quinta-feira, setembro 30, 2010

Coincidências

O governo irlandês vai necessitar de cerca de 50.000 M€ para resgatar um único banco, o Anglo Irish Bank. Um valor que é próximo dos 30% do PIB daquele país.
Caberá a cada irlandês um encargo de 12000 €.

Por cá, dizia-se que o regulador financeiro era incompetente, mesmo sabendo que o dinheiro eventualmente gasto com o resgate do banco do cavaquismo nunca atingirá mais que 3% do nosso PIB, sem dúvida o valor mais baixo de toda a europa com o resgate da banca.

O que dizer então do regulador irlandês?
Deve ser coincidência o facto da Irlanda ser governada por um governo de direita, que considera que os mercados têm sempre razão, e que qualquer regulação é uma intromissão na acção da mão invisível.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Assim se vê a gratidão

Depois do temporal de 20 de Fevereiro o governo português prontamente disponibilizou-se para ajudar a Madeira com uma verba de cerca de 1000 M€, apesar do país viver numa situação extremamente delicada de finanças públicas e apesar dessa ajuda à Madeira contribuir para o aumento da dívida e défice do País.

A UE muito relutantemente vai auxiliar a Madeira com apenas 30M€, com tinha sido anunciado há algum tempo e foi agora confirmado.

O deputado europeu, Nuno Teixeira, em vez de criticar a falta de apoio da UE de Durão Barroso e elogiar o apoio de Sócrates, faz precisamente o contrário.
Diz que a culpa da UE não apoiar com mais verbas é do governo da república.

Maior ingratidão não podia existir.

terça-feira, setembro 28, 2010

Projeções Vs Realidade

Esta infografia de Amanda Cox para o NY Times, está simplesmente fantástica.
Adoraria ver uma infografia destas feitas para Portugal e para diferentes fontes de projeções.

Ilustrativo

Numa notícia do Jornal de Negócios online pode ler-se "Reino Unido cresce ao nível mais rápido em 9 anos". A ilustrar a notícia vem a cara do PM inglês, David Cameron.
No corpo da notícia pode ler-se que o tal crescimento refere-se aos dois primeiros trimestres de 2010.
Acontece que o actual PM inglês só tomou posse a meio do 2º trimestre, e é pouco provável que ele seja o responsável de tanto sucesso.
Assim sendo, fazia sentido que fosse a cara do ex-PM, Gordon Brown, a ilustrar a notícia.
Apenas por uma questão de justiça. O seu a seu dono.

Muitas Receitas

A OCDE veio a Portugal apresentar o seu relatório sobre a situação do País e fez algumas recomendações sobre medidas a tomar no imediato e no médio-longo prazo.
Como essas recomendações estão em linha com o que o governo já tinha mostrado intenção de aplicar, toda a oposição caiu em cima da OCDE, acusando-a de estar a fazer propaganda ao governo.
Tão exaltados foram os protestos que até parece que aquelas recomendações são novidades completas e que nunca tinham sido feitas.
Algumas daquelas recomendações até vão de encontro a propostas que os partidos da oposição fizeram no passado. Não interessa. Como agora não dá jeito falar disso então ataca-se a OCDE.

Neste vuvuzear todo, é no entanto preciso realçar o papel do PSD.
Ninguém dúvida que se o PSD estivesse no governo, tomaria as medidas que achasse necessárias para resolver os problemas do país, mesmo que fossem contra promessas anteriores. Veja-se o caso do prometido choque fiscal e o aumento do IVA em 2%, contrariando a promessa eleitoral.
Dito de outra forma. Uma coisa é o que os partidos dizem para conquistar eleitorado, e outra coisa bem diferente é o que tem de ser.
Em tempos de vacas gordas, acredito que os partidos sigam as suas agendas, mas em tempos de dificuldade, fazem responsavelmente o que tem de ser.
Estando na oposição, esperam que os governos tomem as medidas difíceis e impopulares, dando a entender ao eleitorado que fariam diferente. Mas não fariam.

domingo, setembro 26, 2010

Guterres, foste grande.

Quem foi o governante português que em democracia diminuiu o peso da despesa do estado, menos aumentou a carga fiscal, mais baixou o desemprego e diminuiu o stock da dívida do estado português relativamente ao PIB?
Se não respondeu António Guterres então é porque está a ser vitima de preconceito e não está a fazer um juízo baseado em factos.
Com o governo de Guterres o peso da despesa do estado passou de 37,1% do PIB para 35,1%. Mais nenhum governante conseguiu baixar o peso da despesa do estado.
Com o governo de António Guterres o peso das receitas fiscais, ou seja impostos, apenas aumentou 0,1% do PIB em 6 anos.
Nesses 6 anos de governo de Guterres, a taxa de desemprego passou dos 7,1% deixados por Cavaco Silva, para uns historicamente baixos 4%, nunca mais repetidos.
Por fim, convem referir que apenas a governação de Guterres foi capaz de fazer baixar o peso do Stock da Divida do estado nuns relevantes 4%, de 61,1% do PIB para 56% do PIB.

Mesmo com este registo, António Guterres foi encurralado por um sistema político que não permite a um partido que não tenha uma maioria parlamentar, mesmo que seja por escassa margem, governar com o seu programa de governo.

Num momento em que se discutirá a revisão constitucional, estes factores devem estar em cima da mesa. Existem pelo menos dois caminhos possíveis para aumentar a governabilidade: ou a constituição obriga a uma maioria parlamentar de um ou mais partidos para formar governo, ou em alternativa facilita a existência de maiorias parlamentares de um só partido, deixando de fora do parlamento partidos que não pretendem fazer parte de qualquer solução de governo. A situação actual não serve ao Pais.

* - os dados apresentados no quadro acima foram retirados do PORDATA

sexta-feira, setembro 24, 2010

Transparência na carga fiscal

Já defendi no passado que deve existir toda a transparência na relação financeira entre o estado e os contribuintes.
Considero que deveria fazer parte do OE uma disposição que impusesse, para cada ano, um limite à carga fiscal em percentagem do PIB.
Caso esse tecto fosse ultrapassado, deveria o estado devolver esse excesso aos contribuintes.

Não tenho qualquer preconceito relativamente ao pagamento de impostos. No entanto, deve haver indicações claras do sentido que a carga fiscal está a seguir.

Não faz sentido que o estado aumente a carga fiscal durante um período recessivo, mas em contraponto acho normal e aconselhável que o estado se prepare em tempos de expansão económica, cobrando mais impostos quer para baixar o défice quer o endividamento.
Do mesmo modo o investimento público deve recuar em período de expansão para haver condições de avançar quando o investimento privado é obrigado a recuar.

Infelizmente estamos metidos num buraco, e é necessário aumentar a carga fiscal neste período pouco expansivo. Não é a situação ideal, mas a alternativa de deixar tudo correr seria bem pior.

Apesar deste ser um problema português, estamos longe de ter a exclusividade nesta matéria.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Plataforma com MPT

O PS-M teve uma oportunidade de ouro para colocar o MPT em cheque. Se em vez de fazer o joguinho hipócrita da inclusão total, tivesse afirmado que não convidava o MPT para a PD por este partido ser um satélite do PSD, tinha ganho em duas frentes.
Por um lado desmascarava o MPT e por outro evitava ter "mais" informadores do PSD dento deste projecto.
Assim, a degradação deste projecto será mais acelerada.

Fia-te na virgem e não corras

Tendo em conta os intervenientes e o passado da história da expulsão de Victor Freitas da ALM o mais provável é que esta seja mais uma manobra dilatória e que a carta não tenha sido enviada nem recebida.
Será que os jornalistas se deram ao trabalho de confirmar com os supostos receptores da carta se efectivamente a tinham recebido?

terça-feira, setembro 21, 2010

O sobe e desce do risco da dívida

1º acto
Rumores sobre o incumprimento da Grécia fazem subir o risco da dívida em toda a Europa. Os países periféricos como Portugal, Espanha e Irlanda são especialmente afectados.

2º acto
Descida do rating da Irlanda leva a nova escalada do risco da dívida dos PIIGS. A Irlanda é o país mais afectado, mas a generalidade dos riscos dos países periféricos sucedem-lhe nas subidas.

Quer isto dizer que Portugal não tem culpa alguma?
Não. Os níveis de endividamento externo, os défices orçamentais e comerciais, acompanhados de um crescimento económico anémico, fazem diminuir a confiança na nossa economia, e na nossa capacidade de pagar os nossos compromissos.

O que pode ser feito?
A execução escrupulosa do que foi acordado no PEC II, é essencial para acalmar a desconfiança.
Haverá danos socais?
Sem dúvida. No entanto serão muito menores do que aqueles que nos seriam impostos pelo FMI.

P.S. - Hoje, o risco da dívida portuguesa está a baixar, depois de ontem o governo ter apresentado a sintese de execução orçamental e depois do sucesso da emissão da dívida de Espanha e Irlanda.

Malaquias

Pois é, meus amigos.
A permanência por demasiado tempo no poder leva inevitavelmente a uma sensação, muitas vezes real, de impunidade, e os abusos começam a surgir. Devagar no começo e depois completamente à descarada.

A situação da bolsa de estudo que o filho da secretária regional do trabalho e da solidariedade dos Açores, apesar de poder ser legal, é uma vergonha, e espero sinceramente que tenha consequências políticas.

Não é aceitável, muito menos para o filho de um governante e ainda para mais com posses que a maioria dos Açorianos não têm, que alguém possa usufruir, a fundo perdido, de dinheiros dos contribuintes para efectuar uma formação, que é muito mais benéfica para quem recebe do que para quem dá.

É verdade que este principio, aplica-se à generalidade da formação superior. É um facto que a formação superior é um bem, principalmente para quem a possui.
É por isso que defendo como muito mais justos e eficazes os empréstimos a juros bonificados, em vez de bolsas a fundo perdido, dependendo a bonificação da situação patrimonial de quem a recebe.
Apenas em caso excepcional e onde o beneficio de quem dá é evidente, aceito como válido um sistema misto de bolsa (a fundo perdido) conjuntamente com um empréstimo bonificado.
O caso de medicina nas regiões autónomas é um desses casos. A carência de médicos é evidente e como tal é do interesse dos respectivos serviços regionais de saúde que os médicos trabalhem, pelo menos durante um período, para quem lhes proporcionou uma bolsa a fundo perdido.

A formação em geral, e a formação superior em particular, podem ser ferramentas poderosíssimas de progressão social, dando oportunidades a quem à partida não as teria. Também por isso, a distinção entre quem precisa de apoio para progredir socialmente, e quem não precisa por já ocupar patamares sociais elevados, deve ser feita.
Sendo os meios limitados, os apoios devem concentrar-se em quem precisa e não ser desperdiçados em quem já tem mais que suficiente.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Nervosismo

A despesa do estado, apesar de superior à do ano passado, em grande parte devido ao aumento das despesas com apoios sociais, está mesmo a reduzir-se e está neste momento em linha com o orçamentado.
A diferença relativamente a 2009 era de 4,3% em Julho, passando para 3,8% em Agosto, atingindo agora os 2,7%, como pode ser visto na Síntese de Execução Orçamental.

O facto do governo estar a cumprir os seus compromissos, parece que está a espalhar um nervosismo miudinho naquela oposição que já dava José Sócrates por acabado.

Tenham paciência. Ainda terão de esperar mais algum tempo.

P.S. - Apesar da insistência dos medinas carreiras deste país em pintar o quadro muito mais negro que a realidade, um responsável do FMI afirmou-se confiante na capacidade do governo para controlar as contas públicas.

sábado, setembro 18, 2010

Quem semeia ventos...

colhe tempestades.
É impensável que o Governo diminua os salários dos funcionários públicos. O Estado quando contratou estas pessoas acordou estas condições e tem de as cumprir. Aliás, não há razão para tal indecência. Há muito por onde cortar.
Se calhar alguém lhes devia perguntar: Porque se aumentou os funcionários acima do nível da inflação a meio de uma crise? Porque é que o Governo desperdiçou milhares de milhões no BPN? Porque é que se gastam tanto dinheiro, nesta altura, em submarinos?

Boom Boom

All along the watchtower



...When i'm sad, she comes to me...

sexta-feira, setembro 17, 2010

A verdade é esta...

Ernâni Lopes: Salários da função pública têm de descer.

Diferença do tamanho do mundo

O Tino leu que os portugueses, apesar da crise, trocaram de carro. Concluí que não há diferença entre governantes e governados. São todos despesistas.
A diferença é simples: quando nós compramos um carro usamos o nosso dinheiro, quando os governantes compram um carro fazem-no com o nosso dinheiro. Nós fazemos o que entendermos com o nosso dinheiro e assumimos as consequências, mas quando os governantes fazem o que querem com o nosso dinheiro, somos nós que teremos de suportar as consequências. O que está aqui em causa é uma questão de liberdade. A nossa liberdade varia de acordo com o poder de decidirmos o que fazer com o nosso dinheiro. Quando o Estado "rouba" parte do nosso rendimento e passa a decidir o que vai fazer com ele, a nossa liberdade diminui. Cada vez que os impostos aumentam, somos um pouco menos livres. Cada vez que os governantes desperdiçam o nosso dinheiro e nos mandam a conta, ficamos mais escravos de uma divida que não contraímos, que não queríamos e com a qual não queremos onerar os nossos filhos.

OE2011 já passou

Em entrevista dada ontem no canal público, Pedro Passos Coelho, abriu, diria mais, escancarou a porta, para a aprovação do OE2011.
Ao afirmar que estaria disposto a aceitar uma limitação às deduções fiscais dos escalões mais altos em troca de um aumento dos limites dos escalões mais baixos, o líder do PSD mostrou qual foi a forma airosa que o seu partido escolheu para não ficar muito mal na fotografia.
A realidade é tramada e o que acontece neste momento é que os escalões mais baixos não conseguem atingir os limites de deduções porque simplesmente não têm dinheiro suficiente para fazer despesas quer na saúde quer na educação, usando fundamentalmente os serviços públicos.
Aumentar os limites de deduções fiscais para os escalões mais baixos não tem efeito nenhum, porque se as pessoas nesses escalões não conseguem atingir os limites actuais muito menos atingirão limites mais altos.

De qualquer modo é bom saber que o PSD está disposto para aprovar o próximo orçamento.
Fica o País a ganhar.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Estado despesista

As vendas de automóveis descem na UE mas aumentam em Portugal.

Olho, e não vejo grandes diferenças entre os governados e os governantes.

Saber ler os números

Há uns dias atrás foi noticiado que, analisando os dados de execução orçamental de Agosto, verificava-se que a despesa do estado continuava a aumentar, sendo mesmo referido que tinha aumentado mais 3,8%, depois de em Julho ter aumentado 4,3%.
Acontece que as variações referidas são relativas ao mesmo período do ano anterior, ou seja, são as variações homologas, e assim sendo, se havia um aumento de 4,3% em Julho que passou para 3,8% em Agosto, isto significa que as despesas estão a diminuir.
Além disso, tendo em conta a aprovação tardia do OE e que as medidas do PEC apenas começaram a ter efeito a partir do segundo semestre, significa que os números apresentados até agora não significam que o estado não consiga diminuir a despesa nem que não consiga atingir as metas de défice. Bem pelo contrário.

Ontem, a noticia era a diminuição de 1,5% dos empregos, mais uma vez, relativamente ao mesmo trimestre do ano anterior.
Se no primeiro trimestre a diferença era de 1,7% e no segundo passou para 1,5%, não é óbvio que a diferença é menor?

Mais uma vez as explicações do governo são coxas, deixando proliferar pela opinião pública que as coisas estão a piorar, quando na realidade não estão.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Jornalismo copy & past

É cada vez mais frequente ver jornalistas de diversos órgãos de comunicação social a copiar acriticamente a primeira coisa que lhes aparece à frente.
A história do "chinelo encontrado morto" relatada aqui e aqui, mostra bem o jornalismo desleixado que por ai vai.
A LUSA, fica muito mal na fotografia, mais uma vez. Uma agência de informação tem de ter padrões de profissionalismo muito acima daqueles que têm sido apresentados.
Também os jornalistas que estampam com as asneiras feitas por outros, estão longe de ficar desculpados pelas tontices alheias.

E o sócio como uma "golden share" aceita isto?

PT pagou 1,8 milhões pelas saídas de Soares Carneiro e Rui Pedro Soares

terça-feira, setembro 14, 2010

Mudar a expressão "pupu" por "caca"

Pedro Passos Coelho substituiu a expressão "razão atendível" por "razões legalmente atendíveis" na sua proposta de revisão constitucional, relativamente aos despedimentos.
O mesmo é dizer que não mudou coisa alguma, e o mesmo é dizer que o PSD continua a pretender que haja razões para despedimento que, podendo ter enquadramento legal, não são justas.
Ficamos entendidos.

Contas simples

Analisando os números de alunos e professores que o Diário publicou na edição de 3/9/2010, concluímos que a ratio professor/aluno de 1 prof. para cada 7 alunos está deturpada pela inclusão do pré-escolar e jardins de infância.
Se analisarmos apenas os números referentes ao 2.º, 3.º ciclo e ensino secundário, a ratio é de 1 professor para cada 6 alunos (27.300 alunos/4.395 professores).
Ora, se a ratio nacional é de 1/18, e já é a menor da OCDE, quer isso dizer que o 2.º, 3.º ciclo e ens. sec. da Madeira tem o triplo dos professores que devia ter. Para ter uma ratio igual à menor da OCDE seriam necessários apenas 1.465 professores. Menos 2.930 dos actuais 4.395.
Isto representa anualmente cerca de € 51.275.000 (Cinquenta e um milhões e duzentos e setenta e cinco mil euros) (só em salários) (cerca de € 1.250 médio X 14 ordenados =€17.500 X 2.930= € 51.275.000).
Com este enorme esforço financeiro teríamos de ter o melhor sistema de ensino do mundo. No entanto, os resultados escolares da Região continuam a ser muito fracos. Portanto, estamos a desperdiçar anualmente 51 Milhões de euros. E porquê? Porque nós, contribuintes pagantes e clientes da escola pública, fomos sequestrados pela corporação. Nós apenas temos o direito a pagar. Sempre mais e sem perguntas. Não podemos ter uma opinião e nem pensar em exigir mais qualidade pelo que se paga.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Ainda a objectividade necessária

Miguel Fonseca, em resposta ao meu reparo e pedido de objectividade, achou por bem contestar, que afinal não tinha feito criticas aos outros partidos da oposição depois da apresentação da Plataforma Democrática.
Estando certo em relação ao PND e PCP, não está em relação ao CDS. No entanto, o objectivo da minha chamada de atenção era não perder tempo com essas minudências, e não perderei.

Noutro ponto, relativamente ao candidato que ambos apoiamos, como deve compreender o MF, não sou, nem pretendo ser o procurador do Victor Freitas. E muito menos o interpretador dos seus silêncios.
Eu, por exemplo, quando fico muito tempo sem escrever nada neste blog, significa que apetece-me fazer criticas violentas, mas tendo noção do impacto que teriam, contenho-me. Quando depois digo alguma coisa, é apenas a ponta do iceberg.
Cada um terá razões para os seus silêncios.

Nunca questionei os silêncios, relativamente à Plataforma Democrática, de Bernardo Trindade, Emanuel Jardim Fernandes, JS e Mulheres Socialistas, se bem que o silêncio destes últimos tem sido crónico.
Terão outras razões, iguais ou diferentes das do Victor. Não quero saber.

Tirando estes pormenores, interessantes do ponto de vista da intriga política, mas que valem zero, tudo o resto, nomeadamente o apelo à convergência, não só na acção mas também no discurso, é que deve nortear aqueles que desejam outras condições para fazer política na Madeira.

Sobretudo é preciso não cair no erro de achar que se ganhará votos canibalizando os restantes partidos da oposição. Nunca aconteceu e não acontecerá. Só retirando votos ao PSD é que haverá mudanças.

Ad Hominem

Como é previsível a constatação feita pelo deputado do PS-M, Carlos Pereira, sobre o estado do turismo na Madeira, terá, por parte do PSD-M a reação de ataque à pessoa e não aos argumentos.

Sobre os argumentos usados por Carlos Pereira, por serem verdadeiros, não será dita uma palavra.

Mau dia para criar crises políticas

Segundo o barómetro mensal da eurosondagem, se as eleições fossem hoje o PS voltaria a ganhá-las.
Mas mais importante que isto é o facto de mesmo associado ao CDS, o PSD não conseguir uma maioria absoluta.
Dito de outra forma, se o PSD provocasse uma crise política agora, a propósito do OE2011, o resultado não seria um cenário político mais favorável que o actual.

Mais vale, ficarem quietos.

Conselho a Miguel Fonseca

O Miguel é uma pessoa inteligente. Vive a política como poucos.
No entanto tem falta de objectividade.
Passo a explicar. O tempo que o MF passa a criticar, fazer reparos e denunciar estratégias a favor do regime de elementos da oposição e de elementos não concordantes dentro do seu partido podiam ser muito melhor empregues se e o MF evitasse dispersões de pensamento.
Desde que foi anunciada a Plataforma Democrática, o Miguel já criticou o CDS, o PND, o PCP, o Raimundo Quintal, o Victor Freitas, etc.
Se em vez de cada post desperdiçado com fait divers, o Miguel tivesse escrito um post capaz de levar os representantes de cada partido a seguir as pisadas do PS-M, e deste modo ampliar a visibilidade pública dessas causas, muito já teria sido ganho.
Se em vez de cada post desperdiçado o Miguel tivesse dado voz a intervenções de partidos da oposição contra o partido do Governo, então nem precisaríamos de falar em criação de Plataforma Democrático, pois ela própria já estaria informalmente criada.
Espero que o MF seja capaz de aceitar este reparo sem ver nele mais um ataque à estratégia do PS-M, porque não é.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Porque estamos sequestrados

Segundo a edição de Diário de Notícias de 6.ª feira passada, existem 55.000 alunos na Madeira para 7.000 professores. Ou seja, 1 professor para cada 8 alunos.
Para ponderarmos se isto faz algum sentido, pensem nisto:
Na Justiça, há um juíz e um procurador para cada 8 cidadãos?
Na Saúde, há um médico e um enfermeiro para cada 8 doentes?
Há esta ratio nas Forças de Segurança? Nas Forças Armadas? Há qualquer coisa parecida em algum outro sector da Sociedade?
E há, em qualquer outro sector, a exigência - seguida de ameaça - da parte dos sindicatos de que o Estado tem de colocar, todos os anos, todos profissionais?
E já pensou quem é que paga esta factura?

A realidade e a fantasia

Os professores/sindicalistas-profissionais e os grandes "especialistas em pedagógia" repetem que as turmas em Portugal são muito grandes. Esta semana saiu um estudo da OCDE que mostra a realidade (resumo retirado daqui):

A dimensão das turmas, em Portugal, é inferior à observada para a média dos países da OCDE.
Nos primeiros seis anos de escolaridade, a dimensão média das turmas, em Portugal, é de 18,6 alunos. Nos países da OCDE, as turmas têm em média 21,6 alunos. O Japão (28 alunos por turma), o Reino Unido (25, 7 alunos por turma), os Estados Unidos (23,8 alunos por turma), a Austrália (23,2 alunos por turma), a França (22,7) e a Alemanha (21,9) apresentam turmas com uma dimensão muito superior à observada em Portugal.
No terceiro ciclo do ensino básico, em Portugal, as turmas têm em média 22,2 alunos, enquanto nos países da OCDE as turmas têm 23,7. A Alemanha (24,7 alunos por turma), a França (24,1 alunos por turma), a Espanha (23,6 alunos por turma), os Estados Unidos (23,2 alunos por turma) e a Austrália (23 alunos por turma) apresentam turmas com uma dimensão muito superior à observada em Portugal.

Número de Alunos por Professor
O número de alunos por professor, em Portugal, é dos mais baixos dos países da OCDE.
Nos primeiros 6 anos de escolaridade, o número de alunos por professor é de 11,3, contrastando com o valor de 16,4 para a média dos países da OCDE. O Reino Unido (20,2 alunos por professor), a França (19,9 alunos por professor), a Holanda (15,8 alunos por professor), a Finlândia (14,4 alunos por professor), e os Estados Unidos (14,3 alunos por professor) apresentam um maior número de alunos por professor.
No terceiro ciclo do ensino básico, a relação é de 8,1 alunos por professor, enquanto nos países da OCDE a média se situa nos 13,7. Portugal regista o número mais baixo de alunos por professor no quadro dos países da OCDE. A Alemanha (15 alunos por professor), o Reino Unido (15 alunos por professor), os Estados Unidos (14,8 alunos por professor) e a França (14,6 alunos por professor) apresentam claramente um número mais elevado de alunos por professor.
No ensino secundário, o número de alunos por professor é de 7,3, valor muito distante da média dos países da OCDE (13,5). Portugal regista o número mais baixo de alunos por professor no quadro dos países da OCDE. A Finlândia (15,9 alunos por professor), os Estados Unidos (15,6 alunos por professor), a Suécia (14,7 alunos por professor) e a Alemanha (14 alunos por professor) apresentam notoriamente um número mais elevado de alunos por professor.

No pasa nada

Na Madeira, a industria hoteleira e o turismo, são sem margem para dúvidas a nossa actividade mais valiosa e a que mais contribui para o aumento da nossa riqueza.
Pelos dados ontem divulgados pelo ine, em Julho fomos a unica região do País onde houve uma quebra, tanto de dormidas como de receitas face ao ano anterior.
Por muito maus que estes dados pareçam, o baixar de braços é tanto que na comunicação social madeirense nem se toca no assunto, e os nossos responsáveis governativos limitam-se a dizer que "pode ser que os turistas escolham a Madeira à última hora ".

A aluvião de Fevereiro passado e os incêndios deste Verão vieram contribuir ainda mais para a degradação das perspectivas de melhoria.

Infelizmente, sabemos que a única coisa que o PSD-M será capaz de fazer é atribuir as culpas a outros.

terça-feira, setembro 07, 2010

Com lacinho e tudo

Será que não se consegue fazer um embrulhinho com o Queiroz, o Oliveira e o Madail e enviá-los de presente para um país amigo como a Coreia do Norte?

Certinho como um relógio

Há uns dias atrás tinha referido que quando o risco da dívida portuguesa subia, tínhamos notícias para todo o dia, quando o risco diminui, temos o silêncio, que se vai cantar o fado.
Com uma precisão impressionante, a meio do dia, e surgido directamente da LUSA, veio a notícia bombástica: "Risco da Dívida Portuguesa é a que mais sobe no mundo". Não era verdade, mas parece que isso não trava ninguém nos órgãos de CS, mesmo a especializada.
Depois de uma semana em que o risco da dívida portuguesa vinha a descer, sem que isso fosse notado por ninguém, a correcção de hoje mereceu um destaque que não merecia.
Além disso, num dia em que a generalidade dos países, inclusive a Alemanha, viu o seu risco de incumprimento subir, estranho seria que Portugal escapasse ao aumento de risco.
Finlândia, Itália e Irlanda viram mesmo os seus riscos aumentar mais que Portugal. Foi isso que foi dito pela Comunicação Social, não foi? Não? Não interessa.

Só não percebo como é que este tipo de campanhas passam impunemente sem que alguém com responsabilidade as desminta.

Irresponsabilização e usurpação

A decisão de submeter os orçamentos nacionais ao crivo da UE é uma aberração, e não tem qualquer legitimidade democrática.
É uma usurpação de funções que, sem que os cidadãos europeus se tenham manifestado favoravelmente, retira soberania aos estados membros.
Imaginam o que seria se os orçamentos das Câmaras municipais tivessem de ser previamente aprovados pelo governo? Ficariam os nossos autarcas impávidos e serenos a ver a banda passar?

Defendo impostos diferenciados para cada nível da administração, ou seja, impostos nacionais para funções desempenhadas pelo estado central, impostos regionais para as administrações regionais, e impostos autárquicos para o funcionamento das autarquias locais.
Do mesmo modo defendo um imposto europeu, em substituição das contribuições dos países para o orçamento da UE, para pagar o orçamento europeu.
Como é evidente cada nivel de administração deve administrar o dinheiro disponível dos seus impostos e não se imiscuir nos impostos dos outros níveis de administração.
Só assim existe correspondência entre o beneficio atribuído aos cidadãos por cada nível de administração e aquilo que lhes é pedido em troca através dos impostos.
Só assim existe responsabilização nos diversos níveis de administração.

Apenas no que respeita à coesão faz sentido que o nível de administração superior faça uso de parte dos impostos cobrados, redistribuindo-os pelo nível inferior.

Não se pode confundir um desejo de coerência entre as políticas económicas seguidas pelos diversos países, de modo a melhor combater a crise, com a imposição de políticas que muitas vezes são contraditórias com as escolhas democráticas das populações.

domingo, setembro 05, 2010

Hipocrisia sem limites

Cada vez se torna mais claro porque razão não me identifico com os actuais dirigentes políticos do PS-M.
Com aquele ar de virgens ofendidas vêm trazer a público o facto de Passos Coelho ter falado com Alberto João sobre a RTP-M e RDP-M.

Parece que o PSD apontar os amigos do PSD-M para a direcção dos órgãos de comunicação social regionais é um "escândalo". Já se fôr um membro do PS a apontar um amigo do PSD-M para as mesmas funções, não merece qualquer reparo.

Tenham vergonha.

P.S. - Se querem realmente resolver esta questão porque não propõem financiamento exclusivamente regional para a RTP/RDP-M e o mesmo escrutínio por parte da ALRAM das nomeações que a AR tem em relação à casa mãe?

sábado, setembro 04, 2010

O lobbie dos meios aéreos

O PSD-M, numa das suas conhecidas fugas em frente, tenta sacudir as responsabilidades relativamente à sua total ineficácia na prevenção e combate aos incêndios.
Em meados de Junho, o responsável pelas florestas na Madeira, Eng. Rocha da Silva, dava uma entrevista a dizer que na Madeira não havia época de incêndios. Nessa mesma entrevista revelava que os poucos postos de vigia estavam vazios, apelando ao voluntariado para ocupar esses postos. Não há dúvida que é uma atitude profissional. Só falta mesmo culpar os voluntários por não terem alertado para os incêndios atempadamente.
Mais recentemente e quando os incêndios já haviam torrado mais de 15% da nossa floresta, e era notória a impossibilidade dos bombeiros fazerem um combate eficaz, devido aos dificeis acessos que dificultam o combate aos incêndios, e quando de todo o lado, desde partidos a associações ecológicas apelavam a vinda de meios aéreos, vem o mesmo responsável govenamental, criar a teoria do lobbie dos meios aéreos.
Hoje vem o blogista LFM dar a deixa para toda a comunicação social seguir.
1 - "Alguem consegue explicar porque razão a área ardida quase triplicou no continente depois da entrada ao serviço dos meios aéreos?"
2 - "Terá um responsável francês pela protecção civil dito que os meios aéreos de combate a incendios são um polvo que destroi a floresta?"


A primeira interrogação só é confirmada no período em que o PSD estava no Governo e os meios aéreos eram os do ex braço direito de Cavaco Silva, Dias Loureiro.
Já no governo do PS, essa informação da triplicação dos fogos não se confirma, nem neste ano que foi de longe o pior de todos e havia tantos meios aéreos como nos anos anteriores.
A segunda interrogação não é para ser confirmada. Serve apenas para dar consistência à primeira. Perceberam?

Bom mesmo era que o Sr. Malheiro e o Sr. Rocha da Silva explicassem porque razão ardeu tanta floresta na Madeira este ano, mesmo sem o maldito lobbie dos meios aéreos.
Terá sido o lobbie da incompetência que tomou conta deste governo?

sexta-feira, setembro 03, 2010

Queiroz

O ex-treinador da selecção nacional de futebol é uma pessoa tão competente, tão apoiado pelos miúdos que põe a jogar à bola, e apresenta sempre resultados tão bons que isto que lhe estão a fazer só pode ter a ver com uma "justiça governamental", seja lá o que isso signifique.

Ou então é apenas o Queiroz a se querer armar em Manuela Moura Guedes.

Processo Casa Pia e o crime continuado

Parece que está a chegar ao fim o processo casa pia.
Durante mais de 6 anos e em mais de 460 sessões em tribunal foram ouvidas mais de 900 pessoas, entre vitimas, arguidos, testemunhas, consultores técnicos e peritos.

Lembro-me que aquando da alteração ao Código Penal, a polémica que se levantou a propósito da questão do crime continuado se aplicar a crimes contra pessoas, tendo sido referido na altura que aquele artigo teria sido alterado a pensar no caso casa pia.

Percebo perfeitamente a sensação de injustiça de uma pessoa que foi diversas vezes vítima de um crime ver todo aquele sofrimento ser considerado apenas como um acto continuado. Julgo que é uma sensação de que se está a desculpabilizar o agressor.
No entanto pergunto, se em vez de tentar provar que aqueles arguidos cometeram crimes contra aquelas vítimas (de forma repetida), se tentasse provar cada um dos crimes, quanto tempo mais duraria um julgamento desta natureza? E será que esse prolongar no tempo do julgamento não traria ainda mais injustiça?

Na justiça nada é perfeito e por vezes ao forçarmos a justiça para um lado, aumentamos a injustiça para outro.
Um pouco de pragmatismo pode trazer alguma sensação de injustiça, e traz, mas no global e a longo prazo os resultados tendem a ser melhores do que ter uma justiça tão ocupada com os pormenores que é completamente incompetente para decidir em tempo útil.

Nem é preciso imaginar o contrário

A 25 de Agosto, o risco de incumprimentos, em Portugal, percepcionado pelos agentes económicos foi dos que mais subiram:

Em diversos órgãos de comunicação social podíamos ler:

CM: Só Vietname sobe mais que Portugal no Risco da Dívida
Jornal de Negócios: Risco de Portugal entre o do Vietname e o do Líbano
Sol: Risco da Dívida Portuguesa é o que mais sobe a seguir ao Vietname
Agência Financeira: Risco da Dívida Nacional é o segundo que mais sobe
i online: Risco da Dívida Portuguesa é que mais sobe a seguir ao Vietname

Ontem, não só Portugal foi o País onde o risco mais caiu como foi ultrapassado pela Roménia, ocupando agora a 10ª posição, quando a apenas há uns dias ocupava a 7ª posição.

Como é natural, estes factos, exactamente semelhantes em relevância aos da subida do risco do passado dia 25, não aparecem em lado nenhum na comunicação social.
O mais interessante é que a origem das noticias do dia 25 de Agosto foi a agência Lusa. A tal que, segundo Pacheco Pereira, é instrumentalizada pelo governo. Deixem-me rir.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Imaginem o contrário

Portugal tem uma economia pequena e periférica, e as suas debilidades são conhecidas.
À conta disso o risco de incumprimento percepcionado pelos agentes económicos é elevado, estando mesmo entre os 10 países onde esse risco é superior.
Até há pouco tempo Portugal ocupava o 8º lugar desse negro ranking, estando entre o Iraque (7º) e a Irlanda (9º).
Recentemente, o risco de incumprimento da Irlanda superou o de Portugal e daí para cá esse fosso tem-se alargado.
Estes factos não têm merecido grandes destaques da nossa comunicação social, como é habitual.
Agora imaginem que, em vez de Portugal estar numa posição mais favorável que a Irlanda, tivesse passado para uma posição menos favorável que o Iraque. Quantas manchetes não se fariam com essa notícia!?
Por alguma razão, a comunicação social destaca sempre as más notícias face às positivas.
Será pedir muito que sejam isentos!?

P.S. - Aqueles que aconselharam o governo Português a tomar as mesmas medidas que a Irlanda, nomeadamente os cortes nos salários da FP, afirmando que esse era o caminho corajoso que deveria ser seguido no nosso país, estão agora calados que nem ratos.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Plataforma democrática

5...4...3...2.........ABORTA ABORTA

O que o BE, o único partido que aceitou sentar-se à mesa com o PS-M, veio propor, está muito longe do que seria desejável e aceitável para o PS-M.
O BE-M, pelo que é público, veio propor uma coligação autárquica e até lá não abdica de criticar o governo socialista da república.
Ao PS-M interessa precisamente o contrário. Que se atenuem as criticas ao governo da República, enquanto lá estiver o PS, claro, e que a concertação de posições na Madeira em relação a temas regionais faça com que os temas da oposição ganhem destaque relativamente aos temas trazidos a público pelo partido do poder.
Insisto neste ponto. Se os partido da oposição tiverem posições concertadas em relação a alguns temas onde seja possível essa convergência, sem se dispersarem muito nos temas, estes ganharam uma relevância superior à que outros temas teriam se cada um falar de uma coisa diferente, e se os partidos da oposição na Madeira dispersarem-se a criticar-se uns aos outros ou ao governo da República.