sexta-feira, julho 15, 2011

Desvio colossal

Quando Passos Coelho anunciou o imposto extraordinário, justificou a medida com um suposto desvio nas despesas do estado de 2000 M€. Este desvio seria financiado com um aumento de receias e uma diminuição de despesas de valor equivalente.

Ontem ficamos a saber que o suposto desvio já passou para metade, ou seja, 1000 M€ e que o aumento de receitas subitamente aumentou 25%, tendo passado para os 1025 M€.
Temos o insólito de ter um aumento de receita do estado de 1025 M€ para suportar um desvio de 1000M€, e quanto a redução de despesa pela eliminação de desperdícios do estado nem vê-los.

Durante a campanha, eram tudo facilidades e o governo socialista é que era incompetente. Agora são tudo dificuldades e ninguém parece disposto a questionar (ainda) a competência deste governo.
Durante a campanha eleitoral diziam que cortavam imediatamente 1700 M€ em consumos intermédios. Agora no governo já afirmam que afinal o corte de despesas leva tempo.

Há de facto um desvio colossal entre o que o PSD afirmava vir a fazer e o que na realidade está a fazer. Os portugueses que votaram PSD ainda andam atordoados com a cara de pau desta gente, que afirmava que havia limites para os sacrificos para aqueles que ganhavam mais de 1500€ por mês para de repente aplicar esses sacrificios a quem ganha o rendimento mínimo.
Desvio colossal é o que vai entre aquela que era a esperança das pessoas e o murro no estômago que levaram com a realidade.

Duvidas que me atormentam

O ministro das finanças, na sua primeira conferência de imprensa para justificar porque razão o PSD está a fazer o contrário daquilo que andou a dizer em campanha eleitoral, teve uma tirada que deverá ficar para a história.
A determinada altura Vitor Gaspar diz que o novo imposto extraordinário não incidirá sobre os juros porque isso constituiria um desincentivo ao aforro. Quererá isso dizer que ao criar um imposto extraordinário apenas sobre rendimentos do trabalho o ministro pretende um desincentivo ao trabalho!?

terça-feira, julho 12, 2011

De repente ficamos mais pobres

A forma como decorreu a operação dos censos 2001 na Madeira, foi na melhor das hipóteses, uma aldrabice.
Enquanto que nessa altura todos os indicadores indiciavam que a população da madeira cresceria relativamente a 1991, os censos de 2001 vieram mostrar o inverso.
Mantendo o rendimento, e diminuindo o nº de habitantes, e voilá, tem-se um rendimento per capita superior.
O PSD Madeira usou esses números até à exaustão, afirmando o crescimento económico da Madeira, escondendo que esse crescimento era apenas resultado dum inquérito estatístico mal conduzido.

Em 2011 e com uma parte considerável da população a entregar os inquéritos através da internet, tornou-se ligeiramente mais difícil martelar os números, e assim é de esperar que os resultados dos censos 2011 sejam bem mais fiaveis que os de 2001.
Os dados provisórios indicam que a população da Madeira é de 267000 habitantes e nã0 os 245000 antes apresentados. Como consequência imediata temos que o pib per capita madeirense caiu quase 10%, ou por outras palavras, passamos uma década com o PIB per capita empolado em cerca de 10%.
Este empolamento artificial foi em grande medida causa de avultadas perdas financeiras para a Madeira, uma vez que em seu resultado a Madeira saiu do objectivo 1 da coesão europeia.

Será que os responsáveis pela trafulhice dos censos de 2001 e pelas avultadas perdas da Madeira alguma vez serão responsabilizados pela sua actuação danosa?
Se não, ainda temos um longo caminho a percorrer na relação governantes e população.

Será esse país, Portugal?

Não sei se a culpa será dos jornalistas ou de quem consome imprensa, mas o destaque desproporcionado que as más notícias têm relativamente às positivas e de tirar a esperança ao maior dos otimistas.
Recentemente tivemos acesso a dois documentos, um do eurostat e outro do Instituto Nacional de Estatisticas, que por serem positivos, passaram quase completamente despercebidos na comunicação social portuguesa.
Começando pelo documento do eurostat sobre a carga fiscal. O que o documento nos diz é que em 2009 a carga fiscal desceu na generalidade dos países da Europa, mas que foi em Portugal que essa queda foi maior. Passamos de uma carga fiscal de 32,8% do PIB em 2008, para uma carga fiscal de 31% do PIB em 2009. É quase incompreensível que a generalidade dos comentadores nos queiram fazer crer que a carga fiscal em Portugal nunca esteve tão alta, quando a realidade revela algo bem diferente.

O segundo documento que rapidamente cairá no esquecimento, sem nunca conhecer uma primeira página ou abrir um telejornal é o documento do INE sobre as desigualdades sociais.
Todos sabemos que Portugal é ainda um país pobre e desigual, longe dos indicadores de prosperidades de outros países europeus, mas o que o documento ontem apresentado mostra é que nos últimos seis anos as desigualdades se têm esbatido, mesmo apesar de todas as dificuldades que temos atravessado, e que somos agora um País muito menos desigual do que éramos há pouco tempo atrás.
Nada disso comove os nossos comentadores, juntando mesmo os extremos da direita à esquerda no discurso de que estamos cada vez pior.

quinta-feira, julho 07, 2011

Cristãos Novos

Os parasitas que aproveitarem em seu favor qualquer ataque das agências de notação a Portugal estão agora indignados com o timming e a posição da Moody's.
A bem da verdade pouco ou nada mudou. A moody's, sob o manto de um serviço de avaliação de riscos, faz ataques sistemáticos contra os elementos mais frágeis do Euro, em beneficio claro da moeda americana.
A única coisa que mudou e isso não é irrelevante, é que a notação de Portugal caiu mais níveis desde que o PSD decidiu derrubar o governo, que nos 6 anos anteriores, na governação do Engenheiro.
Também nos mercados secundários de dívida, o risco de Portugal praticamente duplicou desde o acto irresponsável do PSD.

A causa deste problema, bem como a sua resolução passa muito mais pelas instituições europeias que por qualquer ação do governo portugês. Infelizmente temos à frente desta Europa em turbilhão políticos que não são mais que incompetentes nacionais que foram promovidos (lei de Peter) a lideres europeus, como Barroso e Rompuy, entre outros.

PND está a perder qualidades

A cena requentada da bandeira, desta vez com o deputado António Fontes e a bandeira fanada da FLAMA, ficou muito a dever em termos de crítica a outras ações do PND no passado.
O próprio Alberto João, foi muito mais longe e foi mais incisivo ao comparar a FLAMA ao movimento GAY.
Aprendam com o homem que apesar de velho e doente ainda sabe do que fala, e falo como é óbvio de ambos os movimentos de libertação.

sexta-feira, julho 01, 2011

Há limites para os sacrificios que se podem pedir aos portugueses

Lembram-se do Barroso que anunciou um choque fiscal, que consistia numa descida acentuada dos impostos para estimular a economia, mas cuja primeira medida foi aumentar os impostos? Pois é. Pelos vistos, a história está mesmo destinada a repetir-se.
Uma das primeiras medidas anunciadas pelo novo governo, cujos partidos passaram a campanha a dizer que a diminuição do défice deveria ser feito pela redução de despesa, é precisamente aumentar os impostos, indo-nos ao bolso em 50% do subsídio de Natal. Quando à redução de despesa, dizem que afinal ainda não sabem como será, apesar de já avançarem com um valor semelhante ao do aumento de impostos.
O mais triste de tudo é que a redução de despesa pelo que se adivinha, não será em redução de desperdícios, mas sim em corte de serviços.

Ou seja,
OS PORTUGUESES VÃO PAGAR MAIS PARA TER MUITO MENOS.