segunda-feira, março 14, 2011

Filosofia, iconografia e som dos actuais protestos

Longe vão os tempos em que os movimentos queriam mudar o Mundo. Para além da melhoria das condições de vida imediatas, os movimentos populares, sindicais e políticos costumavam carregar com eles uma utopia que visava alterar o regime político de forma profunda. Era essa mistura de realismo e utopia, de racionalismo e sonho que os tornavam tão poderosos.
O cravo na mão do soldado, aquele palavra de ordem ("O povo unido jamais será vencido!"), a pintura na parede ("Nem mais um farol para as Berlengas"; "É proibido proibir") eram mensagens visuais que marcavam os movimentos, as épocas, as ideias.
A música de intervenção de Zeca Afonso, José Mário Branco, Fausto ou Sérgio Godinho, davam o mote e "animava a malta". Mas eram belas melodias, com letras fortes e muito bem escritas e interpretadas por verdadeiros músicos-poetas.
Parece que até nisto o país está à rasca. Falta uma nova, inspiradora e contagiante filosofia política, a simbologia não é levada em linha de conta, há pouca imaginação e até a música é assegurada por duas personagens/bonecos criadas por comediantes que visam caricaturar os verdadeiros militantes do Verão quente de 75.
Um protesto assim não inspira, arrepia.

1 comentário:

Anónimo disse...

Talvez tenhamos chegado à presente situação graças a todo esse "folclore" que ignora as leis da economia. O que necessitamos é de produzir mais do que consumimos. As pessoas/Estado percebem e não se atrevem a tentar contrariar as leis da física mas parece que por as leis da "economia" não acarretarem consequências automáticas - graças às engenharias financeiras próprias do capitalismo - convencem-se de que as podem violar sem que a "conta" lhes seja apresentada mais tarde ou mais cedo.

amsf