segunda-feira, março 07, 2011

Uma terceira via

Estou convencido que evitar os extremos é um virtude moral se si mesma, assim como condição para a estabilidade política. Daí que não defenda uma organização marxista nem um sistema de capitalismo desregulado. O que defendo é um socialismo democrático renovado, uma filosofia política de centro-esquerda.

As duas filosofias falharam. O socialismo-marxista, de planeamento económico central vertical, inventava objectivos e os “cumpria” com números inventados, 1989 foi o fim de uma terrível experiência de engenharia social e económica. O neoliberalismo levou a um capitalismo desregulado e a uma alteração das regras a favor dos mercados financeiros, em detrimento dos poderes políticos.

Estes espectaculares falhanços foram mais dramáticos para a Esquerda. A queda do Muro de Berlim, deixou um vazio criado por uma ausência de uma narrativa sustentada historicamente. Órfãos dos ensinamentos de Marx, muitos socialistas e comunistas, caídos no vácuo político, continuam a insistir num vocabulário e num leque de princípios básicos doutrinais que os apoiam no “debate” político, mas que os privam da procura de soluções práticas para os problemas reais.

O Mundo mudou. E insistir em soluções que foram pensadas para o Séc. XIX não faz sentido e leva a uma retórica incoerente. O desafio não é recuperar o socialismo tal como foi apresentado para um Mundo diferente. Mas sim como nos vamos organizar enquanto sociedade, respeitado aquilo que entendemos com princípios basilares da nossa comunidade.

O capitalismo não é uma filosofia política, é uma forma de organização económica. Não é pelo capitalismo desregulado ter levado a uma crise financeira que o sistema está errado e deve ser abandonado. O que está errado é excessiva a desregulação. Da mesma forma, pelo marxismo ter se revelado um fiasco económico, não deve nos levar a colocar de parte todo o planeamento económico ou intervenção estatal.

Com esta liberdade de pensamento, a primeira questão que se deve debater, de forma a se apresentar uma solução realista e exequível é: como salvar “Estado Social”?

No fundo, muito da História do Ocidente tem sido feita dos constantes esforços para responder a esta questão, tendo em conta as alterações de contexto. Estamos, outra vez, num desses momentos históricos em que os políticos devem ter coragem para decidir o que o Estado deve fazer, a fim de garantir aos nossos concidadãos vidas decentes e esperança num futuro melhor.

Estou convencido que esta via, difícil e trabalhosa, é solução para não cairmos nem na repetição de receitas que se provaram erradas, nem na armadilha do manequísmo político que pode levar a satisfações pessoais imediatas mas que comprometem o futuro político dos partidos democráticos.

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