segunda-feira, março 07, 2011

Ter fé não tem bastado

O verdadeiro problema da política interna no PS-Madeira não é se concordamos ou discordamos de determinada opção política. O problema é a forma como se discute – ou não – os nossos interesses comuns. Nos últimos anos o PS-M tem optado por uma de duas soluções: ou o pretexto da “união” é usado para não haver discussão, e temos uma falsa unanimidade ou qualquer critica é rebatida com falta de honestidade intelectual, acusações pessoais e intrigas

A conformidade é tentadora. A vida dentro de qualquer organização política é mais fácil se alinharmos com a maioria. Se não fizermos perguntas. Com o tempo, até os mais críticos parecem abandonar a independência de espírito ao discurso do grupo. A coragem moral para ter uma opinião diferente é pouca em todo o lado. Mas os partidos políticos só são organizações vivas, na medida em que os cidadãos que os integram sejam activos e preocupados. Não basta ter fé “em quem manda”. A fé não tem bastado. Os demagogos dizem à multidão o que pensam, e quando a sua voz é devolvida pelo eco, eles afirmam que estão apenas a transmitir o sentimento do povo. Mas a demagogia não resolve problemas. Antes pelo contrário, tem sido fonte de monstruosas acções.

Neste momento o PS-M está envolvido numa imensa confusão. As perguntas que deviam ser feitas, não o foram. Neste último ano, o PS viu o seu presidente se retirar da luta política, abdicar da sua posição natural de líder da oposição, para assumir o lugar de de vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira. Um erro, porque ao sair da “arena” política, o presidente do PS deixou que o seu lugar fosse ocupado por outros. Dissemos neste blog, na altura, em contracorrente.

Depois veio o lançamento público de uma “plataforma democrática” com os restantes partidos da oposição, sem que estes fossem informados ou que os contornos da mesma fossem previamente discutidos. Também o dissemos neste blog, era um erro.

E agora há a candidatura de Jacinto Serrão que é envolvida numa imensa confusão com o PS-Madeira, sem ninguém saber onde acaba um e começa o outro.

Todas estas opções foram tomadas e apresentadas como factos consumados. Até agora, todas se revelaram desastrosas.

Nada aponta para que esta estranha forma de vida se modifique. Mas as perguntas serão feitas, pelo menos na cabeça de algumas pessoas. Perguntar-se-á pela motivação: o que verdadeiramente levou esta opção? Há uma verdadeira clivagem ideológica? Se sim, porque é que nunca se manifestou antes?

E pelas consequências: É pela continuada falta de solidariedade do PS nacional? Se sim, como pensam que ficarão as relações depois disto? É responsável, no período difícil que o pais atravessa, tentar destabilizar o primeiro-ministro para fazer apenas um “número”? O que pensarão os outros socialistas da lealdade do PS-M?

Uma coisa parece-me certa, com esta estratégia, o PS-M está a aliviar a pressão sobre a governação do PSD-M, porque está a levar o debate para o plano nacional e a lhes dar razão no que à governação do PS diz respeito.

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