É um facto. Em política a memória colectiva tem a duração dum piscar d'olhos.
O modo como uma certa direita neo-liberal fala dos défices e endividamentos externos, que neste momento estão em níveis historicamente altos, poder-nos-ia levar a pensar que a causa desta crise radicava no facto de os países terem dado pouca atenção às suas contas públicas.
Nada mais errado. Quando esta crise, que teve origem nos mercados especulativos e em produtos tóxicos da banca, surgiu, a generalidade dos países apresentavam trajectórias descendentes dos seus défices e endividamentos externos.
Foi apenas como uma necessidade urgente de fazer face a uma crise económica, financeira e social que foram tomadas medidas de estímulo que levaram a uma degradação generalizada das contas públicas.
Quando ouvirem alguns políticos, sobretudo de direita, afirmarem que foram os governos a nos colocarem nesta situação díficil, onde efectivamente estamos colocados, lembrem-se das posições que estes ocupavam antes da crise surgir. E lembrem-se que no pico da crise apelaram aos estados que os apoiassem para agora virem morder a mão de quem lhes socorreu.
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