sexta-feira, março 26, 2010

Haja dignidade

Espero muito sinceramente que o Líder do meu partido, o dr. Jacinto Serrão, cumpra a sua palavra, e não se submeta, de novo, à humilhação de ter de pedinchar votos ao PSD-M.

Pouco do que se passa na Assembleia Regional é dignificante da nossa democracia e a culpa fica quase toda do lado PSD-M. A não eleição do representante da oposição na mesa da assembleia é apenas um dos casos, mas não o único.

Não percebo porque razão o PS-M se predispôs a branquear uma situação criada pelo PSD.

quinta-feira, março 25, 2010

Querem mesmo ser levados a sério?

A mesma justiça que condena a apenas 5000 €, por corrupção activa e comprovada, o empresário Domingos Névoa da bragaparques, condena Ricardo Sá Fernandes a pagar 13.000€ por dizer publicamente o que a justiça veio a confirmar.

E depois são capazes de dizer com a maior cara de pau, que o problema é das leis.

quarta-feira, março 24, 2010

Menos Ais!

Se há coisa que me faz "espécie" é ladainha ad nauseum dos professores. Num país em crise com milhares de desempregados, estes funcionários públicos que têm horários reduzidos, alguns não dão aulas durante anos a fio, sobem na carreira mesmo que sejam os maiores incompetentes do mundo, que se recusam a ser avaliados, que têm um desempenho e resultados medíocres por todos as escalas que quisermos usar, não param de se vitimizar por tudo e por nada. São sempre uns desgraçados, uns incompreendidos, uns mal pagos, uns desrespeitados, uns violentados. Arra que já não há pachorra! Vão mais é trabalhar, vão uma escola melhor e deixem-se de tantos ais!

segunda-feira, março 22, 2010

Da tontaria geral III

Há 30 anos que na Madeira se assiste a actos reiterados de abuso de poder. Por exemplo, no uso de dinheiro e meios públicos para fazer campanha política ou para fazer campanha partidária. Apesar das queixas ao MP, nada aconteceu. Agora, o Humberto Vasconcelos vai a julgamento por causa da retirada de um cartaz. Ridículo.

sexta-feira, março 19, 2010

Óbvio, mais óbvio não há!

Nuno Garoupa, Professor de Direito da University of Illinois: "Todos sabemos quem está na origem das violações, o procurador responsável pelo processo."

terça-feira, março 16, 2010

“Lei da rolha” já vigora no PSD-Madeira

Tolentino de Nóbrega: A lei da rolha”, aprovada pelo congresso de Mafra, vigora há décadas na Madeira onde o PSD já realizou um congresso à porta fechada, como pretendia agora Alberto João Jardim.
Do primeiro governo de Jardim, empossado em 1978, foi afastado Gaudêncio Figueira sob a acusação de que conspirava contra o chefe.(...)
(...) o advogado Emanuel Rodrigues, figura pioneira do processo autonómico e presidente do primeiro parlamento madeirense, eleito nas regionais de 1976. Crime, com direito a processo disciplinar mandado instaurar por Jardim, cometeu ao lamentar o “oportunismo” de membros do partido e a “falta de democraticidade interna”. Tudo agravado pela circunstância de, sem ouvir o líder, aceitar ser mandatário do general Ramalho Eanes na corrida a Belém.
Também aos seus directos colaboradores no governo Jardim impôs a "lei da rolha" ao determinar, por despacho, a concentração no presidente dos poderes e competências até 1991 atribuídas aos departamentos técnicos. Assim todo e qualquer parecer negativo passou a ser silenciado e o respectivo processo, para aprovação final, transferido para a Quinta Vigia.
(...) o seu braço-direito no partido Jaime Ramos também instituiu a “lei da rolha” ao grupo parlamentar em 1994. Numa circular determinou que apenas os membros da direcção parlamentar “estão habilitados a falar publicamente” pelo PSD-M.
(...) caso das candidaturas em que nomeia quem quer, sem proceder à prévia audição das estruturas locais partidárias. Tal postura levou autarcas de Machico, Ponta do Sol e Câmara de Lobos (casos de Jorge Gomes, Egídio Pita e Fausto Pereira) a abandonarem o PSD, acusando Jardim de ser “um ditador” e “pior que Salazar”(...)
2006 na Festa da Uva, no Porto da Cruz, acto oficial que aproveitou para esclarecer a expulsão de 10 dirigentes locais do PSD. “E, se for preciso, saem 30 ou 100”, asseverou Jardim.
(...) Ao não se demitir [Virgílio Pereira], o líder do PSD-M encarregou-se de convocar um congresso exclusivamente para destituir o seu velho amigo e compadre que foi alvo de processo disciplinar instaurado por petição que Jardim obrigou todos os deputados a assinar.

Lei da rolha: questões.

(Estatutos do PSD)
Art. 7.º (Deveres dos militantes), nº 1, alinea f
Ser leal ao Programa, Estatutos e directrizes do Partido, bem como aos
seus Regulamentos;

Art. 9.º
6) A violação da alinea f, do n.º 1 do artigo 7.º, é tipificada como infracção grave, especialmente quando a mesma se consubstanciar na oposição às directrizes do partido no período de sessenta dias anterior à realização de actos eleitorais nos quais o PPD/PSD apresente ou apoie candidatura.

Será que todos os dirigentes do PSD que, depois do congresso, vieram a público manifestar-se contra* a lei da rolha que foi aprovada em congresso, não estão a violar o dever de lealdade relativamente aos regulamentos do PSD?

- Serão sujeitos a sanções?

- Se estas críticas hipócritas acontecerem em período pré eleitoral serão expulsos?

- Será que aquela norma só será usada para perseguir adversários internos?


* Apenas Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite não se mostraram contra. Todos os outros são uns violadores das directrizes do Partido. Rua com eles.

Das expulsões

Estatutos do Partido Socialista
«Artigo 94º
(Das sanções disciplinares)

1. Os membros do Partido estão sujeitos à disciplina partidária, podendo ser-lhes aplicadas as seguintes sanções:
a. Advertência;
b. Censura;
c. Suspensão até um ano;
d. Expulsão.
2. Três advertências equivalem automaticamente a uma pena de suspensão de três meses.
3. A Comissão Nacional de Jurisdição pode converter em pena de expulsão a terceira ou subsequentes penas de suspensão
, para o que o processo lhe é obrigatoriamente remetido com os necessários elementos de instrução.

4. Fora do caso previsto no número anterior, a pena de expulsão só pode ser aplicada por falta grave, nomeadamente o desrespeito aos princípios programáticos e à linha política do Partido, a inobservância dos Estatutos e Regulamentos e das decisões dos seus órgãos, a violação de compromissos assumidos e em geral a conduta que acarrete sério prejuízo ao prestígio e ao bom nome do Partido.
5. Considera-se igualmente falta grave a que consiste em integrar ou apoiar expressamente listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do Partido, inclusivé nos actos eleitorais em que o PS não se faça representar.»

Delito de opinião

A generalidade dos partidos políticos portugueses têm normas disciplinares que prevêem expulsão.
Habitualmente essa expulsão está ligada ao apoio ou adesão a listas apresentadas por partidos adversários.

No entanto, o que foi aprovado no congresso do PSD do passado fim de semana é bem diferente.
A generalidade dos partidos democráticos em Portugal não prevê sanções graves, como as que foram aprovadas para o PSD, por delito de opinião.

Discordar da estratégia da direcção do partido, e expressá-lo publicamente, não é o mesmo que fazer parte da lista de outro partido, nem o mesmo que defender as posições dos adversários políticos.
Se a generalidade dos actuais dirigentes e candidatos a dirigentes do PSD aceitam de animo leve (foi isso que aconteceu no congresso) que a liberdade dos seus pares seja assim tão limitada, o que não aceitariam que se fizesse aos outros!?

Todos sabemos a resposta, não é?

segunda-feira, março 15, 2010

Meninos...

Era o bom e o bonito ver os meninos de Lisboa terem de lidar com um verdadeiro regime fascizante, à se era...
Vocês sabem lá...

Direitos Humanos e Democracia e o PCP

O PS, PSD, CDS e BE apresentaram na AR votos de pesar pelo falecimento do dissidente cubano Orlando Zapara Tamayo.
Então o PCP não se une aos restantes partidos na preocupação pela democracia e o respeito pelos direitos humanos?
Naturalmente, um pergunta retórica...

Do equilíbrio social

Era bom que os funcionários públicos em Portugal percebessem de onde vem o dinheiro que assegura os seus ordenados. Sejam eles exagerados, justos, medianos, congelados ou miseráveis. Todos são pagos com o fardo fiscal colocado aos ombros dos trabalhadores que não são funcionários públicos.
Claro está que o função pública é essencial e têm de ser paga. Claro está que os funcionários públicos não têm ordenados decentes. É verdade que nos últimos anos foram obrigados a fazer sacrifícios. Tudo isto é verdade em termos absolutos. Nunca vi ninguém negar tais factos. Mas essa não é a questão. A verdadeira questão é que Portugal é um país pobre. Onde a Economia tem tido performances negativas, levando à falência de centenas de empresas e ao desemprego de milhares de pessoas. A taxa de desemprego é assustadora. Há pouca esperança de voltar a ter trabalho a curto prazo. Não há segurança no trabalho. Há muitos milhares a não terem dinheiro suficiente para pagar a casa ao banco. Milhares sem perspectiva e futuro. Empresários falidos.
Ora, é nesta realidade que os funcionários públicos portugueses vivem e não noutra. É difícil, para mim quase impossível perceber que perante tais dificuldades, venham os poucos que têm salário garantido no fim do mês ainda exigir que os que nada têm de garantido paguem mais impostos para aumentar os seus salários. Acho até vergonhoso.

Da tontaria geral II

Este país está totalmente apanhado pela tontaria geral, não há voltar a dar. O PSD tem uma iniciativa de grande mérito: Convocar um congresso antes das eleições directas para que os candidatos pudessem expressar directamente aos militantes e simpatizantes as sua ideias e propostas. Eu acho que o congresso até correu bem e a iniciativa pode e deve fazer escola. Independentemente de ter gostado mais das propostas ou do estilo de A, B ou C, valeu a pena.

O homem que esteve à frente da iniciativa foi Santana Lopes. Precisamente, a mesma pessoa que teve o ónus de eclipsar tudo o que foi dito e discutido com uma iniciativa que parece ter por base um revanchismo exagerado. A iniciativa é tonta. A aprovação não surpreende, todos sabemos que a maioria dos congressistas de todos os partidos, não lêem nenhuma das propostas que votam. E ainda mais tonta foi a importância desmedida e exagerada que a comunicação social deu a esse facto. Se estes são os políticos que temos, que dizer destes jornalistas? Não seria muito mais importante para o país e mais interessante do ponto de vista jornalístico analisar as propostas, discutir a sua viabilidade e até escrutinar a sua aceitação entre o povo e os especialistas? Claro que sim. Mas isso exige trabalho e esforço sério. A exultação da gaffe é mais fácil. E sejamos honestos, qualquer partido tem previsto nos seus estatutos as consequências disciplinares que poderão advir da sistemática e grave indisciplina por parte de uma militante. Eu não li a proposta, mas à partida parece-me legítima. É sempre legítimo alguém querer aumentar as sanções contra a indisciplina. É uma questão que deve ser analisada em concreto. Se, no PS, aparecesse uma iniciativa deste género, eu votaria contra. Porque conheço os estatutos do partido e a sua história e estou convencido que existe um bom equilíbrio entre a disciplina necessária e a liberdade de opinião.

Mas não deixa de ser de uma falta de vergonha sem limites, um militante e ex-dirigente de uma organização de cariz fascista onde a mais leve critica leva imediatamente a consequências dramáticas para o militante, vir no seu blogue se mostrar indignado com esta alteração. Lembremos apenas do saneamento de Virgílio Pereira.

O candidato Pedro Passos Coelho não se exprimiu da melhor forma quando se dirigiu a Jardim. Parece que a sua intenção seria dizer que se este podia se entender com Sócrates, então certamente que também os dois poderiam vir a se entender. Passos Coelho caiu num erro recorrente de muitos políticos portugueses. Pensar que estava a tratar com pessoas sérias. Enganou-se. E nos 5 minutos seguintes deve ter percebido isso. Espero que aprenda a lição, já que aos dirigentes do PS de nada tem servido serem tratados abaixo de cão durante anos.

domingo, março 14, 2010

Lei da Rolha: hoje o partido, amanhã o País

Ficou hoje mais que provado que o PSD desistiu de ser um partido democrático com respeito pelo que são os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.
Só em mentes muito retorcidas é que pode parecer acertado obrigar os membros de um partido a absterem-se de emitir uma opinião só porque é contrária à direcção do partido.

Não tardará, e também acharão natural que quem critique o Presidente da República ou o Primeiro Ministro (caso este seja um dos deles) seja sujeito a julgamento e prisão por crime de lesa pátria.

Paulo Rangel é bem o retrato do que é este grupo de malfeitores que se denomina de PSD. Sabendo da gravidade do que acabara de ser aprovado no congresso do PSD, começa por dizer que não concorda e que não a proporia nem votaria favoravelmente, para logo de seguida tentar desvalorizar a gravidade da proposta dizendo que "afinal de contas, são apenas 2 meses".
Pior de tudo foi quando a jornalista o questionou se proporia que tal norma fosse revogada. A resposta de Paulo Rangel foi que não iria mexer uma palha para tentar alterar tão grave limitação á liberdade dos militantes do PSD, ou seja, já que está deixa ficar.

São estes senhores que se dizem preocupados com a liberdade de expressão? Não me parece.
Se dissessem que estão preocupados com os negócios do Sr. Balsemão e do Sr. Joaquim Coimbra ainda poderia acreditar. Mas preocupados com as liberdade dos portugueses de certeza que não estão.

Suspensão da democracia..., por 60 dias no PSD

Ferreira Leite acha "muito bem" sanções a quem discorde da direção

Uma iniciativa estúpida de um partido ridículo.

sexta-feira, março 12, 2010

Titulos que não veremos nos jornais da Madeira

"Governo Regional do PSD rouba subsídio de insularidade aos madeirenses para pagar dívidas dos empresários do regime."

Da tontaria generalizada

Espalhou-se com uma facilidade espantosa a ideia que para as empresas, que actuam ou têm interesses comunicação social, venderem ou comprarem participações teria de haver uma espécie de bênção do poder político.
Entretanto, os espanhóis da família Polanco vendeu parte da PRISA à um grupo americano. Acordem, na era da globalização os governos não controlam as empresas, nem estas actuam ao sabor dos desejos políticos.

Fevereiro Chuvoso na Madeira

A influência contínua da frente polar no Arquipélago da Madeira, devido à sua localização persistente a latitudes relativamente mais baixas em comparação com anos anteriores, deu origem à passagem de sucessivos sistemas depressionários com superfícies frontais associadas que deram origem a valores de precipitação muito elevados. Os valores de precipitação diária registados na Madeira, em particular no Funchal das 00 h às 24 h foram 144.3 mm no dia 20 e 129.8 mm no dia 2 e 111.0 mm das 09 h do dia 1 às 09 h do dia 2 e 97.0 mm das 09 h do dia 20 às 09 h do dia 21.

Estes valores de precipitação registados das 09 h às 09 h correspondem respectivamente ao 1º e 2º maiores valores observados em Fevereiro desde 1949.

O Arquipélago da Madeira durante o mês de Fevereiro foi caracterizado por temperaturas médias do ar amenas.

quinta-feira, março 11, 2010

O fatalismo de ser irresponsável

Em resposta ao Sancho.

Só há dados meteorológicos de precipitação da Madeira desde 1865. Ou seja, aquando da grande aluvião de 1803 não era hábito efectuar esse tipo de registos. Portanto, dizer que esta chuva foi a maior dos últimos 200 anos é especulação e não tem fundamento nos dados disponíveis.

Só mesmo num regime que sobrevive à custa da propaganda é que se pode afirmar que esta chuva foi a maior de sempre.
Ainda este ano, no dia 2 de Fevereiro houve níveis de precipitação semelhantes aos que ocorreram no dia 20, com a diferença de terem ocorrido na costa norte, que é menos densamente povoada, não tendo por essa razão provocado mortes.

No meu entender, permitir a construção em linha de água ou em leito de cheia, é um erro pela qual já pagamos muito caro, e se não tomarmos medidas voltaremos a pagar.

A titulo de exemplo, por cima da corujeira, no monte, existe uma britadeira que foi construída em cima do ribeiro, tendo este sido remetido para uma manila que 1m de diâmetro.
Com a quantidade de precipitação que se verificou no dia 20 de Fevereiro, a água foi obrigada a procurar outro caminho, acabando por provocar deslizamentos de terras e danos materiais e, pior que isso, vidas humanas.

Sim. Quem licenciou aquela instalação industrial, foi um governo do PSD. Sabendo que era uma zona de risco.
Por isso, não pode deixar de ser responsabilizado.

P.S. Ainda me lembro quando a marina do Lugar de Baixo foi destruída pela primeira vez, que os sábios do PSD asseguravam que uma ondulação como aquela nunca tinha acontecido e com certeza não voltaria a acontecer. Daí para cá esse acontecimento extraordinário já se repetiu diversas vezes.

Previsões meteorológicas

Numa altura em que as previsões meteorológicas assumem um papel determinante na prevenção de riscos, vale a pena dar uma olhadela ao que a comunidade cientifica vai fazendo.

O site www.weather.ul.pt mantido pelo M.Sc. Ricardo Tomé permite-nos ter acesso a uma enorme quantidade de informação de previsão meteorológica.
Futuramente serão disponibilizados os "valores locais" para Pico do Arieiro e Pico Ruivo, entre outros pormenores.

Para já os dados referentes a essas localidades pode ser consultado no site Esteiras de Ilhas.

Cedências muito graves a um espírito securitário que está dominante em certos setores das magistraturas

Marinho Pinto, suave demais, desta vez.

as perguntas que a judite esqueceu

Fernanda Câncio: (...) cavaco diz que a compra de uma tv deve ser transparente; judite 'esquece' o pequeno pormenor de cavaco ter sido o pm que ofereceu um canal -- nem mais nem menos que a tvi -- à igreja católica, numa flagrante violação do princípio da separação e numa decisão completamente turva, que privilegiou uma confissão (com as consequências conhecidas -- a falência) em detrimento de um projecto profissional de tv que incluia proença de carvalho, paulo portas e miguel sousa tavares (se a memória me não falha), e outro ao militante nº 1 do seu partido.(...)

quarta-feira, março 10, 2010

Um diz mata e outro diz esfola



Enquanto o Governo Regional diz que pensa em deixar todo entulho, resultante do temporal de 20 de Fevereiro, onde está, e chamar-lhe arranjo urbanístico, a Câmara Municipal do Funchal diz que o entulho trazido pelas ribeiras será levado para o aterro das carreiras, ou seja, será devolvido à cabeceira da ribeira de João Gomes, donde veio.

Todos sabemos que a pressão urbanística na Madeira é grande, e em consequência disso muitas foram as habitações e instalações industriais, nomeadamente britadeiras e extração de inertes, que foram construídas em leito de cheia ou mesmo na própria linha de água. Mas os custos desses erros urbanísticos para os próprios e para terceiros, quer em bens materiais como em vidas humanas, estão à vista de todos e não podem ser esquecidos.
Construir ou manter aterros em zonas de elevada pluviosidade, como as zonas altas, e/ou nas cabeceiras das ribeiras só pode dar mau resultado.

É imperioso libertar as linhas de água. Impedir novas construções e eliminar construções existentes.
É também necessário, sem pressas e com muita ponderação, arranjar a melhor solução para os entulhos.
O assoreamento natural provocado pelos detritos arrastados pelas ribeiras são de uma enorme importância para a protecção costeira. Talvez a solução esteja aí.

terça-feira, março 09, 2010

Prof. Delgado Domingos: entrevista imprescindível



O jornalista Ricardo Alexandre entrevista o professor catedrático, Delgado Domingos que explica que que se o Instituto de Meteorologia recorresse aos modelos de previsão mais modernos, a tragédia na Madeira podia ter sido prevista com uma semana de antecedência. O professor catedrático do Instituto Superior Técnico, que lidera o grupo de previsão numérica do tempo tece também fortes críticas ao Governo, que acusa de nada ter feito para evitar as mortes consequência da tempestade mortal na Madeira.

Ver também meteo.ist.utl.pt

segunda-feira, março 08, 2010

O mundo ao contrário

A lei estabelece que o 2.º partido mais votado para a Assembleia Legislativa da Madeira indica um vice presidente para a mesa. Contudo, há uma votação que não devia passar de uma formalidade se estivessemos a tratar com pessoas sérias. Ora, o modus operandi do PSD-M é de dono absoluto das instituições públicas da Madeira. Para este grupo, o ALM é apenas mais uma quinta onde fazem o que lhes apetece.
A decisão do PSD de votar contra a eleição do deputado indicado pelo PS foi uma garotice, uma atitude que caracterizava bem a forma de agir do regime jardinista. Do lado do PS, a manutenção desta situação colocava no lado do PSD a responsabilidade pelas sucessivas violações da lei, do rapto da autonomia para interesses partidários, do não funcionamento dos mecanismos democráticos e de ser, mais uma vez, o único parlamento no país monocolor. Acresce que na práctica para o PS com um grupo parlamentar tão pequeno não se podia dar ao luxo de perder um deputado para uma função meramente de "corpo presente".
Portanto, por mais que me esforce não consigo deslumbrar qualquer vantagem na decisão do PS em apresentar Jacinto Serrão como candidato a vice da mesa.
Por outro lado, não consigo perceber como é que Jacinto Serrão vai conseguir se afirmar como líder da oposição fugindo da arena política. Como é Serrão vai poder agir como um líder da oposiçã determinado, combativo e contra o regime, estando numa posição institucional que se caracteriza por ser supra-partidária, isenta e imparcial.
Aliás, estou em crer que está decisão deve fazer História. Não me lembro do líder da oposição seja que parlamento for se ter candidatado a vice da mesa.

domingo, março 07, 2010

O último funeral do meu tio Gilberto


Hoje fui a dois funerais. O do meu tio Leonel o do meu tio Gilberto. O tio Leonel morreu há alguns anos. O Gilberto morreu apenas ontem.
Quando o primeiro faleceu, encontrava-me fora da Madeira e não tive a oportunidade de me despedir. Fi-lo hoje no funeral do Gilberto.
Ficaram juntos no cemitério. Ali, quase lado a lado.
Tenho a certeza que o Gilberto não quereria outro lugar que não fosse ao lado do seu irmão favorito, o Leonel. Assim aconteceu.
Paz às vossas almas.

Não conheci ninguém que não gostasse do tio Gilberto. As histórias em torno da sua pessoa são infindáveis. Vou apenas contar algumas.

O Gilberto tinha um problema de expressão que tornava muito difícil à generalidade das pessoas entenderem o que ele queria dizer.
Durante os meus primeiros anos de vida, o tio Gilberto vivia em minha casa e era hábito falar comigo, como é natural. Acontece que eu comecei a entendê-lo melhor que toda a gente. A linguagem do Gilberto era para mim uma segunda linguagem (ou primeira) e durante muito tempo fui capaz de entendê-lo sem qualquer esforço. Esta facilidade de expressão que o tio Gilberto tinha comigo levou-o a desenvolver por mim um enorme carinho. Até ao fim sempre fui o seu "panine", que significa Tininho, que era como toda a família me chamava quanto era pequeno e que é o diminutivozinho de DiamanTINO. Ainda hoje algumas pessoas, como por exemplo o meu irmão, me chamam panine. É o legado do Gilberto para a forma carinhosa como algumas pessoas me tratam.

O tio Gilberto adorava a adrenalina da matança do porco. Tinha medo do porco que se pelava mas nunca se recusou a participar. Achava que era sua obrigação e por isso não se esquivava. O Gilberto sempre foi um homem de trabalho.
Um dos seu melhores amigos, o Sr. Eleutério, o feiticeiro, todos os anos tratava de um par de porcos para matar na festa, e como era habitual chamava o tio Gilberto para participar.
O feiticeiro fez a promessa que um dia, se o Artur (era assim que o feiticeiro chamava ao meu tio) falecesse, deixaria de ter porcos.
Este ano o porco do feiticeiro adoeceu e faleceu, numa altura em que o meu tio já estava bastante doente. O feiticeiro disse-me: "Sr. Rodrigues isto é um sinal. Se o Artur não melhorar, não volto a ter porcos". E não voltará a ter.
São coisas de feiticeiros. Não temos de compreender.

Era conhecido de toda a gente o fascínio que as multidões exerciam sobre o tio Gilberto. Qualquer evento da freguesia onde houvesse muita gente, desde Arraiais a funerais, lá estava o tio Gilberto.
Acredito que o tio Gilberto raramente viu nos funerais o peso da perda que a sociedade habitualmente vê. Para ele, era apenas uma maneira de poder estar com muita gente conhecida.
Hoje foi o seu último funeral. O seu próprio. Espero que tenha gostado da multidão de pessoas que o estimavam e que lá estiveram para se despedir.

P.S. - Obrigado Eduardo por recordares o meu tio.

sexta-feira, março 05, 2010

O que move uns e outros

“Os sindicatos querem, e bem, mais dinheiro e menos trabalho para os seus associados, o objectivo que me move e move a Ordem dos Advogados é melhor justiça, mais rápida e mais justa para os cidadãos, sociedade e empresas”, salientou.

Marinho Pinto - Bastonário da ordem dos advogados

P.S. - A bem da verdade o que move a OA não é tão altruísta como Marinho Pinto faz crer. O que move as ordens profissionais em geral é um maior reconhecimento dos seus membros por parte da sociedade, e demasiadas vezes o exclusivo do direito a exercer uma profissão, por parte dos membros dessas ordens.

Um Regime à solta

Os que por momentos acreditaram nas lágrimas de crocodilo, ao lerem as notícias que vão saindo, deverão começar a voltar à realidade. O Regime aproveitou a tragédia para lançar uma estratégia que lhes garante prolongar a sua estadia no poder. Faltava-lhes dinheiro, vão receber imenso. Já não tinham espaço de manobra política, ganharam um espaço de benevolência como nunca tinha tido. Não tinham projecto, desígnio, agora têm. A lei atrapalhava, pois afastou-se a aplicação da lei. Em suma, as condições de liberdade cívica, o debate político, e a liberdade de imprensa já de si muito fracas na Madeira, vão ser quase totalmente anuladas, por um alegado estado de sítio que vai ser prolongado pelo Regime muito para além do razoável. E disto sairá um regime mais forte, mais apegado ao poder, mais totalitário e mais ávido pelos recursos públicos. Bem diz o povo: "Uma desgraça nunca vem só."

quinta-feira, março 04, 2010

Seis Po' Meia Dúzia - Hoje na RTP


Vamos apoiar as 'Seis Po' Meia Dúzia' com Pássaro Saudade no Festival da Canção.
Oiça a música aqui.

Não nos insultem

Gabriel Silva: A greve de hoje do funcionalismo do Estado é um insulto a quem procura emprego, a quem está desempregado, a quem tem o emprego em risco, e a todos os contribuintes-que-não-são-funcionários.
Fazem greve protestando contra o anunciado congelamento dos aumentos salariais para este ano.
Recorde-se que o ano passado tiveram aumento de 2,9%, a que acresceu mais 1,1% por via da deflação, dando um ganho real rendimento de 4%! Isto ocorreu em ano de eleições e enquanto muitas dezenas de milhares de concidadãos ficaram no desemprego atingindo-se uma taxa de desemprego de quase 11%.
Ao mesmo tempo, fazem parte da corporação de privilegiados que, independentemente da sua competência ou incompetência, não correm qualquer risco de verem o seu contrato de trabalho em perigo. O seu vínculo contratual é como uma comenda da nobreza: garantia perpétua de segurança e probendas.
Tenham vergonha na cara!

A misteriosa baixa da pivot do Jornal de Sexta

Jorge Fiel (Jornalista): (...) a baixa da antiga apresentadora do Jornal de Sexta da TVI, que dura há mais de cinco meses (muita acima da média, que é de 7,2 dias) é um enorme mistério para mim, que adoptei na juventude fiz a divisa preferida de Karl Marx: de omnibus dubitandum (deve duvidar-se de tudo).
Como ela anda para aí a fazer a vida normal, em festas e inaugurações, se desdobra em declarações e até se constitui assistente no processo Face oculta, só há duas hipóteses. Ou não está a ser fiscalizada, como todos os outros “baixistas”, o que é grave. Ou então é mesmo verdade que não anda mesmo bem da cabeça e por isso o melhor é não ligarmos muito às coisas que ela faz e diz."

terça-feira, março 02, 2010

O estado de direito

António Marinho Pinto: "A forma é inimiga jurada do arbítrio e qualquer cedência nessa matéria será um passo em direcção à arbitrariedade.

Por isso, no dia em que se aceitar como lícito que jornalistas possam disfarçar-se de sujeitos processuais para retirar dos processos judiciais transcrições de escutas telefónicas para as publicar nos seus órgãos de informação, então é de temer que no futuro se ordenem escutas para serem divulgadas em órgãos de comunicação social.

Igualmente, no dia em que se aceitar que escutas telefónicas feitas em processo penal (e aí consideradas irrelevantes) possam ser aproveitadas para a luta política, então não demorará muito a haver escutas telefónicas para fins políticos.

No limite, poder-se-ia dizer que no momento em que se aceitar que um terrorista possa ser torturado para revelar onde colocou a bomba é certo que daí para a frente muitas outras pessoas - terroristas ou não - irão ser torturadas para revelarem o que não sabem.

Quando não se olha a meios para atingir certos fins, por muito lícitos e relevantes que eles sejam, então entra-se no domínio do fundamentalismo. Na história da humanidade, alguns das piores atrocidades foram feitas em nome dos fins mais altruístas e, pior do que isso, muitas vezes foram levadas a cabo por pessoas imbuídas da maior generosidade.

O estado de direito é assim. Imperfeito e frágil. Ou o respeitamos sempre, apesar das suas imperfeições e fragilidades ou acabamos por torna-lo ainda mais imperfeito e frágil."

segunda-feira, março 01, 2010

A mentira permanente

Jardim já admite se recandidatar em 2011. Diz que a situação é de excepção. Pode ser, só a mentira é que se mantêm. Permanente.

De tanto faz ter razão....

Este link leva-os a 5 minutos do programa Biosfera. A 2 de Abril de 2008 era explicado que as Câmaras e Governo Regional tinham licenciado construções dentro dos leitos da ribeiras. E que, tendo em conta que as chuvas se caracterizavam por serem muito elevadas e num curto espaço de tempo e num espaço muito localizado. A consequência era, naturalmente, as ribeiras encherem e arrastarem rochas e terra a grande velocidade. O resultado era devastador. Já tinha sido assim no passado. Mas claro, as Câmaras e o Governo Regional ignoraram completamente os riscos que o programa Biosfera identificavam. O resultado está a vista. Mas a culpa vai morrer solteira e os responsáveis por isto serão glorificados. Esta é de facto uma sociedade muito doente.