quinta-feira, setembro 13, 2012

Usar um coxo como bengala

Não tem grande contestação a afirmação de que o CDS é a bengala política do PSD. É-o de facto, no governo da república e ambiciona sê-lo na Madeira e nos Açores, assim o PSD precise.

No entanto, o CDS tenta proteger-se a todo o custo de qualquer contestação e de ficar associado às medidas mais gravosas que o governo vai tomando.
Essa posição tornou-se clara, logo na composição do governo, em que "sobraram" para o CDS os ministérios mais pacíficos.

Na actual crise política, desencadeada pelo anúncio dum roubo aos trabalhadores, em favor dos patrões, tornou-se de inicio claro que o CDS estava desde a génese ao corrente de tudo o que estava a ser proposto e até apoiava. As declarações do ministro do CDS, Pedro Mota Soares, de apoio ao anúncio do Primeiro Ministro, e tendo em conta que as alterações nas contribuições para a Segurança Social tinham de ter o conhecimento do membro do governo com essa responsabilidade, mostram que assim era.

Só quando a contestação começou a subir de tom, é que o CDS tentou por-se ao fresco, fazendo o papel de virgem enganada, furtando-se às suas responsabilidades, que são evidentes.

Na Madeira, e para consumo interno, foi veiculada a informação que o líder dos centristas madeirenses liderava uma onda de contestação às medidas propostas. Tudo mentira.
Lá diz o povo que mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo, e assim, passadas menos de umas meras horas, sabe-se que por um lado, José Manuel Rodrigues, não abriu a boca na reunião do ministro Gaspar com os partidos da maioria, cabendo apenas a João Almeida a interpelação ao ministro, e por outro lado soube-se também que o único madeirense que interpelou o ministro foi Guilherme Silva do PSD (que no essencial defende a posição do governo).

Percebe-se que o CDS não queira sair chamuscado desta trapalhada monumental, mas as suas responsabilidades e conivência são evidentes.

A contestação e as vaias que recentemente ultrapassaram o perímetro do PSD a atingem os ministros "simpáticos" do CDS são a prova que os portugueses já os desmascararam. Mais cedo ou mais tarde teria de acontecer.

P.S. - A proposta de redução do número de escalões do IRS e aumento das taxas médias correspondentes é uma proposta dum secretário de estado do CDS e foi anunciada ainda antes do comunicado de Pedro Passos Coelho.

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