terça-feira, outubro 15, 2013

E nós deixamos?

O OE2014 será mais do mesmo. Mais do mesmo sacrifício, mais do mesmo fracasso.

O governo propõe cortar 4000M€ de despesas do estado, esperando com isso diminuir o défice do estado em 2,3%.
Estas contas não batem certo e passarei a explicar porquê.

Indicam alguns estudos sobre processos de ajustamento abrupto como o que foi desenhado para Portugal que por cada euro que o estado não gasta implica uma diminuição do PIB de apróximadamente 1,5 euros.
Isto significa que o corte anunciado de 4000M€ terá um impacto negativo no PIB de 6000M€, ou seja, uma queda no PIB devido apenas a medidas de austeridade de 3,6%.

Tendo em conta que carga fiscal em Portugal é de aproximadamente de 40%, significa que resultante da queda do PIB o governo tem uma quebra das receitas fiscais de 2400M€, ficando apenas com 1600M€ (0,9% do PIB).

Mas não é tudo. A queda do PIB terá com certeza uma quebra do emprego na ordem dos 150 mil indivíduos, implicando gastos avultados com subsídios de desemprego, que tendo em conta os valores médios por beneficiário do subsidio de desemprego será da ordem dos 750M€.

Assim, dos 4000M€ que o estado pretendia poupar, fica apenas com 950M€.

Tanto corte e tanta miséria para, correndo tudo bem, e nunca até agora correu, se conseguir reduzir o défice em apenas 0,5% do PIB.
Depois, lá para meados do ano estarão a anunciar a necessidade de cortar ainda mais sob pena de não atingir os objectivos traçados.

1 comentário:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Este ultimo paragrafo é a desilusão total.
Os portugueses suportam tudo menos este final que se apresenta tão evidente...