terça-feira, setembro 07, 2010

Certinho como um relógio

Há uns dias atrás tinha referido que quando o risco da dívida portuguesa subia, tínhamos notícias para todo o dia, quando o risco diminui, temos o silêncio, que se vai cantar o fado.
Com uma precisão impressionante, a meio do dia, e surgido directamente da LUSA, veio a notícia bombástica: "Risco da Dívida Portuguesa é a que mais sobe no mundo". Não era verdade, mas parece que isso não trava ninguém nos órgãos de CS, mesmo a especializada.
Depois de uma semana em que o risco da dívida portuguesa vinha a descer, sem que isso fosse notado por ninguém, a correcção de hoje mereceu um destaque que não merecia.
Além disso, num dia em que a generalidade dos países, inclusive a Alemanha, viu o seu risco de incumprimento subir, estranho seria que Portugal escapasse ao aumento de risco.
Finlândia, Itália e Irlanda viram mesmo os seus riscos aumentar mais que Portugal. Foi isso que foi dito pela Comunicação Social, não foi? Não? Não interessa.

Só não percebo como é que este tipo de campanhas passam impunemente sem que alguém com responsabilidade as desminta.

1 comentário:

Anónimo disse...

Em democracia é assim mesmo. Parece que é suposto "mentir-se" deixando ao receptor o papel de acreditar ou não. Como a democracia implicaria cidadãos cultos e informados e não é isso que se tem naturalmente que a "desinformação" é quem mais ordena.

A verdade é que estas subidas acontecem geralmente alguns dias antes do Estado português colocar obrigações no mercado (endividar-se) que são compradas pela banca. Isto funciona assim: a banca dirige-se ao BCE dando como garantia "património" que até há bem pouco tempo não era aceite como tal ("produtos tóxicos") e em troca recebe dinheiro vivo a c/ de 1% e posteriormente empresta ao Estado (comprando obrigações) a c/ de 5%. É um negócio sem risco para a banca.

amsf