terça-feira, maio 31, 2011

A União Europeia será mesmo estúpida?

Eduardo Paz Ferreira:
(...)
Não faltam análises para explicar que as vistas curtas e a arrogância da Senhora Merkel e do Senhor Sarkozy se devem a preocupações eleitoralistas. Como as derrotas da chanceler alemã se sucedem e a popularidade do presidente francês se mantém baixíssima e a sua reeleição incerta, apesar do incidente Strauss-Kahn, sou forçado a não acompanhar a explicação.
Confesso que me esforcei muito por entender qual a racionalidade deste comportamento e que, generosamente, fui até levado a pensar que se tratava de um posição moral, ligada à protecção legitima dos investidores em títulos de dívida pública dos países ditos periféricos mas, ao verificar que se trata de aplicações que, a pretexto de serem de elevado risco, proporcionam uma remuneração muitas vezes superior à de uma aplicação segura, fui levado a concluir que não existe qualquer argumento moral em opor-se a que os credores sacrifiquem uma parte do seus ganhos, uma vez que a aplicação era segura.
Mas será que, não havendo explicação moral, haverá uma explicação de captura dos políticos por interesses financeiros?
Também aí parece difícil encontrar racionalidade de comportamento porque, ao insistir em programas de drástica austeridade, que apenas pioram a situação financeira dos Estados e a sua capacidade para respeitar os compromissos, enveredam os políticos europeus por um caminho totalmente lesivo daqueles interesses.
Lembrei-me, então, do brilhante ensaio de Carlo Cipolla "As Leis da Estupidez Humana" e da sua regra de ouro da estupidez - uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou a um grupo de pessoas, sem retirar qualquer vantagem para si, podendo até sofrer um prejuízo com isso. A nossa vida - recorda-nos o historiador italiano - "está também recheada de episódios que nos fazem incorrer em perdas de dinheiro, tempo, energia, apetite, tranquilidade e bom humor por causa das acções improváveis de uma qualquer absurda criatura, que surgem nos momentos mais impensáveis e inconvenientes e nos provocam prejuízos, frustrações e dificuldades, sem que a ela tragam ganhos de qualquer natureza". (...)

Alguns resultados da governação PS


O rácio enfermeiros/habitante tem vindo a aumentar nos últimos anos. Cerca de 5% dos enfermeiros são estrangeiros - sobretudo espanhóis - e trabalham sobretudo em hospitais, com os centros de saúde a atraírem ainda relativamente poucos trabalhadores.


Portugal tem investido cada vez mais em Investigação & Desenvolvimento - ou seja, patentes tecnológicas, investigação fundamental e aplicada, etc. Esta rubrica cresce devido à aposta do Estado - via universidades, por exemplo - mas também às empresas privadas, que estão a investir mais no conhecimento.





Exportações recuperam da crise valor nominal de exportações
As exportações de bens e serviços estão a crescer desde o início da década, particularmente desde 2006 - provavelmente, porque o impacto do euro, uma moeda mais forte do que o escudo, já foi completamente absorvido.
A crise colocou um travão neste movimento, mas em 2010 as venda ao exterior voltaram a crescer bastante.


Percentagem de área abrangida por lojas do cidadão
As Lojas do Cidadão foram criadas no final da década anterior com o objectivo de servir os cidadãos de forma integrada. O "projecto piloto" teve sucesso e, hoje, a área coberta por estas unidades não pára de aumentar.

Jornal de Negócios.

segunda-feira, maio 30, 2011

O desplante, a vergonha, ..., ao lado de Sócrates!

Uma grupo de malfeitores e ignorantes reuniu-se hoje com José Sócrates.

Vergonha meus senhores, vergonha.

Caros Mega Ferreira, Inês Pedrosa, Rui Vieira Nery, Tito Paris, Manuel Salgado, Ângela Pinto, Maria João Seixas, Sarmento Matos, Filipa Melo, Joaquim Sapinho, Vasco Araújo, Carlos Fragateiro, Lenita Gentil, Carlos Veiga Ferreira, Francisco Mota Veiga, Carlos Monjardino, entre muitos outros, que desplante, que vergonha.

Porque a memória é curta

Em 2007, Paulo Portas recandidatou-se ao PP prometendo colocar o partido nos 20%. Eleição após eleição, o PP não ultrapassou ainda os dois dígitos nos resultados eleitorais.

Nestes dias vem cantando vitória porque as projecções dão ao PP com 13% do eleitorado.

Caro Paulo P., qualquer resultado abaixo dos 20% é uma derrota. Simples, falhou nos objectivos a que se propôs atingir com a sua recandidatura ao PP.

Inside Job: A Verdade da Crise

Só vi o filme Inside Job: a verdade da crise, no passado fim de semana.

Surpreendentemente o nome do Eng. Sócrates, um dos maiores culpados da crise mundial, não aparece em lado nenhum. Estranho, não é?

Agora um pouco mais a sério. O que fica evidente é que não foi o excesso de estado que levou à crise em que vivemos mas sim a demissão do estado relativamente à regulamentação das funções económicas e financeiras.
Outra evidência é a de que algumas instituições financeiras adquiriram dimensões tais que ameaçam a democracia em países onde ela não deveria estar em perigo.
Além disso os países onde essa regulamentação existe não deixaram de sofrer as consequências duma economia de casino em roda livre.

Talvez seja tempo de retirar algum espaço às finanças e dá-lo à política.
Os políticos são escolhidos pela população para trabalhar para o bem estar da nação. Não para servirem de guarda-livros dos grupos financeiros.

quinta-feira, maio 26, 2011

Se seguissemos a via alemã, ainda acabávamos a subir a TSU...

Paulo Pedroso: A taxa social única em Portugal é quatro pontos percentuais mais baixa que na Alemanha (34,75% contra 38,86%). Os salários são mais baixos, independentemente do problema dos custos unitários do trabalho que abordei com frontalidade aqui. Ligando as duas coisas era fácil de perceber que as receitas da segurança social na Alemanha teriam que ter um peso nas receitas do Estado maior do que em Portugal.
Os dados para 2010 são públicos: a receita da segurança social em Portugal foi de 13,3% do PIB. Na Alemanha foi de 20,8%. A receita geral do Estado foi de 41,5% do PIB em Portugal e de 43,3% na Alemanha.
Com estes dados fiz duas contas simples que dão o seguinte: as receitas da segurança social na Alemanha têm um peso sobre a economia superior em 50% ao que tem em Portugal (mais precisamente 56,39%); as receitas da segurança social pesam quase 50% mais nas receitas gerais do Estado do que em Portugal (mais precisamente 49,89%).
Nada nestes números impediu Passos Coelho de dizer que a Alemanha é um exemplo para Portugal porque suportou cada vez mais a função social do trabalho através da tributação sobre o consumo. Se seguissemos a via alemã, ainda acabávamos a subir a TSU e o peso da segurança social sobre a economia
Sim, estamos em campanha eleitoral, mas o discurso de Passos Coelho tem um tal divórcio da realidade que a conclusão mais benevolente que consigo alcançar é a de que ninguém no seu gabinete dedica cinco minutos por dia a estudar as estatísticas do Eurostat. É pena, aprende-se muito e evita-se dizer disparates que dão soundbites engraçados mas falsos.

Sobre o vídeo da rapariga agredida

Se alguém me ver ser agredido daquela forma, larguem o telemóvel e venham mas é safar-me.

quinta-feira, maio 19, 2011

Desemprego na Madeira

A nova metodologia de inquérito estatistico de emprego veio revelar aquilo que era evidente para toda a gente, ou seja, que o desemprego na Madeira estaria mais próximo dos 15% do que estaria dos 7,5%.
Comparando os dados estatísticos de emprego, a bota não batia com a perdigota. Havia muito mais pessoas desempregadas à procura de emprego que aquilo que era mostrado pelo inquérito estatístico.
Essa diferença, que era insignificante no resto do País e podia ser facilmente explicada por erros de amostragem e outros, tomavam proporções na Madeira, na ordem dos 30% que só podiam ser explicados por manipulação dos dados estatísticos locais.

Com a nova metodologia, a realidade medida pelas pessoas inscritas nos centros de emprego, e a imagem revelada pelo inquérito estatístico tornam-se bem mais parecidas.

Tendo em conta que a nossa população activa é da ordem dos 125.000 trabalhadores, 13,4% de desempregados representam aproximadamente 16.750 desempregados. Uma diferença para os inscritos nos centros de emprego de menos de 5%.

Se esta nova metodologia visa tramar os governantes madeirenses, é só porque a realidade é madrasta e só porque os resultados na Madeira revelam-se bem piores que no resto do país.
Se a taxa de desemprego no País fosse igual à da Madeira existiriam mais 50.000 desempregados e isso é a todos os níveis a revelação do insucesso das políticas deste governo regional.

Provavelmente Merkel tem razão

A chanceler alemã disse num comício caseiro que deveria haver uma uniformização, dentro da zona euro, do tempo de trabalho, dos feriados e da idade da reforma.

Apesar de não o saber, Merkel sugeriu para Portugal, e usando a Alemanha como referência, uma diminuição das horas efectivamente trabalhadas, um aumento dos dias de férias gozadas e uma redução na idade da reforma.
Só temos de lhe agradecer esta atençãozinha.

No entanto, Merkel, apesar de não o ter referido, provavelmente tem razão, deveríamos ser capazes de acrescentar mais valor por cada hora trabalhada e assim fazer crescer a nossa riqueza.
O nosso maior problema não é a quantidade de horas trabalhadas, nem as férias gozadas, nem a idade da reforma, é aquilo que somos capazes de produzir e o valor que somos capazes de acrescentar, ou seja, a nossa produtividade.

segunda-feira, maio 16, 2011

Do que trata estas eleições?

Trata-se dos bancos e grandes empresas elegerem o seu porta-voz para primeiro-ministro, de forma a aproveitarem a crise financeira para executar o seu plano.

domingo, maio 15, 2011

Quem o calará?

Veio o Fernando Nobre dizendo o que pensa e Passos Coelho teve de o mandar calar.

Veio o Diogo Leite Campos dizendo o que pensa e Passos Coelho teve de o mandar calar.

Veio o Catroga dizendo o que pensa e Passos Coelho teve de o mandar calar.

Com o rumo que a campanha eleitoral está a tomar, parece-me que dia 5 de Junho serão os eleitores a mandar calar Passos Coelho.

P.S. - seja qual for o resultado eleitoral, a diferença mínima existente entre o PS e o PSD e a permanente queda nas intenções de voto, que já teve mais de 10% de vantagem, é já uma derrota para o PSD.

Atestado de irresponsabilidade

Os governos minoritários são ineficazes. Por um lado, o partido vencedor das eleições quer ter apoio mas não partilha o poder, por outro, a oposição deixa-o governar sozinho mas bloqueia tudo o que seja importante. Desta forma, os orçamentos, os pec's ou todas as reformas estruturais não têm passagem garantida no Parlamento.


Como sair deste problema?


Só há uma forma. Passar a um regime de co-decisão, negociando uma programa simples e claro que possa ser negociado e aceite por ambas as partes. O primeiro-ministro passa, nesta realidade, de decisor a diplomata.


Perante os resultados das sondagens, a realidade económica e financeira do país e tendo em conta o nosso especto político, PS e CDS já perceberam que este será o caminho. E sabem que têm de adoptar a tempo o discurso e a postura certa. Têm de ir avançando com preliminares, que permitam a consumação do ato depois das eleições.


E é aqui que o PSD falha. Fazer da afirmação de que não fará governo com o PS é um atestado de irresponsabilidade. Percebo a táctica. Chantagear o eleitorado. Ou nós ou o caos. Mas ainda não perceberam que essa posição radical torna-os aos olhos dos portugueses pouco fiavéis? A ver vamos, mas parece-me que o PSD está no caminho errado.

quinta-feira, maio 12, 2011

Quem é Catroga?

Correio da Manhã: ‘Na altura, saíram notícias sobre um polémico fundo de pensões da empresa de Setúbal que dava uma reforma notável ao então ministro das Finanças. E antes, em 1994, Catroga foi autor de uma hilariante medida quando o fisco penhorou uma sanita do então Estádio das Antas. O País ia morrendo a rir e Pinto da Costa usou o assunto para ridicularizar o ministro. Agora, com Passos Coelho, Catroga voltou à ribalta depois de se ter reformado em 2007 com uma pensão de 9693,54 euros. Mas as coisas têm andado um bocado tortas. Depois da conferência de imprensa de duas horas e de algumas saídas mais heterodoxas, aconteceu na segunda-feira a história do aumento do IVA na cerveja que, afinal, era vinho.’



Que genta é esta?

António Nogueira Leite, n.º 2 do Conselho Nacional do PSD, não se limita a injurir continuamente o PS, o seu desprezo é também pelo povo a quem chama de gatuno nesta entrada no Facebook:


"Um amigo meu comprou um frigorífico novo e, para se livrar do velho, colocou-o em frente do prédio, no passeio, com o aviso: "Grátis e a funcionar. Se quiser, pode levar".

O frigorífico ficou três dias no passeio, sem receber um olhar dos passantes. Ele chegou à conclusão que as pessoas não acreditavam na oferta. Parecia bom de mais para ser verdade e mudou o aviso: "Frigorífico à venda por 50,00"

No dia seguinte, tinha sido roubado!

Cuidado! Este tipo de gente vota!"


Depois do vice-presidente do PSD apelidar os portugueses de mamões e do "programista" Catroga comparar Sócrates a Hitler, já nem sei o que pensar desta gente.







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terça-feira, maio 10, 2011

Body language

No debate com Sócrates, Paulo Portas não foi capaz de olhar uma única vez nos olhos daquele. Quando Sócrates o olhava de frente, Portas baixava a cabeça ou fazia que tomava notas.

No final do debate, Portas suava, muito.

Quando teve o seu minuto para declarações finais, Portas divagou, perdeu-se e teve de ser interrompido pela jornalista.

Sócrates olhou de frente, sempre. Manteve sempre sereno. Não suou. Disse calmamente a mensagem que tinha previamente decorado no seu minuto final.

Tirem as vossas conclusões.

Portas não sabe do que fala


No debate entre Paulo Portas e José Sócrates o líder popular afirmou que o PS tinha elevado a dívida de 84.000M€ para 150.000M€.
Isto não corresponde à verdade. A dívida que o PS herdou foi de 100.000M€.
A dívida de 84.000M€ corresponde ao stock da dívida directa em 2003. Daí até ao final do mandato o governo de que Paulo Portas fez parte ainda conseguiu engordar a dívida em mais 15.000€.
Entre 2002 e 2005 o governo PSD/CDS aumentou a dívida em cerca de 30.000M€ enquanto que o PS entre 2005 e 2011, pagando submarinos comprados por outros, pagando as trafulhices dos banqueiros amigos do PSD e atravessando uma das maiores crises económicas do último século "apenas" aumentou a dívida em 50.000M€

A urgência de fazer cair o governo

Imagem retirada do Margens de Erro

Esta imagem vale mais que mil palavras. Desde janeiro que a diferença nas intenções de voto entre o PS e o PSD está a estreitar-se.
O PSD achava que a apresentação (obrigatória) do PEC era a última oportunidade de derrubar o governo. Talvez tenha sido tarde demais.

P.S. - Esperemos que o Presidente da República não esteja a preparar um golpe palaciano.

Pimenta no rabo dos trabalhadores....

é refresco para os representantes do grande capital que comanda o PSD. Catroga um dos representantes do Grupo Mello, vem dizer numa entrevista ao Jornal de Negócios que deve haver "a mobilidade total. Um professor de Setúbal pode ser convidado a trabalhar nas Finanças no Porto."

segunda-feira, maio 09, 2011

Este Catroga deve achar que somos todos burros

Andam a mangar connosco!?
O PSD mente ao dizer que não pretende aumentar o IVA. Não aumentar taxas não é o mesmo que não aumentar aquilo que os contribuintes pagam. Ao eliminar o escalão intermédio de IVA e passando todos os bens que se encontram nesse escalão para o escalão mais alto, não é outra coisa que aumentar o IVA.

No fim, iremos todos pagar muito mais IVA do que actualmente. Isto se o PSD ganhar as eleições, claro.

Com a verdade me enganas

O PSD fez da descida da Taxa Social Única a bandeira do seu programa eleitoral. Só se esqueceu de dizer que terá de compensar esta descida de receita com um aumento de outra receita, mais precisamente proveniente do aumento do IVA para 26%.
Até pode ser verdade que a carga fiscal se mantenha (se a receita perdida equivaler à nova receita) no entanto, no final não fica tudo na mesma.
Uma vez que dificilmente as empresas compensarão a diminuição de despesa com a TSU com aumentos de salários, o que esta proposta do PSD significa é uma claríssima transferência de rendimentos dos trabalhadores para as empresas.
Além disso, uma vez que o aumento de receita do IVA não irá para financiar a segurança social, esta é descapitalizada em beneficio dos gastos correntes do estado.

domingo, maio 08, 2011

Mito III

Vivemos acima das nossas possibilidades, e por isso acumulamos a dívida externa.


Por ignorância e/ou malvadez, repete-se em Portugal a mentira de que gastamos mais do temos no Estado Social e isso levou ao radical aumento da nossa dívida externa. É preciso dizer que 40% dessa dívida é dívida privada, dos bancos. Só o BPI deve 3 mil milhões de euros que estão contabilizados na dívida soberana. Acresce que, mesmo na dívida pública, andamos a pagar o que não devemos. É que os bancos e os fundos financeiros que nos emprestam dinheiro, aumento o juro na medida da diferença entre o crescimento do PIB nominal e a taxa de juro da dívida pública. É o efeito "bola de neve". Mesmo que não se peça mais dinheiro, desde que o PIB cresça pouco, acumulam-se juros. Só entre 2005 e 2010, através deste mecanismo automático acumulamos 20 mil milhões. E quem é que empresta o dinheiro aos bancos, a taxas muito mais baixas, para emprestarem a Portugal? O BCE. Mas porque não empresta o BCE directamente e deixa os países nas mãos dos especuladores. Não pode. O Tratado de Masstricht não permite. E Ser especulador na Europa é muito bom.

Memorandum da Troika I

Objectivos:

Reduzir o défice do público para menos de:

- 10068ME (equivalente a 5.9% do PIB baseados nas projecções correntes) em 2011,
- 7645ME em 2012 (4.5% do PIB) e
5224ME (3% do PIB) em 2013

sexta-feira, maio 06, 2011

Valor da ajuda externa

O valor de 78.000M€ não é inteiramente correcto.
O valor de financiamento ao estado português é de apenas 66.000M€ e os restantes 12.000M€ serão para alargar um fundo de garantia à banda e apenas será transferido em caso de falência de algum banco português, que ninguém espera que aconteça.

Para quem está na bancarrota, como tentou insinuar Eduardo Catroga, apenas precisar de 22.000M€ por ano (o equivalente a 15% do PIB) não está nada mal.

A minha conta

Com o pacote agora anunciado terei um aumento de despesa fiscal de aproximadamente 125€ mensais, mais ou menos repartidas entre aumento de IMI e IVA e redução de deduções fiscais com aquisição de casa própria.

Como eu gostava de acreditar que a CMF e o GR da Madeira não vão espatifar o dinheiro que me custa a ganhar.

O PSD é ridiculo

Como se não bastasse ainda não ter apresentado um programa eleitoral passados mais de um mês após ter provocado a queda do governo como ainda precisa de 5 dias após a apresentação do Memorando de Entendimento de Portugal com a Troika.

Está provado à saciedade que o PSD não está preparado para os tempos exigentes que estamos a atravessar.

Qual será a explicação para isto?

Os neo-liberais cá da praça defendem que se 1) não houvesse salário mínimo e 2) pudesse haver despedimentos sem justa causa, que o mercado seria tão flexível que a taxa de desemprego seria sempre muito baixa, uma vez, justificam eles, que não haveria empresas com empregados que não precisam, logo, aumentando a eficiencia, e por outro lado, os salários seriam o encontro entre a procura e a oferta de trabalho.

Acontece que no país onde esta teoria está mais posta em prática, o emprego não só não é o mais baixo do mundo como ainda por cima está a crescer, não sendo muito diferente, neste momento, do elevado desemprego verificado em alguns países onde a rigidez no trabalho é superior.

É tramado quando é a realidade a dar assim um chapadão na teoria.

Já nos países onde se adoptou uma mistura virtuosa entre flexibilidade laboral e uma boa dose de protecção, como são exemplo os países do Norte da Europa, o desemprego é notoriamente mais baixo.

quinta-feira, maio 05, 2011

O animal feroz II

Já aqui tinha dado a minha opinião sobre Sócrates. Nenhum outro político foi tão atacado desde o 25 de Abril. Contra ele tudo valeu. Mas o homem resiste. É um lutador. Não abandona nem desiste. E quanto mais lhe atacam mais ele luta. Os seus detractores ainda não o entenderam. Pensaram que uma crise política no meio de uma crise financeira, somada à chegada do FMI o deitaria por terra. Era o tudo por tudo. Sacrificava-se o país para abater Sócrates. O que saiu dessa situação foi o que os socialistas, que o reelegeram com uma votação esmagadora, previram. Ou pelas palavras de um membro da Troika: "O pior era quando os ministros levavam a José Sócrates as sucessivas propostas da troika. Aí tudo era diferente. O primeiro--ministro atirava uns papéis ao ar, recusava isto e aquilo, foi um osso duro de roer. Ao ponto de um dos membros da troika ter desabafado: "O tipo é mesmo intratável."

Pois é. E é isso que o país precisa. Um gajo que não ande a reboque. Que saiba o que quer para Portugal, que o diga e que se bata pelos portugueses até o fim.

quarta-feira, maio 04, 2011

Denuncia de fontes mentirosas

Os órgãos de comunicação social que nos têm intoxicado com anúncios de austeridade, com cortes nos 13º e 14º meses ou pagamentos em títulos do tesouro, despedimentos sem justa causa, etc. têm a obrigação de denunciar quais as fontes que os enganaram.

A protecção do anonimato das fontes de comunicação social, não se deve aplicar a fontes que tentam por todos os meios manipular esses meios de CS, bem como os seus leitores.

Em alternativa, esses meios de CS deveriam assumir que andaram à volta de especulações sem nenhuma base e que violaram despudoradamente o código deontológico do jornalismo, praticando um péssimo jornalismo, se é que se pode chamar àquilo jornalismo.

Assumam-se de uma vez.

O mal estar por parte do PSD por o FMI/FEEF não impor o seu programa neo-liberal, é mais do que evidente.
O anúncio que o PM fez ontem ao país, foi o anúncio de uma amputação ao programa que o PSD desejava, mas que queria que fosse apresentado como uma imposição tutelar do exterior.

Se o PSD deseja apresentar ao País um programa alargado de privatizações, cortes nas áreas sociais, e diminuição nos direitos laborais, que o assuma inteiramente, e deixem que os eleitores conscientemente façam as suas escolhas.

Tirem do armário esses esqueletos ideológicos de uma vez por todas.

terça-feira, maio 03, 2011

O Sr. Catroga....

diz Basílio Horta, na SIC-Notícias, "ainda há pouco tempo queria julgar o primeiro-ministro e agora faz estas declarações desfasadas da realidade." E diz mais "a imagem que o Catroga ajuda a dar com estas declarações e com as 5 cartas que foi escrevendo durante as negociações são terríveis para a imagem de Portugal". Mário Crespo está à beira de uma ataque de nervos: "o sr. não subsscreve que os últimos 3 anos foram muito maus...a duplicação da dívida externa". B. Horta: "Diga um país que não tenha nos últimos 50 anos duplicado a sua dívida externa....diga um!". O Crespo balbuciou umas tontarias e Horta está a tentar explicar o básico....jornalismo resgadinho...

Um partido esquizofrénico

Catroga está feliz porque afinal, segundo ele, a consolidação orçamental será feita de forma mais lenta do que o governo proponha no PEC 4. Mas não foi o PSD que votou contra o PEC4 precisamente porque este não "ia tão longe quanto necessário" e era preciso fazer "mais e mais depressa"?

Explicações

Parece que o PSD pretende explicações do governo sobre o crescimento da dívida directa do estado.
Acho muito bem. É também para isso que existem os partidos da oposição.

No entanto, no PORDATA, para não falar dos dados oficiais disponíveis, é possível consultar o evoluir da dívida ao longo do tempo. Havendo informação disponível até 2010.
E o que podemos ver lá?

No reinado de Cavaco Silva, a dívida cresceu cerca de 19,72% ao ano, passando de 11.730M€ em 1985 para 52.488M€ em 1995. Cavaco é mesmo o campeão do aumento da dívida, tendo multiplicado por 5 o seu valor em apenas 10 anos de governação.

Com Guterres a dívida teve um crescimento anual de 5,5%, representando 72.450M€ em 2001, tendo aumentado apenas 0,25 vezes durante os 6 anos de governação socialista.

Durante a governação PSD/CDS de Durão Barroso/Portas/Santana Lopes a dívida voltou a acelerar e cresceu 8,89% ao ano. Tendo o governo de coligação deixado uma dívida de 101.758M€.

Com Sócrates, o crescimento anual da dívida foi de 8,4%, sendo apenas maior que o de Guterres, mas inferior ao crescimento anual de Durão Barroso e muito inferior ao de Cavaco.
Não podemos no entanto esquecer que durante estes últimos anos atravessamos uma tormenta que tendo vindo do exterior tornou as nossas debilidades internas muito mais acentuadas.

Mais uma vez, fica provado que o PSD não dá lições a ninguém na utilização dos dinheiros públicos.

domingo, maio 01, 2011

Dia do trabalhador

Comemora-se hoje mais um dia do trabalhador. Dia que foi criado em homenagem à luta sindical pelas 8h de trabalho diário, ocorrida em Chicago, no longínquo ano de 1886.
Tal como a maioria dos direitos, nomeadamente os laborais, é nas democracias que eles se desenvolvem. Nunca, ou raramente em regimes totalitários.

É por isso que desprezo a parasitagem que os partidos comunistas, onde ainda existem, costumam fazer desta luta dos trabalhadores em regimes democráticos.
Sintomático disso é o facto de nos países onde vigoram ou vigoraram regimes totalitários comunistas, ainda hoje, quase 125 anos passados daquela luta dos trabalhadores em Chicago, continuarem a subsistir jornadas de trabalho superiores a 8h, e pelo facto da actividade sindical ser fortemente reprimida ou controlada nesses regimes.

Duas coisas bem diferentes são o que os comunistas dizem defender e a sua prática. Para podermos acreditar na suas boas intenções temos de fechar os olhos à realidade.