sexta-feira, maio 06, 2011

Qual será a explicação para isto?

Os neo-liberais cá da praça defendem que se 1) não houvesse salário mínimo e 2) pudesse haver despedimentos sem justa causa, que o mercado seria tão flexível que a taxa de desemprego seria sempre muito baixa, uma vez, justificam eles, que não haveria empresas com empregados que não precisam, logo, aumentando a eficiencia, e por outro lado, os salários seriam o encontro entre a procura e a oferta de trabalho.

Acontece que no país onde esta teoria está mais posta em prática, o emprego não só não é o mais baixo do mundo como ainda por cima está a crescer, não sendo muito diferente, neste momento, do elevado desemprego verificado em alguns países onde a rigidez no trabalho é superior.

É tramado quando é a realidade a dar assim um chapadão na teoria.

Já nos países onde se adoptou uma mistura virtuosa entre flexibilidade laboral e uma boa dose de protecção, como são exemplo os países do Norte da Europa, o desemprego é notoriamente mais baixo.

3 comentários:

Luís disse...

No país onde esta teoria é mais posta em prática? Se nos EUA não houvesse mesmo ordenado mínimo, o desemprego seria certamente inferior ao actual.

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_U.S._minimum_wages

Tino disse...

Ok.
Fui atrás do preconceito e escrevi uma asneira.
Nos EUA existe, em grande parte dos estados, um salário mínimo.

No entanto se existisse uma relação directa entre o salário mínimo e o desemprego, então quanto maior fosse a relação entre o salário mínimo e o salário médio menor seria o desemprego. É esta teoria que está por provar.

amsf disse...

Há discussões que implicam certas bases.

1º-Onde existe salário mínimo empregador e desempregado não podem negociar abaixo desse valor pelo que um desempregado disponível a trabalhar abaixo desse valor está condenado ao desemprego. Atenção que o desemprego destes por este motivo específico leva ao desemprego de outros e à sobrecarga dos contribuinte no activo;

2º-Onde existe salário mínimo certas actividades de mão de obra intensiva e não qualificada não podem ser implementadas mesmo que existam recursos humanos disponíveis pois não são rentáveis com salários a partir de certo nível.Certas indústrias deixam de poderem ser exploradas com a agravante de se ter que recorrer à importação (indirectamente estamos a criar emprego no estrangeiro!!);

3º-Uma legislação laboral flexível pode produzir as mesmas taxas de desemprego mas os desempregados são de curta duração pois o desemprego é rotativo. Um desempregado pode sempre encontrar uma actividade menos remunerada num sector de produção menos rentável mas também menos exigente a nível de formação/habilitações;

4º-Os resultados do desemprego de um trimestre não são "nada". Qualquer comparação implica examinar uma série temporal de vários anos (já pareces um certo secretário da nossa terra);

5º-Curiosamente não provas, nem que seja com uma notícia, a afirmação de que os países de Norte da Europa não tem uma legislação laboral "muito" flexível;

6º-O que pensas do caso de Espanha que desde há anos que tem taxas de desemprego de 16-21%?!Neste momento estão nos 21%!


ETC, ETC, ETC

Flexibilidade laboral mas com uma justiça/fiscalização laboral expedita que faça cumprir os contractos individuais de trabalho, normas de segurança, etc.