terça-feira, março 01, 2011

Deolinda, agora com números

Priscila Rêgo: (...) Comparei a taxa de desemprego nacional com a taxa de desemprego dos licenciados e a taxa de desemprego dos jovens licenciados. Entre 1998 e 2010, ela cresceu em todos os segmentos. De forma diferenciada? Não, da mesma forma: por um factor que varia entre 2,1 e 2,3 (não é possível saber isso com precisão através do gráfico, mas eu fiz os cálculos). Onde está a novidade? Não há. Confirma-se o que já se sabia: os licenciados têm melhor situação do que os não licenciados e os jovens têm pior situação que os mais velhos. O segundo efeito, aparentemente, supera o primeiro. Hoje, como ontem. E na mesma medida.

Como se explica, então, o sucesso da música dos Deolinda? Não tenho uma teoria definitiva, mas eu apontaria para o facto de a subida uniforme do desemprego produzir mais desempregados não licenciados e mais desempregados com licenciatura. Mas os desempregados com licenciatura têm mais poder reivindicativo e mais a ganhar: estágios profissionais para licenciados, bolsas de investigação para trabalhar numa universidade, um posto na Adminstração Pública. Não estão em maior número - só gritam mais. (...)

2 comentários:

amsf disse...

A coisa é simples: Quem não chora não mama e há sectores sociais/profissionais que têm "megafones" que outros grupos mais representativos da sociedade, e que terão mais razão de queixa, não têm.

O evidente no mundo dos humanos não existe...A percepção é tudo e as percepções constroem-se... escondem-se ou destorcem-se...

amsf

Anónimo disse...

Já o ditado dizia "Quem não chora, não mama"