segunda-feira, julho 31, 2006

Chão da Lagoa

para os mais distraidos, convém lembrar que:




“o peixe apodrece sempre pela cabeça.”

sexta-feira, julho 28, 2006

Sugestão de leitura

Numa altura em que a violência nas ruas de São Paulo está a ordem do dia, este “Manual prático do ódio” traz-nos a crueza de viver uma existência sem futuro. Com um quotidiano preenchido por mortes e assaltos, a atitude das personagens inspira medo. Tanto mais quando sabemos que são inspiradas na realidade das favelas. Mas quando acompanhamos a história de Régis, Lúcio Fé, Aninha, Celso Capeta, Mágico e Neguinho da Mancha na Mão percebemos que são apenas um grupo de rapazes, como todos os outros, com esperanças, sonhos, e muito medo, que foram atirados para uma espiral de pobreza, desespero, violência e morte. Uma história violentamente real da tragédia em que está mergulhada uma parte considerável do Brasil.

Editora: Palavra
Autor: Ferréz

Eu comprei na Bertrand do Madeira Shopping.

Porque será?


Brazão de Castro aparece hoje no jornal oficial do Regime a pedir unidade em torno de Jardim...

Porque será?


O actual Pr. do PSD vai primar pela ausência na festa do Jardinismo...

Porque será?


O antigo Primeiro-ministro, ex-líder do PSD e actual PR, , não aceita os convites de Jardim e ignora os seus pedidos...

Porque será?


O actual Presidente da Associação de Futebol da Madeira e antigo vereador na Câmara Municipal do Funchal:

‘’Rui Marote preocupado com a entrada de políticos no futebol português"


In Jornal da Madeira

Porque será?

quinta-feira, julho 27, 2006

Ladeira abaixo

A Madeira está entretida com T-shirts, não por ser Verão (o que seria normal) mas por serem consideradas vestes proibidas a jornalistas que se aventurem na assembleia legislativa local. É mais uma guerra artificial (destinada a dar brado, naturalmente) para esconder o verdadeiro dilema em que Alberto João Jardim se encontra, e que deverá explanar, com ferocidade de acossado, no próximo comício do Chão da Ladeira. A verdade é que, se o cheque e os subsídios não engordarem, a economia madeirense vai ladeira abaixo, presa à sua endémica dependência financeira. Mas Alberto João não se encontra nos seus melhores dias: Marques Mendes, líder do partido a que pertence, não o idolatra e Cavaco, ex-líder do PSD e actual Presidente da República, despreza-o. Daí as declarações inflamadas, os gritos, os insultos gratuitos e as falsas "causas" locais, como a da pretensa indecorosidade das T-shirts. É curioso que Alberto João, fato escuro e gravata, não teve pejo em condecorar, no seu palácio da Quinta Vigia, o futebolista madeirense Cristiano Ronaldo apesar de este se apresentar de T-shirt vermelha, jeans e ténis (tudo de marca, naturalmente). A foto, publicada na revista Caras e no site da GestiFute, não deixa margem para dúvidas. Ou seja: há T-shirts boas e T-shirts más. Quem escolhe? Jardim, plenipotenciário. O mesmo Jardim que, ao longo da vida e carreira, não tem mostrado problemas em ser grosseiro e ostensivamente mal-educado. Todos se recordarão de um carnaval em que ele, em cuecas, insultou publicamente a Assembleia da República ("que se f..."). E também se recordarão, certamente, de em 1994 ele ter acusado os jornalistas de fazerem "terrorismo económico" (por causa do cheque do continente, claro) e ter dito que "a sorte desses senhores é não estarem na União Soviética. Caso contrário, seriam simplesmente punidos com o fuzilamento". Por ele, confirmou, acharia adequado. O mesmo Alberto João que, dez anos depois, em 2004, referindo-se ao correspondente do PÚBLICO, Tolentino de Nóbrega (cuja coragem e profissionalismo não é demais realçar), ameaçou: "Esta gente passeia-se impunemente nas ruas da cidade sem que ninguém os castigue." Assim mesmo. A verdade é que Jardim diz tudo isto, insinua tudo isto e ninguém o castiga ou simplesmente adverte. Talvez seja por causa da "lei do vazio" que ele e os seus leais servidores defendem. Portugal, ali, é só bandeira, presidente, hino e justiça, como veio dizer Jaime Ramos, um dos candidatos a clone do líder. Na verdade é mais bandeira, presidente e hino do arquipélago, com a justiça discricionária de quem ali manda sem prestar contas a quem deve. Isto porque, no mesmo continente que vai passando cheques e fechando os olhos a atropelos legais e grosserias, ninguém até hoje soube concertar a palavra autonomia com a palavra dignidade. Jardim, político responsável, é desresponsabilizado quando o tomam por bobo (que ele não é) ou inimputável (que ainda o é menos). Se na assembleia local há regras, a pronto de se proibirem T-shirts (extraordinário, já que as rixas dos deputados locais são de uma grosseria inimaginável), também no comportamento dos líderes regionais devia haver regras. Políticas e cívicas, tarefa difícil na "pérola" insular.

Nuno Pacheco
in Público

Gárrulos madeirenses

Jaime Ramos, secretário-geral do PSD-Madeira, afirmou que a Madeira será cada vez mais portuguesa quanto mais autónoma for! Em futebol costuma-se dizer que a lógica é uma batata. Se a lógica fosse uma ciência exacta, Portugal, que graças à sua crescente autonomia chegou à independência, seria a mais espanhola província de Espanha! Ou seja, quanto mais os filhos se afastam da família mais amam seus pais. Que bela teoria!
Não haja dúvida que viver numa ilha durante muito tempo não favorece o desenvolvimento intelectual de alguns políticos, que, realmente, se transformam em pequenos ilhéus verborreicos, sem condições de porto de abrigo para a solidariedade nacional e apenas se tornam perigosos pelas suas esporádicas erupções vulcânicas verbais.
Tenho esperança de que estes gárrulos desapareçam brevemente da cena política, porque são trebelhos, mas amos trefos que buscam bacálios sem vassalagens e que perduram no poleiro devido a muitos bajoujos locais e continentais, que são ou se fingem de lerdos.
Nota do autor: este texto tem alguns vocábulos da Idade Média, mas é entendível por políticos que dela ainda não saíram.

Silvino Taveira Machado FigueiredoS. Pedro da Cova
In Público

terça-feira, julho 25, 2006

Duvidas que me assaltam a mente IV

Onde está a várias vezes anunciada "operação arrasar"?

Duvidas que me assaltam a mente III

Porque será que os órgãos de comunicação social da Madeira não querem ouvir a versão do PS, no inventado "conflito" com o Governo da República, e só registam diariamente, várias vezes e com destaque a versão do PSD-M?

Duvidas que me assaltam a mente II

Onde está a anunciada denúncia dos "gangs à solta na Madeira " que Jardim prometeu?

Duvidas que me assaltam a mente I

Que é feito do tal "movimento de cidadania" do Manuel Alegre?

Breves notas sobre a "Questão da Palestina"

Com o reacender dos conflitos em torno da “questão da Palestina” o assunto tornou-se tema obrigatório. À força de falar com muitas pessoas sobre o assunto, notei que a sua memória está alicerçada sobretudo nos acontecimentos da década de 90 até o presente. E, consequentemente, já se começa a perder “de vista” a forma como tudo isto começou. Para aqueles que estão nessa situação, deixo aqui uns breves apontamentos da história da “questão da Palestina” desde o início até 1991.

A Palestina tornou-se um problema depois da Primeira Grande Guerra e com o fim do Império Otomano. Vários países que faziam parte do império ficaram sobre a administração do Reino Unido. Com o tempo todos, à excepção da Palestina, tornaram-se independentes. E isto aconteceu porque o RU queria levar a cabo a “Declaração de Bolfour” emitida pelo governo britânico em 1917 e que expressava o seu apoio ao “estabelecimento na Palestina de um território nacional para o povo judeu”.

Durante o que se chamou o “Mandato da Palestina”, de 1922 a 1974, deu-se uma enorme emigração judaica para esse território. Vieram sobretudo da Europa e durante os anos 30.

Contudo, os palestinos resistiram à construção desse novo estado e em 1937 deu-se uma rebelião, seguida por actos de violência de parte a parte, imediatamente após a II Guerra Mundial. O RU tentou alcançar a paz mas viu as suas tentativas goradas e em 1947 passou o problema para as Nações Unidas.

As NU propuseram que se constituíssem dois Estados, um árabe e um judeu com Jerusalém internacionalizado. Israel aceitou e formou-se os Estado independente de Israel.

Em 1948 começou a guerra com a Palestina e ocuparam 77% do território e a maior parte de Jerusalém. Como consequência cerca de 50% da população da Palestina fugiu ou foi expulsa. Ao mesmo tempo a Jordânia e o Egipto também ocuparam território da Palestina, impedindo que este se torna-se um país independente.

Em 1967 Israel ocupou o restante território da Palestina que estava sob o controlo Jordano e Egípcio (West Bank e faixa de Gaza) e o restante território de Jerusalém.

As NU, através da resolução 242 (1967), manda Israel sair desses territórios ocupados.

Em 1974 as NU aprovaram o inalienável direito do povo Palestino à autodeterminação, independência e soberania.

Em 1982 Israel invade o Líbano. Milhares de palestino são massacrados nos campos de refugiados de Sabra e Shatila.

Em 1987 deu-se a “intifada” que foi violentamente esmagada pelas forças Israelitas.

Em 1991 deu-se a conferência para a paz no médio oriente que resultou na assinatura de uma Declaração de Princípios assinada em Washington D.C. que entre outras coisas levaram á retirada parcial dos territórios ocupados, às eleições palestinianas e à libertação de prisioneiros.

Daí para cá, já todos conhecem a história.

A ressaca anunciada


Mais lá para o fim do mês terá lugar no Chão da Lagoa a festa do PPD/PSD/M/PA, onde certamente estará muita gente. A grande maioria encara o evento como mais um arraial de verão. Gente boa que gosta da sua festinha popular, com vinho seco, espetada e música pimba. Depois há os que vão para serem vistos. Em ordem decrescente de importância: os que querem ser vistos pela comunicação social; os que querem ser vistos pelo “chefe” e os que querem ser vistos pelo cacique da sua paróquia. Para a maioria destes aquilo é uma seca, mas a ausência pode ter consequências, por isso há que fingir que se alinha.
Depois há o “show” dos festeiros. Que basicamente se resume a tomar uma bebedeira e a dizer alarvidades. A estrela maior, ou se quisermos o gajo que bebe mais e diz mais alarvidades é naturalmente o Chefe. Por alguma coisa o homem é o Chefe!
Este ano, como sempre, aquilo vai ser monótomo. O "bando que domina o partido da Rua dos Netos" (linguagem do Regime) vai desfiar um rol de queixas e ameaças contra o governo e contra Sócrates. Que na práctica, e todos sabemos, são uma inutilidade e uma tontice. A política depende muito do caractér dos seus protagonistas. E é por demais claro que José Sócrates não alguém que se rale com ameaças, chantagens ou mesmo insultos. Mas também não é homem para dar a outra face. Por isso, o circo que está a ser preparado, só servirá para animar momentaneamente a malta já adormecida pelo vapores do alcóol e pelo sol abrasador. E "fazer mais um número" para a comunicação social doméstica. Que no fundo é o que pretendem.
Mas é no day after que sempre vem a ressaca. Que como se sabe, é dolorosa, dura mais do que queriamos e traz sempre arrependimentos tardios e fúteis.

Estou cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma. A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álavaro Campos

(P.S. - Ontem regressei, mais uma vez, aos poemas de Álvaro de Campos que me ofereçes-te já lá vão 11 anos...)

segunda-feira, julho 24, 2006

Admirável Madeira Nova



Depois de tudo o que já foi dito sobre as novas regras indumentárias dos jornalistas que queiram realizar o seu trabalho na alm, só falta o Lagerfeld da assembleia impor fardas distintas para os diversos grupos parlamentares.
Seria concerteza muito mais simples identificar o papel de cada um dentro daquela tristeza de assembleia.

sexta-feira, julho 21, 2006

A encenação


A partir do momento em que o PS ganhou as eleições legislativas de 2005, já se sabia que Alberto João Jardim iria abrir um “conflito” com o Governo central e com base em duas justificações. A primeira seria que o PS-Madeira estaria a pressionar o Governo para que este diminuísse as ajudas à Região e a segunda que o Governo da República estaria a discriminar a Madeira e a beneficiar os Açores.
E como é que se sabia isto?
Basta ir consultar os jornais regionais nos anos em que o PS foi Governo, nomeadamente entre 1997 e 2000, porque está lá tudo. Não só todos sabíamos que isto ia acontecer, como sabíamos como ia acontecer e já sabemos o que vai acontecer. Para refrescar a memória, ficam aqui algumas declarações de Jardim contra o Governo de Guterres e a confissão da mentira:

1) A confissão da estratégia baseada numa total falta de escrúpulos:

“[quanto ao relacionamento com o Governo Socialista] Eu sou uma pessoa muito fria, ao contrário do que pareço cá fora. Tanto faço “show off” num sentido, como o faço no sentido contrário.” AJJ no DN-M de 10 de Novembro de 1996


2) O argumento 1 – “A Conspiração”:

Toda a gente sabe que o Governo Central estava a ser extremamente pressionado pelo PS da Madeira, no sentido de não fazer qualquer concessão Região.” AJJ no DN-M - 1 de Fevereiro de 1997

3) O argumento 2 – “A discriminação”:

“(…) a Região é prejudicada por uma inadmissível discriminação relativamente aos Açores.“ AJJ no DN-M 16 de Setembro de 1999

4) Confissão de que mentiu sobre o Governo do PS, liderado por Guterres

“Só com o Primeiro-Ministro António Guterres e com o Ministro das Finanças Sousa Franco, (...) honra seja feita aos dois então governantes, é que foi estabelecida legislação que fixou o quadro do relacionamento financeiro entre a República e as duas Regiões Autónomas, nomeadamente através da Lei de Finanças Regionais, bem como foram pagas as indemnizações devidas à Madeira, conforme o nosso Estatuto, pelas privatizações com incidência no nosso território.” AJJ no JM de 20 de Julho de 06 (esta semana)



quinta-feira, julho 20, 2006

O vazio insular

Jardim declarou "guerra" a Sócrates, na esperança que o cheque engorde. Mas talvez agora vença o bom senso e a "lei do vazio" deixe de imperar na Madeira

Algures no Atlântico há uma ilha pacífica de onde partem, quase diariamente, gritos de guerra. Não é caso para alarme, que tais guerras não rivalizam sequer com as do Alecrim e Manjerona na "ópera joco-séria" que António José da Silva (o Judeu) escreveu em 1737 e o teatro imortalizou. Mas há, na insistência de tais gritos, o eco incómodo da maior e mais incompreensível impunidade. No final do mês passado, um sujeito que dá pelo nome de Coito Pita e que ocupa o cargo de vice-presidente do PSD madeirense bradou bem alto que ali, na ilha que julga comandar (logo abaixo de Alberto João Jardim, evidentemente), não se aplicaria "o raio da lei do protocolo" do Estado - que, aliás, deve ser hoje mesmo aprovada na Assembleia da República. Porquê? Por causa do lugar reservado aos representantes da Igreja Católica, que fica de fora da lista de precedências, mas participará como convidada nas cerimónias oficiais. O pretexto foi este, mas podia ter sido outro. O que fizeram então o sr. Pita e respectivos correlegionários? Aprovaram uma resolução que mantém o bispo da diocese madeirense em lugar de destaque no protocolo local e enxota o representante da República da lista de precedências. Porque "quem define o protocolo da Madeira é quem governa a Madeira, não é a República". Na Madeira, advertiu Pita, "é a lei do vazio que se aplica".
Pois bem, a "lei do vazio" levou a que o mesmo Pita, indignado desta vez com as declarações do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, sobre o estado das contas madeirenses, bradasse agora aos céus insulares: "Ainda podemos chegar a uma nova revolta do século XXI." Referia-se à chamada "revolta da farinha", ocorrida há 75 anos. Mas se o destemido Coito tivesse memória saberia que tal revolta, embora a pretexto de uma medida impopular da ditadura (a proibição de importação de farinha, aumentando o preço do pão), deveu-se sobretudo a factores económicos e a um reavivar do sentimento autonómico face à ditadura. A liderar, estiveram anarco-sindicalistas e comunistas, nomes que hoje a gerência autonómica execra. Como execra "o raio da lei do protocolo" do Estado ou "o raio" do próprio Estado, já que voluntariamente se aparta das suas leis, como se de território estrangeiro se tratasse. Com base neste pressuposto, Alberto João já declarou "guerra" a Sócrates, na esperança que o cheque engorde. Mas talvez agora vença o bom senso. A insular "lei do vazio", insultuosa e não política, tem de acabar. Para que a autonomia não seja um circo degradante.

Nuno Pacheco
in Público

 

quarta-feira, julho 19, 2006

Sugestões do "Prof. Marcelo"


Richard Zimler é americano, formado em religião e mestre em jornalismo, vive no Porto desde 1990. Sendo judeu não percebia como nós tínhamos tornado um dos episódios mais marcantes da nossa história - a perseguição dos judeus - em assunto tabu. Pesquisou e escreveu um livro muito bom, que nos transporta para uma Lisboa dominada pelo ódio, pela violência, pela crueldade. Uma Lisboa de outras ciências de outras verdades, de medos e de coragem. Uma Lisboa de cristãos-novos perseguidos e mortos na fogueira. Um episódio que representou um passo atrás para Portugal, a todos os níveis.
Descobriu-o numa entrevista do Francisco José Viegas na 2. Procurei pelo livro durante meses e estava esgotado. Até que um dia, por acaso, esbarrei no último exemplar na Livraria do Infante. Leia “O último cabalista de Lisboa”, agora já saiu mais uma edição. Vale mesmo a pena.