terça-feira, março 16, 2010

“Lei da rolha” já vigora no PSD-Madeira

Tolentino de Nóbrega: A lei da rolha”, aprovada pelo congresso de Mafra, vigora há décadas na Madeira onde o PSD já realizou um congresso à porta fechada, como pretendia agora Alberto João Jardim.
Do primeiro governo de Jardim, empossado em 1978, foi afastado Gaudêncio Figueira sob a acusação de que conspirava contra o chefe.(...)
(...) o advogado Emanuel Rodrigues, figura pioneira do processo autonómico e presidente do primeiro parlamento madeirense, eleito nas regionais de 1976. Crime, com direito a processo disciplinar mandado instaurar por Jardim, cometeu ao lamentar o “oportunismo” de membros do partido e a “falta de democraticidade interna”. Tudo agravado pela circunstância de, sem ouvir o líder, aceitar ser mandatário do general Ramalho Eanes na corrida a Belém.
Também aos seus directos colaboradores no governo Jardim impôs a "lei da rolha" ao determinar, por despacho, a concentração no presidente dos poderes e competências até 1991 atribuídas aos departamentos técnicos. Assim todo e qualquer parecer negativo passou a ser silenciado e o respectivo processo, para aprovação final, transferido para a Quinta Vigia.
(...) o seu braço-direito no partido Jaime Ramos também instituiu a “lei da rolha” ao grupo parlamentar em 1994. Numa circular determinou que apenas os membros da direcção parlamentar “estão habilitados a falar publicamente” pelo PSD-M.
(...) caso das candidaturas em que nomeia quem quer, sem proceder à prévia audição das estruturas locais partidárias. Tal postura levou autarcas de Machico, Ponta do Sol e Câmara de Lobos (casos de Jorge Gomes, Egídio Pita e Fausto Pereira) a abandonarem o PSD, acusando Jardim de ser “um ditador” e “pior que Salazar”(...)
2006 na Festa da Uva, no Porto da Cruz, acto oficial que aproveitou para esclarecer a expulsão de 10 dirigentes locais do PSD. “E, se for preciso, saem 30 ou 100”, asseverou Jardim.
(...) Ao não se demitir [Virgílio Pereira], o líder do PSD-M encarregou-se de convocar um congresso exclusivamente para destituir o seu velho amigo e compadre que foi alvo de processo disciplinar instaurado por petição que Jardim obrigou todos os deputados a assinar.

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