segunda-feira, agosto 23, 2010

Plataforma democrática

Antes do PS-M tentar explicar aos madeirenses, que maioritariamente votam PSD há mais de 30 anos, qual a vantagem de uma coligação alargada de toda a oposição, com a qual eu concordo e defendo, deverá explicar aos restantes partidos qual a vantagem duma concertação das posições da oposição em alguns temas chaves.
É preciso que todos os partidos da oposição percebam o que podem ganhar com um maior peso da oposição relativamente ao partido do poder.
Ao PS-M, como líder da oposição, caberá demonstrar e trabalhar para que todos os partidos da oposição ganhem com uma possível concertação de posições.

Alguns argumentos:
O CDS é indubitavelmente o que mais tem a ganhar com o enfraquecimento do PSD. Só se o PSD-M não tiver maioria absoluta é que o CDS pode almejar pertencer a uma coligação de poder na Madeira.
Os objectivos do PCP e do BE são um pouco menos evidentes, mas existem. É histórico que os partidos de esquerda sobem nas sondagens e no peso eleitoral sempre que o PS está no poder e descem quando o PSD sobe ao poder. Uma concertação de posições dos partidos à esquerda, incluindo o PS-M, traria vantagens para todos.
O PND é um partido de protesto. O seu maior trunfo é ser o melhor a abanar o sistema.
Todos os partidos, do PS ao BE sentem esta ameaça. No entanto, muitas das suas posições sobre o sistema politico regional, apesar de folclóricas e exageradas (como a política do PSD) são justas. Não perceber isto, é não querer ver que há uma parte considerável do eleitorado, tradicionalmente pertencente ao PS, PCP, BE e CDS que considera que o PSD está há demasiado tempo no poder, mas que considera os partidos tradicionais como acomodados e babosos, e portanto estão dispostos a dar o seu voto para abalar o sistema.

Cabe ao PS dar todos os passos que estão ao seu dispor para liderar a oposição.
Se todos os partidos da oposição disserem a mesma coisa as suas posições sairão reforçadas. Se optarem por agredir-se mutuamente então dificilmente farão sombra ao PSD.

Para terminar, convém não esquecer que se esta proposta de convergência de posições é para ser levada a sério, e tendo em conta que existem partidos de direita e de esquerda, a concertação deve deixar de fora, tanto quanto possível, a questão ideológica, focando-se essencialmente em questões de funcionamento de sistema político.

2 comentários:

Nuno disse...

Antes de mais (e arriscando a ser crucificado) sempre fui do PSD. Dito isto, também concordo com a mudança de partido, mas não simplesmente por ser saudável a alternância, mas para melhorar as coisas. E é isso que, na minha opinião, os partidos da oposição não têm sido capazes de demonstrar (nomeadamente o PS que tem esse "peso" de responsabilidade). O PS-M tem de demonstrar que é alternativa válida e isso não é simplesmente dizendo mal de tudo que seja feito pelo PSD-M e com uma atitude de arrogância. Algo que o PS-M tanto critica do PSD-M. Na minha opinião deviam seguir a política do MPT (que grande parte é constituído por ex-militantes do PS-M). Apresentam ideias, soluções e críticas, mas sem a prepotência que o PS-M muitas vezes faz. Mas também são capazes de reconhecer o que está bem quando é caso disso. Dizer para ir pela esquerda só porque o outro diz que é pela direita, é estupidez.

Quanto a coligações só se for PS+CDS+MPT. Os restantes partidos (BE e PCP) têm maneiras de ser e de agir que não me parece ter nada a ver com o PS. Como disse anteriormente, não concordo com deitar abaixo o partido do poder só pela alternância, mas sim com um projecto credível e viável. Tal não será possível com 1 mistura tão alargada de partidos, cujas ideias nada têm a ver uns com os outros.

Quanto ao PND, muito sinceramente, quem votou nestes só pode tê-lo feito como forma de protesto contra todos os restantes partidos (PSD e oposição "tradicional").

Muito sinceramente, há pessoas no PS com as quais simpatizo e acredito nas boas intenções, nomeadamente Bernardo Trindade e Emanuel Jardim Fernandes. Agora Jacinto Serrão, desculpem lá, mas nem daqui a mil anos. Nunca me esquecerei da lei das finanças regionais, com Sócrates a dizer que os cortes à Madeira eram justos e o Serrão a afirmar que não ia haver cortes mas aumentos nas transferências. Independentemente de ter sido cortes superficiais ou não, de ter sido justos ou não, uma pessoa que afirma descaradamente o contrário (em contradição com o líder do próprio partido na mesma altura), não pode ser levado a sério de maneira alguma.

Michelangelo disse...

Tino,

como bem sabes nunca fui favorável a esta estratégia de 'Juntos Venceremos' que volta e meia vem à baila entre a oposição madeirense.

De que forma é que essa estratégia contribui para levar aqueles que votam no PSD-M a votarem na oposição??

Pelo contrário dessa forma a oposição torna-se um alvo ainda mais fácil da demagogia barata do PSD-M que argumentará ao seu eleitorado que o desespero e fome de poder é tal que abdicam dos seus princípios e ideologias para tentarem lá chegar.

A solução para a oposição madeirense é cada partido criar projectos credíveis que possam ter acolhimento junto da população: um projecto credível do CDS pode ganhar votos na ala mais à direita do PSD-M e da mesma forma o PS-M pode conseguir votos de quem politicamente está mais ao centro.

Quem não vota por estar desiludido com a política madeirense também dificilmente irá alinhar nesta estratégia.

Na tua opinião o que é que esta união contra-natura de toda a oposição acrescenta de novo que possa cativar os madeirenses??