quarta-feira, maio 26, 2010

Dr. Jekyll e Mr. Hyde

As escutas telefónicas em Portugal são uma aberração. O que só deveria ser utilizado em casos excepcionais, para prevenção e investigação de crimes da maior gravidade, muito em especial o terrorismo, o tráfico de seres humanos, o tráfico de armas e o tráfico de droga, converteu-se num expediente banal de violação da privacidade, ao serviço das polícias e das magistraturas, e suficientemente miserável para relegar alguns dos processos da PIDE para a categoria de simples brincadeiras de meninos de coro.

(...)

Fica-se perplexo ante a maneira como, na Assembleia da República, parece estar em vias de ficar comprometido o trabalho da comissão de inquérito que analisa os meandros do projectado negócio de compra da TVI e os seus contornos mais obscuros no que respeita ao papel do primeiro-ministro e das eventuais mentiras de que ele teria lançado mão nesse suspeitíssimo imbróglio. Comprometido, não por falta de matéria eventualmente probatória quanto ao objecto da indagação mas antes por obstrução a que essa matéria seja analisada e valorada.


Dito de outra maneira, Vasco Graça Moura acha que a polícia deveria recorrer menos às escutas e fazer melhor o seu trabalho de recolha de provas sem por em causa o direito à privacidade que todos têm, mas se for para atacar o primeiro ministro aí já vale tudo, desde inventar perseguições através dos acessores do PR ou mesmo usar escutas que segundo o próprio nunca deveriam ter sido feitas.

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