sexta-feira, abril 29, 2011

A não perder

Este domingo, o jornal nacional da TVI terá um assunto cuja análise por parte do Professor Marcelo merecerá toda a atenção.

Nada mais, nada menos que: os mergulhos no Tejo.

Dá gosto...




ver esta equipa a jogar à bola.


Parabéns rapazes, mesmo que não ganhem mais nada este ano vocês são do carago!


Quando no dia 10 de Agosto de 2009 esta rapaziada entra em campo contra o campeão 08/09 e aos 3 minutos já estava a ganhar, ao que seguiu meia hora de domínio completo e o 2-0 pelo melhor avançado a actuar em Portugal - Falcão - desconfiou-se que tínhamos equipa. A partir daí foi o que se viu. Um segundo melhor campeonato de sempre, ganho a 9 jornadas do fim, uma reviravolta nas meias-finais da Taça contra o SLB em Lisboa, goleadas atrás de goleadas na Liga Europa. Campeão sem derrotas até agora e finalista na Taça e praticamente na final da Liga Europa.

Como se produzem reformas políticas à direita

"De facto a Justiça em portugal precisa de reformas profundas", disse o dirigente social-democrata [Miguel Relvas] à saída, indicando que esta foi a primeira vez que foi a um tribunal e que a partir de hoje estará mais atento às propostas para a Justiça."


Mitos II

"Com a diminuição dos salários o país será mais competitivo, aumentará as exportações e haverá crescimento económico."




A esmagadora maioria das empresas portuguesas são PME's que não exportam, vivem do consumo interno. Com a diminuição dos salários, há menos consumo interno e a economia não cresce. Por outro lado, em mais de metade das 1000 maiores empresas (as que exportam) a componente financeira (os empréstimos bancários e juros) é maior que a componente salarial, logo estão mais dependentes da variação dos juros para se tornarem competitivas do que dos salários.



Por último, competir pelo preço é um erro. Haverá sempre quem faça mais barato, por via da diminuição dos salários (China, Índia, Vietname, etc). Há que apostar na diferenciação, na inovação e na qualidade.

quinta-feira, abril 28, 2011

Recaida

Diz a sabedoria popular que uma recaída é pior que a doença.
Sabendo disso e sabendo que o governo socialista em 2005 encontrou o país com um défice acima dos 6% e com uma dívida externa a crescer, e em 2008 quando já tinha controlado o défice, colocando-o nos 3%, apanhou com a crise do sub-prime que afectou todo o mundo, como se pode querer esconder que enquanto que para muitos países a crise foi uma doença, para Portugal foi uma recaída?

Querendo ignorar o que se passou há apenas 5 anos, vêm agora algumas avezinhas querer comparar o incomparável, como se as condições de combate à crise fossem as mesmas em Portugal e noutros países europeus.
Apesar de tudo, enfrentamos a crise com melhores resultados que outros que estavam bem melhores que nós antes da crise, como é o caso da Irlanda.

Que a memória viva nos impeça de cometer erros de julgamento.

quarta-feira, abril 27, 2011

Diz-me com quem andas

Quem anda a fazer o programa eleitoral do PSD?

Justiça chantagista

O que têm em comum esta, esta e esta notícia?
Todas elas revelam uma actuação criminosa e chantagista por parte da nossa "justiça".
Num estado de direito democrático ninguém está acima da lei, no entanto este modus operandi que consiste em empapelar as investigações e o decorrer dos processos, de modo a que os picos de actividade surjam em períodos eleitorais não é aceitável.

Os estratagemas de mediatização destes processos vai desde a habitual marcação de audições (tentando envolver os intervenientes políticos) para períodos eleitorais, à divulgação selecionada e descontextualizada de partes do processo em segredo de justiça, até à divulgação de escutas telefónicas.
Quando os processos desaparecem subitamente dos espaço mediático, então devemos efectivamente ficar preocupados. Provavelmente, a vitima de chantagem cedeu.
E muito provavelmente os vários actores da justiça conseguiram ganhar poder,sobretudo económico, mas não só.

É necessário e urgente uma alteração de sistema que introduza um escrutínio democrático à actuação dos juízes e procuradores. Assim como está é que não é aceitável.

terça-feira, abril 26, 2011

Diminuir receitas antes de diminuir as despesas.



Para quem ainda tinha dúvidas, esta entrevista do Secretário Geral do PSD esclarece-as.
A intenção do PSD de cortar nas tais reformas milionárias pagas pelo estado não são para já.
A intenção é, antes de mais, entregar parte considerável da receita da Segurança Social aos privados, mantendo integralmente as despesas tais como estão neste momento.
Não é preciso ser uma mente brilhante para perceber que com o PSD no poder a nossa segurança social entraria rapidamente em colapso.

Uma boa proposta, se estivesse efectivamente interessado em melhorar o sistema, seria reduzir as reformas pagas nos escalões mais altos a quem na realidade não contribuiu para elas. Apesar desta medida não resolver o problema, seria um sinal no bom sentido.

sexta-feira, abril 22, 2011

Programa do PSD

... questionado pelos jornalistas se o PSD já tinha programa eleitoral, Passos Coelho respondeu ....lá rá lá la lá lá.

quinta-feira, abril 21, 2011

Tempo para reflectir

Depois de Óscar Gonçalves surge agora Luís Miguel França a fazer sérias críticas ao aparelho socialista na região. Merecem atenção e análise.

Dois bons quadros, indubitavelmente, dois afastamentos que apenas enfraquecem o partido.

Nesta fase, deveríamos estar no caminho oposto, isto é, um partido mais aberto à sociedade, capaz de materializar os princípios que defende (veja-se o caso do Óscar Gonçalves).

Anseio não é desespero

O que a sondagem da Marktest* veio revelar é que os portugueses estão ansiosos por poder democraticamente castigar aqueles que têm imposto uma longa série de sacrifícios e medidas difíceis, justos ou não, pouco interessa ao caso, mas que não estão desesperados ao ponto de colocar as suas vidas nas mãos de alguém que não dá as mínimas garantias de lhes tornar a vida mais agradável.

Se o PSD tivesse optado por moderar o seu ímpeto liberal e adoptasse uma posição mais próxima da sua matriz social-democrata, não duvido que seria mais fácilmente visto como uma alternativa, como além disso facilitaria a criação de um futuro governo, que inevitavelmente será de bloco-central.

* - Não é por colocar o PS a liderar as intenções de voto que dou mais credibilidade a esta sondagem que outras que no passado davam o PSD com quase 50%. Mas o que todas as sondagens estão a revelar é que o PS está a recuperar terreno enquanto que o PSD perde. E ainda estamos a 6 semanas das eleições.

terça-feira, abril 19, 2011

Sem espelho

A lista do PS-M é muito boa, sem dúvida.
Com alguma sorte, conseguimos juntar os 15% que o nº1 teve nas últimas regionais, com os 13% que o nº 2 teve nas autárquicas e ficamos apenas a 8% do resultado obtido nas legislativas de 2005.

Não percebo como é que acham que os resultados melhorarão, colocando pessoas que já foram eleitoralmente rejeitadas e que de lá para cá nada fizeram para mudar o panorama.

Boa sorte. Espero ver as mesmas figuras a encabeçar a lista a deputados regionais, mas depois não atribuam culpas a outros.

sexta-feira, abril 15, 2011

75.000 M€ para 3 anos

Como é do conhecimento geral, o valor do recurso ao crédito do estado português para este ano é de aproximadamente 40.000 M€.

Por outro lado, as estimativas do BCE/FMI para as necessidades de financiamento para os próximos 3 anos é de cerca de 75.000 M€, ou seja, cerca de 25.000 M€ por ano, o que significa uma forte redução das necessidades de financiamento externo para os próximos anos.

Assim sendo, não percebo donde vem tanto fatalismo em relação às contas públicas portuguesas.
Não devemos esconder aqueles que são os nossos maiores desafios, mas entrar em histerias não ajuda a resolver nada.
Temos de equilibrar quer a balança externa, quer os défices orçamentais e sobretudo o endividamento externo, mas esse objectivo deverá ser obtido predominantemente através do crescimento económico.

Há quem veja na austeridade um bem em si mesmo. Mas não é. O bem maior a ser perseguido, em termos económicos, é o equilíbrio das contas nacionais (público + privado), ou seja, sermos capazes de produzir pelo menos tanto quanto aquilo que necessitamos.

quinta-feira, abril 14, 2011

O que tu queres sei eu

Mitos I

Mito: A privatização tornava os cuidados de saúde mais eficiente e baratos.
Então porque será que os EUA, que não têm um Serviço Nacional de Saúde, são o país no mundo onde o Estado tem a maior despesa per capita com cuidados de saúde e têm piores resultados?

Censos 2011

Depois de ter feito criticas ao facto de no primeiro dia de entregas dos dados relativos aos censos 2011 pela internet, ter havido congestionamento e evidente mau dimensionamento dos sistemas informáticos, é da mais elementar justiça fazer neste momento um elogio aquele que acabou por ser o resultado final.
Mais de metade da população recenseada através da internet é de facto fantástico.

Queria também deixar uma palavra de elogio a muitas juntas de freguesia que disponibilizaram meios informáticos e pessoal de modo a que as pessoas que não tinham computador e/ou internet pudessem preencher os inquéritos nas próprias juntas de freguesia, contribuindo ainda mais para o sucesso que foi esta operação.

Com o PSD é que é

Com a operação de titularização de dívidas fiscais e da segurança social, realizadas por Manuela Ferreira Leite em 2003, para mascarar o défice, o estado pagou um juro implícito de 17,5%.
Comparando com os estes valores, os juros pagos nas últimas emissões de dívida (6%), realizadas antes de chamar o FMI são uma verdadeira bagatela.

No entanto, o despudor é tão grande que ainda nos querem fazer crer que a sua honestidade e competência não tem paralelo.
Com os governos de direita é sempre assim: espatifar as contas públicas de modo a tornar inevitável a privatização de tudo o que é do estado.

quarta-feira, abril 13, 2011

Portugal não precisava de ajuda externa

O artigo publicado no NY Times, mas traduzido pelo Jornal de Negócios.


"Portugal não precisava deste resgate. Foi sobretudo a especulação que precipitou o País para o pedido de ajuda externa. O culpado não foi o governo, mas sim a pressão das agências de “rating”. "

A crise não resulta da actuação de Portugal. A sua dívida acumulada está bem abaixo do nível de outros países, como a Itália, que não foram sujeitos a avaliações [de ‘rating’] tão devastadoras. O seu défice orçamental é inferior ao de vários outros países europeus e tem estado a diminuir rapidamente, na sequência dos esforços governamentais nesse sentido”, refere o professor, que fala ainda sobre o facto de Portugal ter registado, no primeiro trimestre de 2010, uma das melhores taxas de retoma económica da UE.


Assim, no seu entender, “não há que culpar a política interna de Portugal. O primeiro-ministro José Sócrates e o PS tomaram iniciativas no sentido de reduzir o défice, ao mesmo tempo que promoveram a competitividade e mantiveram a despesa social; a oposição insistiu que podia fazer melhor e obrigou à demissão de Sócrates, criando condições para a realização de eleições em Junho. Mas isto é política normal, não um sinal de confusão ou de incompetência, como alguns críticos de Portugal têm referido”.

Teste do algodão III

Quando Santana Lopes é a voz da razão dentro do PSD, o que dizer deste partido?

"Eu não consigo explicar isto!"

Santana Lopes na TVI 24 pergunta: “Como é que se diz ao país todo: ‘olhe, vai haver uma crise política porque me faltaram ao respeito, ninguém conversou comigo’?”


Afinal vamos a ver os factos e...

Portugal com maior subida da produção na UE, indica Eurostat

A sequela

Depois do fantástico "Dêem-me um tiro, senão serei presidente da república", agora o mais fantástico ainda "Dêem-me um tiro senão serei presidente da AR".

O ataque a Portugal

Este texto do NY Times é obrigatório.

"PORTUGAL’S plea for help with its debts from the International Monetary Fund and the European Union last week should be a warning to democracies everywhere. "


(...) Portugal’s crisis is thoroughly different; there was not a genuine underlying crisis. The economic institutions and policies in Portugal that some financial analysts see as hopelessly flawed had achieved notable successes before this Iberian nation of 10 million was subjected to successive waves of attack by bond traders.

(...) The crisis is not of Portugal’s doing. Its accumulated debt is well below the level of nations like Italy that have not been subject to such devastating assessments. Its budget deficit is lower than that of several other European countries and has been falling quickly as a result of government efforts. (...)

Domestic politics are not to blame. Prime Minister José Sócrates and the governing Socialists moved to cut the deficit while promoting competitiveness and maintaining social spending; the opposition insisted it could do better and forced out Mr. Sócrates this month, setting the stage for new elections in June. (...) "

PSD goza com os eleitores

Fernando Nobre renuncia caso não seja eleito Presidente da Assembleia
Afinal o único que aceitou liderar a lista do PSD nem vai ser um verdadeiro candidato a deputado.


Isto faz lembrar outro cabeça de lista do PSD eleito em 2009 que renunciou 30 minutos depois de tomar posse, e o que é sempre candidato pelo PSD-madeira mas que nunca tomou posse. Isto é gozar com os eleitores.

Os sacrifícios não são para todos

“Se os sacrifícios são para todos então, também, as consequências da intervenção das medidas do FMI têm de ser para todos”, afirmou o Presidente do GR. Mas os sacrifícios não são para todos: Só Jardim e Madeira vão poder acumular salário com pensões Jardim: reforma €4.000 + salário €5.000 + despesas de representação €2.000 = € 11.000 X 14 = € 154.000/ano

terça-feira, abril 12, 2011

Ao colinho

Pedro Passos Coelho foi apanhado a mentir sobre a reunião com o PM, que disse não ter havido e que justificou a criação da actual crise política.


A recção dos media foi a de ocultação da sua responsabilidade. Hoje o que saiu foi "os partidos acusam-se mutuamente".


Fosse o autor da mentira José Sócrates e tinhamos capas de jornais para 2 meses, debates nas tv's e rádios, prós e contras especiais, todos os comentadores indignados, entrevistas a gato e lagarto que quisesse afiar a má lingua e até um peocesso "para averiguação dos factos" o MP lhe abria.

O teste do algodão II

1.Marques Mendes recusa convite de Passos Coelho 2.Capucho recusa inclusão nas listas do PSD 3.Manuela Ferreira Leite rejeita ser candidata pelo PSD 4.Mais uma recusa. Menezes diz não a Passos Coelho Bónus: Morais Sarmento: "Nobre não tem perfil para presidir ao Parlamento".

Os cábulas

Quando andava na Faculdade de Direito, um saudoso professor avisava antes das provas orais começarem que quem não fosse capaz de ter "estabilidade lógica" não poderia passar. Não bastava saber uma coisas, era preciso tê-las bem ordenadas na cabeça e ser capaz de produzir um discurso coeso e claro que transmitisse um conhecimento. Claro está que só valia se o saber fosse genuíno. Não valia invenções.


Isto vem a propósito da entrevista de ontem a Pedro Passos Coelho. Não conseguimos ter 5 minutos de "estabilidade lógica". Não se percebe ao que vem. Enredasse nas suas invenções. Contradiz-se. No fim fica a sensação que não estudou a lição. E, consequentemente, não poderá passar o teste.

O teste do algodão

Como é que se sabe que um partido anda à rasca?


Quando para que um independente aceite ser candidato pelas suas listas, não se limitam a convidá-lo a integrar as listas num lugar elegível, mas tem de lhe oferecer o lugar de cabeça de lista pela capital e ainda o prémio de vir a ser o presidente da Assembleia da República.

Sondagem: PS sobe, PSD desce


Para ver e ouvir aqui.

A granada


Afinal...

O PSD sustentou a sua decisão de criar uma crise política em 2 argumentos:


- o Governo tinha apresentado o PEC em Bruxelas às escondidas e;

- as medidas eram demasiado duras e injustas.


Pouco depois, Pedro Passos Coelho veio dizer à Agência Reuters que afinal o PEC não tinha ido tão longe quanto seria desejável e ontem, na entrevista à TVI, revelou que afinal o Primeiro-Ministro convidou-o a ir a São Bento para uma reunião - que agora se sabe ter sido longa - para falarem sobre o PEC que seria apresentado em Bruxelas.


Sabendo-se que os dois argumentos que o PSD apresentou como motivos para irmos a eleições antecipadas são falsos, é legítimo perguntar: o que de facto levou o PSD a criar uma crise política na pior altura possível para o país?

segunda-feira, abril 11, 2011

Surpresas

António Vitorino: "De igual modo, o agravamento das condições de financiamento potenciado pela crise política vai trazer no bojo duas consequências que também não poderão ser tidas como surpresas.Por um lado, não terão viabilidade soluções "transitórias" ou "intercalares" que dissociem o acesso ao financiamento disponibilizado pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) da adopção de um programa de ajustamento da economia portuguesa que, com toda a probabilidade, irá além do que se continha no PEC IV, rejeitado no Parlamento. Como se verá quando o compararmos com o "PEC de tipo novo" que nos será revelado dentro de semanas.Por outro lado, as condições políticas presentes em Portugal fragilizam a posição negocial do Estado português na definição desse inevitável programa de ajustamento associado ao acesso ao FEEF. Neste capítulo, o que seria uma surpresa seria que, em plena campanha eleitoral, se gerasse um consenso alargado sobre esse programa sabendo, como se sabe, que foi a rejeição do PEC IV que constituiu precisamente o pretexto para o desencadear da crise política que desembocará nas eleições de 5 de Junho... Tal como seria uma surpresa que quem, até ao momento, pecou por omissão no desenrolar da crise acabasse por romper o seu silêncio distante e calculista e assumisse, por uma vez, a responsabilidade e o risco de criar as condições institucionais para a saída da complexa situação em que vivemos e para a qual também contribuiu a sua própria inércia.’

quinta-feira, abril 07, 2011

Um partido esquizofrénico XIV

O PSD rejeitou o PEC IV porque "havia limites para os sacrifícios". Derrubou o Governo e provocou um crise política.


Vem agora o mesmo PSD apoiar um PEC que vai impor mais sacrifícios aos Portugueses do que aquele que rejeitaram.

As evidências falam por si


1. Para quem no PS-Madeira pensa que um discurso político irresponsável a copiar o BE lhes trará vantagens eleitorais, que leia esta sondagem com atenção. O BE desceu 50% nas intenções de voto.


2. O PS continua a subir....

quarta-feira, abril 06, 2011

Afinal quem é o mentiroso?

Carlos B. Oliveira:O Tribunal de Contas detectou um buraco de 305 milhões na conta da Madeira relativa a 2009, valor correspondente a um quinto do orçamento desse ano Naquele mesmo ano, o governo de Alberto João Jardim celebrou secretamente nove acordos de regularização da dívida(…) "

A notícia não vem na edição on line do “Público”, mas mão amiga fez-me chegar cópia do artigo da edição em papel. Pelas hostes laranja, ninguém parece estar preocupado com o assunto, apesar de ser uma reincidência de AJJ que já em 2005 escondera do TC 150 milhões de euros de créditos a empreiteiros, numa operação que contribuiu para o aumento do défice nacional, mas não foi reportado a Bruxelas, por não ter sido do conhecimento do governo português.

Contou-me uma joaninha que, ao saber da notícia, Sócrates virou-se para o espelho e perguntou: " Então e o mentiroso sou só eu? Cadê os outros?"

O Problema Português

Dez notas do André Barata sobre o que ele chama o "problema português". Nestes tempos propícios à irresponsabilidade e aventureirismos, vale a pena ler e pensar a sério, muito a sério, sobre isto.


"A falta de sustentabilidade de que falo é a do regime. A baixa confiança interpessoal pressiona o regime a evoluir na direcção de uma cultura política autoritária e subordinada. Trocaremos a confiança pela lealdade, e a vontade de um projecto colectivo para o país por uma vontade de líderes que nos guiem ou nos dêem a segurança que vai faltando. Desfeita a confiança comum já nada suporta o interesse comum. A república evoluirá em uma de duas: ou em demagogia ou em plutocracia."

A teimosia do Sr. Engenheiro

Era uma vez uma empresa de telecomunicações que se viu encurralada pelo seu parceiro, a vender um activo importante a um preço que, sendo alto, não reflectia todo o valor estratégico que o activo tinha para a empresa e para o País.
O resto da estória é conhecida. A golden share do estado foi usada e desenvolveu-se uma solução muito mais vantajosa que aquela que era inicialmente esperada.
Naquele tempo, alguns dos accionistas, muitos deles banqueiros, andavam nervosos e não resistindo à pressão teriam optado pela solução que seria menos vantajosa.
Objectivamente, se não tivesse sido a teimosia do Sr. Engenheiro teríamos perdido.

Como a história repete-se, estamos hoje numa situação semelhante.
Se os juros não estivessem ao nível que estão, nada leva a crer que o país não conseguisse o financiamento necessário. Tal como é evidente que a vinda de "ajuda" externa não resolve (no meu ver agrava) o nosso maior problema: o crescimento económico.
Assim sendo, devemos resistir até para lá do limite.
Temos que endireitar as nossas contas públicas. Reduzir despesas, diminuir a dívida e o endividamento. Mas para isso não precisamos de ajuda. Precisamos apenas dum sinal de confiança dos mercados, mas sobretudo dos nossos parceiros europeus.

terça-feira, abril 05, 2011

E se for Basílio Horta, será que o PSD e CDS percebem?

«Isto está mau como era previsto. Hoje os juros estão quase nos 10 por cento. Acho que vem aí um grande sarilho. Deitaram abaixo o Governo, não aprovaram o PEC e agora vão pedir a quem deitaram abaixo para fazer as coisas?» Basílio Horta, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

Saberão eles do que falam?

Primeiro foi Passos Coelho a revelar que o PSD pretendia transferir fundos da UE das grandes obras públicas para apoios sociais.
Sendo esses fundos destinados exclusivamente a infraestrururas e Redes Transeuropeias de transportes, essa promessa do PSD só pode ser vista sob duas perspectivas: ou sabem do que falam e então mentem aos portugueses, ou simplesmente não sabem do que falam.

Agora, criado o problema provocado pelo chumbo do PEC por toda a oposição, vêm as soluções avulsas para chegarmos a Junho.
Destas propostas coxas destaca-se a do empréstimo intercalar do FMI.
Rapidamente a UE veio lembrar que não deverá haver intervenção do FMI sem o FEEF e não há nada previsto como um empréstimo intermédio de curto prazo, como era defendido por parte do PSD e alguns conselheiros de estado da confiança de Cavaco, nomeadamente Bagão Felix e Victor Bento.

Dito de outra forma: as soluções apresentadas por aqueles que provocaram esta crise política, e que agravaram a crise financeira, têm invariavelmente pés de barro, não resistindo à mais pequena confrontação com a realidade. Nenhuma das soluções apresentadas em alternativa às que foram apresentadas pelo governo, é exequível.

O Governo do PS pode ter, e tem com certeza, muitos defeitos, mas está de longe mais bem preparado para enfrentar as dificuldades do País que qualquer alternativa apresentada até ao momento.

Agradeçam ao PSD XII

A agência Moody's disse hoje que a falta de acordo entre o Governo e o PSD no PEC IV contribuiu para a descida no 'rating'.

Será que o PSD ouve o Prof. Marcelo?

DE: "As eleições são sempre respeitáveis em democracia, porque, em última análise, é o povo quem mais ordena e recorrer ao povo é sempre certo em termos teóricos. Neste momento, no meio da crise económica e financeira, era preferível não haver eleições", disse Marcelo no habitual comentário do Jornal Nacional.

Semântica

Paulo Pinto: Porque é que "patriótico de esquerda" me faz lembrar "nacional socialista"?

segunda-feira, abril 04, 2011

E se for em espanhol, o PSD percebe?


No "El Pais": "La voluntad del Consejo Europeo y de las instituciones europeas es que Portugal pueda seguir financiándose. Confío en la capacidad de José Sócrates. No me parece conveniente ni bueno para Portugal ni para la zona euro que tuviera que pedir ayuda financiera."

Contorcionistas da política


Como é que alguém possa estar contra as medidas de austeridade e a favor da entrada do FMI!

Ou como é que se pode estar contra as medidas de austeridade, aplicá-las na Madeira, e ainda criticar a sua não aplicação nos Açores!

Retrato de um chefe

Vasco Pulido Valente no Público: "O dr. Passos Coelho resolveu pôr na rua o governo de Sócrates. Não sem provocação. Mas toda a gente esperava que ele tivesse alguma coisa dentro da cabeça e a comunicasse ao país. Não comunicou nada. O que ele fez foi começar uma sucessão de gafes que revelam uma inquietante tendência para aumentar em quantidade e qualidade. Começou por ir a Bruxelas declarar que, em caso de aperto, não hesitaria em subir o IVA. Esta inesperada franqueza provocou, como é óbvio, um grande embaraço ao PSD e o habitual chorrilho de trapalhadas (apoios, desmentidos, desculpas) que inevitavelmente deixaram o país mais perplexo do que estava. Aliviando a sua pessoa de meia dúzia de asneiras sobre o IVA e o IRS (de resto, desnecessárias), Passos Coelho não pareceu perturbado e passou a tarefas de outra natureza. A primeira consistiu em entregar à FENPROF a avaliação dos professores que tinha levado uma eternidade a negociar e acabara numa meia derrota. Não sei quantos votos o PSD ganhou com esta espécie de exercício eleitoral, mas ganhasse os que ganhasse, a operação foi sórdida. Veio a seguir a sugestão para privatizar a CGD e a confissão (que ninguém lhe pedira) de que estava disposto a governar com o FMI. No meio disto, prometia também um programa para Abril, fabricado (ou dirigido) pelo dr. Catroga. E, para ir abrindo o apetite à populaça, aprovou por unanimidade no PSD um documento em que definia "pilares" ("pilares"?) num calão indigno do 12.º ano, que não houve português que percebesse ou levasse a sério. (...)’

Uma entrevista programática

Tomás Vasques: É notório que Pedro Passos Coelho e o PSD não têm mais do que vagas ideias sobre o que fazer se vierem a ganhar as eleições. O discurso generalista e muitas vezes contraditório do líder do PSD não augura nada de bom. Como escreve, hoje, no Público, Vasco Pulido Valente: «toda a gente esperava que ele tivesse alguma coisa dentro da cabeça e a comunicasse ao país. Não comunicou nada.» Na mesma linha, Diogo Leite Campos, vice-presidente do PSD, em entrevista «programática» ao jornal i, à pergunta Como é que o PSD vai arranjar, até ao final do ano, 5,5 mil milhões de euros se for governo? Responde «Em primeiro lugar, vai governar bem.». Perante o vazio da resposta, a jornalista insiste: Mas isso não são medidas concretas. Resposta: «Nas linhas gerais, apresentadas pelo programa de governo do PSD, há dois pilares fundamentais a curtíssimo prazo: um é a recuperação financeira, outro é a recuperação económica e social.» Aqui a jornalista interroga: Como é que isso se faz? E veio a resposta: «É preciso voltar a criar confiança.». E continua por aí fora. É demasiado desolador para ser verdade, mas é.

sexta-feira, abril 01, 2011

1 de abril

Dá a sensação que anda tudo pedrado. Anda tudo sob o efeito de LSD.
Neste dia das petas, a realidade ultrapassa a brincadeira.
Os actores políticos, raro honrosas excepções, mandam cá para fora as maiores atoardas como se do lado de cá não houvesse já, mais espírito critico.
A generalidade dos jornalistas, deixaram de procurar informar e limitam-se à banal repetição das asneiras dos outros.

Pelo menos hoje, podiam disfarçar e tentar ser qualquer coisa diferente.

O JM é uma ofensa aos pobres da Madeira

José Luís Rodrigues: "Os subsídios públicos ao Jornal da Madeira (JM) são um escândalo, uma ofensa aos pobres da nossa terra. Não são se trata de centenas nem milhares de euros, mas milhões desbaratados porta fora para alimentar salários gordos e pretensas crónicas jornalísticas para ofender toda a gente, exaltar um desgoverno regional e um partido político sem sentido nenhum no que diz respeito à Democracia. (...)"

Muita parra e pouca uva

José Luís Rodrigues: O jornalista Mário Gouveia no programa da RTP-Madeira, Dossier de Imprensa, do dia 31 de Março de 2011, fez eco do que se pensa e diz sem fundamento acerca dos padres. Dizia o seguinte ilustre pensador, são todos ricos e não se sabe o que eles fazem ao dinheiro: «será para comprar batinas…; eles não fazem igrejas…; basta ir às missas para ver o que eles recebem de dinheiro…». (...) Porém, será importante destacar que o trabalho social que a Igreja realiza, muitas vezes sob muitos sacrifícios, levaria a sociedade ao caos se não fosse feito. Não será em vão, com imensas falhas é certo, a atenção que a Igreja denota a famílias carenciadas, a filhos rejeitados, a idosos abandonados, a jovens alienados com o desporto, com as drogas, com a falta de oportunidades… Outro aspecto é o da educação escolar. É imenso o trabalho social que a Igreja realiza em prol da sociedade. Trabalho que o Estado devia assegurar, mas que se demite frequentemente e quando o realiza, é feito com a maior das insensibilidades humanas e espirituais. Noutro domínio esquece-se o trabalho espiritual e a importância para o equilíbrio das populações. Como seriam os povos sem palavras de esperança em relação ao futuro, de conforto na doença e na morte?; Quem faz os diversos serviços para congregar as pessoas – a catequese e as festas; o serviço do voluntariado em prol dos outros que as comunidades religiosas organizam e etc, etc… O Santo Cura D’Ars dizia: «Deixai uma paróquia vinte anos sem padre: ali se adorarão os animais". Neste sentido a sociedade ainda seria muito mais violenta, mais desequilibrada e quem sabe caótica se este aspecto espiritual e social não fosse realizado pelas Igrejas. Quanto aos dinheiros. A minha experiência diz que quanto mais transparência melhor. (...) Como se vê muita parra e pouca uva. Porém, salvaguarde-se a importância da Igreja e papel crucial que os padres exercem em prol da fixação das populações e no acompanhamento espiritual das mesmas. Trabalho essencial, cada vez mais reconhecido e valorizado pelas entidades ligadas à saúde física, psicológica e social."

Quem criou o problema que chame o FMI

Em politica, ainda para mais nos tempos atribulados em que vivemos, a memória é curtíssima.
Há apenas duas semanas atrás o governo apresentou aos portugueses e ás instituições europeias as linhas orientadoras para o PEC.
O presidente da república, havia dito que há limites nos sacrifícios que se podem pedir aos portugueses.
O PSD seguiu-lhe o discurso, dizendo que era inaceitável pedir mais austeridade, e com o argumento que o PEC era mau e o governo era incompetente, apresentou uma resolução na AR, que sendo aprovada levou ao chumbo do PEC e à demissão do governo.
A não aprovação do PEC e a queda do governo criou grande apreensão nas entidades europeias e levou a um crescendo de desconfiança por parte dos mercados.

Os mesmos que achavam que o governo não tinha legitimidade para pedir mais sacrifícios e que achavam que o governo era incompetente, ou seja, Cavaco e o PSD, e que provocaram um agravamento inegável das condições de financiamento do País, querem agora, que seja o governo incompetente e sem legitimidade a negociar e comprometer-se com o que um futuro governo pode ou não querer fazer.
Será que está tudo louco.

O PR tem a legitimidade e a "competência" para designar quem negociará as condições de ajuda externa, se esta for necessária.
Caso contrário, devera ser o próximo governo a decidir. Nunca este, que tudo fez para evitar a necessidade de recurso ao FMI e que não é responsável pela precipitação desta crise.