sexta-feira, março 25, 2011

Coisas básicas

Fernanda Câncio: "Ninguém que tenha votado no PS gostou dos últimos PEC. Ninguém gostou de ver anunciar cortes nas prestações sociais e nos salários dos funcionários públicos, nem aumentos de impostos. Obviamente não foi para isso que os eleitores escolheram o PS - os eleitores do PS não defendem o fim do Estado Social, nem a retracção do investimento público, nem a diminuição das garantias em caso de despedimento. Também é óbvio, porém, que ninguém no Governo gostou de propor essas medidas - e é-o tanto mais quanto elas contradizem as que foram adoptadas no início da reacção à crise internacional, e que se caracterizaram por um reforço no investimento público e na contenção dos danos sociais (aqui como noutros países).
(...)
E se a forma de reagir a isso tem sido ela sim completamente estúpida, inserido na Europa e comprometido com objectivos de redução do défice, Portugal isolado não podia fazer muito. É humilhante e deprimente, mas nas circunstâncias não há grande margem de manobra. E isso é tanto mais óbvio quanto não vimos nenhum dos partidos que chumbou o PEC IV apresentar alternativas - a não ser que "isto não pode ser" ou "não se podem pedir mais sacrifícios aos portugueses" sejam alternativas viáveis. Tanto assim é, aliás, que o Governo caiu não tanto pelo conteúdo das propostas deste PEC mas por não as ter discutido previamente com o PSD nem as ter apresentado ao PR (omissões discutíveis mas, no contexto, compreensíveis). Tanto assim é que sabemos que, ao contrário do PS, o PSD, a ser governo, aplicará, e aí com todo o gosto, medidas muito mais penalizadoras das chamadas garantias sociais. É esse o seu programa e é esse o programa "dos mercados". Só falta darmos-lhe o aval."

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