quinta-feira, março 31, 2011

Se fosse no tempo do Santana Lopes....

João Paulo Fafe: AS IMAGENS que as televisões mostraram ontem do Conselho Nacional do PSD não foram propriamente as mais adequadas. O comportamento demasiado extrovertido (para não dizer esfuziante) dos conselheiros social-democratas, dificilmente escondendo um optimismo que às vezes poderá ser confundido com um pouco oportuno "apetite", não se coaduna propriamente com a postura serena, responsável e de Estado de que os responsáveis "laranjas" tanto se ufanam. E já agora, não resisto a chamar a atenção para um detalhe que, não sendo mais que um detalhe, demonstra muita coisa - quanto mais não seja falta de respeito... É que à entrada, enquanto Pedro Passos Coelho prestava declarações às TV's, a barulheira das conversas e gargalhadas feita pelos conselheiros era tanta que o líder social democrata teve de subir o tom de voz para sobrepor-se à galhofa que tinha como "fundo" e assim ser ouvido. Convenhamos que não é normal!

Bagão Félix discorda da suspensão da Avaliação de Professores

Para ouvir no Conselho Superior na Antena 1.

IVA, CGD, QREN

Pedro Lains: Subir o IVA, privatizar a Caixa, desviar verbas do QREN? Mas no PSD o programa eleitoral foi entregue a crianças? Não há lá ninguém que saiba o que é governar? Ainda não chegaram? Despachem-se.

Cambalhota do PSD na avaliação dos professores

A mais engraçada explicação da crise do subprime

Dear Portugal, this is Ireland here

Sunday Independent March 27 2011 Dear Portugal, this is Ireland here. I know we don't know each other very well, though I hear some of our developers are down with you riding out the recession. They could be there for a while. Anyway, I don't mean to intrude but I've been reading about you in the papers and it strikes me that I might be able to offer you a bit of advice on where you are at and what lies ahead. As the joke now goes, what's the difference between Portugal and Ireland? Five letters and six months. Anyway, I notice now that you are under pressure to accept a bailout but your politicians are claiming to be determined not to take it. It will, they say, be over their dead bodies. In my experience that means you'll be getting a bailout soon, probably on a Sunday. First let me give you a tip on the nuances of the English language. Given that English is your second language, you may think that the words 'bailout' and 'aid' imply that you will be getting help from our European brethren to get you out of your current difficulties. English is our first language and that's what we thought bailout and aid meant. Allow me to warn you, not only will this bailout, when it is inevit-ably forced on you, not get you out of your current troubles, it will actually prolong your troubles for generations to come. For this you will be expected to be grateful. If you want to look up the proper Portuguese for bailout, I would suggest you get your English-Portuguese dictionary and look up words like: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-off. This will give you a more accurate translation of what will be happening you. I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while. We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on. Then, when your government gets in, they will initially go out to Europe and throw some shapes. You might even win a few sports games against your old enemy, whoever that is, and you may attract visits from foreign dignitaries like the Pope and that. There will be a real feel-good vibe in the air as everyone takes refuge in a bit of delusion for a while. And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. The upside of it all is that the price of a game of golf has become very competitive here. Hopefully the same happens down there and we look forward to seeing you then. Love, Ireland.

quarta-feira, março 30, 2011

A privatização da CGD

Pedro Lains: Todos são contra a privatização da Caixa Geral de Depósitos, assunto de que se fala sempre a medo. Agora alguém ganhou alguma coragem, embora só tenha falado de "privatização parcial". Mesmo isso faz sentido? Objectivamente, não. (...) Todas as contas feitas, as coisas não têm corrido mal. A Caixa é uma boa fonte de receitas para o Estado e uma boa fonte de política financeira, sendo ao mesmo tempo um banco como os outros. Privatizá-la, para quê? Só se for para pagar uma parte da dívida nacional. Mas isso seria bom? Objectivamente, não, pois seria uma parte diminuta da dívida e, mais importante, o que interessa não é tanto pagar a dívida, mas sim garantir que ela não volte a crescer como até aqui, o que deve ser feito obrigando os mercados a dar os sinais correctos, resultado que não seria seguramente ajudado por um resgate artificial. A história acaba sempre por absolver. Mas quem privatizar a Caixa vai ter algum trabalho em passar pelo crivo. Sobretudo agora, que a venderia com um grande desconto.

Um partido esquizofrénico XI

A responsabilidade do PCP e BE

As sondagens demonstram que só PSD e PS podem ganhar as eleições. Contudo, nenhum destes partidos terá a maioria absoluta necessária para governar na actual conjuntura. À direita, o PSD e o CDS já admitiram uma coligação. O que de resto não seria novidade.


À esquerda, o PCP e o BE contribuiram para o derrube do governo e assim abriram caminho a um governo de direita. As sondagens também têm demonstrado que a esquerda unida suplanta a votação nos partidos de direita. Portanto, o PCP e o BE têm a responsabilidade de avançar com as condições que entendem necessárias para que seja possível um entendimento à esquerda. Não o fazer é entregar o país à direita e dar razão a José Sócrates.

Agradeçam ao PSD XIX

Juros da dívida avançam para novos máximos

Agradeçam ao PSD VIII

"Parece uma perda de tempo não se aprovar o PEC IV e a seguir reafirmar-se os objectivos do Orçamento"


"Vejo muitos analistas e economistas a diabolizarem o FMI e acho que têm razão. A chegada do FMI tem consequências enormes para a economia"


Ricardo Salgado, Presidente do BES

terça-feira, março 29, 2011

A esquerda que não ignora o princípio da realidade

João Galamba: (...) "a esquerda que valoriza as declarações de Merkel é a mesma esquerda que, independentemente do juízo que possa fazer sobre as opções políticas da chanceler alemã e sobre a forma como esta tem influenciado a resposta europeia à crise, sabe que não haverá nenhuma solução europeia realista que dispense a Alemanha. Se me perguntarem o que penso das políticas da senhora Merkel, eu direi que são desastrosas e que se arriscam a lançar a Zona Euro numa recessão sem fim. Dizer que devemos 'bater o pé' à senhora Merkel, ou outra qualquer bravata inconsequente desse género, não invalida o facto de essa ser, hoje, a liderança que o país mais poderoso da UE escolheu e que, por isso, as suas posições - boas, más, pessimas, o que for - são, para quem tenha o azar de viver na realidade política que existe, aquelas com que temos de lidar."


Matem o homem

Ribeiro Ferreira: O secretário-geral do PS foi reeleito este fim-de-semana com mais de 93 por cento dos votos. Um resultado que supera os obtidos há dois anos.


Uma sondagem da TVI, realizada depois da demissão do Governo, dá 32,8% das intenções de voto dos portugueses ao Partido Socialista. Vários senadores desta triste República andam por estes dias a congeminar soluções para salvar esta terrinha de Santa Maria.

Depois de muitos neurónios queimados, chegaram à conclusão que é urgente defender o País do senhor engenheiro relativo. A bem ou a mal. Mesmo que os indígenas entendam o contrário e não queiram dar o seu aval a rapazinhos sem uma única ideia sólida na cabecinha. A democracia é mesmo uma maçada. Resta uma solução. Em nome da Pátria, matem o homem.

Agradeçam ao PSD VII

Fitch: Crise política tornou intervenção do FMI inevitável Numa nota enviada aos investidores sobre Portugal, a agência de "rating" diz que o Orçamento ia no bom caminho para cumprir as metas prometidas.


Mas a crise política minou a confiança de que estas venham a ser cumpridas. Para a restaurar é preciso agora uma intervenção externa.

Uiiii!!! Preparem-se!



A cada cambalhota política, PPC vai, aos poucos, dizendo ao que vem.

Eles lá sabem porquê...

Mário Soares: (...) O Parlamento, reunido para debater o chamado PEC IV, resolveu, numa estranha coligação negativa, composta pelos dois partidos do centro direita (PSD e CDS-PP) e pelos dois partidos da esquerda radical (PCP e Bloco de Esquerda), votar, sem hesitação, contra o PEC IV, imposto por Bruxelas, e derrubou o Governo, Sócrates. (...) Sócrates, apesar de demissionário, foi excepcionalmente bem recebido pelos seus colegas da União. Há muito tempo que a imprensa internacional não falava tanto de Portugal nem do Governo português, pelas boas e pelas más razões. O que acresce as responsabilidades do futuro primeiro-ministro, seja ele quem for. Passos Coelho também foi a Bruxelas. Ouviu e conversou com a chanceler Merkel - que não foi especialmente doce para com ele - e com alguns outros correligionários do Partido Popular Europeu. Percebeu, seguramente, que a política que vai ser obrigado a seguir não será substancialmente diferente da política proposta, antes da crise, por Sócrates, se não for mesmo mais impopular ainda. Será a política conservadora europeia no seu pior. Foi isso que os partidos da esquerda radical votaram no Parlamento de Lisboa. Eles lá sabem porquê... A perspectiva de aumentar o IVA - que Passos Coelho anunciou, como teste - deve tê-lo convencido, pelas reacções negativas que provocou, que terá escolhido o pior momento para desencadear uma crise política, desejada por alguns, com certeza, mas cuja oportunidade o eleitorado em geral não compreende nem aprova. Nem pela maioria dos empresários que temem, com razão, a recessão que está à vista... É certo que o líder do PSD deve ter sido muito pressionado pelos seus correligionários, ávidos de poder, que não escondem, aliás, que não o suportam e o querem substituir, uma vez realizada a sale besogne, como dizem os franceses. Isto é: o trabalho mais impopular e difícil. Como outros queriam "fritar em lume brando" José Sócrates. Mas ele não os deixou fazer... E agora? Vamos ter eleições, que se anunciam para fins de Maio, princípios de Junho. E até lá? Vai ficar o Governo demissionário, sem autoridade, a fazer o menos possível. Porque não é lógico que faça, como é óbvio, a política que o Parlamento rejeitou. Este é um dos imbróglios em que estamos metidos. Dois meses decisivos, sem que ninguém saiba para onde vamos. Foi, por isso, que me permiti alertar o senhor Presidente da República para o perigo de cairmos num vazio de poder. Mas, ao que disse, parece que "foi tudo muito rápido, e não teve espaço de manobra para intervir". (...) Convenhamos, caros leitores, que não se podia ter encontrado pior momento para a demissão do Governo e para marcar novas eleições, que não irão - oxalá me engane - clarificar politicamente quase nada. Um dos partidos do arco governativo, como se diz, o PSD ou o PS, irá ganhar as eleições. Por maioria absoluta? Seria bom, para o País, se assim fosse, porque daí resultaria uma pequena clarificação. Mas suponho que, provavelmente, isso não venha a acontecer. O eleitorado, especialmente num momento tão grave para os portugueses, é suficientemente maduro para não "querer meter os ovos todos no mesmo cesto", como diz o povo. (Continua)

Pedro, o aprendiz de feiticeiro

"Mário Nogueira alertou que “caiu o Governo, mas não caíram” todas as medidas do executivo, pelo que a luta dos professores prossegue, havendo muita preocupação com aquilo que em Setembro poderá provocar desemprego com a redução de docentes nas escolas. Quanto às eleições que se antevêm para finais de maio ou princípios de junho, o secretário-geral da FENPROF salientou que estas devem ser vistas como uma “janela de oportunidade” para alterar a política que está a ser seguida. Questionado sobre se estava surpreendido com o sentido de voto do PSD sexta-feira no Assembleia da República, Mário Nogueira considerou que os sociais-democratas tiveram nos últimos três meses tempo para se aperceberem da inutilidade do atual regime de avaliação, apontando também o trabalho que a estrutura sindical fez junto dos grupos parlamentares acerca desta questão."


A demagogia irresponsável tem um preço

«Fesap exige suspensão do SIADAP para toda a administração pública». Que dizer? Que têm razão. Se o PSD quis acabar com a avaliação dos professores para ver se ganha alguns votos, então terá de ser coerente e acabar com a avaliação para o resto da função pública. E porquê parar na função pública? Está aberta a porta para todas as corporações e interesses do país exigirem o que bem entenderem. O preço será sempre o interesse público.

Socialistas com Sócrates



Numa votação que rondou os 90% de participação, José Sócrates teve 26.713 votos quando em 2009 tinha tido 25.393. Esta maciça e inequívoca votação na reeleição em José Sócrates demonstra bem que o extraordinário apoio dos socialistas a Sócrates. Para aqueles que insistem na treta de que "nem os socialistas o apoiam".

O FMI só traz mais problemas

"O FMI não resolve o problema de Portugal, como não resolveu o do Brasil. Criou mais problemas do que soluções." Lula da Silva, ontem, em Lisboa

segunda-feira, março 28, 2011

Tirem-nos deste filme

Helena Garrido: Irresponsabilidade, incompetência, partidarismo carreirista e mediocridade. São estas a características do que se pode dizer, de forma minimamente educada, sobre aquilo a que temos assistido durante os últimos quinze dias em Portugal. A última cena deste filme de terror de baixa qualidade - já não tem a dignidade de uma peça de teatro - é a eliminação da avaliação dos professores aprovada em tempo recorde pelos partidos da oposição, sexta-feira, na Assembleia da República. Deitou-se para o lixo mais de quatro anos de trabalho e persistência de uma das melhores e mais corajosa ministra da Educação que o país teve, Maria de Lurdes Rodrigues. Tudo porque os partidos de poder que estão na oposição, o PSD e de alguma forma o CDS, caíram na tentação bacoca de conquistar os eleitores que são professores. Devem pensar que não só o país mas também os professores são parvos. O acto da eliminação da avaliação dos professores é não só grave como tem um enorme valor simbólico. Vale mais do que milhares de análises sobre pelo menos duas décadas perdidas de tentativas de reformas estruturais. Os grupos de pressão em Portugal, principais responsáveis pelo estado em que o país se encontra, têm nos partidos os seus grandes aliados. Da construção que conseguiu que se fizessem estradas desnecessárias até à banca, justiça, saúde e educação, todos os protagonistas destes sectores manipulam com grande sucesso partidos políticos recheados de militantes anónimos que, na sua maioria, vivem à mesa do Orçamento do Estado e fazem tudo menos pensar nos interesses do país. (...)

Pode ser que em Alemão o PSD perceba

sexta-feira, março 25, 2011

Só o Futre para animar a malta

As declarações delirantes do Futre sobre o seu projecto para o "Sportem" são lindas. Especialmente a parte final sobre o "departamento do jogador chinês". Ah grande Futre, só tu para devolveres a alegria à malta. Apelo a todos os sportinguistas que votem Dias Ferreira, não podemos perder o Futre.

Caiu a máscara III

Com a cedência do PSD à corporação dos professores, o país confirma duas coisas: (i) este PSD é irresponsável e (ii) coloca os seus interesses eleitorais e partidários à frente dos interesses nacionais e fica a saber uma terceira, (iii) a coragem política não é uma característica da sua liderança.

Um partido esquizorénico V

Em Novembro de 2009, o PS e PSD chegaram a acordo sobre o modelo de avaliação dos professores. O PSD apresentou um projecto de resolução que visava alterar o modelo do governo e este foi aprovado pelo PS. Afinal, parece que, agora, o PSD já não quer avaliação dos professores.

Broad coallition for change

No tal texto em inglês que o PSD fez para explicar o inexplicável pode ler-se:

(...) As such, nothing leads us to expect that the government will improve its performance in the foreseeable future, especially when it comes to reforms that will undermine parts of its electoral base that are tied, directly or indirectly, to statefinanced employment or business ventures.

Traduzindo, dizia o PSD que o actual governo não seria capaz de implementar reformas porque isso poderia minar a sua base de apoio, que estariam directamente ligadas aos funcionários pagos, directa ou indirectamente pelo estado.

Entretanto, o PSD propôs a suspensão da avaliação dos professores, pura e simplesmente para agradar aos funcionários pagos pelo estado.

Estas iluminarias afirmam uma coisa e fazem precisamente o seu contrário como se fosse a coisa mais natural do mundo. E estão convencidos que é isto que dará confiança àqueles a quem teremos de pedir financiamento.

This is sad, so sad...

Neste artigo do Wall Street Journal é traçado uma imagem muito triste de Portugal. o artigo tem por título "A Nation of Dropouts Shakes Europe". Nele é realçado o impacto que a má perfomance do sistema de ensino nacional tem no progresso do país.

"The state of Portuguese education says a lot about why a rescue is likely to be needed, and why one would be costly and difficult. Put simply, Portugal must generate enough long-term economic growth to pay off its large debts. An unskilled work force makes that hard."

Caiu a máscara II

O PSD convidou António Carrapatoso para coordenador dos seus "Estados Gerais" . Este acto demonstra bem a importância que o seu pensamento tem para os responsáveis daquele partido.

Hoje, A. Carrapatoso veio dizer que: "não se devem aumentar impostos", mas sim "reduzir salários e apoios sociais". Isto não é novo.

Numa célebre Universidade de Verão do PSD: Em relação aos funcionários públicos, o mesmo Carrapatoso disse: "deve haver um programa integrado para a sua redução. Se quero chamar a isso despedimento? Eu não sou político não sei se chamaria a isso despedimento, mas redução dos despedimentos."

E no final, diz a acta da sessão, houve "risos e houve palmas".

A isto chama-se despedir funcionários públicos. Não dá para rir e muito menos para bater palmas. E a isso vão associar aumento de impostos.

Coisas básicas

Fernanda Câncio: "Ninguém que tenha votado no PS gostou dos últimos PEC. Ninguém gostou de ver anunciar cortes nas prestações sociais e nos salários dos funcionários públicos, nem aumentos de impostos. Obviamente não foi para isso que os eleitores escolheram o PS - os eleitores do PS não defendem o fim do Estado Social, nem a retracção do investimento público, nem a diminuição das garantias em caso de despedimento. Também é óbvio, porém, que ninguém no Governo gostou de propor essas medidas - e é-o tanto mais quanto elas contradizem as que foram adoptadas no início da reacção à crise internacional, e que se caracterizaram por um reforço no investimento público e na contenção dos danos sociais (aqui como noutros países).
(...)
E se a forma de reagir a isso tem sido ela sim completamente estúpida, inserido na Europa e comprometido com objectivos de redução do défice, Portugal isolado não podia fazer muito. É humilhante e deprimente, mas nas circunstâncias não há grande margem de manobra. E isso é tanto mais óbvio quanto não vimos nenhum dos partidos que chumbou o PEC IV apresentar alternativas - a não ser que "isto não pode ser" ou "não se podem pedir mais sacrifícios aos portugueses" sejam alternativas viáveis. Tanto assim é, aliás, que o Governo caiu não tanto pelo conteúdo das propostas deste PEC mas por não as ter discutido previamente com o PSD nem as ter apresentado ao PR (omissões discutíveis mas, no contexto, compreensíveis). Tanto assim é que sabemos que, ao contrário do PS, o PSD, a ser governo, aplicará, e aí com todo o gosto, medidas muito mais penalizadoras das chamadas garantias sociais. É esse o seu programa e é esse o programa "dos mercados". Só falta darmos-lhe o aval."

Incertezas

Pedro Magalhães: (...) se fizermos aqui um zoom no ano de 2009 e aumentarmos a sensibilidade do smoother...


As circunstâncias hoje são completamente diferentes, muito mais favoráveis ao PSD. Mas algures em 2009, muita gente - provavelmente no próprio governo - se terá convencido, por volta das europeias, que o desfecho das legislativas era a inevitável vitória do PSD. Em dois meses, a ilusão ficou desfeita.

Tudo isto para dizer que gostava de poder dar certezas, mas não posso. Gostaria que das próximas eleições resultasse uma solução de governo clara, e já cheguei ao ponto em que gostaria que fosse clara fosse ela qual fosse. Mas acho que temos boas razões para, pelo menos, pensar duas vezes.

Caiu a máscara

Os 2 principais "argumentos" do PSD contra José Sócrates: (i) não ser credível e (ii) insistir em resolver o défice pelo aumento de impostos.

Pois, nem um dia tinha passado, nem o PR teve tempo de aceitar formalmente a demissão do PR e já o PSD dava o dito pelo não tido e ameaça aumentar impostos.

Um partido esquizofrénico III

Marco António Costa: "IVA é imposto cego que afecta dez milhões de pessoas"

Lembrete

O PSD quer aumentar o IVA.

O Governo Regional, o PSD-Madeira, a SDM e a APCINM não têm nada para nos dizer?

PSD: É isto, aquilo e o seu contrário. Olhe, sei lá!

"Os impostos indirectos tratam todos pela mesma medida, tanto pobres como ricos, razão porque são, nesse aspecto, mais injustos. É essa, aliás, a razão porque eu nunca concordei em taxar cada vez mais os impostos indirectos, nomeadamente o IVA. Ele vale 20% para quem tem muito como para quem tem pouco".

Pedro Passos Coelho, no livro "Mudar", editado em 2010.

"Se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas".

Pedro Passos Coelho, hoje, em Bruxelas.

quinta-feira, março 24, 2011

Portugal, a Europa, o PEC e o Estado Social

A União Europeia é o que é: o resultado de décadas de negociações, entre várias gerações de políticos da Europa Ocidental, que se equilibravam entre a ideia de construção do “projecto europeu” e a defesa do seus interesses nacionais ou sectoriais. É um compromisso complexo, concebido por centenas de comissões. Ora, é este problema que torna a UE tão importante. A UE é muito mais do que um projecto pacificador do espaço europeu.

Uma das suas etapas mais importantes da construção europeia foi a criação da União Monetária e a consequente criação da moeda única (o Euro).

Para poder fazer parte desta união monetária, os vários Estados-Membros tiverem de se comprometer com determinados deveres no sentido de assegurar que a economia europeia se mantinha estável e sustentável.

Assim nasceu o Pacto de Estabilidade e Crescimento, no Conselho Europeu de Amesterdão, nos termos do qual deveriam aderir a determinadas disciplinas fiscais e orçamentais no quadro dos seus objectivos económicos a médio prazo. O Pacto é bastante importante, na medida em que assegura que a economia europeia se mantenha estável e sustentável.

Tendo sido adoptado no Conselho Europeu de Amesterdão a 17 de Junho de 1997 era primeiro-ministro Cavaco Silva, o Pacto assenta em dois aspectos essenciais: um sistema preventivo para identificar e corrigir as derrapagens orçamentais antes de se chegar ao limite máximo de 3% do PIB previsto no Tratado, e um conjunto de normas de dissuasão para pressionar os Estados-Membros a evitarem os défices excessivos e adoptarem as medidas necessárias para os corrigir rapidamente se vierem a ocorrer.

Como todos se recordarão os governos PSD/CDS deixaram o país com um défice público de 6,1% para 2005. Havia a possibilidade de Portugal vir a ser multado pela UE, em 0,5% do seu PIB, o que representaria multas brutais.
O 1.º governo do PS colocou em prática um corajoso plano de controlo orçamental, ao mesmo tempo que executava várias reformas: na desburocratização do Estado, na educação, na investigação e desenvolvimento, na tecnologia, na saúde, e ainda procedeu à convergência dos regimes de protecção da função pública com os do sector privado, extinguiu um em cada quatro organismos públicos e um em cada quatro cargos dirigentes, etc. Os resultados foi um défice de 2,6 em 2007 e de 2,8 em 2008. Portanto, Portugal voltava a cumprir com os seus compromissos enquanto membro do Euro.

Então o que é que aconteceu?

Aconteceu a pior crise financeira global da nossas vidas. Para responder à crise, todos os Estados tiveram de injectar dinheiro na economia. Todos o fizeram. Tanto na Europa como fora. O resultado foi o (normal) desequilíbrio das contas públicas. E nesse aspecto Portugal também andou a par com os outros membros da UE. 15 dos 16 parceiros da zona euro têm défices excessivos.

Agora, é tempo de corrigir esses desequilíbrios e cumprir o PEC, para que a economia na zona euro possa voltar a crescer. E é isso que o governo está a fazer com os seus parceiros europeus.

Não há aqui nenhuma conspiração neoliberal contra os Estado-Previdência ou contra o modelo social da Europa. Antes pelo contrário, é para salvar esse modelo social que tanto se luta pelo crescimento económico da UE. Porque sem crescimento económico, não há Estado Social.
O PS não deixou de ser um partido com fortes preocupações sociais. Não deixou de acreditar na justiça social, na redistribuirão da riqueza, no estado-previdência e na solidariedade. É aliás essa preocupação que está sempre no centro de toda a sua actuação política. Veja-se a reforma da Segurança Social, o rendimento Mínimo Garantido, as Políticas de Apoio à Natalidade, o aumento do salário mínimo nacional, criação do complemento solidário para idosos, o abono pré-natal, a criação das unidades de saúde familiar, o lançamento da rede de cuidados continuados, a criação de bolsas para o ensino secundário, etc. A verdade é que há um antes e um depois do governo do PS em matéria de políticas sociais. E isto também teve reflexos financeiros: no seu conjunto, as despesas sociais do Estado passaram de 17,8% do PIB em 2005 para 22,4 % em 2010, e atingirão os 21,6% em 2011, ligeiramente acima do valor de 2009. E isto durante, relembro, a maior crise financeira e económica das nossas vidas.

Este é o governo do partido que criou o Estado social em Portugal, que o defende, e percebe que o Estado social é a marca identitária da Europa democrática e o mais importante factor da combinação entre crescimento e bem-estar que a singulariza.

É por isso que tanto se luta: para proteger a legitimidade e assegurar a sustentabilidade do Estado social, porque isso é cuidar do futuro da Portugal e da Europa.

Agradeçam ao PSD V

Taxa a 5 anos volta a bater máximos históricos

ministro das Finanças inglês, George Osborne, admitiu ser "preocupante" a situação portuguesa

DN: "Em declarações à cadeia televisiva Sky News, George Osborne referiu a instabilidade na Europa e o caso de Portugal como razões para o governo britânico continuar a política de redução de défice reiterada na quarta-feira durante a apresentação do orçamento anual. "Não são duas histórias separadas, o Reino Unido tem um défice orçamental maior, mais dívidas em relação a países como Portugal e mesmo assim conseguimos manter as nossas taxas de juro próximas daqueles da Alemanha porque temos um plano credível", enfatizou.

Um deputado conservador, Bill Cash, conhecido pelas posições eurocéticas, apelou hoje ao primeiro-ministro para negociar os termos em que o Reino Unido participa no Fundo Europeu de Estabilização Financeira. De acordo com um estudo hoje divulgado pela organização Open Europe, o Reino Unido poderá ter de contribuir com entre 810 milhões e 4,26 mil milhões de euros se Portugal for obrigado a pedir ajuda."

Durrão Barroso: 'Maioria dos portugueses apoia a consolidação orçamental'


Durrão Barroso: "Em declarações aos jornalistas portugueses, à margem do Conselho Europeu que decorre hoje e amanhã em Bruxelas, Barroso mostrou alguma inquietação quanto a uma eventual lentidão na implementação das medidas. "Considero absolutamente necessário que Portugal atinja os objectivos de consolidação orçamental e de reformas estruturais. Se não o fizer, as dificuldades que os portugueses sentirão serão ainda maiores que as actuais", avisou. Por isso, continuou Durão Barroso, "é importante que Portugal esclareça tão depressa quanto possível o que pretende fazer".

Portugal está a ser visto nas altas instâncias europeias como o problema mais grave que falta resolver e que, de alguma maneira, destoa de alguns sinais positivos que já vão existindo na economia europeia como um todo, observaram altos responsáveis europeus, reunidos em Bruxelas.

Barroso lembrou ainda que a única condição para o crescimento passa pelos países reduzirem muito os défices e as dívidas públicas, aliando isso à vigilância recíproca do novo modelo de governo económico."

"Jardim, a grande fraude"


DN: "Jardim, a grande fraude" é a visão do jornalista Ribeiro Cardoso da Região Autónoma da Madeira de hoje em que o "modelo de desenvolvimento" imposto por Jardim é um fracasso total. Segundo o autor, a ilha vive muito acima das suas possibilidades e está afogada num mar de dívidas, totalmente dependente do exterior.

Sinopse:

Com 35 anos de autonomia política, Governo próprio e grossas transferências do Orçamento de Estado, a que se juntam 25 anos de generosos fundos comunitários, a Madeira modernizou-se por fora mas não se desenvolveu por dentro.

Apostou no betão (que trouxe grossos benefícios a uma clientela restrita) e «esqueceu-se» do resto. Isto é: tem vias rápidas e túneis, que impressionam turistas e jornalistas apressados, mas apesar de nenhuma região do país ter recebido, proporcionalmente, tanto dinheiro do exterior, a Madeira, ao fim de 35 anos de maiorias absolutas do PSD-M, continua a ser, como antes, uma das regiões mais atrasadas de Portugal, com o maior número de pobres, a maior percentagem de analfabetos e de abandono escolar, as maiores desigualdades sociais, o maior número de funcionários públicos.

Sem indústria, sem agricultura, sem pescas, está de novo a braços com um desemprego e uma emigração maciços. Com a agravante de o regime criado por Jardim ser um simulacro da democracia, uma mancha negra no Portugal de Abril.

Agradeçam ao PSD IV: Fitch corta rating de Portugal em dois níveis

Agência Financeira: A agência de notação financeira Fitch cortou esta quinta-feira a classificação da dívida pública portuguesa em dois níveis.

O corte de rating de Portugal, de A+ para A-, surge um dia depois de o primeiro-ministro ter pedido a demissão ao Presidente da República, na sequência do chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) em Assembleia da República.

A agência invoca, para a descida da nota, as dificuldades na implementação de medidas e de financiamento após os desenvolvimentos das últimas 24 horas.

O partido das trapalhadas está de volta

Depois do Seccretário-geral do PSD, Miguel Relvas, ter admitido o aumento do IVA, vem Nogueira Leite, que é conselheiro nacional do PSD, dizer que é "avesso a um aumento de impostos" "incluindo mesmo uma possível subida do IVA para 25%".

Já não vimos este filme?

Um partido esquizofrénico II

O mesmo PSD que hoje apresenta como primeira medida o aumento do IVA para 23%, é o mesmo que em Outubro dizia que "o aumento do IVA de 21% para 22% , em vez dos 23% propostos pelo Governo, é essencial para viabilizar o Orçamento do Estado"?

Declaração do Primeiro-Ministro ao país

José Sócrates: Desde há vários meses que tenho lutado por um propósito que considero absolutamente fundamental: proteger o País da necessidade de recorrer a um programa de ajuda externa para que Portugal não ficasse na situação da Grécia e da Irlanda.

Sempre alertei para as consequências profundamente negativas de um programa de ajuda externa. Sei bem o que isso significa.

Em primeiro lugar, esse programa tem consequências profundamente negativas para a imagem, para o prestígio e para a reputação nacional. Há toda a diferença entre um país que se propõe resolver os seus próprios problemas e um país que tem de recorrer à ajuda externa para acudir aos problemas que não consegue resolver.

Em segundo lugar, um programa de ajuda externa tem consequências profundamente negativas para as pessoas, para as famílias e para as empresas. Basta ver o que se passa com os países que recorreram a essa intervenção para compreender que ela impõe medidas muito mais duras de austeridade e contenção.
(...)

O programa que Portugal apresentou colheu o apoio inequívoco da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e dos nossos parceiros da zona euro. Lamento que esse apoio tenha sido agora deitado por terra. E lamento que o tenha sido por mero calculismo político. Porque uma única razão explica esta crise: a sofreguidão pelo poder, a impaciência pelo poder.
(...)
E quero ser claro: esta crise política, neste momento, tem consequências gravíssimas sobre a confiança que Portugal precisa de ter junto das instituições e dos mercados financeiros. E, por isso, os que a provocaram, sem qualquer fundamento sério e sem alternativas, são responsáveis pelas suas consequências.

Pela minha parte, sinto que estou a cumprir o meu dever. Apresentei as medidas difíceis e exigentes que considerei necessárias para que o País pudesse superar a actual crise das dívidas soberanas. E fi-lo com uma única preocupação no meu espírito: defender o que entendo ser o interesse nacional, proteger o País da necessidade de recurso a ajuda externa.
(...)
Vivemos tempos difíceis, mas saberemos vencê-los. Fomos arrastados para a instabilidade, mas saberemos superá-la. A ansiedade pelo poder levou alguns a pôr em causa o interesse nacional, mas saberemos defendê-lo.

Sejamos, pois, claros. Uma coligação negativa, de forças que nada mais une a não ser a vontade de abrir uma crise política, impôs a demissão do Governo, porque lhe retirou as condições mínimas para a governação exigente que temos pela frente.

Esta crise acontece no pior dos momentos para Portugal. Mas os Portugueses saberão dar-lhe resposta. Com mais dificuldade, com mais trabalho, mas com a mesma determinação de sempre. Agora como sempre, confio nos Portugueses e no seu julgamento. Agora como sempre, confio em Portugal.

O PSD e o aumento do IVA

Pedro Silva Pereira: “O PSD sempre defendeu que a consolidação fosse feita pelo lado da despesa e recusou sempre o aumento de impostos. E passa, de um dia para o outro, do chumbo do PEC para a apresentação de uma medida que não é mais, nem menos, do que o aumento de impostos."

OCDE: O que aconteceu em Portugal foi uma "tragédia"

O secretário-geral da organização afirma que o Governo português "estava a fazer o que tinha que ser feito".

"É uma tragédia que isto [chumbo do Plano de Estabilidade e Crescimento e consequente demissão do Governo] tenha acontecido, porque o Governo de Portugal estava a fazer o que tinha que ser feito", disse Angel Gurria durante uma declaração em Washington.

Para Gurria, Portugal vai agora enfrentar "semanas muito difíceis" até às eleições.

Obrigado PSD: Bom dia, Portugal: és pedinte

Pedro Santos Guerreiro: Bom dia Portugal. Hoje acordas sem Governo, sem dinheiro e sem rumo.
Mas acordas, também, sem ilusões. Sem adornos nem água tépida. Bom dia Portugal, restam-te apenas duas coisas: as contas para pagar e o futuro que escolheres.
(...)
próximo primeiro-ministro governará com o FMI. E fará um pacto de austeridade atrás do outro. Com o PEC V teremos saudades do PEC IV. Sim, o próximo Governo não fará diferente deste porque não pode, estará pedinte e intoxicado pela austeridade. Por isso, precisa de ser um Governo de maioria. E com acordo entre os dois grandes partidos. Por isso, a campanha eleitoral não pode ser o que promete: ataques de carácter e de devastação pessoal.

Com o FMI, Portugal pagará o dinheiro caro, o sistema financeiro passará por um choque destruidor de saída de capitais, a nossa reputação ficará ao nível dos "ratings": lixo. São anos de reconstrução pela frente. É por isso que é incompreensível assistir à detonação política das duas últimas semanas. Hoje, os políticos na Cimeira europeia podem até ser compreensivos. Mas os mercados não têm alma nem calma.

Portugal caminha para o sexto Governo dos últimos dez anos. E para a terceira recessão no mesmo período. Temos muitas quedas de governos. Mas não temos queda para governos. Bom dia, Portugal. Bom dia, é hoje que tudo começa.


P.S. - O País não sabe mas devia erguer uma estátua ao soldado desconhecido. Nos últimos meses, Luís Amado, Teixeira dos Santos, Carlos Costa, Vítor Constâncio, Durão Barroso e alguns outros fizeram tudo para evitar esta desgraça. Eles não falharam. O Governo é que lhes falhou.

O paradoxo laranja

Ferreira Fernandes: ‘Um Governo que foi eleito há ano e meio foi derrubado ontem. O que ele fazia em medidas impopulares vai o próximo Governo ter de repetir, e de forma mais grave, porque ontem o Governo foi derrubado. Nas duas frases que atrás deixo, a primeira é factual e a segunda é uma previsão consensual - mesmo os deputados que votaram pelo derrube do Governo sabem que assim é. Há uma contradição em derrubar uma política quando isso implica a vinda da mesma política e mais grave, ou não há?’

O raspanete público de Merkel ao irresponsável PPC

Como era de esperar.... É a UE e o Euro que também estão em causa, estúpidos!

Recordar o que fez o PSD-Madeira na AR

Rui Caetano 31/12/08: OS TRAIDORES DA MADEIRA
"Uma vergonha! Os deputados do PSD-Madeira na Assembleia da República, contradizendo as suas posições políticas defendidas na Região, abstiveram-se na votação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores agachando-se ao PSD Nacional e colando-se ao “sr. Silva”." (...)

Já há foguetes no Palácio de Belém

Para descontrair....IP:
Há festa na aldeia: a zona de Belém foi surpreendida pelo lançamento de foguetes num total de 20 artefactos: seis pelos seis anos de governo Sócrates, quatro pelos quatro PEC, dois pelas novas patilhas de Pedro Silva Pereira e mais oito pelos 8% dos juros da dívida pública portuguesa, atingidos esta manhã. O site da Presidência também colocou “I feel good”, de James Brown, como música de fundo.

“Acordei com o sôtor Nunes Liberato empoleirado no telhado do palácio a lançar foguetes e a gritar ‘Obrigado! Obrigado! É um bom dia para se estar vivo!’”, confirmou ao INIMIGO um vizinho da Presidência da República que também notou a enorme excitação dos pavões do jardim. “Anda tudo maluco e aos abraços e aos dá-cá-mais-cinco, aí no palácio. Vieram entregar o champanhe e o bolo-rei. Devem ser todos do FC Porto ou assim”, alvitra a mesma fonte. MB

A quadratura do círculo


O PS-Madeira ou enveredar por uma estratégia de discordância com algumas da políticas do governo liderado por José Sócrates fica agora entalado com a sua recandidatura?

Não necessariamente. Pode até ter ganho espaço político para ter um resultado condigno. Há que ter calma e pensar bem na estratégia para potenciar o que foi feito, sem comprometer objectivos eleitorais e de eficácia interna na relação com Lisboa. Pode ser feito.

Ele resiste. Eleições não vão ser "favas contadas"

IONLINE: Sócrates vai a eleições e está convencido de que o desfecho da ida às urnas poderá ser-lhe favorável. Antes da reunião da Comissão Política do PS de terça-feira à noite, o primeiro-ministro reiterava a um dirigente socialista do seu núcleo duro que iria apresentar a demissão ao Presidente da República e que partia para eleições com a convicção de vitória. "Passos Coelho não pense que vão ser favas contadas", garantiu Sócrates. O estoicismo do chefe de governo é assinalado no interior do PS. "Ninguém que se candidate pelo PS neste momento poderá ter um resultado tão bom como o do primeiro-ministro", referiu ao i fonte do Secretariado Nacional do PS.


Incerteza 4: simpatias partidárias.

Pedro Magalhães: Outra predisposição relevante é a identificação com um partido. Identificar-me com um partido significa sentir-me próximo dele em comparação com outros, ter por ele uma simpatia especial, uma tradição de proximidade e empatia. Em Portugal, há pouco disto. Mas há algo. E a esmagadora maioria da pessoas que a têm acabam por votar nesse partido. Pode acontecer muita coisa. Mas se o nosso partido nos der uma boa versão dos acontecimentos e se nos activar contras as versões dos outros, a coisa, no fim, acaba por se reconduzir ao nosso "estado normal": essa simpatia. Em Portugal, como é?

















Isto já era sim em 2005, tal e qual. Pode ter mudado desde 2009? Pode. Mas o facto de não ter mudado de 2005 para 2009 sugere que, claro, também pode não ter mudado desde então. E se não mudou, o PSD parte para a eleição, deste ponto de vista, com uma segunda desvantagem estrutural (para além da explicada no post anterior).

Incerteza 3: ideologia

Pedro Magalhães: As campanhas, as pessoas, os eventos e as campanhas contam. Mas os eleitores não partem "virgens" para as campanhas. Têm predisposições, à luz das quais avaliam tudo o resto . Uma dessas predisposições pode aferir-se à luz do seu posicionamento ideológico. E aqui as coisas complicam-se para o PSD.

Este gráfico mostra onde o eleitor mediano se posiciona numa escala de 0 a 10 (em que 0 significa a posição mais à esquerda e 10 mais à direita) e onde o eleitorado português posiciona os partidos (os dados são dos inquéritos pós-eleitorais do projecto Comportamento Eleitoral dos Portugueses:















O PS é o partido do eleitor mediano. PSD é visto como estando longe do centro, e cada vez mais próximo do CDS. Isto é para todos os eleitores. O gráfico seguinte mostra os mesmos dados, desta vez apenas para os eleitores que se descrevem como estando no "centro" (pontos 4, 5 e 6):

















Apenas o PS é visto como estando dentro do campo ideológico dos eleitores centristas. PSD à direita, indistinguível do CDS. Boas notícias para o CDS, porventura. Menos boas para o PSD.

Incerteza 2: a avaliação do governo

Pedro Magalhães: Sabe-se que os eleitores são retrospectivos e castigam e recompensam os governos em eleições. Logo, a avaliação que fazem do governo há-de contar para qualquer coisa. E nesse capítulo, as notícias para o PS são péssimas:

1. Católica, Outubro de 2010: 80% (oitenta) consideravam o desempenho do governo "mau" ou "muito mau" (41% "muito mau").
2. Aximage, Marco de 2011: 50% consideravam a actuação do governo pior do que aquilo que esperavam.
3. Eurosondagem, Fevereiro de 2011: 44% de opiniões negativas sobre actuação do governo, contra 19% de opiniões positivas.

Dito isto, atenção ao seguinte:
1. Novamente, estamos a falar da totalidade da amostra, e não de presumíveis votantes.
2. Católica em Outubro: apenas 25% dos inquiridos dizem achar que um partido da oposição faria melhor se estivesse a governar.

E outra coisa interessante dessa sondagem da Católica: questionados sobre as medidas propostas no Orçamento de Estado na altura, aquela que, de longe, mais pessoas diziam que as iria afectar directamente e às suas famílias (79%) e que seria mais difícil para os afectados (76%) era...o aumento do IVA. Para compararmos, 32% diziam que um possível congelamento de pensões os iria afectar e 36% a seleccionavam como sendo uma das mais difíceis para os afectados. O que, em conjugação com as notícias de hoje e recordando também o episódio da revisão constitucional, confirma que o PSD se pode descrever, do ponto de vista estrito do pragmatismo eleitoral, como uma agremiação de suicidas.

O inicio

O PSD que defendia o combate ao défice através da redução da despesa pública é o mesmo que defende agora a o aumento dos impostos.

Recordar: Intercampus, 16-19 Jan.

PSD: 36,8%
PS: 30,8%
BE: 7,3%
CDU: 7,1%
CDS-PP: 5,8%

Recordar: Aximage, 1-3 Fev.

PSD: 37,8%
PS: 27,8%
CDS: 9,5%
CDU: 9,3%
BE: 6,5%
OBN: 5,8%
Indecisos: 3,3%

Recordar: Eurosondagem, 23-28 Fevereiro

PSD: 36,9%
PS: 30,6%
CDS-PP: 9,9%
CDU: 8,6%
BE: 7,7%

Sinais dos tempos

Ontem fui jantar com um amigo que pertence à JSD. Pensei que o iria encontrar eufórico, ou pelo menos, algo feliz. Errado. Acha que estas eleições não servem ao país. Depois de me explicar o que pensa desta Direcção do PSD, que eu recuso-me a repetir, concluiu: "E assim só me resta votar no CDS".
Hoje de amanhã apanho um táxi. O motorista está furioso. Diz-me "Ó doutor, isto estava mal, mas agora vai piorar!". E então em quem é que vai votar? pergunto. "Olhe este Sócrates é o único que tem caparro para aguentar a jarda! O gajo já mostrou que não é nenhum menino, e nesta altura o que não precisamos é queques a fazer experiências!"

Incerteza 1: a popularidade dos líderes.

Pedro Magalhães: "(...) a verdade é que nenhum dos líderes político-partidários é particularmente bem visto. Na Marktest, Pedro Passos Coelho aparece com tantas opiniões positivas como negativas e uns perturbantes 29% que "não sabem". Na Eurosondagem, o saldo para Passos Coelho é praticamente igual ao de Sócrates. É na Aximage e na Católica que o líder do PSD aparece mais bem avaliado comparativamente a Sócrates. Mas na Católica essa avaliação média é ainda negativa (9,2 de 0 a 20) enquanto que na Aximage, apesar de ser positiva (10,6 de 0 a 20) está bem abaixo dos valores de há um ano atrás.

Acresce a isto que estes valores são obtidos de "amostras totais", e não necessariamente dos presumiveis votantes. Muita desta negatividade pode estar concentrada em eleitores que não tencionam votar. A avaliação dos líderes conta muito, sabemos, nas escolhas eleitorais. Mas é também a mais volátil das variáveis explicativas do voto, num certo sentido demasiado próxima do próprio voto. É preciso olhar para outras coisas."

PSD: A fazer crises "abrangentes"


O The Waal Street Journal nota que a crise política da responsabilidade do PSD, além de prejudicar gravemente o país, vai agravar a crise europeia. Este PSD é fantástico até em inglês.
Juntem isto ao agradecimento da Sr.ª Merkel a Sócrates e estão a ver o raspanete que Pedro Passos Coelho vai apanhar na próxima reunião do PPE. Começa bem, sim senhor. Logo a ganhar estima e consideração do nossos parceiros europeus.

A incompetência do PSD-Madeira

Carlos Pereira: Um crescimento do desemprego de mais de 200% desde 2003 (nos Açores foi de 49%) com prazos de pagamento às empresas da Madeira de mais de 250 dias (nos Açores é de 22 dias) e com um PIB real a crescer entre 2003-2009 apenas 0,6% (contra 1,7% dos Açores)

Palavreado oco

Pedro Passos Coelho veio à tv dizer que não vai apresentar "um conjunto de medidas alternativas, mas uma estratégia verdadeiramente nacional".

Qualquer pessoa percebeu que o PSD não tem alternativas e que a segunda frase, apesar de ficar sempre bem, não quer absolutamente nada. Parece um um gordo que não se compromete em reduzir X quilos em 6 meses, mas sim a fazer uma "total reestruturação da sua massa corporal". Daqui a 6 meses continua gordo.

Merkel: «Estou grata a Sócrates»

IOL diário: "Depois da demissão de Sócrates, na sequência do chumbo do PEC, as reacções: a chanceler alemã Angela Merkel já veio dizer esta quinta-feira que está «grata» ao primeiro-ministro português pelo trabalho feito na consolidação das contas públicas e lamentou que as novas medidas de austeridade não tenham sido viabilizadas pelo Parlamento."

Para ir preparando o terreno

Passos Coelho não afasta subida de impostos

Para começo de conversa....

O PSD admitiu a possibilidade de aumentar o IVA para os 24% ou 25%, caso chegue ao Governo.

Quem diz isto nesta altura está a preparar o terreno para um aumento radical de impostos.

Agradeçam ao PSD

Agência Financeira: Os juros da dívida quebraram um novo recorde esta manhã. Portugal está debaixo de todos os holofotes, logo no dia em que se inicia uma cimeira europeia decisiva, a que José Sócrates chega já demissionário, embora Cavaco Silva só aceite formalmente a demissão depois da cimeira.

A crise política torna mais difícil evitar o pedido de ajuda externa. E, antes do chumbo do PEC, Bruxelas avisou que se o Parlamento rejeitasse o documento, Portugal teria de apresentar outro.

É neste contexto que todos os títulos da praça de Lisboa estão a negociar em terreno negativo, com destaque para a banca: o BES cai 2,11% para 3,05 euros, o BCE deprime 1,29% para os 61 cêntimos e o BPI desce 0,31% para os 1,28 euros.

No entanto, a queda é generalizada em todas as acções que compõem o PSI20. O nervosismo impera e contagia também as principais praças europeias: Madrid perde 0,59% e Paris 0,2%.

quarta-feira, março 23, 2011

Um partido esquizofrénico


A Manuela Ferreira Leite que acha que Pedro Passos Coelho não servia para deputado, é a mesma que agora acha que ele deve ser Primeiro-Ministro?

Um bolso cheio de nada e outro...

de coisa nenhuma....

“Há alguma proposta? há alguma alternativa? Há alguma solução? Há algum rumo? Há algum caminho? Nada, não há absolutamente nada!”


Francisco Assis para luís Montenegro, do PSD

Episódios de sofreguidão

José Lello: (...) Ainda o Governo não tinha completado um ano de legislatura, e já o inexperiente e impaciente líder do PSD pedia ao Presidente da República para dissolver o Parlamento até 9 de Setembro. Mas tal não era oportuno para o Presidente que se pretendia eleger. Era preciso não atrapalhar a eleição de Cavaco, que até teve a oportunidade de criar a ideia de ser o mediador indispensável para garantir a aprovação do orçamento, não obstante ser essa uma competência da Assembleia. É muito interessante que, menos de três meses depois, a resolução da crise fique apenas à responsabilidade dos partidos. Como não deixa de ser surpreendentemente interessante que, passadas duas semanas após a tomada de posse de Cavaco Silva, Passos Coelho já se sinta à vontade para, finalmente, abrir a tão desejada crise política.

Mas há outros contornos curiosos nestes episódios de sofreguidão. Pacheco Pereira, por exemplo, dizia há poucas semanas que muita gente no PSD já andava a distribuir os lugares no Estado. E eis agora que o pressuroso Paulo Portas já se vê como ministro de qualquer coisa, como se fosse essa a ordem natural do mundo, mesmo que o Governo ainda esteja em funções e a direita ainda não tenha ganho as eleições. E que dizer do despudor de muitos altos responsáveis do PSD que, sem esconderem a impaciência, já antes do Verão não se coibiam de dizer para quem quisesse ouvir: "Ou deitamos isto abaixo agora ou logo a seguir às presidenciais". Portanto, os jovens turcos estão a cumprir o seu programa de destruição massiva e a concretizar a ameaça de crise que sempre mantiveram bem acesa. Podemos, por isso, perguntar: que escrúpulo democrático orienta esta direita portuguesa? Que poderá acontecer a Portugal, mercê da espiral eleitoralista para onde o querem levar, circunscrito à mera gestão institucional e a um hiato governativo de vários meses.

E Passos Coelho, que tipo de líder é este que não consegue controlar nem aguentar a pressão sôfrega dos seus apoiantes ex-JSD, inebriados com o cheiro a poder e sem cuidarem que esta irresponsabilidade pode ter consequências muito duras para todos os portugueses? Que troca a crise no país, pela paz no seio do seu partido?

O raciocínio é simples. Se as taxas de juro têm subido mesmo com o Governo em funções e no exercício de todas as suas atribuições governativas, imagine-se com instabilidade política. Portanto, o mais certo é a dívida tornar-se rapidamente insuportável, com a necessidade do FMI intervir, injectando os milhares de milhões que precisarmos. Mas, como é óbvio, vai apresentar exigências intoleráveis e medidas mais graves que ainda mais afectarão o quotidiano dos portugueses e arrasarão a essência do Estado social, o que irá certamente ao encontro da agenda neo-liberal do actual líder do PSD. Adivinhem quem irá pagar por esta irresponsabilidade?

A recuperação económica do PSD já começou

Foi um dia para esquecer na bolsa lisboeta. O PSI20 chegou a estar a descer cerca de 2%. No fim da sessão, recuperou um pouco mas, mesmo assim, baixou 0,99% para 7.780,92 pontos, fragilizado pela iminência da queda do Governo.

Primeiro-ministro faz declaração ao país às 20h00

José Sócrates fará uma declaração ao país às 20h00, de acordo com a TSF.

A declaração será efectuada uma hora depois do encontro do primeiro-ministro com o Presidente da República, onde se especula que José Sócrates deverá apresentar a demissão do Executivo.

O PSD já garantiu que vai apoiar as resoluções dos outros partidos para garantir o chumbo do PEC e o primeiro-ministro sugeriu que não teria condições para continuar em funções neste cenário.

Tem piada


Crise em directo III

Teixeira dos Santos acaba o discurso e José Sócrates sai da sala.

A crise em directo II

Teixeira dos Santos na AR: "Qual o sentido da responsabilidade daqueles que com a recusa deste PEC vão sujeitar os portugueses a maiores dificuldades?"

A crise em directo

Anabela Neves (SIC/Parlamento Global: Blooomberg, Associated Press, Al Jazeera, Reuters, ART alemã, estão no Parlamento num ambiente nunca visto em São Bento.

Não há segunda oportunidade para uma primeira boa impressão

O PS não apresenta moção de resolução e votará contra todas as que forem aprovadas.
Naturalmente, PCP e BE votaram reciprocamente, mas não é suficiente para a aprovação, o CDS ou o PSD teriam de votar favoravelmente. Muito pouco provável.
Portanto, resta-nos as moções do PSD e CDS. Mas para estas serem aprovadas o PSD e o CDS têm de votar a favor e o PCP e o BE se absterem. O melhor de dois mundos: a extrema esquerda e a direita mais conservadora fazem cair José Sócrates e fica o PSD com o ónus de ter provocado a crise política. Era preciso encontrar um culpado. O PSD fez-lhes a vontade.
Para piorar as coisas, dos 5 líderes partidários que se vão apresentar a eleições, 4 vão participr no debate de hoje, Pedro Passos Coelho é o único ausente.

O animal feroz

As últimas sondagens diziam que o PSD tinha mais 6% nas intenções de voto que o PS. Acontece porém, que em campanha as eleições tornam-se na escolha para primeiro-ministro entre líderes partidários.
Nessa "batalha" Pedro Passos Coelho não é adversário para José Sócrates. Sendo politicamente mais fraco, enfrenta um político fortíssimo em campanha e que vai na sua 3.º candidatura. Há ainda que somar a experiência governativa e o natural domínio dos dossiers da governação. Por outro lado, o PSD não tem um programa da governo. E a Direita tem um líder forte politicamente, bem preparado, experiente e com um programa claro: Paulo Portas. A última vez que o PSD conseguiu ganhar as eleições foi com Durão Barroso e por apenas 2,8% dos votos. Mas PPC não é Durão Barroso. Há aí um mundo de diferença. A Sócrates muitos, muitas vezes, disseram estar morto politicamente. Enganaram-se. Estas coisas dependem muito da personalidade dos políticos em contenda. E já era tempo de não terem duvídas sobre a personalidade de Sócrates. Para o derrotarem, não basta marcar eleições, vão ter de suar e muito. A ver vamos.

Vamos a um "suponhamos"

Se Manuela Ferreira Leite tivesse ganho as eleições em 2009 não haveria políticas de austeridade?

Capitalismo acabou com a vida em Marte

Chavez says capitalism may have ended life on Mars

"I have always said, heard, that it would not be strange that there had been civilization on Mars, but maybe capitalism arrived there, imperialism arrived and finished off the planet," Chavez said in speech to mark World Water Day.

Há, nos olhos meus, ironias e cansaços

Tomás Vasques: O quinto líder do PSD (e o seu núcleo duro), depois do último que foi eleito primeiro-ministro, decidiu sujeitar o país a eleições, ano e meio após a eleição do actual primeiro-ministro, com receio de ser apeado antes de ter a oportunidade de disputar o cargo. Como escreve Pacheco Pereira: «Algumas dessas personagens estão já muito contentes à espera do seu lugar de ministro e de secretário de estado, e, os favores que prestam às lideranças que eles próprios fabricam, serão certamente pagos.» O país que se borrife. Ou como disse ontem Paulo Portas: «É agora ou nunca»

Agradeçam ao PSD

Crise política atira juros para novo recorde

Subida dos preços do petróleo tem "impacto modesto" na economia

Público: A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), numa nota do departamento de políticas económicas hoje divulgada, sustenta que se o aumento recente dos valores do petróleo se mantiver, a actividade pode reduzir-se em cerca de meio ponto percentual nos 34 Estados-membros da OCDE em 2012, enquanto a inflação poderá subir em cerca de 0,75 pontos percentuais.

A análise realizada pelos autores do estudo indica que uma subida de 10 dólares no preço do crude pode reduzir a actividade na área da OCDE, no segundo ano após esse choque, em 0,2 pontos percentuais.

terça-feira, março 22, 2011

Rui Rio contra eleições antecipadas

O presidente da Câmara Municipal do Porto acha que fazer cair o Governo e provocar eleições antecipadas não ia resolver os actuais problemas do País.

Sócrates: acordo em concertação social é "um triunfo político para o País"

“Mais do que um triunfo político para o governo, é um triunfo político para o País”, afirmou José Sócrates, referindo-se ao entendimento entre os parceiros sociais, que é já dado como certo.

“Os parceiros sociais deram um bom exemplo do que o País precisa e mostraram responsabilidade, espírito de compromisso e a vontade de prosseguir uma linha que dá mais competitividade à nossa economia e mais confiança”, acrescentou o primeiro-ministro.

Nas negociações participam a UGT, a CIP, a Confederação do Comércio e a CAP. A CGTP abandonou na semana passada as discussões, em sinal de protesto.

Depois dos sindicatos, o patronato avisa....

António Saraiva: presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), diz eleições antecipadas neste momento "são prejudiciais" porque vão dar "novos sinais de desconfiança aos mercados".

Isto é o Jardinismo

Depois de doar cerca de 80 milhões de euros (entre oferta dos terrenos e construção do estádio) ao Marítimo e gastar 4 milhões anuais na propaganda partidária através do Jornal da Madeira, o PSD não tem dinheiro para o desporto escolar, nem para o novo hospital.

As prioridades deste governo do PSD são claras. A propaganda sempre e em primeiro.

Rua da Samba






Rua da Samba, Luanda, todos os dias, ao fim da tarde, milhares de carros passam longas horas a tentar sair do centro.
Mas mwangolé que é mwngolé não perde uma oportunidade para o business. Enquanto os tripulantes desesperam dentro dos carros, os vendedores aproveitam para explorar a oportunidade de negócios. Tudo se vende e tudo é negociável. Se o “padrinho” quiser, senão não há maka...na boa, não há insistência. Esses patrícios são do bem. Gente digna a tentar sobreviver mais uma dia.

A crise política mais estúpida de sempre

Pedro Santos Guerreiro: Conhece a expressão "morrer na praia"? Esqueça. Portugal chegou à praia, viu lá um poço e atirou-se.
Os donos da praia, que tinham o posto de S.O.S em alerta, nem querem acreditar nos seus olhos. Em vez da maca para doentes, atiramo-nos para a cama de pregos dos faquires. Estas eleições não são um suicídio, são um homicídio.

Estamos nisto desde Outubro, escapámos por um triz à entrada do FMI em Novembro, o BCE e a Comissão Europeia emprestaram-nos dinheiro e tolerância para ganharmos tempo e entrarmos já na nova forma de ajuda externa, menos intrusiva e cara do que a grega e irlandesa. E Portugal, depois de cinco meses de resistência, de negociação e de ajudas, chega à véspera da Cimeira Europeia e fica sem Governo. Na véspera! É inacreditável, é lamentável, é irresponsável.

Estas eleições são um crime porque acontecem no pior dia possível, ameaçando o sucesso da própria cimeira do euro que nos ia acudir. Estas eleições são um crime porque Portugal tem até Junho dez mil milhões de euros para pedir emprestados, porque a banca está em stress, porque as empresas públicas estão a ficar sem dinheiro. Estas eleições são um crime porque vão produzir meses de foguetório político para eventualmente chegar a minorias e inviabilidade negocial entre PS e PSD. Estas eleições são um crime porque são contra o interesse nacional, contra os portugueses, contra a sensatez.

Vamos para a sétima eleição antecipada desde 1979. Os países estáveis têm eleições de quatro em quatro anos, Portugal tem uma eleição antecipada de quatro anos e meio em quatro anos e meio. Ninguém se governa assim. Entretanto, há um PEC IV, que tem de ser mais do que o PEC que fica entre o III e o V.

Quem diz que a economia dominou a política não conhece Portugal.

Amanhã é capaz de não haver Governo. E então?

Pedro Tadeu: Se amanhã deixar de haver Governo, a política financeira que nos sangra a carteira, exigida pela União Europeia em função de interesses comandados pela Alemanha, irá mudar? Não.

Se amanhã deixar de haver Governo, vamos continuar a procurar financiamento para a nossa dívida pública aos juros mais elevados dos últimos anos? Sim.

Um apelo angustiado

Mário Soares: Para quê? Talvez, para não termos tempo de tratar do essencial, o problema que mais aflige o Povo Português: como sair da crise, financeira e económica, em que estamos mergulhados? Será sensato, assim, sejam de quem forem as culpas, acrescentar-lhe uma crise política? Será que alguém pensa, em consciência, que a nossa situação vai melhorar, por ignorarmos durante mais de dois meses a crise que hoje nos aflige - a todos - lançando--nos numa disputa eleitoral, ganhe quem ganhar - PSD ou PS - haja ou não coligações, à direita ou à esquerda?

Depois, o CDS/PP vai estar contra o PSD, a disputar-lhe o terreno, palmo a palmo, como se percebeu no Congresso de Viseu. Os Partidos da extrema-esquerda radical não se entendem, como se tem visto, mas estarão ambos contra Sócrates, o que só o reforça, no interior do PS. Mas nenhum partido quer realmente deitá-lo abaixo. Para ficar pior? Quer fritá-lo em lume brando, o que é diferente. Com a excepção, talvez, de Passos Coelho, porque está, cada vez mais, a sofrer pressões internas nesse sentido.

Quando o País acordar dessa campanha eleitoral, que só desacreditará os Partidos - os políticos e o País - quem terá condições efectivas para governar e nos tirar da crise? E por quanto tempo? Passos Coelho? Outra vez, Sócrates? À beira da bancarrota, o Povo Português estará então, desesperadamente, a pedir um governo de salvação nacional ou até: um salvador (que felizmente parece não ser fácil encontrar) visto não estarmos nos anos trinta do século passado...

No meu modesto entender, só uma pessoa, neste momento, tem possibilidade de intervir, ser ouvido e impedir a catástrofe anunciada: o Senhor Presidente da República. Tem ainda um ou dois dias para intervir. Conhece bem a realidade nacional e europeia e, ainda por cima, é economista. Por isso, não pode - nem deve - sacudir a água do capote e deixar correr. Como se não pudesse intervir no Parlamento - enviando uma mensagem ou chamando os partidos a Belém - quando estão em jogo, talvez como nunca, "os superiores interesses nacionais". Tanto mais que, durante a campanha eleitoral para a Presidência, prometeu exercer uma magistratura de influência activa. Não pode assim permitir, sem que se oiça a sua voz, que os partidos reclamem insensatamente eleições, que paralisarão, nos próximos dois meses cruciais, a vida nacional, em perigo iminente de bancarrota.

Se não intervier agora, quando será o momento para se pronunciar? É uma responsabilidade que necessariamente ficará a pesar-lhe. Por isso - e com o devido respeito - lhe dirijo este apelo angustiado, quebrando um silêncio que sempre tenho mantido em relação ao exercício das funções dos meus sucessores, no alto cargo de Presidente da República.

Agora a doer

Primeiro foram as sondagens. A que ninguém quis dar crédito. Agora é a sério: A extrema direita, Frente Nacional de Le Pen, teve 15% e bateu-se com o UMP de Sarkozy que teve apenas mais 2% (17%).

Carvalho da Silva não defende eleições antecipadas

"Os que andam ansiosos para substituir o Governo não trazem nada de acréscimo", disse Manuel Carvalho da Silva em entrevista à agência Lusa, referindo que o líder do PSD "tenta cavalgar no descontentamento da população mas assume as medidas de austeridade do Governo sem apresentar alternativas".

Make no mistake

Quando Jean Claude Trichet diz que as medidas do PEC apresentado em Bruxelas pelo Primeiro-Ministro não são negociáveis, ele esta a nos informar que o BCE e a UE não aceitam outras medidas. Pelo que toda esta encenação é desnecessária. Este ou outro governo terá de seguir esta linha.

Censos 2011

Pela primeira vez é possível entregar os questionários do censos através da internet.
Sabendo que existem cerca de 5,5 M de alojamentos em Portugal e tendo em conta que cerca de 25% desses lares têm acesso à internet, não seria de esperar um elevado nº de acessos para a entrega dos ditos questionários?

Fazendo umas continhas de cabeça, se em todos os lares com acesso à internet tentarem usar este meio para entregar os questionários, temos que 1,35 M lares / 21 dias, o que dá cerca de 65 mil questionários por dia. Estas serão as necessidades básicas, assumindo (erradamente) uma distribuição uniforme ao longo dos 21 dias disponíveis para a entrega pela internet.

Ontem, o sistema saturou e pouco mais de 15000 pessoas conseguiram entregar os questionários. Parece-me muito pouco. Existe um evidente mau dimensionamento da capacidade dos servidores, dadas as necessidades.

Já existe conhecimento suficiente no estado (p.ex. finanças) para que estes problemas deixem de existir. Chega de ficar "surpreendido" com algo que à partida era evidente que iria acontecer.

A hidden agenda

O PSD resolveu explicar a que vem e emitiu um comunicado em inglês.
No seu ponto 3 a), o PSD diz que o Governo não faz as reformas que possam afectar a sua base eleitoral, "directly ou indirectly, to State-financed employment or business ventures"

Confesso não faço percebo o que querem dizer com estas "business ventures", mas quando se referem ao "State-financed employment" estão a falar de funcionários públicos. Se o PSD acha que é nos funcionários públicos que o governo deve cortar, então das três uma: o PSD vai despedir funcionários; ou vai cortar (ainda mais) os salários, ou vai fazer as duas coisas.

A "voz da consciência"

Entrevista a Amartya Sen:
(...) há uma visão a nível europeu de que não só a dívida pública deve ser eliminada - ou, pelo menos, reduzida drasticamente -, mas também que isso deve ser feito imediatamente. É muito difícil para cada país afastar-se desta visão europeia geral, até porque os mercados estão a pedir isso. Os países não terão, por isso, grande possibilidade de escolha. Mas esta ideia [de austeridade] não é inteiramente correcta. As reduções de défices gigantes que ocorreram no passado, como por exemplo a dívida contraída por vários países europeus junto da América durante a Segunda Guerra Mundial, foram possíveis apenas numa situação de grande crescimento económico, que é sempre uma altura propícia à redução da dívida. Do mesmo modo, quando Bill Clinton se tornou Presidente dos EUA, o país estava com um elevado nível de dívida e, quando ele deixou de ser Presidente, já não tinha, o que se deveu a um crescimento económico elevado. (...)

Governo suprime 991 cargos dirigentes em 2011

Público: (...) fica-se a conhecer o número total de cargos dirigentes superiores, intermédios e equiparados que deixarão de existir ou que não serão ocupados após a cessação das comissões de serviço. Ao todo estão em causa 991 lugares, que correspondem a 15 por cento do universo global dos dirigentes públicos.

Estimativa do Executivo aponta para petróleo nos 107 dólares em 2011

Público: O Governo reviu em mais de 35 por cento a previsão do preço do barril de petróleo para este ano, face à escalada do barril por causa da crise política no Médio Oriente e no Magrebe.

segunda-feira, março 21, 2011

O PSD considera urgente privatizar a TAP

O PS por sua vez, prefere pôr as empresas do universo empresarial do estado a funcionar.

Lucros da TAP crescem para 62 milhões de euros em 2010

O PSD considera urgente privatizar a RTP

O PS por sua vez, opta por pôr as empresas do universo empresarial do estado a funcionar.

Pela primeira vez em perto de 20 anos a estação de televisão pública regista lucros.

Eleições antecipadas em breve revisão

1979 – O governo de iniciativa presidencial, liderado por Carlos Mota Pinto, vê uma Moção de Confiança ser chumbada.

A coligação PSD/CDS/PPM liderada por Sá Carneiro vence as eleições com maioria absoluta.

1983 – O Primeiro-Ministro, Pinto Balsemão (PSD), demite-se.

O PS, liderado por Mário Soares vence, mas sem maioria absoluta. Entra em acordo com o PSD e surge o governo de “bloco central”.

1985 – Cavaco Silva que ascende à liderança do PSD rompe o acordo de “bloco central” com o PS. O governo cai por falta de suporte político.

PSD ganha as eleições com apenas 29,9% do votos. O candidato do PS é Almeida Santos.

1987 – É aprovada Moção de Censura apresentada pelo PRD.

O PSD ganha com maioria absoluta. O candidato do PS é Victor Constâncio.

2002 – O PM António Guterres demite-se na sequência da derrota nas autárquicas.

O PSD ganha com um ligeira diferença de 2,8% para o PS. Faz um acordo com o CDS para garantir uma maioria absoluta na AR. O candidato do PS é Ferro Rodrigues.

2005 – O PM Durrão Barroso aceita o cargo de Pr. da Comissão Europeia. Santana Lopes sucede-o e segue-se 6 meses de trapalhadas que culminam com a dissolução da AR, pelo PR, Jorge Sampaio.

O PS, liderado por José Sócrates, ganha com maioria absoluta.
Notas:
- Das 6 eleições antecipadas, 3 resultaram em maioria absoluta e 3 em maiorias relativas;
- Excluíndo o governo de iniciativa presidencial (1979), apenas as eleições de 1987 reconfirmam o partido que estava no governo (PSD de Cavaco Silva) e com maioria absoluta;
- Em 1985, o PS (Almeida Santos) tem 20% dos votos contra 29% do PSD (Cavaco Silva). Mas nestas eleições há um fenónemo : o novo PRD de Eanes que tem uns surpreendentes 17%.
- Apenas um Primeiro-Ministro, Cavaco Silva, eleito para o cargo voltou a se recandidatar. Mota Pinto tinha sido designado por Eanes e Santana Lopes tinha substituido Barroso;
- Em eleições "regulares", Soares recandidata-se em 1976 e perde as eleições, é a excepção. A partir daí todos os PM que se recandidatam ganharam as eleições: Sá Carneiro em 1980 em coligação com o CDS (a AD); Cavaco em 1987 e 91; Guterres em 1999 e Sócrates em 2009.

Lisboa ganha 1,48% no fecho da sessão

A praça portuguesa acompanhou os ganhos elevados das restantes praças europeias, com a Portugal Telecom a destacar-se com uma valorização de 5%.

António Costa: Ninguém apresentou "boas razões" para uma crise política

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), afirmou hoje que até ao momento não foram apresentadas "boas razões" para haver uma crise política, reiterando que esse cenário é ainda evitável.

"Não vi ainda ninguém explicar porque é que uma crise política agora era bom. Já ouviram? Eu não vi. E não explicam porque não há boas razões para haver uma crise política, só há várias boas razões para não haver"

PCP: "não acha que o Governo tenha de se demitir" se o PEC não for aprovado

JE: O líder do PCP reiterou hoje que o seu partido não está disponível para avalizar as novas medidas de austeridade. Mas não acha que o Governo tenha de se demitir se estas não tiverem o apoio do Parlamento.

São coisas separadas”. Se a Assembleia da República não apoiar as medidas com que o Governo se comprometeu com os parceiros europeu, isso não significa “obviamente, constitucionalmente” uma moção de censura que force o Executivo a demitir-se.

“Não é uma moção de censura”, sublinhou Jerónimo de Sousa no final de um encontro com o primeiro-ministro José Sócrates, que está hoje a receber os líderes parlamentares no âmbito da ronda audiências para preparar a cimeira europeia desta quinta e sexta-feira.

Questionado sobre se vai votar favoravelmente a resolução contra o PEC que o CDS e o BE prometem apresentar na quarta-feira, Jerónimo de Sousa respondeu que o seu partido só se pronunciará perante o texto concreto.

Espanha pede aprovação do PEC português, teme mais instabilidade na Zona Euro

Jornal de Negócios: A ministra da Economia espanhola manifestou hoje o desejo de que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) possa ser aprovado, argumentando que tal contribuirá para a estabilidade das finanças de Portugal mas também do euro.

Vale a pena recordar

Público: (...) Depois de ter cedido ao Marítimo o Estádio dos Barreiros e terrenos anexos, avaliados apenas em 17 milhões, o Governo assumiu na totalidade o custo do novo estádio. O contrato de financiamento bancário, com carência de cinco anos, atribuía ao clube os encargos da operação (15 milhões), mas Jardim (resolução n.º 769/2010) decidiu que a comparticipação de 31 milhões seria acrescida dos tais encargos.

Distribuídas pelos orçamentos de 2010 a 2026, as dotações, variáveis entre 1,3 milhões nos cinco primeiros anos e 3,5 milhões entre 2015 e 2025, totalizam 45,2 milhões de euros que, acrescidos do IVA, atingem os 62 milhões, o dobro do valor inicialmente prometido por Jardim. Com o valor do velho estádio e terrenos anexos, a “prenda” do Governo no centenário do Marítimo aproxima-se dos 80 milhões de euros.

Preço da gasolina desce em todos os postos do País

DE: No caso da Galp, líder de mercado, o preço de referência da gasolina desceu 2,5 cêntimos, avançou fonte da empresa ao Económico. Nos postos da petrolífera nacional um litro de gasolina custa agora 1,559 euros, enquanto o gasóleo ficou inalterado nos 1,434 euros.

Pensão média na função pública dispara 28%

DE: O valor médio das novas pensões atribuídas aos funcionários públicos pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) aumentou em Fevereiro 28% para 1.531 euros brutos. Este é o valor mais alto desde, pelo menos, Maio de 2009, altura em que a Direcção-Geral do Orçamento (DGO) começou a publicar mensalmente estes dados no boletim da execução orçamental.

Terramoto ao "ralenti"

Correia de Campos: "Um novo governo, qualquer que seja a sua maioria, chegará a Bruxelas com as calças na mão: o país estará à beira de uma falência artificialmente provocada, dividido e traumatizado por um prolongado debate, pejado de irracionalidades e falsidades e será então confrontado com novas exigências. Mais duras, muito mais que as anteriores, com o país desmoralizado. Os mercados permanecerão insensíveis à renovada cor política do governo, ávidos como sempre, exigindo mais suor e lágrimas. Bruxelas levará tempo a reconhecer as novas faces. Estas prestar-se-ão a novos equívocos. A ingenuidade do deslumbramento de recém-empossados (tal como a Irlanda) levantará mais olhares desconfiados, a química levará tempo a estabelecer-se. As medidas que hoje se recusam, mais por calculismo que por compaixão social serão agravadas na linha dura (haverá outra?), a classe média mais penalizada e a instabilidade social fará regressar a instabilidade política. A única coisa boa que sabemos é que chegaremos ao Verão com meio ano de boa execução orçamental. O governo incumbente dela fará ponto de honra. Este é apenas um dos cenários, pode haver outros, todos piores. Já pensaram no que acontecerá se das eleições artificialmente antecipadas pela imperícia de Cavaco e pela avidez dos barões que Passos Coelho deixou de controlar, resultar uma simples maioria relativa, mesmo com PSD e CDS juntos?"

sexta-feira, março 18, 2011

Palavras sensatas


"o que é importante na vida política nacional é que a temperatura baixe, que as pessoas esclareçam o que há para esclarecer, negoceiem o que tem de ser negociado, e encontrem uma solução que corresponda à defesa do interesse nacional".

António Costa, hoje no DE.

Recordar o básico


"Peço desculpa por falar em português, mas sou um orgulhoso português."
José Mourinho, no topo do mundo, começou este ano a nos recordar: antes de mais somos portugueses e isso deve ser motivo de orgulho. Era bom não esquecermos.

Excerto do debate sobre o estado da nação esta manhã

Daqui: Sócrates, pelo governo, e Assis, pela bancada do PS, no debate sobre o estado da nação esta manhã, em resposta a um discurso frouxo de Miguel Macedo:
(a) António Capucho, conselheiro de Estado pelo PSD, fez há pouco tempo as seguintes declarações: “o governo tem de levar uma rasteira e sair”. Como não veio o FMI, que o PSD anda há meses a convidar; como não veio o desastre na execução orçamental, que o PSD esperava como desculpa; veio a rasteira. Esta é a rasteira do PSD: provocar uma crise política. Mas, por quê agora? Passos Coelho abre uma crise no país para escapar a uma crise interna no PSD, onde já se afiavam as facas para o derrubar.
(b) O anterior governo PSD/CDS apresentou o PEC em Bruxelas – não as linhas gerais, não a proposta de partida, mas a sua versão final – sem o apresentar no parlamento português. Não têm agora esses partidos nenhuma moral para se queixarem de uma “mera” apresentação pública das linhas gerais, com todo o tempo para passar ao debate das medidas propriamente ditas - garantindo que o PEC apresentado em Bruxelas não será uma "surpresa" para o país.
(c) Na preparação, no ano passado, do orçamento para 2011, Passos Coelho, pelo PSD, recusou-se a negociar previamente: o PSD exigiu que o governo apresentasse primeiro as suas propostas e as divulgasse, só aceitando negociar depois. Agora, o governo apresentou publicamente as linhas gerais da sua proposta e quer negociar, segundo o procedimento exigido pelo PSD – mas, agora, o PSD exige o contrário do que exigiu o ano passado e, com essa desculpa, recusa-se a negociar. E não diz uma palavra sobre alternativas.
(d) A prova de que a posição de Passos Coelho é a “rasteira” pedida por Capucho, com o único fito de Passos Coelho se salvar do golpe que os seus “companheiros” lhe estão (estavam) a preparar, sacrificando o país à guerra de barões do PSD – a prova está na evolução do discurso do PSD durante a sexta-feira passada, dia de cimeira europeia. Desde manhã, com Sócrates em Bruxelas a negociar com os seus parceiros europeus, o secretário-geral do PSD foi dizendo durante o dia que o seu partido apoiava as medidas que fossem no sentido de controlar o défice. O presidente do mesmo partido acabou o dia a tirar o tapete à posição do governo português. Por quê: Passos Coelho viu a sua oportunidade da tal rasteira conveniente.
O debate continua.
O país também.

Sócrates, o Lutador

Leonel Moura:
Nenhum outro político, desde o 25 de Abril, sofreu tanto ataque, tanta censura, tanto ódio. Os mais reles acusam-no de tudo, desde corrupção a roubo. Percebe-se. É gente que vive na chafurdice da intriga e da insinuação, uns claramente fascistóides, outros simplesmente mentecaptos. Já a oposição partidária, que devia ser fundamentada e propositiva, reduziu-se a um permanente ataque pessoal, tanta vez de muito baixo nível. Por sua vez, jornalistas e comentadores, que se confundem cada vez mais uns com os outros e funcionam em circuito fechado, acham que só o negativismo e o dizer mal do primeiro-ministro tem interesse informativo. Atacar Sócrates dá direito a título. (...) Depois há os que realmente têm razões de queixa. (...)

Neste cenário, Sócrates emerge como um lutador, alguém que não abandona, nem desiste. O que ainda exaspera mais os seus opositores. Raros são os políticos com tamanha força e determinação. Pelo contrário, a recente história portuguesa mostra como é mais fácil e compensador desistir. (...)
Sócrates nunca se demitirá e quanto mais o atacam mais se empenha na luta. Se, finalmente, um dia o deitarem abaixo, irão tê-lo de novo como temível adversário. E revigorado. Porque, bem vistas as coisas, a situação até lhe é favorável. Pelas suas qualidades e firmeza, mas acima de tudo pela peculiar geometria política em que estamos. (...)

É assim que obnubilados pelo ódio ao primeiro-ministro os seus detratores não estão a ver bem o filme. O momento não é propício a crises políticas que atirariam Portugal de imediato para a bancarrota. (...)

Mas pior seria o cenário caso o PSD conseguisse ganhar as eleições. Por uma razão simples. Na atual conjuntura, um governo PSD impossibilitado de distribuir dinheiros e benesses, tal como fez Cavaco, pura e simplesmente não consegue governar. É um facto da peculiar sociologia política local. Os portugueses que encaixam pacífica e relativamente bem as medidas impostas pelo PS, não as tolerariam se fosse o PSD a empreendê-las. Nessa circunstância Passos Coelho não dura mais de seis meses em São Bento. Mesmo com a polícia de choque todos os dias nas ruas. (...)"