domingo, maio 08, 2011

Mito III

Vivemos acima das nossas possibilidades, e por isso acumulamos a dívida externa.


Por ignorância e/ou malvadez, repete-se em Portugal a mentira de que gastamos mais do temos no Estado Social e isso levou ao radical aumento da nossa dívida externa. É preciso dizer que 40% dessa dívida é dívida privada, dos bancos. Só o BPI deve 3 mil milhões de euros que estão contabilizados na dívida soberana. Acresce que, mesmo na dívida pública, andamos a pagar o que não devemos. É que os bancos e os fundos financeiros que nos emprestam dinheiro, aumento o juro na medida da diferença entre o crescimento do PIB nominal e a taxa de juro da dívida pública. É o efeito "bola de neve". Mesmo que não se peça mais dinheiro, desde que o PIB cresça pouco, acumulam-se juros. Só entre 2005 e 2010, através deste mecanismo automático acumulamos 20 mil milhões. E quem é que empresta o dinheiro aos bancos, a taxas muito mais baixas, para emprestarem a Portugal? O BCE. Mas porque não empresta o BCE directamente e deixa os países nas mãos dos especuladores. Não pode. O Tratado de Masstricht não permite. E Ser especulador na Europa é muito bom.

2 comentários:

Anónimo disse...

Dizer que a dívida é dos bancos é o mesmo que dizer que quem paga o IVA é o comerciante e não o cliente final. Ou pior, afirmar que o comerciante paga IVA sobre um produto e que o cliente volta a fazer o mesmo!

Um banco vai procurar financiamento no estrangeiro uma vez que os depósito internos não são suficientes e depois empresta ao Estado e a dívida é mais do banco do que do Estado?!

Não, não é verdade que as dívidas da banca nacional ao estrangeiro (BCE, banca internacional) seja contabilizada como dívida soberana!

Só falta dizerem que a dívida nacional ao estrangeiro é a soma da dívida da banca + a dívida soberana + dívida das empresas + dívida das famílias! A banca é o intermediário pelo que não se pode fazer essas contas.

amsf

Anónimo disse...

Ser especulador é ser depositante do BPN e ver as suas contas congeladas?!

Eu não emprestaria dinheiro a ninguém, mesmo a 10%, se suspeitasse que o devedor não conseguiria pagar e exigisse um haicut, uma reestruturação da dívida que me fizesse perder 30% do capital. Durante esta semana vai-se ouvir falar muito neste assunto, primeiro em relação à Grécia, mais tarde em relação a Portugal e Irlanda...

Neste momento Portugal está em negação e a prova disso é o vídeo que anda por ai e que enche de orgulho o peito de muito português...

amsf