Sempre que aparece uma noticia sobre os lucros da banca, fica logo o BE e o PCP com urticaria, incomodados com o que habitualmente designam por "lucros escandalosos".
Uma variante deste estado de alma são os "aumento de lucros escandalosos", sempre que que se diz que relativamente ao ano anterior os lucros cresceram mais de 20%.
É claro que a comparação é sempre feita relativamente a um ano em que os resultados tenham sido os piores de sempre. Só assim se consegue o efeito "escandaloso".
Habitualmente, também, os lucros das empresas são apresentados a seco, sem qualquer referência à dívida das empresas ou ao seu nível de receitas.
Obter lucros de 50M€ não será a mesma coisa se a empresa tiver uma dívida de 100M€ ou de 1000M€.
Nisto os neoliberais defensores do sacrossanto mercado são exactamente iguais à esquerda radical, escondendo o enquadramento (receitas e dívida) de uma empresa pública sempre que esta apresenta prejuízos.
Há dias, o ministro das finanças dizia que os cidadãos tinham falta de educação financeira, e eu concordo. Mas se a nossa comunicação social estivesse mais preocupada em informar que em criar sound bites então talvez as coisas não fossem tão más.
Terminando. É sempre bom que as empresas, num mercado regulado, onde são limitados os monopólios e os cartéis, tenham lucro. Permite-lhes poupar, investir e criar empregos. Os prejuízos, desde que não sejam crónicos e deste que tenham uma função social e até de correcção das assimetrias do mercado, podem também não ser o fim do mundo. Tudo depende do enquadramento e tudo depende da avaliação que cidadãos e consumidores bem informados fazem aos serviços prestados e ao seu real custo.
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