Segunda-feira, Agosto 23, 2010

Madeira não tem uma carta de risco de incêncios

Há razões suficientes para o governo regional e as autarquias madeirenses serem responsabilizados pela extensão dos incêndios florestais na Madeira.
Em primeiro lugar pela total falta de prevenção. Como é possível que uma região com autonomia governativa não tenha sido capaz de atempadamente produzir uma carta de risco de incêndios!? Querer desviar a atenção para os factores que não controlamos, como a orografia ou as condições climatéricas é o primeiro passo para que nada se faça e para não saber estabelecer prioridades caso os problemas surjam.
Segundo consta as (poucas) torres de controle, destinadas a efectuar uma detecção precoce dos incêndios, estavam desocupadas. Outros sítios onde o risco é agravado, nomeadamente pela orografia, nem vigilância têm.
Nem tudo o que ardem tem o mesmo valor patrimonial, e uma carta de riscos permitiria claramente identificar aquilo que é mais importante proteger.
Obviamente que as vidas humanas e o património edificado são as prioridades das prioridades, mas o património natural classificado também têm um valor que não podemos desprezar.
Quanto vale o nosso coberto florestal para a nossa principal actividade económica, que é o turismo? E quanto vale a nossa floresta para a segurança das nossas vidas?

Olhando para a elaboração de uma carta de risco de incêndio podemos desde logo estabelecer como zonas de maior risco, aquelas onde a ocupação com floresta é maior. É uma verdade de la palice: Se não há floresta, não há incêndios florestais (1). Temos também que o risco de incêndio aumenta com a proximidade de estradas, com o declive do terreno, com o grau de exposição solar, bem como a densidade demográfica.
Sem uma carta de risco de incêndios o combate pode ser feito com o maior dos empenhamentos que no entanto os resultados nunca serão satisfatórios.

(1) - Com a área ardida este ano, podemos afirmar que o risco de incêndio na Madeira baixou consideravelmente. Ainda haveremos de ver num futuro não muito distante o PSD-M a gabar-se da sua eficácia no combate aos incêndios.

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