Regional I

Fruto das insuficiências de financiamento por receitas próprias e por transferências do Orçamento do Estado ou fruto de indisciplina financeira, chegados a 1989, a Região Autónoma da Madeira (RAM) afectava cerca de 40 milhões de contos de um orçamento de cerca de 106 milhões de contos a operações da dívida (38,2%). Os montantes afectos a operações da dívida representavam uma parcela já muito grande do orçamento regional, sem que se vislumbrasse uma inversão da situação. Pelo contrário, antevia-se a continuação de situações deficitárias que só agravariam as contas públicas da RAM.

Neste contexto, em 1989, para ser válido até 1997, é adoptado um programa para a recuperação financeira da Madeira, sem paralelo nos Açores, assente na tomada de medidas de restrição da despesa e de redução da atribuição de benefícios por parte da Região, na adopção, durante três anos, do princípio do equilíbrio do Orçamento da Região, na adopção de uma formula de determinação das transferências do Orçamento do Estado e na assunção, por parte do Governo Central, de 50% dos juros relativos à dívida consolidada e reescalonada com o apoio da Direcção Geral do Tesouro.No campo da despesa e de benefícios extraordinários, a RAM comprometia-se a conter o crescimento das despesas correntes sem juros a uma taxa de variação real máxima de 1% ao ano e a elevar o preço dos combustíveis para os níveis que vigoravam no Continente.

O Orçamento do Estado suportaria ainda a comparticipação nacional nos sistemas comunitários de incentivos financeiros de apoio ao sector produtivo de âmbito nacional.

As transferências para o Orçamento da Região seriam, por seu turno, determinadas em função de uma nova fórmula.

Essa formulação constitui a primeira tentativa de aplicação de uma regra objectiva de determinação das transferências entre o centro e uma região.

Esta solução aparece, no entanto, apenas para uma das regiões e num contexto de saneamento financeiro de uma situação insustentável que caminhava rapidamente para limites de rotura.

Na segunda metade da década de noventa caminhava-se para o encontro de uma solução semelhante para os Açores mas tal solução nunca chegou a ser lavrada nos termos da solução da Madeira.

Certo é que ao longo da década de noventa foi ficando mais claro que as finanças regionais estavam estruturalmente desequilibradas o que resultou na gradual centralização de despesas como no caso de apoios a investimento e, mais significativo, como no caso das Universidades dos Açores e da Madeira, cujos orçamentos correntes e de investimento passaram a ser, a partir de 1995, suportados pelo Orçamento do Estado.

Em 1995, numa comissão com representantes dos governos central e regionais, são iniciados trabalhos conducentes à elaboração de um quadro de relacionamento financeiro entre os dois níveis de governo, resultando, em 1998, na publicação da Lei de Finanças das Regiões Autónomas.

No Comments

"Madeira faz contrato de 644 mil euros com empresa de deputados do PSD. Promoção turística entregue ao líder parlamentar e ao seu filho, líder da JSD." jornal Público

Dúvidas

Até que ponto é que os aumentos de diversos bens (portagens, salários, electricidade, transportes, etc.) tendo por base o valor da inflação prevista, não influenciam a inflação real.
Se o valor previsto fôr alto, todos os valores indexados ao valor da inflação tenderão a subir se o valor previsto fôr baixo, tenderão a subir menos.
O valor a ter como referência deveria ser o do aumento da produtividade/competitividade em cada sector e não o próprio valor da inflação, sob pena de num cenário de diminuição da produtividade/competitividade e elevada inflação, termos os custos a contribuir aínda mais para a diminuição da produtividade/competitividade.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Já não falta muito

Depois do Governo Regional, das Câmaras municipais, das Juntas de Freguesias, das casas do povo, da igreja, da comunicação social, das associações desportivas, dos bombeiros, chegou a vez do PSD tomar conta das associações empresariais , e da ACIF em particular.
Assim evita-se que haja qualquer tipo de sentido critico na sociedade madeirense.
Nem os regimes totalitários do bloco de leste, conseguiram chegar tão longe.
Parabens Sr. Dr. Alberto João, por levar tão longe a sua luta pela liberdade das pessoas e das instituições (para os mais distraidos, aviso que estou a ser irónico).

sábado, novembro 18, 2006

«Economia cresce pelo décimo mês consecutivo»

''A economia portuguesa voltou a dar sinais de crescimento em Outubro, pelo décimo mês consecutivo, beneficiando do aumento do consumo privado e da forte subida das exportações, de acordo com a síntese de conjuntura do Banco de Portugal.'' In DN

sexta-feira, novembro 17, 2006

O "menino guerreiro" anda por ai...


Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura
Guerreiros são pessoas
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
Que os tornem perfeitos
É triste ver este homemGuerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que traz no peito
Pois ama e ama
Um homem se humilha
e castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honraS
e morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz

Percepções e Realidade

«Curiosamente, sempre que antes ia almoçar ou jantar a São Julião da Barra _ sendo outro o forte -, Paulo Portas fazia-me lembrar a figura de Salazar - do que se conhece das fotografias - sentado no terraço onde gostava de trabalhar. Ali estava ele sozinho com uma cadeira pequenina e uma mesa também pequena. Chegava e via-o, normalmente de costas, virado para o mar. Daí talvez também, o "bronze" invejável com que normalmente aparecia...»
Pedro Santana Lopes, Percepções e Realidade (página.98)

O pior período da vida do PSD coincidiu com a sua deriva para o populismo irresponsável de Santana Lopes, que foi naturalmente apoiado de forma entusiástica por Alberto João Jardim. Claro está que os dirigentes responsáveis do PSD demarcaram-se dessa deriva populista e alguns até a combateram, como Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa. Os resultados foi lançar a direita (CDS incluído) num buraco tão profundo que tão cedo não saem de lá.

A Marques Mendes não se exigia que ganhasse eleições, mas conseguisse, com empenho e paciência, credebilizar o PSD preparando para voltar a ser poder num futuro mais ou menos próximo.

Marques começou bem. Tentou reorganizar internamente o partido e preferiu perder as câmaras de Gondomar e Oeiras mas se demarcar de Isaltino Morais e Valentim Loureiro.

Mas perdeu toda a credibilidade que lhe restava ao ceder a Alberto João.

A Marques Mendes era exigido que respondesse claramente, sim ou não, à seguinte questão: Concorda com o Alberto João na tese que a Madeira não ultrapassou os limites legais de endividamento? Fugiu e refugiou-se na hipotética nomeação de uma comissão para estudar o assunto, quando sabia que era verdade.

Depois vem à Madeira ser usado pelo Alberto na politiquice baixa e recorrente de tudo justificar os seus erros com a teoria da 2perseguição política”.

Marques Mendes, pela mão de Alberto João, chegou ao pior do Santanismo.

A verdade

A verdade na Madeira é sempre aquela que corresponde à propaganda do regime, apagando o passado, branqueando erros, transformando os responsáveis em vítimas e criando conspirações para desviar atenções.

A situação actual é paradigmática. O PSD cometeu o erro gravíssimo de não ter defendido que o PIB regional estava empolado pela Zona Franca e se ter batido pela sua correcção, para evitar que a Região saísse das regiões de objectivo 1 da EU. Ao invés, optou por dizer que a Madeira era uma região rica com um PIB que ultrapassava a média nacional. Era obviamente mentira, mas a comunicação encarregou-se de tornar em verdade oficial. O resultado está à vista, a Madeira perde com esta mentira mais de 200 milhões.

O deputado Maximiano Martins, no dia 9 de Outubro de 2004 (há dois anos atrás), alertou para o que iria acontecer se não fosse corrigida a mentira:

Vem isto a propósito da divulgação de três estudos importantes: um sobre a avaliação da riqueza produzida na Madeira e o peso da zona franca da Madeira; outro sobre os níveis de pobreza; outro ainda sobre o ranking das escolas feito a partir dos resultados dos exames do 12º ano. Os dois primeiros são estudos oficiais do Instituto Nacional de Estatística – autoridade estatística em Portugal; o terceiro foi elaborado pela Universidade Nova de Lisboa e divulgado pelo Expresso, no último fim-de-semana.

Todos convergem numa conclusão objectiva: a Madeira é menos rica e desenvolvida do que pretende a verdade oficial do governo da Região. Por muito que a verdade doa...

Algumas conclusões importantes: primeiro, o offshore (chamado assim simplificadamente e incluindo todas as actividades da zona franca da Madeira) representa 21% do produto interno bruto da RAM mas representa apenas 1% do emprego total da Região – o que mostra a natureza virtual das actividades aí inscritas desinseridas do tecido económico madeirense; segundo, diz o estudo, "se a actividade económica da zona franca da Madeira fosse nula, o índice da RAM em relação à UE de 15 países situar-se-ia em 64% em vez de 80%" – ou seja, a Madeira tem um PIB sobreavaliado face à sua situação real, estando a Madeira a apenas 2/3 da riqueza média europeia e não acima da média nacional;

“Na minha opinião, passadas as eleições regionais, as autoridades da Região deveriam assumir que as coisas são o que são – e não inventar comparações absurdas com regiões ricas como a Catalunha ou com patamares de desenvolvimento imaginários que só existem na cabeça de quem nunca saiu da Madeira ou não quer ver a realidade – e rapidamente fundar uma estratégia de negociação com a União Europeia, com o apoio do Governo da República, que evite a saída de "Região Objectivo 1", ou seja, de região com atrasos de desenvolvimento, carenciada de elevadas intensidades de apoio. Mesmo aceitando que a UE irá privilegiar os países mais pobres do Alargamento não é difícil admitir que as Regiões Ultraperiféricas possam – pelas suas características próprias e pela sua pequena dimensão relativa – gozar de um julgamento mais generoso. Se não for assim haverá menos recursos financeiros para as empresas e para a formação de recursos humanos e menor capacidade para ultrapassar atrasos de desenvolvimento.
No passado, em preparação de processos negociais na UE outros países membros reconfiguraram as suas divisões regionais e desenvolveram outros artifícios para manter níveis elevados de apoio. Porquê então, no nosso caso, fazer ostensivamente de falsos ricos e aceitar passivamente os ditames de terceiros – seja a Comissão Europeia ou os países contribuintes líquidos da União que querem gastar menos dinheiro com prejuízo da coesão e da solidariedade?

Há que esperar por parte do Governo Regional a coragem de afirmar a verdade e não fazer demagogia em matéria tão relevante para todos os madeirenses. A capacidade de rapidamente estabelecer as estratégias de negociação mais adequadas. Mais vale tarde do que nunca.”

A questão é saber se o responsável por este erro é quem a tempo e horas alertou para o perigo da mentira e da irresponsabilidade ou se é quem tinha o dever de defender os interesses da Madeira só se preocupou com os seus interesses eleitorais imediatos, mentiu aos madeirenses e prejudicou objectivamente a Madeira ?

Declaração de interesses ou "o que move Gulherme Silva?"

O deputado do PS-Açores, Ricardo Rodrigues, no início da sua intervenção sobre a Lei das Finanças Regionais na Assembleia da República, achou útil fazer o seguinte ponto prévio:

Senhor Presidente Sras. e Srs. Deputados
Antes de mais e, como ponto prévio, gostaria de fazer declaração de interesses quanto ao objecto da matéria hoje em apreciação:
1 – Nunca fui, nem sou advogado de nenhum departamento do Governo Regional dos Açores;
2 – Nunca fui, nem sou advogado do Presidente do Governo Regional dos Açores;
3 – Não sou advogado de nenhuma empresa pública sob tutela do Governo Regional dos Açores;
Era bom que, antecipadamente, soubéssemos se os demais intervenientes neste debate podem fazer a mesma declaração de interesses.
Respondo assim ao Sr. Deputado Guilherme Silva que em comissão sugeriu que me declarasse impedido para não fazer o parecer. Gostaria de ouvir agora o Sr. Deputado a fazer a sua declaração de interesses para fazer o meu juízo sobre o seu grau de impedimento. (...)"
Parece que a RTP transformou o programa "Grande Entrevista" no "Entrevistas com políticos populistas e irresponsáveis".

quinta-feira, novembro 16, 2006

Que interesses os do PSD-M?

1.
Já abordei noutra ocasião o impacto da actual proposta de lei de financiamento das Regiões Autónomas (LFRA). É indubitavelmente uma má proposta para as finanças e economia regional, com impactes negativos nas empresas e famílias madeirenses, ambas extremamente dependentes do orçamento regional. A nova fórmula de cálculo para a atribuição de verbas do Orçamento de Estado inclui o contributo do off-shore para o PIB regional, sobrelevando-o, tornando-nos numa região rica, virtualmente é claro. Este arranjo estatístico tem sido aliás o maior argumento do PSD-M e do Governo Regional para justificarem o pseudo sucesso do desenvolvimento económico e social que têm posto em prática nas últimas três décadas. Desde há muito tempo que o PS-M tem alertado para esta situação. O tempo veio dar razão.

2.
Constato que a posição do Governo Regional sobre a actual proposta de LFRA não foi a mesma aquando da atribuição do novo Quadro Comunitário de Apoio (QCA), para 2007-2013. Relembro que a nossa região vai perder 207 milhões de euros da UE pelo facto de sairmos do grupo de regiões de Objectivo 1, metade do valor atribuído no anterior QCA 2000-2006. Quando foi anunciado, não se fez notar quaisquer reacções, quer ao nível do PSD-M quer do próprio Governo Regional. Houve ZERO. Ora, este facto colocava numa posição muito (in) delicada os actuais governantes da maioria. Verificava-se pois, que o modelo de desenvolvimento defendido e implementado pelos próprios era e continua a ser um total fracasso. Os únicos a prevenirem para esta situação foram os partidos da oposição. Que interesses defenderam nessa altura? Os da Madeira não foram! Porque não se opuseram de forma enérgica e forte contra a saída da RAM das regiões Objectivo 1, com consequente perda de metade dos fundos comunitários? O único a materializar foi o anterior Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof. Freitas do Amaral, que na altura das negociações, durante a Presidência da UE pelo Reino Unido, conseguiu atenuar algumas das inevitáveis perdas financeiras para a nossa Região perante o actual cenário, a inclusão do contributo do off-shore no PIB regional. Considero que a posição do Governo Regional e do PSD-M perante a actual proposta LFRA é uma tentativa de desresponsabilizar-se das suas competências. Lavam as mãos, …, e atiram areia aos olhos dos madeirenses.

terça-feira, novembro 14, 2006

Júlio César
de William Shakespeare

ATO II
Cena I

[Depois de instigado por Cássio, Bruto passa a noite no seu jardim convencendo-se que deve trair César. Na manhã seguinte fará parte da traição.]

Roma. No jardim de Bruto.

BRUTO — “Preciso é que ele morra. Eu, por meu lado, razão pessoal não tenho para odiá-lo, afora a do bem público. Deseja ser coroado. Até onde influirá isso em sua natureza, eis a questão. É o dia claro que as serpentes chama, aconselhando-nos a andar com jeito. Ele, coroado? Sim, mas é certeza com isso darmos-lhe um ferrão, que o deixa capaz de realizar o mal que entenda. A grandeza exorbita, quando aparta da consciência o poder. Para ser franco com relação a César, nunca soube que as paixões ou a razão nele tivessem qualquer preponderância. Mas é coisa sabida em demasia que a humildade para a ambição nascente é boa escada. Quem ascende por ela, olha-a de frente; mas, uma vez chegado bem no cimo, volta-lhe o dorso, e as nuvens, só, contempla, desprezando os degraus por que subira. César assim fará. Antes que o faça, será bom prevenir. E, como a luta não poderá alegar o que ele é agora, argumentemos que se a sua essência vier a ser aumentada, é bem possível que incorra em tais e tais extremidades. Consideremo-lo ovo de serpente que, chocado, por sua natureza, se tornará nocivo. Assim, matemo-lo, enquanto está na casca.”

«Pequenas unidades industriais deixam de ter licenciamento prévio »

As pequenas unidades industriais vão deixar de estar sujeitas ao regime de licenciamento prévio, anunciou ontem Castro Guerra, secretário de Estado adjunto do ministro da Economia. Falando na Comissão Parlamentar de Orçamento - no âmbito do debate na especialidade do OE 2007 -, o secretário de Estado referiu que "até ao final do corrente mês de Novembro serão alteradas as regras do licenciamento de pequenas unidades industriais". Os empresários das PME e microempresas passam a assinar uma "declaração de compromisso" e podem começar a laborar de imediato. Caso esta declaração prévia não seja cumprida posteriormente, os empresários "sujeitam-se a um pesado quadro de sanções".

As intenções são de louvar, mas conhecendo o ''chico-espertismo'' português, procuram o engano ou o descuido da Administração Pública…
A ver vamos…

Inveja

Ao ter conhecimento do negócio de compra de um imóvel pelo Vereador Bruno Pereira por 285.000€ e sua venda passado pouco tempo por 425.000€, realizando uma mais valia fantástica em apenas mês e meio, veio-me á lembrança a frase atribuida a Aristoteles

"Geralmente são os bens que provêm do acaso que provocam inveja."

Muito me admira que o povo madeirense não seja mais invejoso.
Acasos como este que aconteceu a Bruno Pereira não acontecem todos os dias, muito menos ao comum cidadão. Se é que algém acredita em acasos destes.

segunda-feira, novembro 13, 2006

''CORRUPÇÃO AUTÁRQUICA ALARMA ESPANHA''

«Como tudo se passava: as competências de urbanismo eram das câmaras, embora os governos regionais tenham passado a legislar sobre os grandes planos. Nas câmaras, quando decretado que todo o solo era susceptível de ser urbanizado, a reclassificação de terrenos - outrora rústicos - para urbanizáveis, converteu-se na principal fonte de financiamento das edilidades.
Foi assim que, em poucos anos a superfície edificada aumentou 40 por cento. Mais: são admitidos os acordos urbanísticos, um mecanismo legal através do qual um promotor com solo não apto para a construção pode negociar com a câmara a reclassificação dos terrenos e o volume de construção se paga uma compensação. Dizem os peritos, sublinha a Justiça, comentam os observadores, que com esta porta tudo passou a ser permitido. Do reforço do financiamento dos municípios à corrupção

António Vercher, Procurador de Urbanismo e Meio Ambiente, admitia há dias a possibilidade de uma solução radical: a destruição de 100 mil casas construídas ilegalmente em Espanha, sem licença ou ao abrigo de uma autorização administrativa que não responde às exigências legais. Este é o lado escuro do bem-estar económico espanhol, um desenvolvimento económico assente no tijolo e na mão-de-obra imigrante mais barata. Uma prosperidade baseada na construção civil, o refúgio das empresas de construção após a fase das obras públicas que modernizou o país.

Casos de Corrupção:
Telde (Canárias)
O presidente da câmara e cinco vereadores do Partido Popular (PP), em liberdade sob fiança, num caso que envolve o pagamento de comissões em obras municipais.

Ciempozuelos (Madrid)
O "alcaide" e o antigo presidente da câmara, ambos socialistas, em prisão preventiva, num caso de reclassificação de terrenos no valor de 40 milhões de euros.

Villanueva de la Cañada (Madrid)
O director-geral de Urbanismo da Comunidade de Madrid, do PP, demitiu-se após ter sido publicado que autorizou um plano urbanístico que abrangia terrenos por ele vendidos.

Zurgena (Almeria)
A Procuradoria de Urbanismo e Meio Ambiente de Almeria pediu a imputação da vereação pelo licenciamento de 1300 moradias para estrangeiros em solo rústico.

Salamanca
O Supremo Tribunal cancelou orçamento camarário de 1998 por nele constar a alienação ilegal de terrenos municipais.

Seseña (Toledo)
Dois dos quatro vereadores socialistas são acusados de trabalharem para um imobiliário que, 14 dias antes de uma reclassificação, comprou solo rústico para construir uma urbanização de 13 mil casas. N.R., Madrid
»

Ler no Público

Leis e justiça

As leis devem de ser feitas com base em principios e não em conjunturas, sob pena de numa alteração da conjunctura ficarmos com uma lei desfasada dos objectivos da sua criação.
Além disso, para que uma lei seja entendida por todos, tem de ser imparcial, isto é, não beneficie uns em prejuizo de outros.
Quando uma lei é criada pode haver sempre alguem que se veja beneficiado ou prejudicado face a uma situação anterior, mas não é disso que eu falo. O que eu quero dizer é que uma lei tem tratar todos por igual num detrminado momento.
Com esta introdução quero dizer que no que toca á LFRA, os madeirenses e açoreanos não podem deixar de se bater para que os critérios de: limites de endividamento, limites de despesas com pessoal, limites ao défice, etc. sejam os mesmos que o estado central impõe a si mesmo, mem mais nem menos.
Deste modo os indicadores acima referidos deverão ser indexados aos valores reais do ano económico transacto.
Por exemplo, se no ano de 2006 o défice for de 4,7 % , no ano de 2007 o défice de cada uma das Regiões Autonomas não poderá ser superior a esse valor, sob pena de penalizações.
Recordo que as transferências do estado para as Regiões Autónomas já estão indexadas ao crescimento da despesa do estado, excepto quando há uma diminuição da despesa, situação em que as transferências são iguais ás do ano anterior mais a taxa de inflação.
Com os mesmos critérios aplicados a todos (Regiões Autónomas e Estado Central) salvaguardamos a justiça da LFRA , que será facilmente entendida por todos.

sábado, novembro 11, 2006

Mudar a História!

''Jardim roubou-nos as liberdades de Abril. Pela coacção "flamista" e depois pela chantagem de uma sociedade controlada e anestesiada (pelos empregos públicos, pelo investimento público, pelos subsídios...) e pela aniquilação sistemática dos adversários, Jardim não nos permitiu o gozo das liberdades, da expressão livre, do debate de ideias.''

Continuar a ler aqui

''Carta a Jardim'' por Maximiano Martins

sexta-feira, novembro 10, 2006

«Necessidade de repensar o modelo de desenvolvimento regional»

Estudo da Universidade Católica diz que a Madeira tem de adoptar modelo de desenvolvimento assente no turismo

João Confraria, professor da Católica referiu que o modelo de desenvolvimento na Região «tem estado muito baseado no crescimento da administração pública e no investimento», sendo que, mesmo sem esta revisão da LFRA, «estava numa altura de repensar o modelo de desenvolvimento. É necessário que a Madeira adopte um novo modelo de desenvolvimento, que esteja assente no turismo e nas actividades tradicionais.»
«Com esta lei, a reformulação é urgente», sublinhou, acrescentando que os motores do crescimento da economia regional terão de deixar de ser o investimento público e a despesa pública e têm de passar a ser outros sectores, nomeadamente os que vendem para o exterior.

Jornal da Madeira de 8/11/2006

Sindicalismo moderno

Cumpre-se hoje o segundo dia de greve da função pública. Sabendo como as coisas costumam funcionar por cá, hoje, sexta-feira, a percentagem de trabalhadores que iram aderir á greve deverá ser superior á de ontem.
Ficamos sempre com a sensação que existe por parte dos sindicalistas uma grande preocupação com os fins-de-semana prolongados.
Outro aspecto que salta á vista é o facto de que existem mais greves e contestação social quando os governos são de esquerda.
Na minha opinião isto acontece porque os sindicatos acham, e na realidade tem acontecido, que os governos de esquerda cedem mais facilmente ás reivindicações das pretenções dos trabalhadores.
Acontece que muitas dessas pretenções foram para lá do que era aceitável. Muitos dos direitos adquiridos, foram adquiridos á custa dos direitos de outros trabalhadores com menos poder reivindicativo e mediático.
Não podemos deixar de ver no baixo número de trabalhadores sindicalizados em Portugal, comparativamente a outros países mais desenvolvidos, e a perpectuação no poder de alguns dirigentes sindicais bem como no elevado racio de dirigentes sindicais por trabalhador sindicalizado, um sinal que algo não está bem e tem de mudar.
É urgente encontrar novos dirigentes sindicais, novas formas de organização para os sindicatos, que os tornem agéis, flexiveis e realmente representativos dos trabalhadores portugueses e dos seus justos interesses.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Receitas próprias (IVA)

Na proposta de revisão da Lei das finanças Regionais o IVA passa a ser uma receita própria da região, ao contrário do que acontece actualmente, em que o IVA cobrado em todo o país ( incluindo as Regiões Autonomas) entra num bolo global e é distribuido por capitação, isto é, de acordo com o número de habitantes de cada região.
Aparentemente, esta mudança trará uma redução do dinheiro que vem para a Madeira, tendo em conta que o IVA cobrado cá é 30% inferior ao cobrado no território continental.
No entanto existem dois factores que poderão ir no sentido contrário desta redução, que são o turismo e o CINM (Centro internacional de negócios da Madeira).
O número de turistas corresponde a uma população flutuante de mais de 15000 habitantes que estatisticamente consomem 3 vezes mais que a população residente, isto é, estes turistas representam uma população equivalente de 45000 habitantes (aproximadamente 20% da população residente mais flutuante)que não era tida nem achada nas contas de redistribuição do IVA. Significa isto que com o actual modelo existe um factor que faz com que o IVA cobrado na Madeira por habitante seja superior ao do resto do país mas que não tem reflexo no dinheiro redistribuido.
O outro factor é o do CINM em que o IVA entrava no bolo global e com a nova proposta passará a fazer parte das receitas próprias da região. Só este factor significa que a Madeira pode receber mais 10% do que recebe actualmente.
Mas como nem tudo são rosas, se a eficiência fiscal continuar pior do que no resto do país (por cá os incumpridores são escondidos) todas estas vantagens serão disperdiçadas.
É esta politica de responsabilização que assusta este GR.

terça-feira, novembro 07, 2006

As contas de Alberto

O historiador Alberto Vieira apresenta na sua página, uma rubrica denominada o "o saldo da divida" em que apresenta uma série de dados correspondentes ás receitas e despesas da Madeira desde o sec. XV, isto é, o que a Madeira gerou em impostos e o que o estado investiu cá.
No entanto esses dados carecem de maior rigor. Numa análise superficial é possivel detectar erros grosseiros nos números apresentados, como por exemplo:no ano de 1942 em que o saldo é de -115.725.498$ (significando que o estado investiu cá mais 115.725.498$ do que fomos capazes de gerar em impostos nesse ano) e em vez disso é apresentado um valor com a mesma dimensão mas de sentido inverso; no ano de 1945 em que o saldo deveria ser de 37.112.507$ e é apresentado o valor cerca de 10 vezes superior. Concerteza que com uma leitura mais atenta seria possível detectar outros erros.
Outro facto "estranho" é não existirem dados referentes ao pós 74. Ninguem duvida que nestes últimos anos a Madeira foi compensada (justamente) pela falta de investimento do estado nesta parcela de Portugal desde a monarquia até ao estado novo.
Não podemos esquecer também que foi apenas num regime democrático e livre que a situação injusta de expoliação teve um termino.
Se durante muito tempo a Madeira apenas ficava com parte daquilo que gerava, neste momento verifica-se o contrário, isto é, geramos apenas parte daquilo que utilizamos e precisamos.

quinta-feira, novembro 02, 2006

"Grande Entrevista" com A. J. Jardim

"Quando vires o inimigo a cometer um erro, não interfiras."
Napoleão Bonaparte

CARTA ABERTA

CARTA ABERTA 

AOS MEMBROS DO GRUPO PARLAMENTAR DO PSD NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA QUE INTEGRAM A DELEGAÇÃO QUE VISITA A REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA EM NOVEMBRO DE 2006 
 

Estimados Colegas Deputados: 

Como madeirense e eleito por voto popular por aquela Região para o mandato que actualmente desempenho da Assembleia da República cumpre-me começar por saudar a vossa iniciativa de visitar a Madeira nos próximos dias. 


A Madeira oferece, por uma longa tradição, um elevado padrão de hospitalidade aos seus visitantes. Assim tem sido ao longo da história quando a Ilha acolhia forasteiros que por razões de amor, ou por desamores, provinham das cortes europeias. Quando, para curas de doenças, nomes ilustres da comunidade internacional procuravam a Ilha. Ou para exílio. Ou à procura de segurança durante a II Guerra Mundial. Ou, mais antigamente, quando “já chegámos à Madeira” significava a porta de entrada na Europa cosmopolita dos viajantes em regresso à Europa provenientes de territórios do sul. 

É público e notório que esta tradição de acolhimento amigável se tem deteriorado com a governação dita “social-democrata” da Região pela sua raiz populista e demagógica. Mas a História sempre nos orientou num sentido diverso da actual deriva. E como regra o caminho da História faz sempre o seu percurso pelo que a “normalidade” será um dia reposta. 


Estou seguro que, desta vez, o acolhimento que vos será dispensado honrará as boas tradições da Região. 

Permitam-me que vos proponha algumas sugestões. 

Se se tratasse de uma normal visita de turismo iria sugerir após a chegada ao aeroporto de bom nível, a utilização da via rápida para acesso ao Funchal e o conforto que permite uma estadia num dos hotéis de cinco estrelas. A possibilidade de aceder ao mar (com uma temperatura ainda acima dos 20º, nesta época do ano) ou a piscinas marítimas e de poder usufruir de uma restauração de qualidade no próprio hotel ou nos arredores conferir-vos-á comodidade e talvez acreditem, nesse momento, que o PIB da Região seja 21% acima da média do PIB do país. 


Sugiro-vos, porém, um programa que não esqueça as vossas responsabilidades políticas. No Funchal não poderão deixar de visitar e contactar com os habitantes da Levada dos Moinhos ou, um pouco mais afastado, da Corujeira ou ainda das Zonas Altas de Santo António, São Martinho e São Roque. Mas poderão ficar-se no Funchal por Santa Maria Maior. Em todos os casos verão que por detrás da fachada existe uma realidade de sofrimento e baixa qualidade de vida. 

Também não se esqueçam de pedir aos vossos assessores dados de desenvolvimento económico, social e humano da Região. Levem convosco informação estatística porque o “regime” não vos fornecerá – como sabem todo o regime absoluto convive mal com a verdade… com os factos.  


Verificarão que   

* a Região da Madeira que surge em 2º lugar no ranking das 7 regiões portuguesas, quando se usa o indicador do PIB regional per capita, surge em 5º lugar, quando se usa o índice de poder de compra concelhio, e em 7º e último lugar quando se usam os indicadores de receita e despesa dos agregados domésticos
* a Região da Madeira surge, no quadro dos indicadores de conforto das famílias, como a região menos desenvolvida do país
* o nível de disparidade interna na região da Madeira é mais elevado que o registado quer na outra região insular do país, a região dos Açores, quer nas regiões menos desenvolvidas do Alentejo  e do Centro, quer, ainda, na outra região turística, a região do Algarve
* os dados de poder de compra por município confirmam uma grande disparidade entre o Funchal (144 para uma base 100 na RAM) face aos municípios ‘adjacentes’ – para já não falar dos mais distantes – como Câmara de Lobos (53), Ribeira Brava (66), Santa Cruz (86) e Machico (70)

 

Esta última informação encontram em documento oficial do Governo Regional (o PDES) e as três primeiras encontrarão no Estudo elaborado, sob encomenda do Governo Regional, do Prof. Augusto Mateus de Setembro de 2004 – estudo que o Governo Regional manteve “na gaveta” para que prevalecesse a “verdade” de um desenvolvimento excepcional medido por um indicador fortemente empolado por um efeito “zona franca”. Ou seja, para que prevalecesse a “glorificação do regime” e o êxito pessoal do Presidente do Governo Regional. Por esta razão as conclusões daquele estudo não foram fornecidas ao Governo da República (à altura um Governo PSD/PP) para efeitos das negociações comunitárias. Recordo-vos que da decisão comunitária para 2007/2013 resultou a saída da Região de “Objectivo 1” e a consequente perda de cerca de 50% das dotações que auferira no período anterior de programação (2000/2006). Uma perda de cerca de 500 milhões de euros! 

Nas vossas reuniões com o poder que governa a Região nos últimos trinta anos não deixem de pedir explicações para o facto de a Madeira ter os piores resultados em educação – consultem os recentes ‘rankings’ de escolas ou dados mais estruturais do INE – e os níveis mais elevados de analfabetismo do país. Questionem-no sobre o elevadíssimo número de beneficiários do Rendimento Social de Integração. Perguntem-lhes porque permanecem, trinta anos depois, tanta exclusão social e tão graves problemas de alcoolismo e tóxico-dependência. Interroguem-no sobre os graus de liberdade da sociedade civil madeirense – e lembrem-lhe que um dos traços mais marcantes do totalitarismo é justamente o completo controlo de todas as formas de expressão da sociedade. Perguntem pelas promessas de uma região digital, de uma região exportadora de inteligência ou ainda as miragens de “a Hong-Kong do Atlântico”, de uma Singapura ou tantas outras pérolas de demagogia… 

Ao saudarem o Presidente do Governo Regional e Presidente do PSD-Madeira não se esqueçam do epíteto que mereceu, em publicação internacional, de “cacique populista e campeão do insulto”. Lembrem-se do que chamou aos jornalistas: “bastardos, para não dizer filhos da p…”. Da forma como se referiu aos imigrantes na Ilha aos quais disse “não os quero aqui” – em contradição com o destino histórico migratório dos madeirenses. Lembrem-se dos cidadãos insultados e perseguidos nos seus empregos e nas suas vidas particulares. Recordem-lhe a forma como tratou o actual Presidente da República e todos os Primeiros-Ministros e Ministros das Finanças de Portugal. Não recuem na pergunta sobre o que pensa do vosso líder nacional. Aproveitem para lhe perguntar o que pensa dos Deputados à Assembleia da República e o que pensa dessa “Casa da Democracia”. É escusado perguntar-lhe o que pensa de outras instituições do nosso Estado de Direito: o Tribunal Constitucional, o Tribunal de Contas, o Governador do Banco de Portugal, a Comissão Nacional de Eleições… 

Se o estilo e a prática do vosso anfitrião merecem, no vosso douto entendimento, acolhimento na família social-democrata então saúdem-no respeitosamente.  


E ainda respeitosamente, se algum economista fizer parte da vossa delegação, façam um exercício (impossível) de lhe explicar o que significa rigor e responsabilidade em política económica. Expliquem-lhe que aquilo que ele faz não tem nada a ver com Keynes – mesmo numa versão de pacotilha – como ele invoca. Expliquem-lhe os efeitos perversos de excesso de despesa pública em contextos de economia aberta. Perguntem-lhe o que pensa da consolidação orçamental, do controlo do défice. Expliquem-lhe o ónus do endividamento desregrado. Peçam-lhe para confirmar se a dívida pública directa e indirecta da Região Autónoma da Madeira estará já entre 250 e 400 milhões de contos! Perguntem-lhe porque é que o turismo está hoje mais desqualificado na Madeira. E expliquem-lhe a importância económica do conhecimento, da formação… Questionem-no sobre o custo-benefício dos apoios gigantescos ao desporto profissional “estrangeirado” e sobre a racionalidade dos apoios públicos a um jornal sem expressão pública relevante como é o Jornal da Madeira. Expliquem-lhe que tais utilizações de dinheiros públicos são intoleráveis num Estado de Direito, num país civilizado… E se querem ver “deitar dinheiro ao mar” vão à Marina do Lugar de Baixo. E se além de esbanjamento querem ver um crime ambiental vão ao Jardim do Mar – se não puderem ir peçam para visionar o documentário da “Save the Waves” e talvez possam subscrever comigo um desafio à RTP-Madeira para passar, obrigatoriamente por dever de ética e de serviço público, aquele documentário. 
 

Da minha parte dou-vos sinceros votos de boa estadia na terra onde nasci e onde tenho o privilégio de residir. Saudações democráticas. 
 

Maximiano Martins

Nova Lei das Finanças Locais

Será que o Governo tem razão em querer impor rigor financeiro às autarquias? Ou terão os autarcas razão quando dissem que são poupados?

Alguns factos:

  1. só no primeiro semestre de 2005, o endividamento da Administração Local e das regiões autónomas aproximou-se dos 200 milhões de euros, mais 58 por cento que em igual período do ano passado. Mas a maior fatia cabe às autarquias que, até final de Junho de 2005, deviam à banca 174 milhões de euros, um aumento de 228 por cento em relação ao primeiro semestre de 2004.
  2. Sejamos claros: o efeito directo da derrapagem da dívida das autarquias é o aumento do défice do Estado. Em 2001 (OE de 2002), no final do governo de Guterres, o descontrolo orçamental nas autarquias foi total e fez disparar o défice do Estado. Depois Manuela Ferreira Leite proibiu as câmaras de se endividarem.
  3. Na Madeira: "Tribunal de Contas denuncia má gestão nas Ilhas - A dívida total dos municípios da Madeira ascendia a 161,9 milhões de euros em Dezembro de 2003, representando 95% da receita arrecadada naquele ano, segundo o relatório do Tribunal de Contas (TC), ontem divulgado.
    Entre 1998-2003 a dívida das câmaras madeirenses aumentou 144%.
    Cerca de 47% da dívida administrativa apurada em 2003 estava concentrada no Funchal (42,1 milhões de euros). Em quatro anos, as dívidas aos fornecedores das câmaras da Madeira aumentaram 126% (49,8 milhões de euros) .
    Ainda assim, entre 2000 e 2003, a taxa de crescimento da dívida administrativa na globalidade dos municípios foi inferior à da dívida administrativa da Região Autónoma da Madeira (306%)." DN, 10.01.06
  4. Moral desta triste história: os autarcas continuam a brincar irresponsavelmente com o dinheiro público.
  5. E se o Governo quiser cumprir a promessa de reduzir o défice público de forma a cumprir o PEC, então terão de ser introduzidos mecanismos de controlo e rigor financeiro nas autarquias. Dai a absoluta necessidade desta Nova Lei das Finanças Locais.

terça-feira, outubro 31, 2006

Caso de polícia

"Com esta actuação do primeiro-ministro e do PS estão a ressuscitar a FLAMA [Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira]", declarou o deputado social-democrata Coito Pita, in Público 31.10.2006.

Um dos vice-preidentes do PSD-Madeira ameaça o chefe de Governo da República Portuguesa com o reaparecimento de um movimento terrorista, responsável por vários atentados à bomba nos anos 70.

Ainda têm a minuta daquele requerimento para um exame psiquiátrico?

sábado, outubro 28, 2006

Operação de cedência de créditos na Madeira - Basta!

Operação de cedência de créditos na Madeira


1. A Lei n.º 91/2001 – Lei de Estabilidade Orçamental – estabelece no ser Artigo 87º, o seguinte:

"Equilíbrio orçamental e limites de endividamento

1 — Em cumprimento das obrigações de estabilidade orçamental decorrentes do Programa de Estabilidade e Crescimento, a lei do Orçamento estabelece limites específicos de endividamento anual da administração central do Estado, das Regiões Autónomas e das autarquias locais, compatíveis com o saldo orçamental calculado para o conjunto do sector público administrativo.

2 — Os limites de endividamento a que se refere o número anterior podem ser inferiores aos que resultariam das leis financeiras especialmente aplicáveis a cada subsector."


2. Art. 70º da Lei do OE para 2005, diz no seu n.º 1 que:

"As Regiões Autónomas não podem acordar contratualmente novos empréstimos, incluindo todas as formas de dívida que impliquem um aumento do endividamento liquido, de acordo com o sistema europeu de contas nacionais e regionais (SEC)"

E o que é o endividamento liquido para o SEC95?

É a "diferença entre a soma de todos os passivos financeiros, qualquer que seja a sua forma, incluindo nomeadamente os empréstimos contraídos, contratos de locação financeira e dívidas a fornecedores e a soma doa activos financeiros (...)"

Problema: Se o valor do passivo financeiro já inclui empréstimos e dívidas a fornecedores, de que forma é que a "transformação" (cedência de créditos) de uma divida a fornecedor em empréstimo bancário faz aumentar o passivo financeiro?

Ora, se de facto a dívida a fornecedores já estava contabilizada e, como tal, contava para o passivo financeiro a dívida global não aumenta.

O problema é que, segundo o Ministério das Finanças (MF), o Governo Regional da Madeira (GRM) na prestação de informação periódica sobre a execução orçamental OMITIU ESSA DÍVIDA a fornecedores. Ou seja, essa dívida EXISTIA DE FACTO MAS NÃO FORMALMENTE.

O MF só veio a descobrir esta situação porque a sociedade financeira que comprou os créditos aos fornecedores reportou essa operação ao Banco de Portugal e, por sua vez, este informou o MF.

Desta forma, o GRM contraiu dívidas quando estava expressamente proibido de o fazer, omitiu essas dívidas e falseou as informações que estava legalmente obrigado a prestar ao MF, ultrapassou o limite de endividamento estipulado e violou a Lei de Orçamento de 2005 e a Lei de Estabelidade Orçamental.

E isto é MUITO GRAVE. Porque que além de cometer várias ilegalidades, o GRM escondeu uma dívida que estava legalmente obrigado a reportar, acto que tem consequências para o apuramento do défice público



3. CONSEQUÊNCIAS

Assim, estando provado que de facto não foi respeitada a regra do "endividamento zero" do art. 70º do OE de 2005, a Lei n.º 91/2001 – Lei de Estabilidade Orçamental – no seu Artigo 92º determina que:

"n.º 4 — Por efeito do não cumprimento dos limites específicos de endividamento que se prevêem no artigo 87. º, a lei do Orçamento pode determinar a redução, na proporção do incumprimento, das transferências a efectuar, após audição prévia dos órgãos constitucional e legalmente competentes dos subsectores envolvidos."

E o art. 66º da mesma lei estabelece que:

“Responsabilidade pela execução orçamental

1 - Os titulares de cargos políticos respondem política, financeira, civil e criminalmente pelos actos e omissões que pratiquem no âmbito do exercício das suas funções de execução orçamental, nos termos da Constituição e demais legislação aplicável, a qual tipifica as infracções criminais e financeiras, bem como as respectivas sanções, conforme sejam ou não cometidas com dolo.

2 - Os funcionários e agentes são responsáveis disciplinar, financeira, civil e criminalmente pelos seus actos e omissões de que resulte violação das normas de execução orçamental, nos termos do artigo 271.º da Constituição e da legislação aplicável.”

CONCLUSÃO:

Esta irresponsabilidade da gestão das finanças públicas regionais vai ter consequências para a Madeira.

Se isto acontecesse numa empresa os administradores eram demitidos.

Se isto acontecesse a um particular ele seria acusado de burla.

Se isto acontecesse numa sociedade de cidadãos activos e com consciência crítica, tinhamos eleições antecipadas.

Se isto acontecesse com gente responsável e séria o Governo Regional, ou pelo menos o Secretário das Finanças, demitia-se.

E na Madeira?

Se de facto o “Basta!” é para levar a sério isto tem de ir até as últimas consequências.

sexta-feira, outubro 27, 2006

quinta-feira, outubro 26, 2006

Eu tou farto

Tou farto destas merdas
Farto deles todos, farto desses cabrões

Farto de ser o culpado sem ter culpa de nada
Ser rejeitado, farto de conversa fiada

Farto deste sistema de merda que nos engole
Farto destes políticos a coçar colhões ao sol
Farto de promessas da treta
Sobem ao poder metem as promessas na gaveta

Farto de ver o país parado como uma lesma
Ver as moscas mudarem e a merda ser a mesma
Farto de os ver saltar quando os barcos naufragam
Quanto mais tiverem melhor, menos impostos pagam

Farto de rir quando me apetece chorar
Farto de comer calado e calado ficar
Farto das notícias na televisão
Farto de guerras, conflitos, fome e destruição

Farto de injustiças, tanta desigualdade
Cegos são os que fingem que não vêem a verdade
E eu tou farto...

Boss AC

quarta-feira, outubro 25, 2006

Assim não!

A proposta do Orçamento de Estado para 2007 reserva uma esmola de 28 milhões para o Instituto de Conservação da Natureza. Em apenas 5 anos o orçamento do ICN foi reduzido para quase metade. Muito mais do que isto gasta o Alberto João em foguetes!

A Sócrates era exigível que encara-se a conservação da natureza como uma prioridade, mas parece que verde só nos cartazes.

O "plagio" do MST e a "bad publicity"

Eu aprecio o Miguel Sousa Tavares. É um livre pensador, um espirito livre, que analisa a sociedade de forma sagaz e descompremetida e diz o que pensa. Às vezes não concordo com ele, outras acho que está a asneirar, mas acima de tudo gosto da sua atitude corajosa, inteligente e frontal.

Ainda não li o seu “Equador”, tenho vários livros na fila de espera que nem sei se algum dia terei oportunidade para desfrutar esse romance.

Contudo, o sucesso que alcançou demonstra que é seguramente um romance, pelo menos, muito agradável. Não posso assegurar se ele recorreu ao plágio ou não, mas o MST parece-me um tipo demasiado inteligente para isso. Mas há uma coisa que eu sei “there’s no such think as bad publicity” o que quer dizer que esta polémica vai ajudar o MST a vender mais livros.

terça-feira, outubro 24, 2006

A professora da minha filha mais nova, foi “despedida” da escola.

Já leccionava naquela escola há vários anos, mas acaba de perder o lugar.
- Porquê? Perguntaram os pais.
- Porque o meu lugar foi ocupado por um colega que saiu agora do sindicato. Há 14 anos que deixou de leccionar e apenas estava no Sindicato. Agora como o governo reduziu o número de sindicalistas e o tempo de Sindicato conta para a antiguidade como professor, mesmo não dando aulas há 14 anos, esse colega tem prioridade e eu perdi a colocação.
- Mas isso parece-me estranho. Um professor que deixou de dar aulas há 14 anos, estará actualizado e com o ritmo necessário para recomeçar a actividade, com bons resultados para os alunos?
-Isso também não sei, mas os factos são esses.
Conclusão: Confirmo a minha ideia – O objectivo do sindicato não é o aluno, nem tão pouco o professor. O objectivo do Sindicato é ele próprio e cuida muito bem dos interesses dos seus dirigentes.Nos tempos que correm é um paraíso não se perder o emprego. Mesmo que o sindicalista expulse um colega para lhe ficar com o lugar, vale tudo a bem do Sindicato.
do faccioso.blogspot.com

Hoje ha palhaços

Ofensiva “C+S"

Marques Mendes aconselha José Sócrates "a ter tento na língua"
Santana Lopes acusa José Sócrates de fazer "batota política"

As duas notícias acima referidas mostram que o PSD colocou em marcha a Grande Ofensiva "C+S" contra José Sócrates. Este ataque concertado por parte de destacados membros do PSD recorre aos termos mais utilizados nos recreios da primária e do ciclo preparatório e foi já considerada "muito preocupante" por fontes próximas do Largo do Rato.

Segundo uma das nossas fontes, "a utilização de expressões da pré-primária e do ciclo preparatório atinge o governo em cheio e pode mesmo vir a fazê-lo cair antes do final da legislatura. É preciso ver que o povo português é algo acriançado e não percebe expressões típicas da política como "inverdade" ou "falta de respeito". Mas "batota" e "tento na língua" todos percebem". A mesma fonte refere ainda que "o primeiro-ministro está preocupado com a sua imagem e tem medo de ser visto como um puto reguila e birrento".

No entanto, a ofensiva continua e amanhã está previsto que Manuela Ferreira Leite acuse José Sócrates de "querer abafar todos os berlindes dos portugueses com os aumentos dos impostos", enquanto Dias Loureiro convida o chefe do governo para jogar à cabra-cega ou, em alternativa, ao bate-pé.

Victor Lazlo
no frangosparafora.blogspot.com

Portugal vale a pena

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de
recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de
tecnologia de transformadores.
Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus. Eu
conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os
vende para mais de meia centena de mercados.
E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você
pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme
que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas
bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários
prémios internacionais.
E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se
fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados
Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores
agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de
energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de
plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa
por via informática.
Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram
sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas
e médias empresas.
Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou
para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que
desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagensdas
auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado
mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que
produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos
espanhóis.

E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência
Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema
mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a
construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente
qualidade um pouco por todo o mundo.

O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive -
Portugal.

Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por
portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com
sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.
Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS,
BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software,
Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do
Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace,
Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas
também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim
Turismo.

E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas
dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos
e anos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal,
Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal
um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo
são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana).

É este o País em que também vivemos.
É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na
cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas na
saúde, no ambiente, etc.
Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o
progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.
Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos
orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não
invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma
velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez,
puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos
sucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar
muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito.
Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados,porque não hão-de os
bons serem também seguidos?

Nicolau santos, Director - adjunto do Jornal Expresso
In Revista Exportar

domingo, outubro 22, 2006

Ranking das escolas


Apesar de polémico, considero que o ranking das escolas pode contribuir muito para a melhoria dos resultados nas mesmas.
Todos os olhos ficam em cima das melhores escolas de modo a verificar se a sua experiência é repetivél noutras escolas. Permite também ás escolas piores classificadas tentar perceber a razão do insucesso e tentar mudar para melhor.
Por cá os resultados foram muito pouco animadores, mas um dia serão melhores.
Como nota final, saliento a diferença entre as notas da avaliação continua (identificado por CIF no quadro) e as notas dos exames. O que será que isto significa?

sexta-feira, outubro 20, 2006

Considerações sobre o aumento da electricidade

O papel da ERSE neste caso do aumento das tarifas de electicidade é um desastre.
O regulador deveria estar preocupado, sobretudo, com os consumidores de energia. Mas neste caso mostrou-se mais preocupado com as empresas produtoras (monopolistas, por sinal).
Ao pretender que os consumidores subsidiem uma empresa para esta ficar mais forte quando o mercado fôr aberto é, só por si, desvirtuar a concorrência.
Daqui a 3 anos teremos energia mais barata do que temos neste momento, mas até lá teremos aumentos de 15% ao ano (se esta loucura fôr em frente).
A ERSE deveria estar preocupada em aumentar a eficiência das empresas produtoras, impondo restrições ao aumento dos preços.
Considerando que as empresas produtoras são tão afectadas como as outras pelo contexto económico, um aumento dos preços ao nivel da inflação significa que não existe aumento de eficiência das empresas deste sector.
Por outro lado, admitindo que o actual contexto (aumento do petróleo e gás) pode afectar mais os custos de produção destas empresas, um aumento na ordem da inflação induziria um real aumento da eficiência.
Quando houver concorrência, o mercado que faça o seu papel de regulador.

PS - Quanto ao pagamento das taxas de utilização do dominio público, que as Câmaras municipais passaram a cobrar , este valor deverá vir discriminado na factura, uma vez que esta é uma taxa municipal e não custo de electricidade.

quinta-feira, outubro 19, 2006

E na Madeira?

"Nem o Estado pode utilizar a religião para fins políticos nem a religião pode usar o Estado para fins religiosos."

O constitucionalista Jonatas Machado no jornal O Público.

A Santa Aliança

Na Madeira do tempo do meu avô havia duas fotografias que estavam por tudo quanto é sitio, a de Salazar e a do Cardeal Cerejeira. Este um santo que falava directamente com Deus e Salazar um homem iluminado pela graça divina enviada pela santa providência para salvar a grandiosa e mui nobre Nação Portuguesa.

Aos domingos, os chefes das paróquias veinculavam uma série de ameaças biblícas contra os pecados dos "comunistas", esses inimigos do Povo de Deus, que só de ouvir a palavra o povo humilde tremia de horror. Cruz credo! Vai de retro Santanás!

A acompanhar esta lenga-lenga que capava a capacidade de reflexão estavam os professores primários e do Liceu, formavam um bloco que espalhava a boa nova, a de Cristo e do Estado Novo.

Graças a Deus, ou ao 25 de Abril, essa Santa Aliança foi decretada defunta e o Estado voltou a ser laico.

Contudo, na Madeira Nova os mesmos que gritavam "Ave Salazar", sem nunca negarem a sua matriz ideológica e a sua admiração pela ditadura fascista, negaram a transicção para uma Estado laico.

Reagruparam-se sob uma capa de "democratas-novos" para, com a protecção do mesmo clero que protegeu Salazar, voltarem a instalar um regime autoritário. Uma Santa Alliança.

Piada politica

Na Madeira, chega um menino à beira da professora e diz:
- Sra. Professora, a minha coelha teve cinco coelhinhos e são todos
P.S.D.!
- Muito bem! Olha, amanhã vem cá o Sr. Alberto João Jardim e tu
contas-lhe essa história. Está bem?
- Está bem! - responde o menino.
No dia seguinte, o Alberto João Jardim vai visitar a escola e, como
combinado, a professora chama o menino. O menino dirige-se à beira
do presidente e diz:
- Sr. Presidente, a minha coelha teve cinco coelhinhos e dois são do
P.S.D.!
- Então, - diz intrigada a professora - não eram os cinco?
- Eram, ...mas três já abriram os olhos!

Há coisas fantásticas, não há?

Tenho por hábito ir ao site www.youtube.com e ver um ou dois videos por dia.
Habitualmente aparece na primeira página os videos mais vistos ou com maior número de comentários ou prémios.
Hoje vi dois videos com o mesmo cariz. Ambos fantásticos.

Noah takes a photo of himself everyday for 6 years
Ben takes a photo of himself everyday

A internet não deixa de surpreender.
O video do noah já foi visto mais de 3 milhões de vezes. Mais do que qualquer filme alguma vez feito em Portugal e arredores.

Critérios economicistas

Tal como noutras profissões, exitem professores bons e maus, profissionalmente falando.
Neste momento, são todos tratados de uma forma uniforme, uma vez que as avalizções simplesmente não funcionam. Podemos afirmar que deste modo não existe nenhum estimulo para que cada professor tente superar-se a si próprio.
A avaliação dos professores tem de ser feita de forma relativa e não absoluta, isto é, um professor com qualificação excelente é um professor que é melhor que um Muito Bom. Com a existência de quotas significa que os Excelentes farão os possíveis por não sairem da "1º liga" enquanto que os muito bons farão os possíveis por subir de divisão.
Um dos argumentos dos professores para rejeitar esta alteração do ECD é que esta se está a fazer por razões economicistas.
E neste sentido economicista significa o estado (todos nós) pagarmos a alguns individuos (10% ou 20% de professores incompetentes) por trabalho que estes não realizam.
Por outro lado, não é economicista um professor que não aparece na escola durante metade do ano, ou aparece e não faz nada que preste, querer receber dinheiro que claramente não merece.
A vida é assim mesmo. Os critérios economicistas têm sempre dois lados. O de quem recebe e o de quem paga.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Descupe-me. Importa-se de repetir.

Porque é que os portugueses vão ter de pagar um aumento de mais de 15% no preço da electricidade a uma empresa pública que tem mais de 1000 milhões de euros de resultados liquidos?

Nostradamus da Madeira Nova

Quase toda a gente que tem visibilidade na comunicação social madeirense tem andado a dizer que com a alteração da LFR, e com a suposta diminuição de verbas (menos de 5% do orçamento regional), vão aumentar o desemprego, a fome e a imigração.
Mas o futuro tenebroso chegou cedo demais. A Madeira é neste momento (antes da alteração da LFR) a única região do País onde o desemprego continua a subir.
Com uma dívida de aproximadamente 250 milhões de contos (2 vezes o orçamento regional) e sem meios de gerar riqueza, mesmo que as transferencias do estado aumentassem, o desemprego contiuaria a aumentar.

PS - Com a nova lei das finanças locais os gastos com pessoal, incluindo avençados e assessores, ficará limitada. Quem serão os avençados regionais que começam a ver os seus magros rendimentos em causa?

Nova Lei das Finanças Locais

Depois de estudar a actuação do poder local nos últimos 30 anos, e de ter estudado a proposta da Nova Lei das Finanças Locais,a minha conclusão é que esta lei fica aquém daquilo que era necessário, devia ir mais além e ser mais ambiciosa.

terça-feira, outubro 17, 2006

Os chicos-espertos

Quando alguém se candidata à presidência de uma qualquer organização, fá-lo para ganhar.

Se numa situação em que existe dois candidatos, e um deles tem mais possibilidades de ganhar do que o outro, é normal que o mais fraco tente “adormecer” o mais forte.

Como faz isso? Propõe acordos nas listas de candidatos para os vários órgãos. E porquê? Porque sabendo que vai perder apresentando uma candidatura própria, sabe que se houver uma lista de “consenso” garante que pessoas “suas” nesses órgãos.

Claro que esta estratégia tem de ser convenientemente escondida sob o discurso do “estamos a agir no melhor interesse da instituição”, “não queremos divergências”, etc..

Mas a verdade é que não apresenta listas próprias pela simples razão de não terem hipóteses de vencer. Alguém que se apresenta como candidato, vai depois abdicar de chegar ou poder se isso for possível? Claro que não!

No entanto, há sempre pessoas dispostas a tentar esta estratégia, que apesar de básicas, conseguem enganar alguns. Esses devem pensar que são muitos espertos...

segunda-feira, outubro 16, 2006

Lembram-se do populismo irresponsável?

Em Outubro de 2004, há precisamente dois anos, o País estava entregue à dupla Santana Lopes/Paulo Portas (depois da fuga de Barroso para a UE.)

Lembram-se do que se passava na altura?
"O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, reafirmou hoje que o Governo vai diminuir a taxa de IRS e aumentar os salários da função pública e as pensões no próximo ano. O chefe do Executivo, que proferiu esta noite uma comunicação ao país, disse também que o Orçamento de Estado de 2005 "abre uma janela de esperança" para Portugal."
Era este o Governo que Jardim e companhia queriam, populista e irresponsável.

Pergunta do dia

Qual é a relação entre o PSD a OPUS DEI e o Semanário SOL?

A Madeira está fora da Lei?

Por Vicente Jorge Silva
''Depois do Presidente da República, no 5 de Outubro, o novo procurador-geral da República elegeu, anteontem, o combate à corrupção como tema do seu discurso de tomada de posse. Nesse mesmo dia, a SIC Notícias dedicava o programa Opinião Pública ao diferendo entre o Governo da Madeira e o Governo da República por causa da Lei das Finanças Regionais, e uma espectadora fez uma intervenção lateral mas bastante oportuna ao assunto, considerando a urgência de investigar os fumos de corrupção que rodeiam, há longo tempo, o poder político madeirense. A espectadora, que se identificou como sendo casada com um madeirense e visita regular da região nos últimos trinta anos, punha efectivamente o dedo na ferida.
A imoderação absolutamente descontrolada e a arbitrariedade dos gastos públicos na Madeira, que conduziram a uma espiral de endividamento sem paralelo no País, estão intimamente associadas à promiscuidade total entre poder político e poder económico, sustentando algumas das aberrações mais escandalosas e impunes da prática da corrupção em Portugal. Uma investigação apurada desse verdadeiro "polvo" que suga os dinheiros públicos e os redistribui através de toda uma nomenclatura político-económica (em que se multiplicam os casos de fortunas pessoais feitas da noite para o dia) traria certamente uma espectacular "visibilidade de resultados", como afirmou pretender o Presidente da República na tomada de posse do novo PGR. E permitiria também perceber porque é que a rede de cumplicidades e compadrios instalada na Madeira reduziu a um estado de quase impotência a actuação do Ministério Público, como se a famosa "autonomia regional" tornasse perfeitamente legal o que é de uma gritante ilegalidade.
A impunidade chegou a um ponto tal que a nomenclatura madeirense não se preocupa sequer em esconder-se atrás de qualquer manto diáfano, antes se compraz numa exibição ostensivamente hardcore e à luz do dia. Basta seguir as pistas deixadas pelos sucessivos mas inconsequentes relatórios do Tribunal de Contas, verificar as situações sistemáticas de concursos públicos feitos à medida dos protegidos do poder, constatar como políticos-empresários votam e aprovam disposições em seu próprio benefício, em especial quando estão em jogo os interesses do poderoso lóbi do betão que tem massacrado literalmente a paisagem madeirense.A Madeira é uma vistosa vitrina dos meandros da corrupção à portuguesa, a tal que nos acostumámos a ver com maior nitidez no universo do futebol, do poder local e das lavagens de dinheiro e financiamentos partidários por baixo da mesa. Aliás, é simplesmente inexplicável - ou talvez não... - como é que, até hoje, nunca houve uma efectiva curiosidade judicial pelo funcionamento dessa gigantesca máquina patrimonial do poder jardinista que é a Fundação Social Democrata. Quem financia e como é financiada essa Fundação, cujas proporções superam, de longe, as das suas outras congéneres nacionais, e que, no entanto, funciona sem qualquer escrutínio público?
A maioria absoluta de que o jardinismo desfruta há quase três décadas não impede apenas que se realize qualquer inquérito político aos abusos e impunidade do poder regional. Todos os demais poderes - designadamente o poder judicial - parecem também sujeitos ao diktat político dessa maioria, intimidados e amordaçados por ela. Por isso, falar-se de "excepção democrática" para qualificar a situação madeirense é pecar por eufemismo gentil.
O princípio constitucional da separação de poderes é coisa que não vigora na Madeira a não ser formalmente e em casos demasiado específicos. E quando alguns cidadãos tomam a iniciativa de acções populares contra atentados e ilegalidades escandalosas - como tem acontecido na construção civil, com as câmaras municipais fechando os olhos a violações sistemáticas dos PDM -, o poder político acaba por neutralizar de forma expedita as decisões judiciais eventualmente favoráveis a essas acções. Como? Mudando as regras e suspendendo os PDM sempre que estes colidam com os interesses dos construtores. E eis que o poder judicial se conforma com essa nova e improvisada "legalidade", como se o que era ilegal à luz das normas vigentes passasse a ser legal só porque essas normas foram entretanto atiradas para o caixote do lixo.
Se o combate à corrupção não se reduzir a uma nova retórica do discurso político e judicial, então o caso madeirense é decerto daqueles que merecem a maior atenção, para além da polémica sobre a nova Lei das Finanças Regionais. Quando todo o País se vê obrigado a apertar o cinto, o regime de autonomia não pode caucionar a irresponsável sofreguidão despesista do jardinismo. E é necessário investigar quem dela, impunemente, se aproveitou. '' In DN

Crescimento correcto

Por Martim Avillez Figueiredo no Diário Económico

"O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, travou ontem uma boa notícia sobre a retoma na economia portuguesa.
O ministro estava longe de Portugal, mas quis deixar claro que de números só ele está autorizado a falar. Muito bem. O que o Diário Económico sabia – e que reconfirmou ontem – é que Portugal vai crescer finalmente. E crescer acima da Zona Euro já em 2007.
Para um jornal de economia, produzido num país amarrado às suas muitas limitações (não vale a pena recordar os custos de contexto que atrofiam as decisões privadas ou o peso de um Estado que adormece todo este país), notícias como esta são assunto de primeira página.
Sobretudo quando esses números foram por duas vezes confirmados junto de quem, neste Governo, conhece bem os números e sabe do que fala. Nunca é demais sublinhá-lo: quem falou sabia do que falava, e disse que as previsões do Governo para 2007 são boas – aliás, são, no contexto actual, entusiasmantes.O ministro das Finanças, estando longe do país, quis fazer um ponto de ordem: afinal, é ele o ministro das Finanças. A voz oficial. Mas essa não é a questão importante. Isso é formalismo. O que importa sublinhar é a mudança: 2007 será o regresso de Portugal ao crescimento sério, isto depois de cinco anos consecutivos a divergir da Europa. Cinco anos! Não interessa quem, no Governo, dá a boa nova. O que interessa é que ela é mesmo boa. E é nova.
É verdade: as previsões podem falhar. Mas os factores que pressionam estes números estão controlados – a não ser que uma guerra de inesperado impacto rebente nos próximos meses. Porque o resto está aí. As exportações empurradas por uma economia mundial forte e pela extraordinária dinâmica económica de países como Angola que, não tendo ainda qualquer capacidade de produzir aquilo de que precisam, aplicam os ganhos de um crescimento de 30% em economias que lhes oferecem o que precisam, como a portuguesa. Ou os juros que, subindo, corrigem finalmente a fragilidade de um país que se endividou em excesso para gastar o que não tinha. Dito de outra forma: é a justa mistura de todos estes elementos que permite dizer: Portugal está na posição certa para ganhar balanço e sair do buraco. Sobra, portanto, o essencial: este Governo só precisa de assumir frontalmente a batalha da redução da despesa para que o barco de crescimento leve o país a bordo. Para isso, basta que se concentre em decisões. E segunda-feira cá estará o país para conhecer, oficialmente, os números do crescimento ditos por Teixeira dos Santos. E, no final, acertam-se as contas."

SIMPLEX - O Balanço trimestral

"Entre Julho e Setembro, a taxa de execução do programa foi de 84,9 por cento, de acordo com os dados hoje apresentados pelo ministro Maria Manuel Leitão Marques, da Unidade de Coordenação da ModernizaçãoAdministrativa (UMCA).

Das 43 medidas que constavam do programa, 36 foram executadas totalmente, uma em parte, e seis ficaram por executar.

Entre as executadas estão a simplificação da atribuição de bolsas de estudo para o ensino superior, da contratação de docentes e investigadores estrangeiros, dos processos de avaliação de impacto ambiental e a eliminação da obrigatoriedade de renovação anual de matrícula dos alunos do básico e secundário que não mudem de escola."

In Público

Choque Tecnológico

O acordo com o MIT, visto pelo MIT...http://web.mit.edu/newsoffice/2006/portugal.html

O naufrágio do PSD



O Dr. Marques Mendes tem andado o País a clamar a necessidade de diminuir a despesa e baixar os impostos. Quanto às reformas levadas a cabo pelo Governo para diminuir as despesas, diz que são meras "aspirinas" que há que ir mais além.

No entanto, quando o Governo decide disciplinar o regabofe que vai nas autarquias e na Madeira, eis que Marques Mendes está contra.

Alguém devia explicar a Marques Mendes que a sua colagem a Fernando Ruas e Alberto João Jardim tem como consequências o anulamento da pouca credibilidade que lhe resta e o continuo afundamento do PSD.

O PS e a comunicação social II

Quanto ao meu post anterior sobre o tratamento que a comunicação social dá às iniciativas do PS, tenho de fazer uma correcção. Eu escrevi que a imprensa iria remeter a conferência de imprensa de 6.ª feira dos vereadores do PS na CMF para um "quadradinho com uma foto do edifício da câmara" e isso não aconteceu.
NÃO ESCREVERAM UMA LINHA! SIMPLES E PURAMENTE IGNORARAM!
Mas claro está, o DN deu destaque na capa a uma "notícia" produzida pela Secretaria Regional da Finanças.
Apesar de ter evoluido positivamente nos últimos tempos, o PS-M continua a ter muitos problemas que precisa resolver para ganhar a confiança dos madeirenses. Mas mesmo depois de resolver essas questões, será possível vencer o PSD-M com uma comunicação social tão "isenta e objectiva"?

Duvidas

Será que se os pofessores se empenhassem tanto no seu trabalho como na defesa dos seus direitos laborais, o país seria um pouco menos atrasado?

sexta-feira, outubro 13, 2006

O PS e a comunicação social

Na semana passada o vereador da CMF, Pedro calado, fez uma confusão entre tesouraria e finanças, para concluir, faltando à verdade, que a CMF iria perder 500.000 euros em 2007. Os jornais deram destaque na capa a essa "verdade oficial" e, claro, não procuraram saber o que pensam os vereadores de outros partidos.
Hoje, os vereadores do PS apresentaram a sua versão da proposta de Lei das Finanças Locais. Claro está que vai ser remetida para um quadradinho bem discreto no interior dos jornais, com uma bonita foto do edifício da câmara e com o contraditório do PSD ao lado.
O resultado prático final é passar sempre, e somente, a versão do PSD. E, consequentemente, a ideia de que os vereadores do PS não existem ou não têm alternativas.
Desta forma, bem podiam estar o Pateta e os Três Estarolas à frente da CMF que os funchalenses nunca iriam perceber.
E isto é um "mato sem cachorro", porque todos sabemos porque razão actuam os media desta forma protectora relativamente ao PSD e, especialmente em relação a Miguel Albuquerque.
A verdade é que não poderá haver uma verdadeira democracia baseada na isenção e objectividade da informação, com a actual estrutura dos media locais.
Portanto, tanto faz ao PS estar atento e apontar as falhas e erros do PSD, estudar e apresentar bons projectos, porque nada dessa acção passa. Tudo acaba por ser bloqueado, diluído ou manipulado.
Quando leio uma "carta do leitor" de uma sindicalista/professora como a que veio ontem (4ª) no DN-M, mas penso que a Ministra tem razão.
Quanto mais vejo os sindicatos na rua a gritar, mas gosto deste Governo.

quarta-feira, outubro 11, 2006

E o futuro aqui tão perto

Durante quase 30 anos o Dr. Alberto João Jardim praticou um estilo populista (não confundir com popular) e demagogo de fazer política. Um estilo caracterizado pela incoerência e demagogia, pela irresponsabilidade e falta de bom senso e uma profunda falta de respeito pelas pessoas, pela democracia e pelas suas instituições representativas.

A forma irresponsável e mal educada como se comporta e governa, levaram a que seja tido em Portugal Continental, nos Açores e no estrangeiro como alguém irresponsável e com falta de bom senso.

Ora, as consequências que advém para a Madeira desse comportamento são gravíssimas. Esta situação prejudica os interesses da Madeira, porque leva a que a Região não tenha poder negocial em Lisboa nem em Bruxelas.

Os responsáveis políticos do País, de todos os Partidos Políticos, olham para o Dr. Jardim como alguém que, por razões conhecidas, não lhes merece o mínimo de respeito e nesse sentido não lhe reconhecem como interlocutor dos madeirenses.

Todas as vezes que o nome do Dr. Jardim é mencionado é para contar uma anedota ou para exemplificar como não se deve portar um governante.

A sua acção governativa fez da Madeira uma autêntico pântano político, onde instaurou uma espécie de democracia totalitária. No plano financeiro e económico teve opções extremamente negativas que comprometeram a sustentabilidade futura da economia madeirense.

Assim, o Dr. Jardim e os seu PSD constituem hoje o principal obstáculo ao desenvolvimento regional e ao aprofundamento da autonomia, já que estas matérias estão em grande medida dependentes da credibilidade do Governo Regional junto dos centros de decisão nacionais e europeus.

É hoje claro que existe hoje um vazio que urge preencher. Um vazio de credibilidade, de rumo, de estratégia e de esperança no futuro.

E essa responsabilidade recai sobre o PS. E para estar à altura dessa missão, o PS precisa mobilizar as forças vivas da sociedade num projecto de mudança.

O que se exige é que numa dinâmica de abertura à sociedade o PS construa uma alternativa séria, qualificada e responsável. Aproveitando as melhores ideias e os mais bem preparados, criando uma equipa de qualidade com um projecto de excelência que possa, finalmente, conquistar a confiança dos madeirenses. Pelo futuro da Madeira.

Titularização de Créditos

A operação de titularização de créditos, isto é, agregação dos créditos numa única instituição, é considererada como uma fonte de recursos financeiros de baixo custo.
No entanto não deixa de ser considerada com uma operação de recurso ao crédito, e consequentemente de aumento do endividamento.
A actuação do PSD Madeira, foi nesse aspecto como noutros, de uma irresponsabilidade enorme.
Se Portugal não tivesse respeitado os compromissos que tinha com a UE poderia ter sofrido uma sanção no que respeita aos fundos comunitários, que afectaria também a Madeira.
De lembrar que a UE teve muitas duvidas numa operação semelhante realizada pela Dra. Manuela Ferreira Leite. Já na altura era quase unanime que essa operação era um desastre, uma vez que o estado continuava com o onus de cobrança das dividas á segurança social e por outro lado abdicava de muitas das receitas provenientes dessas cobranças.
Para concluir.
Não duvido que numa eventualidade de Portugal ter sido penalizado devido a um excedente da divida pública, o PSD seria o primeiro a atirar pedras e a aliar-se das suas responsabilidades evidentes.

terça-feira, outubro 10, 2006

24 escolas com autonomia reforçada

De acordo com a edição de hoje do PÚBLICO,
O ministério da educação vai fazer contrados com 24 escolas no sentido de aumentar a sua autonomia.
Estas escolas passam a ter poder de homologar os contratos de prestação de serviço docente, autorizar a exoneração e rescisão de contratos do pessoal docente e não docente ou conceder licenças sem vencimento até 90 dias.

Tudo isto faz sentido e contribuirá para uma maior flexibilidade na gestão das escolas públicas, e esperemos, uma maior qualidade do ensino.

Esta medida não abrange tudo o que defendo para o ensino mas vai no bom sentido.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Manifestação a favor dos portugueses

Os dados referentes ás qualificações dos portugueses não podem deixar de preocupar quem quer que se preocupe minimamente com o futuro do nosso país.
Concerteza que as razões dessa falta de qualificações são diversas, desde programas escolares desadequados, falta de qualificações de alguns professores, até á desmotivação de alguns professores e alunos, sem esquecer a falta de empenho e competência de alguns professores.
Não se pode é ficar á espera que as reformas se façam apenas alterando uma das variáveis.
No essencial concordo com a proposta de alteração do estatuto da carreira docente. Passado o periodo de resistência á mudança, acredito que os bons professores se sentiram verdadeiramente reconhecidos, coisa que não acontece neste momento.
Tenho visto alguma contestação ao facto de haver quotas para os excelentes, e não compreendo como é que com tantos professores excelentes podemos ter alunos tão mal preparados.
Daqueles (professores?) que se têm manifestado quantos tem orgulho das notas e dos conhecimentos dos seus alunos. Receio que não sejam assim tantos.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Amor e Sexo

Amor é um livro Sexo é esporte
Sexo é escolha Amor é sorte

Amor é pensamento, teorema Amor é novela
Sexo é cinema Sexo é imaginação, fantasia

Amor é prosa Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão Sexo é pagão
Amor é latifúndio Sexo é invasão

Amor é divino Sexo é animal
Amor é bossa nova Sexo é carnaval

Amor é para sempre Sexo também
Sexo é do bom...Amor é do bem...

Amor sem sexo, É amizade
Sexo sem amor, É vontade

Amor é um Sexo é dois
Sexo antes, Amor depois

Sexo vem dos outros, E vai embora
Amor vem de nós, E demora

Amor é cristão Sexo é pagão
Amor é latifúndio Sexo é invasão

Amor é divino Sexo é animal
Amor é bossa nova Sexo é carnaval

Amor é isso, Sexo é aquilo
E coisa e tal...E tal e coisa...

Rita Lee

quarta-feira, outubro 04, 2006

Comunicação social II

Dados objectivos:

  1. A empresa "O Liberal, Lda," é detida a 90% pelo Sr. Dr. Edgar Aguiar;
  2. Esta empresa é dona do "Tribuna da Madeira" e o Director deste semanário é o Sr. Dr. Edgar Aguiar;
  3. A empresa "Amaplast - Amazônia indústria de pláticos da Madeira, Lda." é detida em 95%pelo Sr. Dr. Edgar Aguiar;
  4. Só para o presente ano de 2006 a Câmara Municipal do Funchal orçamentou na rubrica "Equipamento e contentores para deposição e transferência de resíduos sólidos" a módica quantia de € 691.146,00 (cerca de 140.000 contos).

Comunicação social

Não se pode dizer que uma sociedade em que os orgãos de comunicação social são fortemente condicionados, é uma sociedade verdadeiramente livre e consciente.
Existem muitas maneiras de condicionar as orgãos de comunicação social, e aqui nesta pequena ilha os recursos parecem ilimitados.
O Jornal da Madeira, mais conhecido como pravda, é sustentado pelo dinheiro dos nossos impostos, e é oficiosamente o jornal do regime.
O Noticias da Madeira e algumas radios locais são propriedade de Jaime Ramos. Estas nem precisam de comentários. Foram criadas com um fim bem definido.
No Diário de Noticias da Madeira o esquema é ligeiramente mais elaborado. O GR "pede" ás empresas de contrução civil que ganham os concursos públicos, que façam publicidade das respectivas obras, dispendendo enormes quantias de dinheiro, essenciais para as cofres desta empresa.
No Tribuna da Madeira, o esquema é simples e eficaz. Em troca de uma centena de fotografias de Miguel Albuquerque com as velhinhas, com as crianças e com tudo o que aparecer á frente, a CMF compromete-se a tornar obrigatório a compra de baldes para lixo diferenciado (para bem do ambiente, claro), que são fornecidos pela empresa LIBERAL, que é a empresa dona deste semanário e fornecedora em exclusivo deste tipo de baldes.
A RTP tem á frente um militante do PSD, que só é isento quanto baste. Basta ver a abertura dos telejornais. É raro o dia em que as primeiras palavras não são Alberto João ou Governo Regional.

Como diz um amigo meu. Se queres viver como os suecos, vai para a suécia.
Por cá temos que nos habituar a esta promiscuidade.

terça-feira, outubro 03, 2006

A simplificar por aí

A malta nova anda uma bocado à nora com esta cena das Finanças Públicas, vamos traduzir alguns conceitos para a malta que não tem pachorra para pensar muito:

Défice: Quer dizer falta de guito, quando ele aparece toda a gente* tem de poupar.
*à excepção do Alberto João Jardim.

Choque Fiscal: É o estado em que os teus pais ficam depois de pagarem o IRS, o IRC, o IVA, o IA, o ISP, o Imposto de Selo, o IMT, o IMI e uma miríade de impostos especiais sobre o consumo - jogo, álcool e tabaco.
Pacote Laboral:Formulação politicamente correcta para dizer que, mais uma vez, o proletariado vai levar no pacote.

Notícia de última hora

Pasta de dentes detida por branqueamento.
«Os pródigos* são habitualmente mais louvados do que os liberais, e aqueles que são verdadeiramente pessoas de bem não adquirem tanta reputação de devotos como os supersticiosos e os hipócritas». Descartes, filósofo francês do séc. XVI/XVII

Observação muito actual nos dias que correm.

*do Lat. pródigu
que ou aquele que despende excessivamente; gastador; dissipador; esbanjador.


segunda-feira, outubro 02, 2006