quarta-feira, abril 28, 2010

As comissões parlamentares de inquérito

Mário Soares: " (...) O que é que resultou até agora de positivo - depois de tantas intermináveis audiências - para o progresso da justiça e para um melhor conhecimento dos factos alegados pelos acusadores? Alguém é capaz de responder, com objectividade? Não creio. Mas há uma coisa que julgo não poder evitar-se, depois de tantas horas de audiência: o desinteresse do público e o desprestígio dos deputados participantes (ao contrário da publicidade que julgam merecer) e do Parlamento, que lhes cumpre, em princípio, defender.

Por isso, apoiei a decisão do primeiro-ministro de não comparecer na comissão. Julgo que procedeu bem. Ser interpelado no Plenário do Parlamento, isso, sim, é um dever, aliás, recíproco, de ambos os órgãos, Governo e oposição. Agora perante uma comissão de inquérito, que parece querer substituir-se à justiça, que é outro órgão de soberania independente, isso não faz qualquer sentido. Na minha modesta opinião.

A guerrilha partidária está a diminuir. Já escrevi há semanas, nesta mesma coluna, que, felizmente, o bom senso está a progredir e os deputados, políticos, jornalistas e comentadores estão a compreender, mesmo os mais exaltados, que uma guerrilha interminável não serve a ninguém - partidos da oposição ou o Governo - num momento de grave crise global, e muito menos a Portugal. Como Estado/Nação, no quadro europeu, sujeito às normas comunitárias. Porque a guerrilha, revestindo aspectos pessoais desagradáveis, cria enfado nos que a seguem e não permite que se debatam os problemas que afligem os portugueses. Só desviam as atenções deles...(,,,)"

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