segunda-feira, março 21, 2011

Terramoto ao "ralenti"

Correia de Campos: "Um novo governo, qualquer que seja a sua maioria, chegará a Bruxelas com as calças na mão: o país estará à beira de uma falência artificialmente provocada, dividido e traumatizado por um prolongado debate, pejado de irracionalidades e falsidades e será então confrontado com novas exigências. Mais duras, muito mais que as anteriores, com o país desmoralizado. Os mercados permanecerão insensíveis à renovada cor política do governo, ávidos como sempre, exigindo mais suor e lágrimas. Bruxelas levará tempo a reconhecer as novas faces. Estas prestar-se-ão a novos equívocos. A ingenuidade do deslumbramento de recém-empossados (tal como a Irlanda) levantará mais olhares desconfiados, a química levará tempo a estabelecer-se. As medidas que hoje se recusam, mais por calculismo que por compaixão social serão agravadas na linha dura (haverá outra?), a classe média mais penalizada e a instabilidade social fará regressar a instabilidade política. A única coisa boa que sabemos é que chegaremos ao Verão com meio ano de boa execução orçamental. O governo incumbente dela fará ponto de honra. Este é apenas um dos cenários, pode haver outros, todos piores. Já pensaram no que acontecerá se das eleições artificialmente antecipadas pela imperícia de Cavaco e pela avidez dos barões que Passos Coelho deixou de controlar, resultar uma simples maioria relativa, mesmo com PSD e CDS juntos?"

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