terça-feira, agosto 31, 2010

Bombeiros madeirenses

Se há cidadãos madeirenses que podem ser incluídos na classificação de "povo superior", claramente os bombeiros estão entre eles. Digo-o sem uma ponta de ironia.
A dificuldade do combate ao fogo na Madeira, inerente à nossa orografia, e os meios colocados à disposição dos nossos bombeiros fazem destas pessoas verdadeiros heróis.

Olho para os números disponibilizados pela protecção civil, da Madeira e do Continente e fico estupefacto com o muito que se consegue por cá.
Enquanto que no continente, temos frequentemente largas dezenas de bombeiros a combater um incêndio, auxiliados por meios aéreos e diversos veículos, na Madeira os nossos valentes bombeiros estão em equipas que muito raramente ultrapassam a dezena de bombeiros, e sem outros apoios, nomeadamente os meios aéreos.
Convenhamos que com apenas 5 bombeiros e apenas 2 carros bomba, como é o caso do combate ao incêndio do Ribeiro Frio, bem no coração da floresta Laurissilva, não há muito que se possa fazer a não ser deixar arder e esperar que o fogo chegue a um sitio onde seja possível dominá-lo. E mesmo assim com dificuldade.

Nada acontece por acaso, e a calamidade que atingiu a Madeira tem diversos responsáveis.
Em primeiro lugar, a responsabilidade vai para os criminosos que por interesses económicos, vinganças e outras razões que nem consigo descortinar, destroem o que tanto custou a tanta gente.
Há também a incúria ligada a questões culturais, como os foguetes festivos, as velas em santuários e queimadas, que com demasiada frequência ainda se fazem apesar dos apelos em sentido contrário.
Mas não podemos de responsabilizar os nossos governantes que não implementam medidas preventivas eficazes nem disponibilizam os meios necessários para que o combate aos fogos possa minimizar os danos que este atingiram a Madeira.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Incêndios que consomem a nossa Laurissilva

Imagem da Nasa

Enquanto isto, os presidente do governo anda a tomar umas cervejolas,, e os delfins andam em bicos de pés a ver quem diz que planta mais árvores.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Emigrou de vez !?

O drama dos jovens madeirenses que por necessidades várias têm de emigrar está a tomar proporções gigantescas.
Nem os jovens laranjinhas escapam a esta senda.
Pelo menos é assim que eu vejo o facto do jovem BBS cada vez menos ter tempo para se ocupar com as coisas da sua terra, e passar a vida a comentar os acontecimentos da sua terra de acolhimento.

Vieram os incêndios em Portugal, e o comentário veio taxativo: o governo é incompetente.
Vieram os incêndios na Madeira, e fez-se o conveniente silêncio.

Olha para os números do desemprego no continente, e acha desastroso. Os maiores de sempre.
Olha para o desemprego da Madeira, e a total ausência de comentários mostra claramente que desistiu da terra natal.
Fala de défice e é a mesma coisa. Muito mau na terra de acolhimento, silêncio total em relação à terrinha que deixou para trás.

Acontece a muito boa gente.
Não faltará muito tempo e poderás dizer: Madeira, a minha ex-vida. Depois abrirás os olhos.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Desinformação

Não percebo, sinceramente, porque razão uma árvore ardida é notícia, enquanto que uma árvore plantada não.

Quem se ficasse pela rama da informação que a comunicação social nos serve, ficaria com a impressão que, mais ano menos ano, a floresta portuguesa estaria simplesmente extinta.
Nada mais falso. Segundo dados do Bando Mundial, a área florestal portuguesa tem aumentado todos os anos. A área florestada em Portugal passou de 30990 Km2 em 1990 para 38630 Km2 em 2007, correspondendo a um aumento de 25% de área florestal, mesmo apesar dos sazonais incêndios que todos os Verões atingem o país.

E esta heim?!

Ainda assim, questões como os incêndios perto de povoações e incêndios em áreas protegidas e consequente perda de biodiversidade, devem preocupar-nos e devem merecer uma atenção especial na prevenção e combate aos fogos florestais.

Plataforma democrática

Antes do PS-M tentar explicar aos madeirenses, que maioritariamente votam PSD há mais de 30 anos, qual a vantagem de uma coligação alargada de toda a oposição, com a qual eu concordo e defendo, deverá explicar aos restantes partidos qual a vantagem duma concertação das posições da oposição em alguns temas chaves.
É preciso que todos os partidos da oposição percebam o que podem ganhar com um maior peso da oposição relativamente ao partido do poder.
Ao PS-M, como líder da oposição, caberá demonstrar e trabalhar para que todos os partidos da oposição ganhem com uma possível concertação de posições.

Alguns argumentos:
O CDS é indubitavelmente o que mais tem a ganhar com o enfraquecimento do PSD. Só se o PSD-M não tiver maioria absoluta é que o CDS pode almejar pertencer a uma coligação de poder na Madeira.
Os objectivos do PCP e do BE são um pouco menos evidentes, mas existem. É histórico que os partidos de esquerda sobem nas sondagens e no peso eleitoral sempre que o PS está no poder e descem quando o PSD sobe ao poder. Uma concertação de posições dos partidos à esquerda, incluindo o PS-M, traria vantagens para todos.
O PND é um partido de protesto. O seu maior trunfo é ser o melhor a abanar o sistema.
Todos os partidos, do PS ao BE sentem esta ameaça. No entanto, muitas das suas posições sobre o sistema politico regional, apesar de folclóricas e exageradas (como a política do PSD) são justas. Não perceber isto, é não querer ver que há uma parte considerável do eleitorado, tradicionalmente pertencente ao PS, PCP, BE e CDS que considera que o PSD está há demasiado tempo no poder, mas que considera os partidos tradicionais como acomodados e babosos, e portanto estão dispostos a dar o seu voto para abalar o sistema.

Cabe ao PS dar todos os passos que estão ao seu dispor para liderar a oposição.
Se todos os partidos da oposição disserem a mesma coisa as suas posições sairão reforçadas. Se optarem por agredir-se mutuamente então dificilmente farão sombra ao PSD.

Para terminar, convém não esquecer que se esta proposta de convergência de posições é para ser levada a sério, e tendo em conta que existem partidos de direita e de esquerda, a concertação deve deixar de fora, tanto quanto possível, a questão ideológica, focando-se essencialmente em questões de funcionamento de sistema político.

Madeira não tem uma carta de risco de incêncios

Há razões suficientes para o governo regional e as autarquias madeirenses serem responsabilizados pela extensão dos incêndios florestais na Madeira.
Em primeiro lugar pela total falta de prevenção. Como é possível que uma região com autonomia governativa não tenha sido capaz de atempadamente produzir uma carta de risco de incêndios!? Querer desviar a atenção para os factores que não controlamos, como a orografia ou as condições climatéricas é o primeiro passo para que nada se faça e para não saber estabelecer prioridades caso os problemas surjam.
Segundo consta as (poucas) torres de controle, destinadas a efectuar uma detecção precoce dos incêndios, estavam desocupadas. Outros sítios onde o risco é agravado, nomeadamente pela orografia, nem vigilância têm.
Nem tudo o que ardem tem o mesmo valor patrimonial, e uma carta de riscos permitiria claramente identificar aquilo que é mais importante proteger.
Obviamente que as vidas humanas e o património edificado são as prioridades das prioridades, mas o património natural classificado também têm um valor que não podemos desprezar.
Quanto vale o nosso coberto florestal para a nossa principal actividade económica, que é o turismo? E quanto vale a nossa floresta para a segurança das nossas vidas?

Olhando para a elaboração de uma carta de risco de incêndio podemos desde logo estabelecer como zonas de maior risco, aquelas onde a ocupação com floresta é maior. É uma verdade de la palice: Se não há floresta, não há incêndios florestais (1). Temos também que o risco de incêndio aumenta com a proximidade de estradas, com o declive do terreno, com o grau de exposição solar, bem como a densidade demográfica.
Sem uma carta de risco de incêndios o combate pode ser feito com o maior dos empenhamentos que no entanto os resultados nunca serão satisfatórios.

(1) - Com a área ardida este ano, podemos afirmar que o risco de incêndio na Madeira baixou consideravelmente. Ainda haveremos de ver num futuro não muito distante o PSD-M a gabar-se da sua eficácia no combate aos incêndios.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Portugal Vs Maderia: Aréa Florestal e Área Florestal Ardida

Portugal tem uma área geográfica de aproximadamente 92.000 Km2 dos quais 37.000 Km2 correspondem a área florestal.
A Madeira, por seu lado tem uma área de 800 Km2 e uma área florestal de aproximadamente 500 Km2.

A área florestal da Madeira representa assim, 1,35% da área florestal do País.

Este ano já arderam 70000 ha (700 Km2) em Portugal continental e 6000 ha (60 km2) na Madeira correspondendo respectivamente a 1,8% e 12% das áreas florestais de cada território.

Tenho alguma dificuldade em perceber a disparidade destes números. Alguns dos factores que tipicamente fazem aumentar o risco de incêndio, são habitualmente mais baixos na Madeira que no restante território nacional.
As temperaturas acima dos 30º C são muito raras na Madeira, tendo sido apenas atingido num dia deste ano, contra os vários dias consecutivos em que a temperatura esteve acima dos 30º C em território nacional.
Também no que concerne à humidade relativa, a Madeira costuma ser beneficiada pela proximidade do mar, sendo os valores de humidades relativas abaixo dos 30% muito pouco frequentes, apesar de o serem menos invulgares para as altitudes mais altas em determinados dias.
Relativamente aos ventos fortes, não me parece que hajam diferenças significativas entre os dois territórios.
Acontece que no dia 12 de Agosto, e apenas nesse dia, houve uma conjugação de factores favoráveis à ignição de incêndios, nomeadamente temperaturas acima dos 30º C, humidade relativa abaixo dos 30% e ventos acima dos 30 Km/h.
Em território nacional essas condições (30-30-30) ocorreram em diversos dias consecutivos, sendo triste mas compreensível, a quantidade e persistência dos incêndios que ocorreram, sobretudo na região Norte e Centro do País.

A minha opinião é que nós, madeirenses, temos de questionar o que correu mal (pior que no país) que tenha levado as resultados desastrosos que conhecemos.

terça-feira, agosto 17, 2010

Imagem de satélite dos incendios na Madeira



Veja mais aqui, no site da NASA.

As contas da reflorestação do Funchal

O presidente da Câmara Municipal anda literalmente a brincar com o fogo.
As medidas previstas de reflorestação, pelos valores envolvidos, são risíveis.
Só no parque ecológico do Funchal arderam mais de 950 ha, ou seja 9.500.000 metros quadrados. As 45.000 árvores que foram anunciadas pelo presidente da CMF, nem representam 5% (assumindo um afastamento de 3 m entre árvores) da área do parque ecológico do Funchal. A este ritmo, só dentro de 20 anos é que o parque estaria outra vez reflorestado.
Entretanto o Funchal continuaria exposto aos perigos, agora agravados, das aluviões.

Por outro lado Miguel Albuquerque afirma que serão gastos 2M€ com a tal reflorestação.
Significa que a plantação de cada árvore custará mais de 40€. Num fim de semana de voluntariado, os amigos do parque ecológico plantaram mais de 1000 árvores, praticamente à borla.
Há aqui muito que explicar. Este é um problema demasiado sério. Tem de haver mais esclarecimento e mais transparência.

É preciso tomar este problema nas mãos e tomar medidas muito mais vigorosas e mais eficazes.

"Daddy scream like a girl"

Área ardida na Madeira


Se tivesse ardido uma área igual à do quadrado vermelho (550 ha) tinha ardido proporcionalmente tanta área como em Portugal Continental neste ano. Infelizmente ardeu muito mais.
Se virmos em termos de área protegida o quadro ainda é mais negro.

Estatisticas de desemprego regionais

Com os dados divulgados hoje sobre a taxa de desemprego do 2º trimestre ficamos a saber que a taxa de desemprego na Madeira subiu 2% em apenas um trimestre. Grosso modo, isso significa que passou a haver mais 2500 desempregados em apenas um trimestre.

Acontece que estes inquéritos estatísticos continuam a não mostrar a realidade do desemprego na Madeira.
Com uma população activa de 125.000 indivíduos, e com mais de 15.000 pessoas inscritas nos centros de emprego, não é difícil perceber que a taxa de desemprego deveria situar-se perto dos 12% e não nos 8,3% que são agora revelados.

Considero que a oposição na ALRAM deveria exigir que se fizesse uma auditoria para aferir a qualidade das estatísticas produzidas na Madeira. A tentação dos governantes manipularem os dados de modo a esconder realidades menos positivas é antiga e numa região em que o poder é quase hegemónico essa tentação é ainda maior.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Quem souber que responda

Porque razão é que a Madeira:
- tendo uma vasta porção da sua área coberta por floresta
- tendo a Floresta Laurissilva como património natural da humanidade
- tendo na floresta e na paisagem um dos principais valores acrescidos para o turismo
- tendo riscos agravados de aluvião provocado pela desflorestação na cabeceira das ribeiras

NÃO TÊM UMA CARTA DE RISCO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS, como tem o restante território nacional?

P.S. - E porque razão a comunicação social não refere agora que alguns partidos da oposição, nomeadamente o PS e a CDU já tinham apresentado propostas no sentido de realização destas cartas de risco, e algumas propostas de redução de riscos, tendo essas propostas sido completamente chacoteados pelo PSD-M?

A demagocia barata do CDS

O CDS, no seu estilo particularmente demagógico e populista, veio propor, mais uma vez, que os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI)deveriam limpar as matas de modo a evitar os incêndios.

Ora, os beneficiários do RSI recebem em média 95€ , mas para Paulo Portas, esses beneficiários da solidariedade nacional deveriam fazer trabalho escravo, limpando os terrenos dos seus amigos, proprietários privados, que pouco fazem pela limpeza do que é seu.

Não fosse o facto de grande parte dos beneficiários do rsi serem crianças e idosos, e não fosse o facto de muitos beneficiários do RSI já trabalharem, e a proposta do CDS seria apenas triste, sendo a realidade o que é a proposta do CDS é ridícula e ofensiva para quem tem direito a um mínimo de dignidade humana.

Saco de Chá nano-tecnológico para purificação de àgua

sexta-feira, agosto 13, 2010

Crescimento


Desde 2005, Portugal está entre os países da UE com maior crescimento das exportações.
Ler aqui.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Angola: levar a familia a passear


A morna e fina irritação

Jorge Brito Pereira: "(...) Claro que os Portugueses podem continuar a circular da Avenida da Liberdade para a Avenida da Boavista repetindo as suas certezas sobre um país com duas dezenas de empresários, uma classe média que acreditam não existir e em que os fundos do Estado são canalizados para os bolsos de um conjunto de magníficos, assim alimentando a fina irritação que os consome pelos apartamentos, as acções e as roupas Italianas que depois esse dinheiro compra em Portugal. Podem fazê-lo, mas ao fazê-lo estão não apenas a ser ignorantes mas, sobretudo, não estão a pensar no que é melhor para a economia Portuguesa. Nunca soubemos valorizar sob ponto de vista económico a nossa invejável, histórica e estratégica posição Atlântica. E não tenhamos dúvidas que no dia em que os Angolanos perceberem que a economia Brasileira é mais estimulante, os passeios do Leblon nem são mais feios que os da Avenida, o Fasano nada fica a dever ao Ritz e que os bolinhos de bacalhau do Antiquários nem são piores que os croquetes do Gambrinus - no fim do dia, que são mais bem recebidos daquele lado do mar -, que se mudam. E ficamos a perder, de novo sós e, parece-me, sem orgulho."

quarta-feira, agosto 11, 2010

Pela liberdade, justiça e melhor educação

Cada vez que um Ministro da Educação toma posse aparece-lhe à porta a toda poderosa FENPROF, seguida por uma grande cobertura mediática. A expectativa é grande. Quanto tempo vai levar até a FENPROF declarar “guerra” ao Ministro por causa dos “ataques” à corporação?

Dentro do edifício, os funcionários-professores tratam de convencer o Ministro a não contrariar a corporação, enquanto que nos sindicatos de professores as muitas centenas de professores-sindicalistas organizam as costumeiras acções de propaganda nas escolas, preparando as mentes e vontades para a “guerra”. Depois, é o que se sabe eoq ue se vê ciclicamente: greves, manifestações, faltas, baixas médicas, tudo serve para alimentar a “guerra”.

Enquanto isto se desenrola, as crianças e jovens são deixadas nas mãos dos poucos profissionais da educação que realmente se preocupam com elas. No fim do ano, temos um sistema que consume cada vez mais dinheiro e não apresenta resultados. Crianças e jovens cada mal preparados. Os professores que se esforçaram a serem tratados da mesma forma do que aqueles que andaram a alimentar “guerras”. Para que serve um professor se esforçar? O melhor é fazer os serviços mínimos e deixar passar o tempo. As promoções viram com os anos. E como um professor português no topo da carreira ganha mais do que um professor finlandês na mesma situação, não se perde pela demora.

Pelo seu lado, o que podem fazer os cidadãos que pagam este desperdício? Nada! O sistema de organização das escolas públicas coloca as famílias na disponibilidade dos interesses da corporação. Nenhum de nos pode escolher para que escola vai o nosso filho. Se não há distinção entre maus e bons professores, para o sistema ser perfeito não pode haver distinção entre escolas para manter coesa a coligação de interesses que sustenta o corporativismo.Estas regras incentivam ao status quo. E desincentivam a dinâmica, o esforço e a dedicação. A corporação percebe isto muito bem. Daí eles serem contra qualquer alteração destas regras.

Como devolver a liberdade aos cidadãos, aumentando a qualidade dos serviços prestados aos nossas crianças e jovens?

Teríamos de alterar o sistema de financiamento das escolas públicas. Incentivando a concorrência entre instituições públicas e entre estas e as privadas. Devolver o poder ao cidadão pagador de impostos, e a liberdade de escolher onde quer colocar o seu filho a estudar.

Como se faz isto? Substitui-se o financiamento público directo às escolas pelo financiamento das famílias através do “Cheque-Ensino”. Duas consequências imediatas: a família escolhe a escola e esta terá de ser melhor que as outras para atrair mais alunos e ter mais financiamento.

Para ter uma escola com professores mais motivados, será também necessário instituir uma sistema de avaliação que premeie o mérito e tenha consequências práticas. Logo, salários diferenciados em razão do esforço, promover em razão – exclusiva – do mérito e diminuição de salários e despedimento em razão do demérito. A prazo, a qualidade média das escolas aumentaria e teríamos professores mais motivados, produtivos e menos “guerras”.

Para além da questão da qualidade das escolas e do ensino, esta é uma questão de liberdade. A libertação dos cidadãos do jugo das corporações.

E uma questão de justiça e democracia. Tratar os bons professores e os maus professores de forma diferenciada, premiado e reconhecendo os primeiros.

Em defesa da Corporação, marchar, marchar!

O André Escórcio – não um “licenciado em Educação Física”.... - escreve um texto que é uma resposta – e não um “desabafo....” - à um post curtinho, onde deixo entender que a maioria dos professores defendem um esquema nas escolas públicas caracterizado pelo porreirismo. Onde todos são perversamente iguais. Onde não haver verdadeiros e eficazes critérios de avaliação e, consequentemente, não há lugar ao prémio do mérito. Esta não é só a minha opinião, são os factos. E podia explicar melhor. Mas neste momento o vou realçar é o estilo da sua resposta.

É uma argumentação que podia ser o “manual de argumentação para o corporativista em defesa do interesse da classe”:

1.º) Primeira estratégia, gritar “Ataque!!”. Digam que é um ataque aos professores, um ataque à escola pública, à educação, aos alunos e vão usando esta linha do “ataque” à vez;
2.º) Não tolerem nenhuma crítica. Todas são inadmissíveis. Nós – professores – somos os detentores da verdade absoluta;
3.º) Avancem na desvalorização das outras profissões. Digam que a saúde não funciona, que os “barómetros” “dizem” que advogados e juízes não são de confiança, os jornalistas não esclarecem, que os políticos – mas só aqueles que não fazem parte do lobby... – não sabem o que dizem. São todos levianos;

4.ª Reforcem com sobrevalorizaração da “ciência pedagógica”, do quão complicado é isto de aferir se uma escola funciona bem ou mal que só está ao nível do senhores professores. Essas são as únicas “achegas” e “contributos válidos”;
4.º) Nunca em caso algum assumam responsabilidades. Culpem a sociedade, o sistema, o governo, os media, as famílias, etc.

A premissa base é simples, nós, os cidadãos que lhes pagamos o ordenado, podemos escolher o Presidente da República, avaliar o Governo e até votar em Referendos, mas somos declarados incapazes pela corporação para termos opinião sobre a escola dos nossos filhos. Mas já o funcionamento da justiça ou o prestigio de profissionais liberais - que não vivem do etário público - pode ser avaliado com base em “barómetros populares”.

Tudo muito democrático. Esta actuação nem lembra o estilo do regime Jardinista. Pois não...

segunda-feira, agosto 09, 2010

O sistema dos profs aplicado aos alunos

Colocar todos a passar de ano é o porreirismo em todo o seu esplendor. Não há mérito, somos todos iguais. Portanto, o esforço, o estudo e a dedicação não velem nada. Escusam de se preocupar.
No fundo o sistema que os professores defendem para eles próprios.

sexta-feira, agosto 06, 2010

Presunção de inocência até o fim e não o contrário

Juiz de Direito Pedro Soares de Albergaria no blogue Sine Die:
"A decisão final do juiz, em processo penal, pode ser uma de duas: condenação ou absolvição; a decisão final do MP, em inquérito, pode ser uma de duas: acusação ou arquivamento. De modo especial, nas duas últimas hipóteses, respectivamente (absolvição e arquivamento), as referidas decisões, expostos os respectivos fundamentos, são para serem proferidas de modo “seco” e claro (p. ex., “absolvo o arguido”, “determino o arquivamento”, etc.). Esta secura desenxabida não é um mero capricho do legislador, porventura obcecado com questões de “economia processual”. Aliás, este estilo enxuto não é um mero estilo: de modo bem mais substancial visa-se garantir a observância de um princípio constitucional que é, ele mesmo, uma garantia fundamental do processo penal. Trata-se, é óbvio, do princípio da presunção da inocência. Por isso, em questões de mérito, não há absolvições ou arquivamentos com “ses” ou com “mas”. Fazê-lo é não apenas espezinhar aquele princípio – que se aplica a todos, mesmo aos poderosos, mesmo àqueles por quem não nutrimos simpatia – mas entrar por uma discursividade (ou ao menos o caso pode ser assim percepcionado), por um patamar – o do combate político –, de que as magistraturas devem se afastar a todo o custo. Como o diabo da cruz.’

terça-feira, agosto 03, 2010

Reformar a justiça na revisão constitucional

A justiça em Portugal, como está, não serve. A irresponsabilização é total. Quando as como correm mal, não há quem se responsabilize e consequentemente ninguém se move para que as coisas não correm mal.
A revisão constitucional que aí vem deve servir para os intervenientes políticos agirem sem complexos, no sentido de clarificar as águas.
O fim dos sindicatos das magistraturas é um passo essencial. Não é possível que um poder não democrático possa intervir na justiça, descredibilizando-a sem que alguém possa fazer alguma coisa. Além do mais, um sindicato de um órgão de soberania, como é a magistratura, é um absurdo tão grande como seria a existência de um sindicato de presidentes da república ou um sindicato de deputados.
Considero também que a indepêndencia do poder judicial face ao poder político exige que aquele tenha uma legitimidade democrática directa, e não imanada do poder executivo.
Assim sendo, defendo que o procurador geral da república deveria ser eleito em sufrágio directo e universal.
Estou certo que a legitimidade democrática acrescida assim obtida levaria a que este cargo deixasse de ser decorativo e passasse a ser efectivo.

Duvido é que os mesmos que estão interessados em trazer a justiça para a política estejam dispostos a atingir consensos nestas matérias.