terça-feira, agosto 31, 2010

Bombeiros madeirenses

Se há cidadãos madeirenses que podem ser incluídos na classificação de "povo superior", claramente os bombeiros estão entre eles. Digo-o sem uma ponta de ironia.
A dificuldade do combate ao fogo na Madeira, inerente à nossa orografia, e os meios colocados à disposição dos nossos bombeiros fazem destas pessoas verdadeiros heróis.

Olho para os números disponibilizados pela protecção civil, da Madeira e do Continente e fico estupefacto com o muito que se consegue por cá.
Enquanto que no continente, temos frequentemente largas dezenas de bombeiros a combater um incêndio, auxiliados por meios aéreos e diversos veículos, na Madeira os nossos valentes bombeiros estão em equipas que muito raramente ultrapassam a dezena de bombeiros, e sem outros apoios, nomeadamente os meios aéreos.
Convenhamos que com apenas 5 bombeiros e apenas 2 carros bomba, como é o caso do combate ao incêndio do Ribeiro Frio, bem no coração da floresta Laurissilva, não há muito que se possa fazer a não ser deixar arder e esperar que o fogo chegue a um sitio onde seja possível dominá-lo. E mesmo assim com dificuldade.

Nada acontece por acaso, e a calamidade que atingiu a Madeira tem diversos responsáveis.
Em primeiro lugar, a responsabilidade vai para os criminosos que por interesses económicos, vinganças e outras razões que nem consigo descortinar, destroem o que tanto custou a tanta gente.
Há também a incúria ligada a questões culturais, como os foguetes festivos, as velas em santuários e queimadas, que com demasiada frequência ainda se fazem apesar dos apelos em sentido contrário.
Mas não podemos de responsabilizar os nossos governantes que não implementam medidas preventivas eficazes nem disponibilizam os meios necessários para que o combate aos fogos possa minimizar os danos que este atingiram a Madeira.

1 comentário:

Michelangelo disse...

Tino,

posso apenas partilhar os teus elogios e críticas...

O que acho mais curioso nesta região é como a culpa morre sempre solteira...ou então os culpados são sempre algum inimigo externo sinistro.

A Proteção Civil da RAM tem neste ano mostrado um nível de incompetência inaceitável - desde o 20 de Fevereiro e o facto do sistema de telecomunicações de emergência simplesmente não ter funcionado quando era mais necessário, passando agora pela actuação nos incêndios - e contudo ninguém assume as suas responsabilidades nem ninguém é forçado a assumi-las...É o típico passeio das alegres...