sexta-feira, janeiro 06, 2012

Caça às bruxas

Se, por absurdo, qualquer cidadão, politico ou não, fosse obrigado por lei a revelar a sua adesão a qualquer organização, então, estaria formalmente aberta a porta a que qualquer cidadão fosse perseguido e condenado por pertencer a uma organização, mesmo que esta não fosse criminosa.
Aquilo que agora se propõe que os deputados façam em relação à maçonaria ou eventualmente em relação à Opus Dei, ou seja a obrigatoriedade de revelar a sua pertença a qualquer um destes grupos, é na prática uma verdadeira caça às bruxas.

A associação criminosa ou o trafico de influências já são actividades ilícitas. Não precisamos de condenar ninguém que provavelmente não está a cometer crime algum.

1 comentário:

il _messaggero disse...

Tino,

Estou plenamente de acordo com essa premissa. A liberdade individual e o direito de livre associação são princípios basilares numa sociedade livre.

O problema é que todo este caso foi desencadeado devido ao evidente conflito de interesses que surgiu e que foi desencadeado com a omissão/retirada de menções à dita sociedade secreta, com a alteração do relatório de conclusão de uma comissão de inquérito do parlamento às fugas de informação ocorridas nos serviços secretos. Isto quando se veio em seguida verificar ou constatar que muito provavelmente muitos dos ditos relatores pertenciam à dita sociedade secreta. Neste caso há um claro conflito de interesses.

Os deputados nomeados, até por uma questão de lisura e idoneidade quanto às conclusões do documento, deveriam ser obrigados a revelar todas as suas filiações, fossem essas quais fosse.

Sou até apologista que esta situação deveria partir da consciência ética de cada um. Mas as evidências - e são mais que muitas - mostram que isso muitas vezes não acontece.

E um pouco à medida do que acontece com a entrega de declaração de rendimentos obrigatória para os titulares de cargos públicos, uma declaração semelhante e termos de filiações a organizações, não seria de todo descabida. Até pela especificidade das suas funções.

Isso a meu ver eliminaria parte da suspeição com que muitas vezes é levada em linha de conta o posicionamento de X ou de Y. Pertença este a um clube de futebol, ou à Maçonaria ou a qualquer outro tipo de agremiação/sociedade/grupo de reflexão, etc.

Neste caso em específico, nada tenho contra a Maçonaria e sociedades afins, mas concordo com Daniel Oliveira, quando este escreve que todo o secretismo que rodeiam estas instituições apenas lançam suspeitas e constituem terreno fértil para a ocorrência de tráfico de influências ou actividades menos lícitas. O exemplo da Ongoing e a maneira como a mesma se movimenta é um exemplo puro disso.