segunda-feira, março 15, 2010

Da tontaria geral II

Este país está totalmente apanhado pela tontaria geral, não há voltar a dar. O PSD tem uma iniciativa de grande mérito: Convocar um congresso antes das eleições directas para que os candidatos pudessem expressar directamente aos militantes e simpatizantes as sua ideias e propostas. Eu acho que o congresso até correu bem e a iniciativa pode e deve fazer escola. Independentemente de ter gostado mais das propostas ou do estilo de A, B ou C, valeu a pena.

O homem que esteve à frente da iniciativa foi Santana Lopes. Precisamente, a mesma pessoa que teve o ónus de eclipsar tudo o que foi dito e discutido com uma iniciativa que parece ter por base um revanchismo exagerado. A iniciativa é tonta. A aprovação não surpreende, todos sabemos que a maioria dos congressistas de todos os partidos, não lêem nenhuma das propostas que votam. E ainda mais tonta foi a importância desmedida e exagerada que a comunicação social deu a esse facto. Se estes são os políticos que temos, que dizer destes jornalistas? Não seria muito mais importante para o país e mais interessante do ponto de vista jornalístico analisar as propostas, discutir a sua viabilidade e até escrutinar a sua aceitação entre o povo e os especialistas? Claro que sim. Mas isso exige trabalho e esforço sério. A exultação da gaffe é mais fácil. E sejamos honestos, qualquer partido tem previsto nos seus estatutos as consequências disciplinares que poderão advir da sistemática e grave indisciplina por parte de uma militante. Eu não li a proposta, mas à partida parece-me legítima. É sempre legítimo alguém querer aumentar as sanções contra a indisciplina. É uma questão que deve ser analisada em concreto. Se, no PS, aparecesse uma iniciativa deste género, eu votaria contra. Porque conheço os estatutos do partido e a sua história e estou convencido que existe um bom equilíbrio entre a disciplina necessária e a liberdade de opinião.

Mas não deixa de ser de uma falta de vergonha sem limites, um militante e ex-dirigente de uma organização de cariz fascista onde a mais leve critica leva imediatamente a consequências dramáticas para o militante, vir no seu blogue se mostrar indignado com esta alteração. Lembremos apenas do saneamento de Virgílio Pereira.

O candidato Pedro Passos Coelho não se exprimiu da melhor forma quando se dirigiu a Jardim. Parece que a sua intenção seria dizer que se este podia se entender com Sócrates, então certamente que também os dois poderiam vir a se entender. Passos Coelho caiu num erro recorrente de muitos políticos portugueses. Pensar que estava a tratar com pessoas sérias. Enganou-se. E nos 5 minutos seguintes deve ter percebido isso. Espero que aprenda a lição, já que aos dirigentes do PS de nada tem servido serem tratados abaixo de cão durante anos.

1 comentário:

Andesman disse...

Causa-me alguma perplexidade, que alguém como Pedro Passos Coelho, que anda na política e no PSD desde os 14 anos, como fez questão de afirmar neste congresso, e se prepara para ser líder do seu partido e candidato a PM; não conheça Alberto João e cometa um erro daqueles. A forma desastrada como abordou o assunto, querendo fazer as pazes em directo com Alberto João, para ganhar mais alguns votos nas directas. Trocando quem perdoou a quem. Esquecendo que AJ já lhe tinha prometido que iria estar sempre e em todas as situações contra ele (PPC): como pode estar preparado para as funções a que se candidata?

Pedro Passos Coelho esteve certo nos reparos que fez a Alberto João e à sua governação, que motivaram a adversidade de Jardim; depois estragou tudo e mereceu a desfeita de Alberto João.