terça-feira, outubro 25, 2011

Cinismo sem limites

Afirmar sem se rir que deseja que o estado peça menos aos contribuintes ao mesmo tempo que aplica uma das maiores subidas da carga fiscal em Portugal, é dum cinismo sem paralelo.
Este Primeiro Ministro está decididamente a gozar com os Portugueses.

Golpistas

Sempre que a direita está no poder, paira sobre a segurança social pública a ameaça de falência.
Já no anterior governo PSD/CDS colocava-se o prazo de falência da segurança social em 2015.
Como se pode ver essas previsões foram manifestamente exageradas.
Entretanto veio o governo do PS e com o fantástico trabalho de Vieira da Silva essa ameaça subitamente desapareceu... até a direita voltar ao poder.
A novidade agora é que o novo prazo de validade da segurança social pública passou a ser de 2040.

Não é demais lembrar que vivemos tempos de crise, e que esta crise afecta de forma dura o balanço da segurança social, reduzindo as receitas e aumentando as despesas. Mesmo assim, atravessando a crise mais severa das nossas vidas, o sistema têm-se revelado robusto, sendo capaz não só de gerar mais receitas que despesas como ainda é capaz de fazer transferências solidárias dos que mais ganham para os menos afortunados.

A forma com a direita invariavelmente tenta resolver o problema de sustentabilidade da Segurança Social Pública é verdadeiramente bizarra e consiste em diminuir já as receitas mantendo as despesas para no futuro poder haver uma hipotética diminuição de despesas. Acontece que esta solução em vez de prolongar a vida da Segurança Social, antes antecipa a sua morte, tendo em conta que antecipando de 2040 para agora os saldos negativos, muito provavelmente chegaríamos a 2040 sem nada para distribuir.

Além disso, com a proposta da direita, deixaria de haver, já, transferências solidárias dos mais ricos para os mais pobres.

Então porque razão está a direita tão empenhada nesta mudança que levará à ruína da SS pública?
Em primeiro lugar por preconceito ideológico em relação a tudo o que é público. E por fim, porque a sua base eleitoral, ou seja,quer os contribuintes mais ricos quer os accionistas das seguradoras teriam muito dinheiro a ganhar com estas alterações propostas.

O custo seria apenas as reformas de uma vida inteira dos menos ricos. Nada que os incomode muito.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Outra vez a carga fiscal

Em tempos, escrevi que deveria haver uma maior transparência na definição da carga fiscal.
Com os anúncios quase constantes dos últimos tempos, relativamente ao aumento de impostos e diminuição de deduções essa necessidade é ainda mais premente.

P.S. - Por carga fiscal, entendo todos os impostos cobrados (em % do PIB) menos todas as despesas fiscais.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Coitaditos

Obrigar os meninos a beber leite(plain), ou obrigá-los a misturar chocolate em pó no leite é duma violência que não se admite. Assim sendo o leite achocolatado mantém-se na taxa mais baixa de IVA. O vinho também, não vão os meninos ficar sem escolha.

Devem andar mesmo satisfeitos.

Todos aqueles que contribuíram para a queda do anterior governo, onde se incluem, PSD e CDS, BE e PCP, funcionários públicos em geral e professores em particular, jornalistas e afins, etc. etc. devem andar mesmo radiantes com as medidas ontem anunciadas pelo Primeiro Ministro.

Ou então andam a pensar: Volta Sócrates que estás perdoado.

Guilty or not guilty? Guilty.

...É claro que também eu sou culpado. Por falta de comparência ou por falta de fé.

Quanto ao futuro, estando eu dividido entre o abandono total e o apoio a quem abra totalmente o partido à sociedade (mas apenas depois de abrir realmente o partido e não baseado em promessas), dificilmente me enquadro no típico membro de facção.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Breve comentário às eleições do passado dia 9 de Outubro de 2011

O mau resultado obtido pelo meu partido, pouco me surpreendeu. Infelizmente.
A surpresa, a existir foi com: uma péssima lista de candidatos; total inabilidade política e comunicacional do cabeça de lista; e com um amadorismo de fazer corar de vergonha qualquer lista para a associação de estudantes.

No rescaldo do mau resultado aí sim, fui surpreendido. A começar pelas declarações dos responsáveis pela estratégia seguida.
Dizer que não fomos capazes de comunicar convenientemente não é o mesmo que dizer que o povo não percebeu. O povo até pode não ter percebido (não acho que tenha sido o caso) mas a culpa cai toda em quem tem responsabilidades de tentar esclarecer.
Surpeenderam-me também as declarações de alguns dirigentes do PS-M que oportunisticamente se colocaram de lado, como se não fossem também responsáveis pelo estado a que chegou o PS-M.
Houve mesmo um autarca e dirigente do PS-M desde que eu tenho memória, mais precisamente Rui Caetano, que colocando-se em bicos de pés nos queria fazer crer que o próprio seria capaz de melhor, quando nas últimas autárquicas teve uns escassos 200 votos a mais na capital, que a actual lista. Duas derrotas copiosas, portanto.
Surpeendente também é a miopia do Prof. Miguel Fonseca, que identificando alguns culpados, não consegue ver quem é que levou a actual direcção ao colo, mesmo sabendo da sua total inabilidade política. Mas eu ajudo: pense em Miguel Fonseca, Rui Caetano, Duarte Gouveia e Francisco Dias e pergunte se são ou não Guilty or not Guilty.
A resposta é óbvia demais.