terça-feira, setembro 21, 2010

Malaquias

Pois é, meus amigos.
A permanência por demasiado tempo no poder leva inevitavelmente a uma sensação, muitas vezes real, de impunidade, e os abusos começam a surgir. Devagar no começo e depois completamente à descarada.

A situação da bolsa de estudo que o filho da secretária regional do trabalho e da solidariedade dos Açores, apesar de poder ser legal, é uma vergonha, e espero sinceramente que tenha consequências políticas.

Não é aceitável, muito menos para o filho de um governante e ainda para mais com posses que a maioria dos Açorianos não têm, que alguém possa usufruir, a fundo perdido, de dinheiros dos contribuintes para efectuar uma formação, que é muito mais benéfica para quem recebe do que para quem dá.

É verdade que este principio, aplica-se à generalidade da formação superior. É um facto que a formação superior é um bem, principalmente para quem a possui.
É por isso que defendo como muito mais justos e eficazes os empréstimos a juros bonificados, em vez de bolsas a fundo perdido, dependendo a bonificação da situação patrimonial de quem a recebe.
Apenas em caso excepcional e onde o beneficio de quem dá é evidente, aceito como válido um sistema misto de bolsa (a fundo perdido) conjuntamente com um empréstimo bonificado.
O caso de medicina nas regiões autónomas é um desses casos. A carência de médicos é evidente e como tal é do interesse dos respectivos serviços regionais de saúde que os médicos trabalhem, pelo menos durante um período, para quem lhes proporcionou uma bolsa a fundo perdido.

A formação em geral, e a formação superior em particular, podem ser ferramentas poderosíssimas de progressão social, dando oportunidades a quem à partida não as teria. Também por isso, a distinção entre quem precisa de apoio para progredir socialmente, e quem não precisa por já ocupar patamares sociais elevados, deve ser feita.
Sendo os meios limitados, os apoios devem concentrar-se em quem precisa e não ser desperdiçados em quem já tem mais que suficiente.

Sem comentários: