terça-feira, junho 30, 2009

Três dúvidas

Sobre os pareceres pedidos PSD-M, e que este jura a pés juntos que foi a ALM a pedir, há três dúvidas que não consegui ver respondidas.

Porque razão só os pareceres pedidos pelo PSD são aceites?
Porque razão apenas são convidados a dar parecer pessoas ligadas ao PSD, como o Dr. Guilherme Silva e Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros?
Porque razão, e se esses pareceres são da ALM, alguns deles mesmo depois de concluídos não chegam aos deputados, permanecendo anos na gaveta do Presidente?

Assim a olho nu, parece mesmo que os pareceres apenas têm como objectivos as jogada politicas do PSD-M, e os pagamentos por esta via de alguns boys do PSD.
Na maior parte deles, não se vê qual o interesse nem para a ALM nem para a Madeira.

Quanto mais explicam, mais se enterram.

A CMSC usando do seu direito de resposta, vem hoje tentar justificar o negócio entre a autarquia e um privado que permitirá a este amealhar sem risco nenhum uma quantia exorbitante, que poderia e deveria ficar para a autarquia.
Se a CMSC investisse 6.000.000€ em vez de o dar a um privado escolhido pelo PSD, teria do lado das despesas os 35.000€ mensais para pagar o empréstimo de 6M€, mas do lado das receitas teria os estacionamentos (40.000 mensais) mais os arrendamentos da EEM, Tribunal, etc...
Assim, não só a CMSC vai passar largos anos sem beneficiar destes arrendamentos, como ainda terá de pagar pelas suas próprias instalações.
Do lado da CMSC a diferença está entre pagar 26.000€ mensais e receber 90.000€.
Ainda acham que este é um bom negócio?

Alguem que lhes explique como é que a justiça deveria funcionar

Os americanos são um povo estranho. Em vez de andarem atrás do verdadeiro culpado pelas trapalhadas do Madoff, que como qualquer português sabe é o regulador, levaram-no logo a contas com a justiça e em menos de um abrir e fechar de olhos puseram-no atrás das grades para o resto da vida.

Em Portugal, levamos anos para provar que o culpado é o presidente do Banco de Portugal. Nunca a culpa é dos Oliveiras e Costa, Dias Loureiros, Jardim Gonçalves, Teixeiras Pintos ou Rendeiros. Se ao menos deixassem o Gonçalo Amaral conduzir a investigação, iam ver se o Constâncio não confessava toda a sua culpa. Confessava, confessava. Nem que para isso fosse preciso amassar-lhe a cara toda.

segunda-feira, junho 29, 2009

Tão mexendo no meu bolso.

35.000.000€ para a loja do cidadão de Santa Cruz.
20.000.000€ para o enrocamento da Ribeira Brava (e outros).
60.000.000€ para a marina do Lugar de baixo.


Tudo obras feitas depois de 2001.
E diz quem nos desgoverna para o seu espelho: espelho meu haverá alguém que roube mais do que eu?

E outros 30.000.000€ para a melhor marina do mundo

A melhor marina do Mundo (para os vendedores de betão e pontões) voltou a sofrer com um novo desabamento de terras.
Pelos vistos os mais de 30.000.000€ ali enfiados, não são suficientes para garantir que aquela infraestrutura possa funcionar.
O melhor será mesmo gastar mais uns trocos na consolidação da escarpa. E já agora mais 30.000.000€ menos 30.000.000€ sempre se pode contruir um pontão de protecção ao pontão de protecção e a coisa fica um brinquinho. Em nome do povo, claro. E já que se está com a mão na massa, constrói-se uma praia de areia. Das melhores do mundo, como é habitual na Madeira nova.

P.S. - Já me ia esquecendo. Muita espetada e vinho seco para a reinauguração.

Talvez fosse melhor gastar 20.000.000€

O enrocamento da Ribeira Brava custou 10.000.000€. Era suposto que com um investimento destes, a segurança da população estivesse assegurada. Nada disso.
Durante as festas de S. Pedro, bastou que o mar estivesse um pouco mais alterado para que as barracas que habitualmente estão na praia naquele dia de festa, fossem ameaçadas, e por via disso as pessoas se mantivessem à distância.
Talvez na próxima reunião entre Jaime Ramos e os autarcas do PSD se possa discutir um novo enrocamento, mas desta vez de 20.000.000€. Tudo vale a pena para encher a pança aos mamões do costume. Quando supostamente o fazem em nome do povo, ainda é melhor.

Quem é que rouba dinheiro á Madeira? Quem é?

A Câmara Municipal de Santa Cruz prepara-se para entregar de mão beijada um negócio que vai render sem risco nenhum, ao feliz empresário beneficiado, mais de 35.000.000€.
Só a parte que caberá à CMSC pagar ao dito empresário seria suficiente para financiar todo o negócio.
Com uma renda de 26.000€ e com rendimentos de 40.000€ dos estacionamentos (estes são os números apresentados pela CMSC, não fui eu que os inventei) seria suficiente para financiar todo este projecto e no fim o imóvel seria da autarquia.
Só para terem uma noção dos valores envolvidos, às taxas de juro actuais, para pagar as prestações correspondentes a um empréstimo de 6.000.000€, bastariam 35.000€ mensais, em vez dos 125.000€ que serão pagos ao empresário escolhido pelo PSD de Santa Cruz.
É deste modo que o PSD rouba 35 Milhões de euros aos madeirenses (excepto um).

Depois ainda têm lata para falar dos roubos que fazem aos madeirenses.
Se é para pegarem no dinheiro e entregarem de mão beijada a estes empresários de pacotilha que não correm riscos nenhuns, é melhor que o dinheiro não venha. Talvez assim este regime corrupto e podre acabe mais depressa.

sábado, junho 27, 2009

Manifestos, Economistas e politicas, cada um escolhe os que quer

O debate deve ser centrado em prioridades:
só com emprego se pode reconstruir a economia


Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política. A contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado – como seja adiar investimentos porque o futuro é incerto, ou dificultar o acesso ao crédito, porque a confiança escasseia – tende a gerar um resultado global desastroso.

É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.

A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.

Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.

Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis.

Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica.

Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras.

A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa.

Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas.

Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional.

O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.

Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue.

Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Carlos Bastien
, Economista, Professor Associado, ISEG;
Jorge Bateira
, Economista, doutorando, Universidade de Manchester;
Manuel Branco
, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora;
João Castro Caldas
, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia;
José Castro Caldas
, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais;
Luis Francisco Carvalho
, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
João Pinto e Castro
, Economista e Gestor;
Ana Narciso Costa
, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL;
Pedro Costa
, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Artur Cristóvão
, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto;
Paulo Areosa Feio
, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública;
Fátima Ferreiro
, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL;
Carlos Figueiredo
, Economista;
Carlos Fortuna
, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
André Freire
, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE;
João Galamba
, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL;
Jorge Gaspar
, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa;
Isabel Carvalho Guerra
, Socióloga, Professora Catedrática;
João Guerreiro
, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve;
José Manuel Henriques
, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Pedro Hespanha
, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
António Simões Lopes
, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Margarida Chagas Lopes
, Economista, Professora Auxiliar, ISEG;
Raul Lopes
, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL;
Francisco Louçã
, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Ricardo Paes Mamede
, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Tiago Mata
, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão;
Manuel Belo Moreira
, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia;
Mário Murteira
, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL;
Vitor Neves
, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
José Penedos
, Gestor;
Tiago Santos Pereira
, Investigador, Centro de Estudos Sociais;
Adriano Pimpão
, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve;
Alexandre Azevedo Pinto
, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto;
Margarida Proença
, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho;
José Reis
, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
João Rodrigues
, Economista, doutorando, Universidade de Manchester;
José Manuel Rolo
, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais;
António Romão
, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL;
Ana Cordeiro Santos
, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais;
Boaventura de Sousa Santos
, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
Carlos Santos
, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista;
Mário Rui Silva
, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto;
Pedro Adão e Silva
, Politólogo, ISCTE;
Nuno Teles
, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres;
João Tolda
, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
Jorge Vala
, Psicólogo Social, Investigador;
Mário Vale
, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.

Preso por ter cão e preso por não ter II

José Sócrates foi ao parlamennto dizer que o governo Português se oporia ao negócio entre a PT e a TVI. Fez muito mal.
O negócio era bom para a PT e para a TVI.

Ao vacilar desta forma, o PM está a dar o flanco de uma maneira que não me agrada nada, como não agradará a todos aqueles que consideraram que as reformas que foram sendo feitas durante a legistatura só foram possiveis porque se acreditava que a determinação é essencial para transmitir confiança e efectivamete reformar.

A seguir este caminho froxo, o PS nem ganhará os eleitores atingidos pelas reformas nem cativará aqueles que apoiaram a determinação.

Quer na situação do adiamento da decisão do TGV quer agora com a decisão da PT/TVI o presidente da república teve um papel relevante com declarações públicas que visaram pôr em causa a posição do governo.

É urgente que o PS acerte o passo e não se deixe prender pela dupla Cavaco/Ferreira Leite, regressando ao seu programa e à sua determinação.

quinta-feira, junho 25, 2009

o Poder pelo Poder

Autárquicas: Coligação PSD/CDS-PP em mais de 50 concelhos

Ler os Sinais

Entendo o sentido de voto dos portugueses nestas eleições europeias como um sinal. Um sinal claro, não de desejo duma alternativa, mas de procura duma nova forma de afirmação do PS e das suas políticas. Uma afirmação de proximidade.

Carlos Zorrinho

Cavaco: o PR manhoso

As lágrimas de crocodilo de Cavaco Silva a propósito da desistência do Prof. Jorge Miranda para o cargo de provedor de justiça, não me convencem.
O Provedor de Justiça tem inerência no Conselho de Estado, e Cavaco se efectivamente estivesse interessado em ter a companhia do Prof. Jorge Miranda naquele órgão de apoio à presidência, com certeza que teria exercido a sua magistratura de influência.
Sabemos, pelo resultado e pela actuação do seu partido, que o contrário é muito mais provável, ou seja, o PR tudo fez para que o nome do Professor Jorge Miranda fosse inviabilizado.
Assim se vê como funciona a teoria de má moeda para Cavaco. Aguentou até onde pode Dias Loureiro no CE, mas não queria lá o Prof. Jorge Miranda e terá instruído o PSD para que inviabilizasse essa solução.

O que pretende realmente o PR para aquele órgão que pode ter um papel preponderante na destituição de um governo? A escolha do próximo Provedor de Justiça muito dirá que responda a esta questão.

Preso por ter cão e preso por não ter

Quando a TVI foi vendida aos espanhóis da Prisa, houve um coro de indignados que diziam que o PS queria controlar a estação de televisão, tendo em conta que o representante da Prisa em Portugal era o socialista Pina Moura, e tendo em conta que a Prisa estava conotada com o PSOE em Espanha.
A realidade veio demonstrar que nem o governo nem o PS controlaram ou tentaram controlar a TVI, sendo esta um dos órgãos de comunicação social mais agressivos para este governo e para o PS.

Agora que a PT por via da separação com a ZON, ter ficado sem uma área de conteúdos (a Lusomundo ficou com a ZON), e pretender fazer esta aquisição, lógica em termos empresariais, mais uma vez vem a oposição acusar o PS e o governo de tentar controlar a TVI.

Entendam-se de uma vez. O PS controla a TVI através da Prisa e do PSOE ou o seu contrário, ou ainda de nenhuma maneira? É que tudo ao mesmo tempo não pode ser.

quarta-feira, junho 24, 2009

Criar espaço para aliviar a pressão

Há uma tese, defendida por muita gente dentro do PS-M, segundo a qual as fontes de conflito internas devem-se à disputa dos lugares nas listas, nomeadamente para a AR, ALM e Câmaras Municipais.
Ora. Considero que a disputa desses lugares, sendo legítima pode ser tratada de modo a aliviar pressões e dando o espaço necessário para que cada um possa ser representado.
Há no entanto que distinguir os órgãos executivos dos órgãos deliberativos/colegiais.
Nos órgãos executivos faz sentido que o cabeça de lista escolha a equipa com a qual deseja trabalhar caso seja eleito. É o caso do candidato a presidente de câmara.
Já nos órgãos deliberativos/colegiais como as assembleias da República, Regional e Municipal não existe nenhuma razão para que as diversas facções/visões não devam estar representadas.
É nesta perspectiva que considero que na escolha dos elementos que compoem a lista ás diversas assembleias, e nos respectivos órgãos que estatutáriamente têm competência para eleger a lista, a composição da lista deveria ser elaborada respeitando o método de Hondt, com a possibilidade de apresentação de diversas listas correpondentes às diversas facções.

Este procedimento irá com certeza retirar algum poder à direcção do partido e às concelhias mas permitirá por outro lado que estas sejam aliviadas da pressão inerente a este jogo do tudo ou nada.

Considero também que este procedimento deveria no futuro ser aberto a todo o partido e não apenas aos membros das comissões políticas, e quem sabe se no futuro não seria possível/desejável que a população em geral também pudesse participar neste processo de escolha daqueles que serão os seus representantes.

Os partidos não se podem fechar sobre si próprios e descurar a sua verdadeira razão de ser.
Trabalhar em prol da população e do bem comum.

Partido Socialista Europeu faz aliança e muda de nome

Socialists formalise new alliance
By Simon Taylor
23.06.2009 / 17:37 CET

New group will be second largest in the European Parliament.

The Socialist group in the European Parliament today formally established a new group with members of the Italian Democratic Party (PD), a move that reinforces the centre-left's position as the second-largest force in the assembly.

The new group, called the Progressive Alliance of Socialists and Democrats, will have 183 members. The alliance had been announced on 12 June, under the provisional name Alliance of Socialists and Democrats in Europe.

The leader of the now-superseded Socialist group, the German MEP Martin Schulz, will head the alliance.

The re-configuration follows elections held on 4-7 June that strengthened the position of conservatives in the Parliament.

The largest group in the new assembly, the centre-right European People's Party (EPP), has 264 members. The group today re-elected Joseph Daul, a French MEP, as its leader for a second term.

Yesterday, the UK Conservatives left their alliance with the EPP to form an anti-federalist group in the Parliament, together with Poland's Law and Justice party, the Czech Civic Democrats and MEPs from five other countries.

Tirado daqui

terça-feira, junho 23, 2009

O pior emprego do mundo

O erro dos 28

Depois de na semana passada os 28 magníficos terem vaticinado que a melhor alternativa para Portugal era fechar-se sobre si próprio em reflexão profunda até que os problemas se resolvessem milagrosamente, vem agora a realidade, ainda para mais em tempo de crise, desmentir tão iluminados sábios.
As 28 bruxas adivinhativas usaram um estratagema básico para quem quer mentir com dados reais. Truncam os dados entre o período com valores mais elevados e o período com os valores mais baixos e daí retiram uma evolução que erradamente extrapolam para o resto da eternidade.

O País tem problemas graves, alguns deles identificados pelos 28. Mas será que esses problemas se resolvem, colocando um travão a fundo no investimento em infraestruturas que vão melhorar a competitividade do País? Dúvido.

Se eventualmente o aeroporto não fosse feito, e se o actual atingisse a saturação, estes sábios seriam os primeiros a fazer um manifesto a indignar-se por o País não ter feito os estudos (sempre os estudos) que previssem a tempo que atingiriamos essa situação de ruptura.
Nunca assumiriam as suas responsabilidades, quer como governantes quer como opinion makers.

É a chamada medinização da politica portuguesa.

Nem dá para acreditar.

No editorial do jornal Público de hoje, 22.06.09 afirma-se:

"[...] No exame de Português de 12º ano, para alunos que vão entrar no ensino superior, entendeu-se necessário colocar um apêndice com um "vocabulário", não fosse a rapaziada desconhecer o sentido de palavras como "ébano", "saciado", "temor", "carregadores", "fardos", "grilhetas", ou "sumiu-se". É de ficar estarrecido: recordo-me de, ainda na instrução primária, numa prova de ditado, me terem ensinado o significado de "cerro", que nunca mais esqueci. Estou a falar de instrução primária, que era obrigatória quando estudei. Mais: o vocabulário destinava-se a que os alunos pudessem interpretar uma passagem do conto de Sophia de Mello Breyner Andresen Os Três Reis do Oriente, uma obra que o site online da Bertrand recomenda para leitores de 6 a 10 anos... [...]"

Contrariamente ao que o texto acima faz supor, trata-se, não da prova de Português do 12º ano (639), mas sim da prova de Português para alunos com deficiência auditiva de grau severo ou profundo (239), na qual a inclusão de vocabulário é essencial. O aludido conto de Sophia de Mello Breyner Andresen está inserido numa colecção, Contos Exemplares, de leitura obrigatória, de acordo com o programa que corresponde à prova 239.

O GAVE demonstra assim, mais uma vez, o rigor na elaboração de provas adequadas aos programas e, simultaneamente, o respeito por todos os alunos, independentemente da sua situação particular.

Lisboa, 22 de Junho, 2009.

O Director do GAVE

Carlos Pinto-Ferreira

segunda-feira, junho 22, 2009

Ai começa, começa!

Desde 2002 que o desemprego não para de aumentar na Madeira. Dos 4000 desempregados de então chegamos agora aos mais de 12000 desempregados.
A situação não é nova, sendo muito anterior à chegada de Sócrates ao governo e muito muito anterior à Lei das Finanças Regionais.
No entanto, foram precisos 7 anos para que o PSD-M COMEÇASSE a achar que o problema do desemprego na Madeira está a ficar preocupante, e mesmo assim o secretário regional das finanças ainda consegue ver sinais positivos neste novo aumento de desemprego. Este homem é único.

E porque razão é que o PSD-M começou, agora, a ficar preocupado com o desemprego da Madeira!?
A razão, a única razão, vem do facto de o desemprego nos Açores e no Continente, governados por socialistas, ser inferior ao da Madeira, e assim o PSD-M tem de se preocupar com as desculpas esfarrapadas que há de inventar aos madeirenses.

Se se preocupassem com os madeirenses, talvez não tivessem deixado este problema chegar onde chegou.

É só comparar os desempenhos dos governos da Madeira, Açores e de Portugal II

Na Madeira as ofertas de emprego continuam a descer, ao contrário dos Açores e Portugal, e o número de desempregados continua a aumentar, ao contrário dos Açores e de Portugal.
Na Madeira há um governo do PSD, e nos Açores e Portugal temos um governo socialista.
Ainda haverá dúvidas da diferença de desempenhos?

É só comparar os desempenhos dos governos, da Madeira, Açores e Portugual

Afinal o Magalhães pode fazer bem à vista

O que é que o computador Magalhães pode fazer pelas crianças com doenças invisíveis como a ambliopia (síndrome do olho preguiçoso), por exemplo? Mais do que imagina. Um grupo de engenheiros biomédicos e médicos oftalmologistas ligados à empresa tecnológica Blueworks, especializada na área da oftalmologia, está a desenvolver um software didáctico para ser aplicado ao Magalhães, permitindo o rastreio visual a todas as crianças em idade escolar.

É um efeito secundário da massificação do acesso a um computador, promovida por este governo, mas é uma oportunidade que não devemos deixar escapar, tanto por permitir melhorar a saúde pública como por potenciar a ciência portuguesa.

domingo, junho 21, 2009

Aeroporto e TGV

Pois é. Parece que o governo de Sócrates começou a guterrar.
Desta vez não é por ter uma maioria relativa mas por ter um presidente da república que já não sabe mais o que fazer para ajudar a sua pupila e ameaça vetar algumas das propostas do programa de governo do PS.
Só em estudos para o TGV e para o Novo Aeroporto de Lisboa, já foram gastos 200M€, mas a malta dos estudos não está satisfeita e espera conseguir levar isto para a próxima legislatura, de modo a poder vender mais uns estudos. O ideal, para os 28 sábios que ontém apresentaram um manifesto, era pegar em todo o dinheiro da obra e aplicá-lo em estudos. Aí é que eles ficavam contentes. Nem uma palavra diziam sobre o endividamento do País, nem sobre as derrapagens orçamentais. Nada.
As coisas têm de ser feitas com transparência, que é o que interessa aos portgueses, a partir daí são tricas politicas que irão sempre acontecer, quer as decisões sejam num sentido ou noutro.

O pior que pode acontecer ao PS, é vacilar nas decisões, ainda para mais quando estas fazem parte de um programa de um governo que mereceu o apoio da maioria dos portugueses.

Não há dúvida que o TGV e o novo aeroporto de Lisboa são obras caras, mas mais caro sairia ao país abdicar delas.

Calibração de notas de exames

Será que sou o único a achar, que esta questão das constantes criticas aos exames nacionais, não passa de implicância e oportunismo político?

Ou é porque os exames são demasiado fáceis, e é facilitismo. Ou é porque os exames não são necessários. Ou é porque tinham erros. Etc etc etc.

Até parece que antes corria tudo bem e agora é uma desgraça e corre tudo mal.
Será que é mesmo assim?

O problema da comparação das notas dos exames em anos diferentes tem uma solução básica, pelo menos para quem estiver com um pouco de seriedade.

Basta que alguns alunos em cada escola, escolhidos aleatoriamente, resolvessem ambos os exames.
Convinha, como é óbvio, ter um "exame referência" com o qual pudéssemos comparar todos os outros exames.
Deste modo, e para cada ano, poderíamos ter notas dos alunos comparáveis, descontando as alterações nos programas, entre anos diferentes.

Não precisa de ser o ministério a fazer esta calibração de notas. A sociedade civil, associações de pais ou de professores, universidades, etc. poderiam mobilizar-se para fazer este trabalho, tendo em conta que em primeira instância, são os principais interessados.

Não podemos é andar constantemente a duvidar de tudo e de todos, criticando a torto e a direito, mas depois não sendo consequente e não tentando saber a verdade.

P.S. - tenho visto alguns artigos jornalísticos que são autênticas pérolas. Fazem um artigo sobre o facilitismo, e depois apresentam apenas uma questão, geralmente a mais fácil, para justificar o facilitismo. Não mostram as outras questões, não mostram os exames de anos anteriores, nada. O que interessa é o sound bite.

Desaparecido

Levo no corpo um motor
que nunca para de rolar
Levo na alma um caminho
destinado a nunca chegar.

sábado, junho 20, 2009

Quando os números desmentem as ideias feitas

É uma ideia amplamente divulgada, em Portugal, que a nossa carga fiscal é elevada, e mais particularmente, é mais alta que na nossa vizinha Espanha.
Acontece que esse senso comum é falso, ou parcialmente falso.
A carga fiscal em Portugal em 2007, segundo dados do eurostat, foi de 37,8% do PIB. No mesmo ano, Espanha teve uma carga fiscal de 37,9%. Muito semelhante mas superior.
Então donde vem a ideia que os impostos em Espanha são mais baixos que em Portugal?
Esta ideia vem do peso relativo que os grande grupos de contribuições, nomeadamente, Produção e Importações, Trabalho e Contribuições Sociais têm nos dois países.
Em Espanha os impostos sobre Produção e Importação e as Contribuições Sociais são mais baixas que em Portugal, no entanto, os impostos sobre o Trabalho são superiores a Portugal.

A pergunta que devemos fazer é: queremos que as empresas paguem menos impostos compensando com um aumento de impostos sobre os nossos rendimentos? Será esta escolha melhor que a que temos neste momento?

Sinceramente não sei, mas tendo em conta que se tem dito que a diminuição de impostos sobre as empresas permitiriam criar mais empregos, e sabendo nós os níveis de desemprego em Espanha, não me parece que a escolha deles seja mais acertada que a nossa.

Esta é uma escolha política que os diferentes partidos devem apresentar aos contribuintes e que estes nos momentos certos devem escolher.

sexta-feira, junho 19, 2009

Unanimidades há muitas

Diz o povo e com muita razão que quem não se sente não é filho de boa gente.
Então cá vai.
O Secretariado da Concelhia do Funchal reuniu-se ontem de modo a definir qual seria o cabeça de lista do Partido Socialista para a CMF.
Por me encontrar em Lisboa, por razões profissionais, não pude estar presente. Como não estiveram presentes, por razões que cada um saberá, a maioria dos membros do secretariado da concelhia do Funchal do Partido Socialista.
No entanto, durante o dia fui tendo contacto com o Presidente da Concelhia, que me foi colocando as diversas alternativas possíveis e não possíveis.
Desde o principio mostrei-me discordante com a solução que veio a ser apoiada pelos membros presentes na dita reunião que acabou por definir o candidato a cabeça de lista.
No meu entender, o Dr. Rui Caetano não permite ao PS Funchal a descolagem face aos maus resultados que o PS vem tendo desde há algum tempo a esta parte.
Sei que foram feitos outros convites. Sei também que o facto das perspectivas serem baixas e da direcção do partido ser hostil a algumas dessas soluções levaram alguns desses candidatos a recusar encabeçar a lista.
Considero eu, e transmiti-o ao presidente da concelhia do Funchal, que o Dr. Rui Caetano poderia ser um bom nº 2, mas que para esse lugar havia pessoas com muitos mais conhecimentos da realidade do Funchal dentro da própria concelhia, como sejam o Dr. Paulo Barata, o Dr. Cláudio Torres, eu próprio e a Micaela Camacho.
A vontade em ser cabeça de lista, as ausências das pessoas que eram menos favoráveis ao nome do Dr. Rui Caetano, juntamente com as recusas de alguns convidados, e com o facto de pertencer ao secretariado regional do PS e por essa via ter tido recentemente grande visibilidade, levou a que a escolha dos membros presentes na reunião de secretariado recaísse sobre ele. É uma decisão válida, tomada pelo órgão máximo do PS no Funchal, e respeitá-la-ei.

Sabendo o que o Dr. Rui Caetano pensa da actual direcção (já lá andámos os dois) critico-o por se manter lá, e eu sei que ele sabe que eu o critico por isso.
Não tenho criticado esta direcção por ser a favor do grupo A ou contra o grupo B ou C. Sou contra por considerar que esta está a minar o partido e a desbaratar ainda mais o nosso eleitorado.
E por essa via tenho criticado todos os que, mesmo não acreditando nela, a suportam.

Só posso desejar ao Rui Caetano boa sorte para este desafio, apesar de achar que toda ela será muito pouca perante tanta contrariedade.

E pum, lá se foi a teoria de que o aquecimento gobal é provocado pelo CO2

Com o título "Estudo revela que níveis de CO2 são os mais elevados em 2.1M anos", a ser verdade, revela que a teoria do aquecimento global provocado pelo aumento do CO2 é fortemente posta em causa.
Se a teoria do aquecimento global antropogénico estivesse certa então a um nível mais elevado de CO2 na atmosfera deveria corresponder a maior temperatura de sempre. Sabemos que não é assim.

Já a teoria que diz que o aumento da temperatura atmosférica provoca um aumento da emissão de CO2, nomeadamente pela água dos oceanos, não é posta em causa com este novo conhecimento.
A grande diferença relativamente à teoria dominante é que coloca o aumento do CO2 na atmosfera como uma consequência e não como uma causa do aquecimento atmosférico.

Breve Manifesto Anti-Portas em Português Suave

"Real Senhor ía passando... Encostado à bananeira, diz o preto para preta: está bonita a brincadeira."

1.- Estava eu 'posto em sossego' - aprestando o barquito da família para umas passeatas na Ria -, quando soube que vinham albergar em Aveiro nada menos que
2-intelectuais-2 de Lisboa, apostados em trocar a missanga de meia-dúzia de refervidas ideias por um açafate cheio do marfim eleitoral deste Distrito.
De pronto apostado em estragar-lhes o negócio, ainda ponderei então a conveniência de dar um salto algarvio à Praia dos Tomates - para um tonificante estágio 'à la minuta', junto da elite bem-pensante e vegetariana da Capital em férias.
Todavia, depressa desisti desse passeio para o sul - confiado em que a singela funda-de-David, que sempre me acompanha, bastaria para atingir e abater essas aves de arribação.
Não é que não goste de pássaros. Gosto. Mas detesto os cucos políticos - que usurpam e se instalam com à-vontade nos ninhos feitos por outros companheiros (ía a escrever 'camaradas' - expressão regional caída em desuso, mas recuperável).

2.- Deixando os eufemismos, a verdade é que venho lutando desde há muitos anos (frustradamente embora) contra o latrocínio institucional de que a região de Aveiro vem sendo vítima: designadamente, tiraram-nos o Centro Tecnológico da Cerâmica; o Centro de Desportos Náuticos foi também para Coimbra; o discreto porto da Figueira da Foz vem sendo privilegiado em relação ao porto-de-mar de Aveiro; a nossa Universidade só começou a receber dotações decentes depois de saturada a Universidade do Minho; as questões da bacia do Vouga são tratadas na Hidráulica do Mondego; a Direcção dos Serviços da Segurança Social de Aveiro foi transferida para Coimbra; os nossos Serviços de Saúde foram degradados para 'sub-regionais'; a Agricultura do Distrito passou a ser dirigida pela Lusa Atenas e por Braga (!); e a supervisão da Educação na região foi repartida entre o Porto e a dita Coimbra.

3.- Só nos faltava agora mais essa: sermos doravante representados no Parlamento por dois intelectuais da Capital! Era o cúmulo passarem os Deputados por Aveiro a ser gente de fora - 'estrangeiros' para aqui impontados por Lisboa, como 'comissários políticos para zona subdesenvolvida' ou 'tutores de indígenas carecidos de enquadramento'.
Tinha que reagir - e reagi !

4.- Na verdade, o Distrito de Aveiro sempre foi terra de franco acolhimento para quem vem de fora - para aqui trabalhar e viver, valorizando a região (que se torna também sua). Aliás, é esse um dos segredos do nosso crescimento e desenvolvimento. É esta uma das características da nossa identidade: somos gente aberta e hospitaleira, tolerante e liberal, civilizada, moderna, culta e progressiva; todavia - até por isso - nunca tolerámos que nos impontassem mentores!

5.- Disposto a barrar a promoção (à nossa custa) a tais intrusos, procurei apurar quem realmente sejam.

6.- Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, foi-me fácil saber que, antes e depois do '25 de Abril', foi comunista radical - daqueles que (aos gritos de "nem mais um soldado para as colónias") impediram designadamente que Portugal pudesse ter evitado a guerra civil em Timor (e a subsequente invasão indonésia - com os dramas e horrores tão sobejamente conhecidos).
Com sólida formação marxista-leninista, o Dr. Pacheco Pereira tem vários livros publicados sobre o movimento operário e os conflitos sociais em Portugal no início do século.
Constou-me ter agora no prelo um longo escrito sobre as motivações íntimas que o terão levado a renegar o comunismo - opção ideológica que (a manter-se) não lhe teria permitido 'fazer carreira' no PSD, como é evidente...
Todavia, segundo notícias de certo semanário, o Dr. Pacheco Pereira recusa o jogo de equipa que a social-democracia pressupõe: ditadorzinho, não quer na campanha eleitoral em curso a companhia do Dr. Gilberto Madail - que limita às vulgares tarefas de motorista: guiá-lo pelo Distrito (que mal conhece).
Realmente, o Dr. Pacheco Pereira ainda carece de alguma reciclagem democrática...

7.- Quanto ao Dr. Portas, esfalfei-me a correr bibliotecas e alfarrabistas - à procura dos livros que tivesse dado à luz, donde pudesse inferir qual seja afinal a corrente de pensamento que o norteia.
Baldadamente. De facto, o Dr. Paulo Portas apenas publicou um 'folheto de cordel' (que me custou 750$00) sobre os malefícios da integração do nosso país na Comunidade Europeia - opúsculo sem qualquer novidade em relação aos numerosos bilhetes-postais que vem subscrevendo no seu jornal (sem erros ortográficos, mas com pouco fôlego - valha a verdade).
Digamos que tais escritos estão para o 'ensaio' como as quadras populares para o 'poema' - na forma e no conteúdo.
Trata-se de breves crónicas fúteis (embora não tanto como as do MEC, que aliás lhe leva a palma no sentido de humor e imaginação). Espremidas - pingam apenas cinco ou seis ideias, que não chegam sequer para conformar o anarco-conservadorismo (?) que se arroga ser a sua actual matriz ideológica.

8.- Certo é porém ter sido com essas 'quadras soltas' que o Dr. Portas concorreu aos jogos florais da política recente - ganhando (por 'menção honrosa') a viagem turística ao círculo eleitoral de Aveiro, que o Partido Popular oferecia como prémio para o melhor trabalho apresentado por amadores sobre o tema do 'antieuropeísmo primário'.
Tenho-me esforçado por lhe estragar tal passeio - com algum êxito.

9.- Julgavam o Dr. Portas e o enfadado Pacheco Pereira (outro excurcionista) que as respectivas candidaturas a deputado por Aveiro eram 'favas contadas'.
Não nos conhecendo, supunham que os aveirenses ('provincianos' como nos chamam) ficaríamos enlevados e até agradecidos pela sorte (grande) de passarmos a ser representados no Parlamento por 'lisboetas de tão alto gabarito' (a expressão não é minha, evidentemente).
Terão assim ficado surpreendidos pelo 'impedimento' que - logo após a 1ª anunciação - eu próprio (parente muito chegado da noiva) entendi opôr firmemente ao casamento-de-conveniência que pretendiam contraír com a minha querida região de Aveiro (num escandaloso golpe-de-baú eleitoral - para usar linguagem de telenovela).
Como consequência imediata, eles - que tencionavam 'casar por procuração' (que é como quem diz sem-sequer-cá-pôr-os-pés) - tiveram que se dar ao incómodo inesperado de interromper as regaladas férias que gozavam e vir mesmo mostrar-nos os seus dotes.
Estraguei-lhes o arranjinho!

10.- O primeiro a comparecer foi o Dr. Portas.
Chegou de fato novo e ideias velhas.
E instalou-se num hotel da região - escolhido pela mãezinha (no Guia Michelin).
Desde então, quase não tem feito outra coisa senão passar a 'cassete' - que gravou contra a participação de Portugal na Comunidade Europeia.
Tão desenvolto como qualquer vendedor de banha-da-cobra, impinge a quem se acerca as suas críticas à integração (aliás com a mesma monotonia com que o Marco Paulo repete ter dois amores).
E confunde deliberadamente os erros crassos cometidos pelo cavaquismo (nas negociações internacionais e no desenvolvimento interno das políticas sectoriais da integração) com a própria integração - o que constitui uma desonestidade intelectual inaceitável.
Pior é quando reclama que seja submetida a referendo a nossa entrada na União Europeia - depois de já termos entrado (e... recebido os milhões e milhões que essa opção facultou aos incompetentes governos do PSD) ! Aliás, o Portas não explica sequer que mirífica alternativa à comparticipação na CE teríamos podido escolher.

11.- Confrontado com questões políticas mais comezinhas (como a regionalização e o tratamento dos resíduos tóxicos), não tem opinião própria ou não sabe para que lado lhe convém cair - e refugia-se então na evasiva: reclama um plebiscito 'adequado'.

12.- Fundamentalista e vaidoso, o Dr. Portas parece estar convencido de que não existe mais nenhum português inteligente e verdadeiramente patriota - além dele e do Dr. Manuel Monteiro.
Aliás, o Portas tem o nosso povo em fraquíssima conta...
Não obstante, messias da restauração, reclama 'missionários' (sic) para o seu ridículo sebastianismo - sem revelar de que Alcácer Quibir pretende afinal a reconquista.

13.- Inseguro, o jovem Portas sublima os seus problemas existenciais numa catarse de legitimidade duvidosa: exacerba as opiniões políticas que defende a um grau de intolerância que excede manifestamente o radicalismo aceitável de quem se move apenas por convicções arreigadas - tornando-se injusto, maledicente e agressivo.
Aliás, o frenesim que reveste a sua militância é bem um indício dessa terapêutica (praticada que foi, também, por 'chefes' cujos nomes a História registou - mal comparando...).

14.- Políticamente, o Portas é um 'bluff' - produto acabado de certos meios intelectualóides da Capital, que funcionam em circuito fechado: por convites mútuos, elogios recíprocos e esquemas de sobrevivência imediata.
Entre muitos outros, fazem parte de tal 'entourage' o avinagrado Vasco Pulido Valente ('avinagrado' de vinagre - entenda-se) e sua piedosa esposa, D. Constança Cunha e Sá - ambos comungando os chorudos ordenados que "O Independente" (assim chamado) do Dr. Portas lhes paga, pelas crónicas de mal-dizer que semanalmente ali escrevinham, no cómodo formato A4.
Também o inefável Miguel Esteves Cardoso colabora no endeusamento do Portas, rebuscando a favor do patrão os trocadilhos que lhe deram notoriedade há mais de 20 anos - aquando era uma espécie de menino-prodígio da escrita fútil.
Pena que tenha deixado de ser prodígio e se mantenha menino; pena que desperdice agora o seu inegável talento juvenil a produzir romances pornográficos - ainda que muito apreciados pelas pegas e pederastas do Intendente e pelo crítico Henrique Monteiro, que os reputa (o termo é adequado) como peças exemplares da literatura moderna.

15.- O Portas é elitista. Mas simula demagogicamente interessar-se pelos problemas daqueles a quem, no seu milieu, é uso chamar 'as classes baixas' - como aconteceu recentemente na Bairrada, quando fingiu participar na vindima que gente simples e autêntica da terra levava a cabo (por castigo andando agora, há já várias noites, a pôr 'creme nívea' na sua mãozinha mimosa, nunca antes maltratada por qualquer alfaia agrícola).

16.- O Portas é dissimulado: esconde da opinião pública parte da sua verdadeira identidade.
Concretamente, oculta que é monárquico - opção que, sendo embora legítima, tinha obrigação de revelar àqueles a quem pede o voto para deputado da República ! É a tal 'falta de transparência política' que critica - nos outros, claro...

17.- O Portas é um democrata precário: por falta de formação ou informação, por carência de convicções ou por incoerência, rejeita a aplicabilidade universal da regra '"um homem-um voto" - verdadeiro axioma da Democracia essencial.
Assim sendo, não me admiraria nada que o Dr. Portas resvalasse a curto prazo para a defesa de soluções autoritárias para a governação dos portugueses, que (no seu entender) revelam "uma estranha tendência para o precipício".

18.- Eleitoralmente, o Portas é desleal: vicia as regras do jogo.
Na verdade, tendo-se feito substituir formalmente na direcção d' "O Independente" (assim chamado), usa agora tal semanário como jornal-de-campanha privativo, aí publicitando escandalosamente os seus palpites e auto-elogios e atacando e denegrindo os adversários - com a cumplicidade na batota do respectivo 'conselho editoral' ! Porque não sou 'queixinhas', não vou lamentar-me nem reclamar contra tão anómalo procedimento - junto da comissão-de-ética do Sindicato dos Jornalistas, junto da Alta Autoridade para a Comunicação Social ou mesmo junto da Comissão Nacional de Eleições.
Não vou sequer queixar-me à mãezinha do Dr. Paulo Portas.
Tão-pouco protestarei junto do Dr. Nobre Guedes - tido por 'dono do jornal' -, até porque sei que anda absorvidíssimo por visitas diárias a feiras e mercados e pelas demais tarefas da sua própria 'candidatura a sanguessuga' (também pelo PP), sem que lhe reste tempo para se preocupar com subtilezas e ninharias éticas.
Aliás, provavelmente não será especialista em 'deontologia profissional do jornalismo'.
Assim sendo, remeto a apreciação da chocante conduta do Dr. Portas e d' "O Independente" para a opinião pública e para os jornalistas Daniel Reis, Cáceres Monteiro, César Principe e José Carlos de Vasconcelos - tidos por profissionais honestos, competentes e livres (aliás como muitos outros).
Concretamente, permito-me perguntar-lhes se acham que o comportamento daquele semanário e do Dr. Portas (que usa fazer a apologia dos valores morais sociais) seja éticamente aceitável.

19.- De facto, não é fácil ser-se coerente e sério em política !

20.- Particularmente difícil é porém 'fazer carreira política' em Portugal - sobretudo quando não se dispõe do apoio de qualquer dos 'lobbies' que condicionam quase toda a nossa actual vida pública. Estou a referir-me à 'solidariedade corporativa' na promoção individual de que beneficiam os membros da Maçonaria, os confrades da Opus Dei, os agentes dos grupos económicos e - mais recentemente - os parceiros da comunidade 'gay'.
Trata-se de organizações ou agregados que mantêm intervenção (directa ou indirecta) praticamente em todas as estruturas da nossa vida colectiva - também nos partidos políticos e na comunicação social.
Agindo concertada ou avulsamente,os membros de tais 'lobbies' têm grande influência sobre muitas tomadas de posição de quem-de-direito e sobre a formação da opinião pública.
Podem designadamente ajudar ao aparecimento de pretensos génios artísticos, 'heróis sociais' ou ídolos-de-pés-de-barro (como são muitos dos políticos de sucesso).

21.- Por definição, as interferências do género são discretas ou mesmo subliminares - e passam geralmente desapercebidas aos cidadãos influenciáveis.
Na verdade, quem é que, de manhã, ao acompanhar a torrada e o galão do dejejum com a leitura do 'Público', pondera que esse jornal tem dono - e que o editorialista Vicente Jorge Silva é capataz dos respectivos interesses (mesmo quando - agora instalado - escreve considerações que fazem lembrar os tempos remotos e diferentes em que foi considerado pelos situacionistas de então como um jovem rasca da 'geração de 60') ? E quem perceberá que está a ser condicionado na formação da sua opinião, quando escuta na rádio uma análise ou critica - injustamente lisonjeira - da acção de um diplomata, do trabalho de um artista ou da capacidade de um político homossexual proferida por outro homossexual, se não souber que tal apreciação reporta afinal a solidariedade de pessoas da mesma minoria ?

22.- A acção de todos ou alguns desses 'lobbies' perpassa de facto os principais partidos - transversalmente.
E, por vezes, é no espírito-de-corpo ou jogo de conveniências dos respectivos protagonistas que se encontra explicação para surpreendentes convívios gastronómicos no 'Gambrinus' ou na província e para inesperados apoios ou solidariedades espúrias ocasionalmente detectáveis nos mais variados campos da nossa vida colectiva.

23.- Republicano convicto, socialista humanista e democrata sem transigências, tenho feito o meu discreto percurso de político-não-profissional apenas com a ajuda dos activistas locais do PS e o firme apoio da gente bairrista da região de Aveiro - sem compromissos em relação a qualquer daquelas estruturas ou 'forças de pressão'. Livre e independente como sempre, enfrento a presente conjuntura eleitoral com justificada confiança.
Estrêla de 3ª grandeza nos céus confinados do meu Distrito, nada me ofusca o brilho fugaz do citado Dr. Portas - cometa ocasional, que desaparecerá deste firmamento tão depressa como apareceu (e... sem deixar rasto).
Tão-pouco me perturba a dimensão aparente do Dr. Pacheco Pereira - lua nova doutras galáxias, que (perdido o fulgor militante que o marxismo-leninismo lhe emprestava) agora só é visível quando reflecte a claridade frouxa dessa extensa nebulosa que se chama PSD.

24.- Na minha terra, sou mais forte do que eles !

25.- Na noite do próximo dia 1 de Outubro, espero poder pendurar no meu cinto de caça política as tais duas aves de arribação - espécies exóticas lisboetas pouco apreciadas na região cinegética de Aveiro: um garnisé-cantante e um pavão-de-monco-caído.
Esses troféus servirão de espantalho a futuras transmigrações para esta 'zona demarcada entre o Douro e o Buçaco"

Carlos Candal

Bruce Bueno de Mesquita e o Irão

A lógica da sobrevivência política

Existe uma teoria segundo a qual todas as acções de um líder têm com fim último a permanencia no poder.
Segundo esta teoria existem três grandes grupos na sociedade, e os seus pesos relativos ditam as acções dos lideres.
Esses grupos são:
1 - os residentes (N)
2 - o selectorado (S)
3 - os membros da coligação vencedora (W)
Onde os membros da coligação vencedora fazem parte do selectorado, que por sua vez faz parte do grupo mais vasto dos residentes no País.

Tentando dar um exemplo, do nosso país, temos o grupo dos residentes com cerca de 10M de membros; temos o grupo do selectorado, que no fundo são as pessoas com capacidade de voto e como tal podem escolher os lideres e que em Portugal são 9,6M de pessoas, ficando apenas de fora as pessoas com menos de 18 anos. Por fim, e tendo em conta o sistema de círculos eleitorais, temos os membros da coligação vencedora que são pelo menos 43% dos votantes (garantia da maioria absoluta).

As decisões tomadas pelos lideres, podem sintetizar-se em:
- Nível de impostos
- Afectação de fundos para bens privados, que beneficiarão os membros da coligação vencedora
- Afectação de fundos para bens públicos, para toda a sociedade, incluindo os membros da coligação vencedora, o resto do selectorado e os não votantes.

Segundo a teoria, quando W/S é pequeno, ou seja W é apenas uma pequena parte de S, então o líder privilegia o fornecimento de bens privados à coligação vencedora do que o fornecimento de bens públicos.
Por outro lado, quando W/S é elevado, tipicamente 0,5, então o líder, de modo a maximizar as suas probabilidades de manutenção no poder, maximiza os bens públicos fornecidos reduzindo o fornecimento dos bens privados.

Por exemplo, a construção de uma estrada tem uma componente de bem público para quem a usa, e uma componente de bem privado para quem a constrói.
Outros exemplos de bens públicos, são: a transparência, a educação, saúde, crescimento económico.

É também provado, recorrendo a esta teoria, porque razão os lideres autocráticos permanecem muito mais tempo no poder que os democráticos.
É tudo uma questão de probabilidades de pertencer ou não á coligação vencedora, e da lealdade que essa probabilidade pode causar.
Assim, quando W/S for pequeno a probabilidade de pertencer a W é mais pequena e o que se pode perder por não fazer parte de W é maior, levando a uma maior lealdade ao chefe.

Quando tiver aprofundado um pouco mais os meus conhecimentos nesta matéria tentarei fazer aqui a caracterização do sistema politico na Madeira.
Fica prometido para um post futuro.

quinta-feira, junho 18, 2009

O que é noticia?

Num artigo do Público sobre o relatório do Observatório Português do Sistema de Saúde lê-se como título "Espera para cirurgia oncológica continua a ser excessiva".
No entanto no corpo da noticia podemos ler que "Exemplo paradigmático de uma área em que foi substancial a evolução neste período é o das listas de espera cirúrgicas (a maior parte dos doentes aguardam agora entre 61 e 120 dias por uma operação não urgente, quando em 2007 esperavam 121 a 210 dias), mas, mesmo assim, ainda não foi ultrapassado o “desafio” do cancro. Continua a ser “excessivo” o tempo de espera nas cirurgias de doenças neoplásicas malignas, refere o relatório. “Comparativamente com os 14 dias de espera recomendados pela Canadian Society Surgery of Oncology, os tempos de espera praticados ainda exigem uma considerável melhoria na gestão de todo o processo”, conclui.
Julgava eu, que não sou jornalista, que o título deveria espelhar o mais fielmente possível o conteúdo da notícia, mas pelos vistos o sound bite é que é importante.
Mas não é qualquer sound bite. O titulo também poderia ser: Tempo de espera em cirurgia reduzido para metade em apenas um ano. Título este que também chamaria a atenção.

A escolha feita para o título pelo Público foi clara, e mostra que também há jornalismo comprometido.

quarta-feira, junho 17, 2009

Ai os neo-liberais? II

Para bom entendedor meia palavra basta, mas para os outros eu explico.
Os neo-liberais não defendem que o estado deva garantir educação, saúde e assistência social a toda a população, como não defende que o estado deve funcionar como um contrapeso da economia, recuando e amealhando quando a economia está bem e intervindo quando a economia precisa de ser estimulada.

Eu e muitos dos que fazem parte da esquerda moderna, somos a favor de tudo isto.

Defendo intransigentemente a liberdade de iniciativa e a diversidade, e por isso abomino a formatação e castração da iniciativa privada típica de uma esquerda antiquada e radical.

A questão dos professores e dos funcionários públicos não é uma questão de esquerda ou de neo-liberalismo. É uma questão de democracia.
Um estado democrático refém dos seus funcionários é tão mau, democraticamente falando, como um estado dependente de grupos económicos monopolistas.
Um Estado de esquerda democrática e moderna, não deve ter preconceitos em relação às empresas. e pode e deve comprar serviços e bens para desempenhar as suas funções.
Um Estado de esquerda democrática e moderna, como eu a vejo, defende a descentralização das decisões e do poder, reduzindo os riscos à liberdade, existentes nas sociedades planeadas.

Defendo uma lei do trabalho igual para todos, e não uma para os trabalhadores privados e outra para os funcionários públicos.
Defendo a busca pela mudança e a flexibilidade, como defendo mais direitos no desemprego, direitos de maternidade/paternidade e direito à formação.
Defendo a protecção dos trabalhadores e não dos postos de trabalho.

Perante tudo isto, haverá ainda alguém que me considere neo-liberal? Com certeza que sim, mas apenas por laxismo intelectual.

P.S. - Sei que muitos funcionários públicos apesar de terem levado um abanão nas suas expectativas, partilham também desta visão de esquerda. No entanto os seus interesses privados foram afectados e têm mostrado o seu descontentamento onde devem, ou seja, nas eleições. E estão no seu direito.

terça-feira, junho 16, 2009

Ai os neo-liberais!!!

O amigo Miguel Fonseca vê nas politicas neo-liberais do governo de Sócrates a razão da erosão do eleitorado que constituía a base de apoio do PS.
Não duvido que o Miguel, que anda há muito mais tempo nisto que eu, esteja completamente certo, dado o seu conhecimento da base de apoio que ao longo do tempo foi mostrando simpatia pelo PS.
No entanto, há algo nesta constatação que me incomoda.
Seria aceitável que o PS beneficiasse de tal modo a sua base de apoio, que nada sobrasse, em termos de apoio para a restante sociedade? Parece-me que não.
Um governo de esquerda, como eu a vejo, governa para que toda a sociedade, e principalmente os mais frágeis, tenham acesso a um conjunto de bens essenciais, dos quais incluo a saúde, a educação, a assistência social e a justiça.
Um governo de esquerda luta contra as desigualdades, proporcionando igualdade de oportunidades, transferindo bens dos mais abastados para aqueles que por herança ou por contingências da vida, fazem parte da parte mais frágil da sociedade.

E os professores e funcionários públicos onde encaixam nisto tudo?
Deve um governo de esquerda dedicar o seu trabalho a aumentar os seus bens e conforto, ou pelo contrário deve exigir deles um maior esforço, de modo que o estado produza bens para combater desigualdades, e não para se alimentar a si próprio?
A resposta a esta questão não é evidente, para quem se diz de esquerda!?


Alguns neo-liberais deste governo de Sócrates fizeram mais pelo combate às desigualdades do que alegres poetas que só têm palavras para dar.

Devido a Correia de Campos, neste momento as listas de espera são mais pequenas, existem mais 2 Milhões de pessoas com acesso a unidades de saúde familiar, e Portugal passou a ser o pais do mundo com a mais baixa taxa de mortalidade infantil (Lembram-se do que disseram do fecho das maternidades).
Na educação, e devido a Maria de Lurdes Rodrigues, inverteu-se a tendência decrescente de alunos, muitas pessoas viram reconhecidos os seus conhecimentos, e muitos jovens passaram a ter acesso a um computador e à internet (não apenas os ricos).
Na segurança social, muitos foram os idosos com fraquíssimos recursos que passaram a ter acesso a um complemento solidário e que neste momento têm acesso a medicamentos genéricos inteiramente gratuitos.

Para um governo neo-liberal não está nada mal.

É verdade que muitas destas medidas não foram bem explicadas, quer pelo PS a nivel nacional, quer por nós cá na Madeira, mas uma coisa é certa, este é o governo que mais se aproxima da minha visão de esquerda.

No passado António Guterres seguiu a estratégia defendida pelo Miguel Fonseca, tornando todos os professores e funcionários públicos muito mais felizes, mas no fim, nem o ensino melhorou, nem os serviços públicos melhoraram e como corolário de tudo isto Guterres não ganhou as eleições. Pensem nisso.

segunda-feira, junho 15, 2009

Estudo

''Consequências económicas da revisão da Lei das Finanças Regionais'' de Novembro de 2006.

Ver aqui.

Comissão Politica PS-M

Infelizmente, e apenas por razões profissionais, não estarei hoje na Comissão Política do PS-M.
Penso que a minha posição é clara.
A actual direcção do PS-M não conseguiu descolar dos maus resultados das eleições de 2007. Antes os agravou.
A purga estalinista tentada por JCG está a ter efeitos nefastos quer dentro quer fora do partido.
Apesar de JCG ter sido eleito para conduzir o partido nos 3 actos eleitorais de 2009, não sei até que ponto, o presidente do PS-M continua com legitimidade para cumprir esse designio, tendo em conta que grande parte da moção de estratégia global, proposta e aprovada em congresso, foi pura e simplesmente esquecida ou mesmo contrariada pelos mesmos que a propuseram.
Sei que ainda não batemos no fundo, mas seguindo o caminho dos últimos tempos, esse fundo não deve estar muito longe.

O Peso do PS-M dentro do PS


No quadro acima podemos ver o número de votantes no PS em cada um dos distritos portugueses, nas eleições europeias de 2009 e 2004.
O quadro foi ordenado por ordem decrescente de peso dos respectivos distritos nas eleições de 2009.
Alguns pontos merecem uma reflexão séria:
1º - O peso eleitoral da Madeira face ao todo nacional em 2004 era de cerca de 2,6%
O peso do PS-M (dentro do PS) nas eleições europeias de 2004 foi de 2,11%.
O peso eleitoral da Madeira em 2009 é de 2,74%.
O peso do PS-M é de 1,62%.
O PS-M era em 2004 o 14º distrito com maior peso, tendo descido duas posições em 2009.
O PS-M está a seguir no caminho de se tornar mais irrelevante dentro do PS.

2º - Tanto em 2004 como em 2009 o candidato do PS-M era tido como não elegível. Suponho, por isso, que esse factor não influenciou o resultado final. Embora, tendo influenciado, seria positivamente, face ao facto da eleição já ter acontecido no passado.

Face ao exposto, com este resultado, fica cada vez mais difícil ao PS-M ter um lugar decente (ilegível) numa lista às eleições europeias.
Este ciclo vicioso só pode ser quebrado com o reconhecimento, por parte dos nossos pares, do nosso valor, empenho e capacidade. Isso, visivelmente não tem acontecido.

domingo, junho 14, 2009

20 votos

Passada uma semana desde as eleições europeias e ainda estão por apurar os votos da Argentina e Austrália.
Não sei o que se passa, e ainda não vi uma única noticia sobre o assunto.
Será que custa assim tanto contar 10 votos de um lado e mais 10 do outro?

Haverá cegueira maior?

Guilerme Silva escreveu para o dn-m um artigo de opinião onde a determinada altura diz:

Fugir aos debates, como aconteceu por parte do Eng. Sócrates, ao deixar de ir ao Parlamento durante quase dois meses, no que foi seguido pelo seu cabeça de lista Vital Moreira que recusou um debate, da iniciativa da Televisão pública, com o Dr. Paulo Rangel, não só confirma que o candidato socialista não se desprendeu ainda das suas raízes, como revelou medo do adversário.

Saberá o deputado social democrata o que se passa na Madeira? Sabe quantos meses passam sem que o Presidente do Governo Regional vá à ALM? E sabe a quantos debates vão os cabeças de lista do PSD-M?
É claro que sabe.

E não saberá Guilherme Silva que o facto de não haver debates quinzenais na AR deve-se a uma decisão unanime dos lideres dos grupos parlamentares, em que o representante do PSD votou a favor?
É claro que sabe.

É raro ver tanta hipocrisia junta. Mas com Guilherme Silva é sempre assim.

sábado, junho 13, 2009

Depois de mim virá quem bom de mim fará

A análise eleitoral feita pelo professor Agostinho Soares mostra ao nível a que chegamos.
O secretário geral do PS-M afirma que o PS-M apenas baixou 15,91% relativamente às últimas eleições europeias, querendo sugerir que tínhamos baixado menos que os outros.
Se essa análise tivesse um ponta de credibilidade, então Jacinto Serrão que nas Regionais de 2007 viu o PS-M baixar "apenas" 12% face às anteriores Regionais de 2004 tem de ser visto como tendo tido um bom resultado.

A comparação face aos votos perdidos também coloca Jacinto Serrão e a sua equipa num patamar bem melhor que a actual equipa, isto porque de 2004 para 2007 o PS-M perdeu 42% do seu eleitorado, enquanto que agora com JCG e sua equipa o PS-M perdeu 51%.

Sabemos no entanto que JCG e o novo PS foram os primeiros a querer tirar dividendos do mau resultado de 2007. Atitude bem diferente têm agora, recusando-se a assumir as responsabilidades próprias.

P.S. - Estranhamente ou não as maiores ondas de apoio na blogosfera à actual direcção do PS-M vêm dos intriguistas de serviço do PSD-M.

quarta-feira, junho 10, 2009

Sondagens

O CDS pretende que sejam proibidas as divulgações da previsão do tempo antes dos fim-de-semana e dos feriados.
Consistentemente estas previsões têm falhado, chegando ao ponto de anunciar chuva em dias de ceú completamente limpo, e muitas vezes prever temperaturas máximas vários graus abaixo do que se vem a verificar.
Não é admissivel que estas previsões sejam grosseiramente manipuladas de modo a manter as pessoas em casa.

terça-feira, junho 09, 2009

PR vetou lei do financiamento dos partidos

Desta vez estou de acordo com Cavaco Silva. Fez muito bem em vetar a Lei de Financiamento dos Partidos.
A actual lei tem alguns problemas que devem ser resolvidos, mas não existe pior altura que esta para fazer alterações ao financiamento dos partidos. Estamos em periodo eleitoral intensivo e as tentações são enormes.

Espero que os deputados se lembrem, quando este tema voltar à AR, que existem estruturas regionais dos partidos na Madeira e nos Açores, com competências própiras decorrentes da existência de Assembleias Regionais e cujo financiamento deve ser previsto, evitando o financiamento indirecto através do financiamento dos grupos parlamentares.

segunda-feira, junho 08, 2009

Desculpem lá qualquer coisinha

Na semana passada e em vésperas de eleições europeias o Ministério Público decidiu entrar na campanha e fazer um julgamento sumário sem hipótese de defesa de dois ex-autarcas socialistas de Lisboa, nomeadamente Jorge Sampaio e João Soares, acusando-os de abuso de poder na atribuição de casas camarárias.
Acontece que os casos a quem o MP acusava Jorge Sampaio de atribuir casa afinal teriam de ser atribuídos a Kruz Abecassis.
Passadas as eleições, lá vem o MP pedir desculpa pela canalhice feita poucos dias antes.
Estes pulhas merecem pagar bem caro pelo lixo que lançam sobre o nome das pessoas. Esta gente tem nome e as ruas relações pessoais e politicas são conhecidas.
Fico a aguardar pela punição exemplar do Conselho Superior do Ministério Público, reprovando a vergonhosa actuação de alguns dos seus membros.
Caso contrário é a descredibilização total das instituições da República Portuguesa.

Tudo tem um lado positivo

Para João Carlos Gouveia, 14,69% é um resultado animador. Mais afirma que este é apenas um passo no caminho para as eleições regionais de 2011, em que o PS estará a lutar em pé de igualdade com o PSD.
De inicio não estava a ver a lógica da coisa, mas após muita reflexão lá compreendi.
Então é assim:

Gaula 2008 : 5%
Europeias 2009: 15% (3X último resultado)

Aplicando a progressão temos:

Legislativas 2009: 45%
Autárquicas 2009: 135%

E finalmente, Regionais 2011

405%

Europeias 2009: Madeira

Os resultados do PS-M foram miseráveis. Muito piores que no resto do País.
Conseguir baixar o peso eleitoral face ao mau resultado eleitoral das regionais de 2007, é obra só ao alcance JCG.
Perante este desastre, o que diz o presidente do PS-M!? Diz que os resultados são "animadores".
Animadores!? Só se forem para os outros partidos que a cada eleição roubam eleitorado ao PS-M.

João Carlos Gouveia não consegue transmitir claramente uma mensagem ao eleitorado, e a sua visão estratégica limita-se ao interior do Partido.
Considero uma loucura deixar nas mãos de JCG e sua equipa a condução dos próximos actos eleitorais. Essa possibilidade pode reduzir o PS-M a uma representação secundária no panorama político regional.

Aqueles que por calculismo politico têm mantido o seu apoio a JCG, incluindo muitos dos actuais membros da direcção, também são responsáveis por estes resultados e devem ser todos responsabilizados.
Já tinha afirmado no passado que estas eleições europeias seriam o ponto em que alguns elementos da direcção do PS-M usariam oportunisticamente para crititar publicamente o Presidente, achando que assim ficariam ilibados de responsabilidades. Enganam-se. As suas responsabilidades são as de ter suportado para alem do aceitável quem há muito se mostrou sem capacidade para ocupar o lugar que ocupa.

Europeias 2009

Antes de mais comentários, gostaria de dar os meus sinceros parabéns ao PSD, que ganhou indubitavelmente este acto eleitoral, e ao Bloco de Esquerda pelo incrível crescimento, tendo triplicado o número de representantes no PE.

O PS ficou longe dos objectivos propostos e como tal perdeu estas eleições. Em democracia há ganhar e perder e as escolhas do povo são soberanas.

sábado, junho 06, 2009

sexta-feira, junho 05, 2009

As sondagens e o voto obrigatório

Não sei se alguma vez foi feito algum estudo sobre o efeito das sondagens nas intenções de votos, mas quero crer que que este será reduzido.
Admito que exista algum efeito nos indecisos no sentido de votar em quem se apresenta como vencedor, mas mais uma vez, não conheço nenhum estudo que o confirme.

Já em relação à mobilização dos eleitores penso que as sondagens podem ter um efeito bem mais forte. Há exemplos recentes de desmobilização daqueles que, com base na informação das sondagens, desmobilizaram face a uma vitória quase certa, alterando significativamente o resultado das eleições e tornando a votação num reflexo pouco fidedigno da vontade popular.

É nesta perspectiva que considero que o voto obrigatório podia em grande medida atenuar este efeito, que distorce o verdadeiro sentido da vontade popular.
Não sou da opinião que o voto obrigatório seja um atentado à liberdade pessoal, como alguns defendem, tendo em conta que a livre escolha entre os candidatos, e já agora, entre estes e o voto nulo e branco, mantém-se intacto, sendo eliminados os efeitos de distorção resultantes de maior ou menor mobilização de determinados grupos na sociedade.

quinta-feira, junho 04, 2009

Foi muito pouco

Está praticamente no fim a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu. Nestas duas semanas o que menos vimos foi os diversos partidos afirmarem diferenças relativamente a temas europeus.
O único candidato que trouxe um tema europeu para a agenda foi Vital Moreira, com a questão tabu do Imposto Europeu. Logo, a demagogia e má fé tomaram conta desse caso impedindo um debate sério sobre o tema do financiamento da UE.
O JdN tentou aprofundar o tema e a ferros lá conseguiu sacar do cabeça de lista do PSD, do tal partido da verdade, que afinal também era favorável a um imposto europeu, tal como o PS, apesar de o ter negado no dia anterior.
Dos outros partidos não havia muito a esperar e as suas declarações vieram confirmá-lo. BE e PCP, como são contra a UE, desejam a todo o custo que esta não tenha fundos para poder fazer o seu trabalho, e como tal desejam que os fundos transferidos dos estados membros para a UE diminuam. O CDS acha que os 3% do PIB Europeu, que é o Orçamento da UE, é demasiado elevado e com tal deveria diminuir. PCP, BE e CDS estão de acordo que deveriam vir mais fundos para Portugal apesar de recusarem tocar no assunto do financiamento da UE.
Sendo Portugal um dos países que mais beneficiam dos Fundos Europeus, se todos os partidos realmente pretendessem mais fundos, deveriam defender o aumento das contribuições de todos os EM. Mas como já sabemos a hipocrisia politica não dá para tanto.

Havia muito mais para debater e defender: Mais ou menos PAC e acordos de Doha; Alargamento ou consolidação; Defesa comum; Politica energética comum; Tratado de Lisboa. Etc. Etc.
Nada disso foi discutido e os eleitores ficaram sem se aperceber das diferenças entre os diversos concorrentes a estas eleições.

Não tenho muitas esperanças que noutras eleições possa vir a ser diferente. Resta-nos tentar mantermo-nos informados e ir aderindo á demagogia.

PSD: Pseudo Social-Democrata?

... o PSD é mesmo um caso extremo de indefinição. Trata-se de um partido que se diz social-democrata, mas que nada tem a ver com os partidos da social-democracia europeia. A referência à social-democracia é um equívoco que vem da génese do partido, e sobretudo de uma tentativa episódica de adesão à Internacional Socialista. Mas tudo isso é passado. Na actualidade, o PSD pertence ao grupo do Partido Popular Europeu, que reúne os partidos da direita liberal-conservadora. É esse o seu espaço natural, mas, para efeitos internos, isso nunca é assumido e é mesmo escondido dos eleitores.

João Cardoso Rosas no DE.

quarta-feira, junho 03, 2009

Vital Moreira


... uma Comissão Europeia dominada por um fundamentalismo neoliberal, que liberalizou as trocas sem garantias mínimas contra o “dumping” social e ambiental. O que temos hoje é a China, a Índia e outros países em competição com a Europa, sem que esta lhes exija o mínimo de condicionalidade, nem mesmo ao nível dos direitos humanos. Esse é um dos erros que eu, como homem de esquerda, censuro. Em vez de dizer que o Estado social europeu está a prejudicar a competitividade, o que devemos é submeter a competitividade a mínimos decentes e humanos. É admissível que produtos europeus compitam com produtos fabricado por crianças, por trabalho infantil, em condições infra-humanas? Não é! E a UE não devia, não deve, embarcar nesta lógica de primazia absoluta à liberalização que, obviamente, colocou a Europa numa posição muito desfavorável. E nós fomos vítimas desse fundamentalismo liberal da União.

Boa entrevista de Vital Moreira ao JdN. Com uma ideia muita esclarecida do que deve ser a União. Opinião su
rpreendente relativamente à adesão de novos membros mas particularmente sobre a inclusão da Turquia na UE - em que subscrevo.

segunda-feira, junho 01, 2009

Para servir de exemplo

''A profissão de jornalista na Madeira é aliciante se formos corajosos''

Luis Miguel França (Tribuna da Madeira)

Quem é que é amigo? Quem é?

A partir de hoje os idosos mais carenciados terão acesso a medicamentos genéricos comparticipados a 100% pelo estado.
Esta é mais uma medida de apoio aos mais necessitados, criando simultaneamente pressão relativamente à prescrição de medicamentos genéricos.
Sem esta medida muitos idosos continuariam a ter que optar entre comprar ou não determinados medicamentos.
Governar à esquerda é precisamente evitar desperdícios a todo o custo para criar margens suficientes para diminuir desigualdades.

Há cada maluco


Ouvi dizer que anda para aí um gajo a tentar ligar a Madeira a Canárias numa mota de água.
Há gente assim. Quando se lança num desafio nunca faz as coisas pela medida pequena.
Ao Frederico Rezende, fica aqui o meu apoio, desejo de muita sorte e conselho de cautela.

Em principio será no próximo fim-de-semana se as condições meteorológicas forem favoráveis.
Vão acompanhando os desenvolvimentos em http://www.fredericorezende.blogspot.com/.

O cúmulo da hipocrisia

São conhecidas as posições do CDS-PP relativamente aos imigrantes. Para o CDS-PP Portugal esta infestado de imigrantes e é urgente manda-los todos de volta para as suas terras.
Qual não é o meu espanto quando vejo numa iniciativa de campanha do CDS para as eleições europeias, o Dr. Pires de Lima a afirmar que a justiça portuguesa não funcionava porque tinham mandado a menina russa para casa com a mãe.
Então agora o CDS já quer que os imigrantes venham para Portugal ter filhos? E os laços de sangue já não têm valor?
Esta tentativa de cavalgar uma onda mediática relativamente à menina russa é a maior* demonstração de hipocrisia que assisti nesta campanha. Vale tudo menos discutir a Europa.

* em segundo na escala de hipocrisia fica o facto de todos os partidos serem a favor de mais fundos da UE mas recusarem-se a falar do Imposto Europeu ou defenderem qualquer outra iniciativa.

Ainda muito temos que andar...

Anda meia dúzia de figurinhas que gostam de ver MMG a malhar em José Socrates todas as sextas-feiras à noite, que consideram que as deliberações da ERC e do SJ são tentativas de censura.
Não será que a censura está do lado daqueles gostavam que estes dois órgãos não emitissem a sua posição sobre aquele tipo de espaço noticioso?
Alguém porventura proibiu alguma coisa?

Acho bem que não seja proibido, mas também acho bem que quem se considera ofendido possa apresentar queixa à justiça e que quem não se revê naquele tipo de jornalismo possa emitir a sua posição com total liberdade e responsabilidade.

Estranho é que ainda se considere que dar uma opinião ou exercer um direito seja tentar censurar.

Lembrete

O Partido Socialista tem órgãos eleitos, com competências bem definidas.
Existem processos de decisão que têm os seus desenvolvimentos próprios e levam a determinadas soluções. Tenham calma, ainda estamos nas europeias e é cedo para falar das autárquicas.

A intriga não está proibida, mas o uso da memória também não.

Praia dos Anjos

É triste quando um governante de uma região turística como é a Madeira não consegue ver mais numa praia do que material de construção. E se quiserem vão para outras praias que aqui quem manda é o bronco das obras.

Passei muitos bons momentos da minha infância naquela praia. A casa da prima Bernardina (verde) era passagem obrigatória sempre que íamos em comitiva familiar visitar as tias avós à Ponta do Sol. Geralmente íamos à praia nos anjos e de seguida seguíamos para os Canhas para visitar o resto da familia, que eram as tias directas da minha mãe.
Fazia também parte desse roteiro a subida da ladeira até à casa do meu bisavô (Amarelo), que já na altura estava em ruina e pertencia a umas primas que tinham emigrado para a Venezuela.
Ainda no ano passado fui às lapas* na praia dos Anjos. O depósito de areia já lá estava, mas o acesso à praia não estava interdito. Lembro-me de comentar que aquela praia tinha um imenso potencial, sendo os maiores problemas o facto de haver poucos estacionamentos e não existir nenhuma estrutura de apoio, como um bar ou uma casa de banho.

Espero que não deixem que um pato bravo com gravata qualquer, permita que se roube um bem público à população para entregá-lo aos seus comparsas.

* Na verdade eu só devo ter apanhado umas 5 lapas, mas comi umas boas duzias, graças à especialista em caça à lapa que eu levei comigo. :)

O concurso As 7 maravilhas portuguesas no mundo ignora a história da escravidão e do tráfico atlântico

Há mais ou menos vinte anos, vários países europeus, americanos e africanos vêm afirmando a memória dolorosa do comércio de africanos escravizados e valorizando o patrimônio que lhe é associado. Essa valorização se traduziu não somente na publicação de um grande número de obras historiográficas, mas também se expressou na realização de projetos como A Rota do Escravo iniciado pela UNESCO em 1994.

Apesar das dificuldades e das lutas políticas que envolveram a emergência da memória do passado escravista das nações europeias, americanas e africanas, de dez anos para cá a memória e a história do comércio atlântico passaram a fazer parte da memória pública de muitos países nos três continentes circundando o Atlântico. Em 2001, através da Lei Taubira, a França foi o primeiro país a reconhecer a escravidão e o tráfico atlântico como crimes contra a humanidade. Também na França, o 10 de Maio é doravante “dia nacional de comemoração das memórias do tráfico negreiro, da escravatura e das suas abolições”. Em 2001, em Durban na África do Sul, a Terceira Conferência da ONU contra o racismo inscreveu em suas declarações finais a escravidão como “crime contra a humanidade”. Em 1992, na Casa dos Escravos na Ilha de Gorée no Senegal, o Papa João Paulo II expressou suas desculpas pelo papel desempenhado pela Igreja Católica durante o tráfico atlântico. Bill Clinton, George W. Bush, e o próprio Presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, condenaram publicamente a participação passada de seus países no comércio atlântico de africanos escravizados. Em 2006, Michaelle Jean, governadora geral do Canadá, escolheu o Castelo de Elmina em Gana para denunciar passado escravista. Em 2007, durante as comemorações do aniversário de duzentos anos da abolição do tráfico de escravos pela Inglaterra, foi a vez do ministro Tony Blair expressar publicamente seu profundo pesar pelo papel da Grã-Bretanha no comércio de africanos escravizados.

Em pleno ano de 2009, o governo de Portugal e instituições portuguesas como a Universidade de Coimbra, escolheram um caminho oposto ao descrito acima. No primeiro semestre desse ano essas instituições apoiaram a realização de um concurso para escolher as Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo. Na lista das Sete Maravilhas a serem votadas pelo público na internet (http://www.7maravilhas.sapo.pt), constam não somente o Castelo São Jorge da Mina (Elmina), entreposto comercial fundado pelos portugueses em 1482, mas também a Cidade Velha (Ribeira Grande) na Ilha de Santiago em Cabo Verde, além de Luanda e da Ilha de Moçambique. Ao descrever esses sítios, a organização do concurso optou por omitir o uso desses lugares para o comércio de escravos. No texto descrevendo o Castelo São Jorge da Mina ou Elmina chegou-se ao cúmulo de afirmar que aquele local foi entreposto de escravos somente a partir da ocupação holandesa em 1637.

Para ser fiel à história e moralmente responsável, consideramos que a inclusão desses “monumentos” no dito concurso deveria ser acompanhada de informações completas sobre o papel deles no tráfico atlântico, assim como sobre seu uso atual. O Castelo de São Jorge da Mina ou Elmina, por exemplo, é hoje um museu que tenta retratar a história do tráfico. Trata-se de um lugar visitado por milhares de turistas de todo o mundo, entre os quais muitos representantes da diáspora africana que buscam ali prestar homenagem a seus ancestrais. O governo português, as instituições que apóiam o concurso e sua organização ignoraram a dor daqueles que tiveram seus antepassados deportados desses entrepostos comerciais e muitas vezes ali mortos. Seria possível desvincular a arquitetura dessas construções do papel que elas tiveram no passado e que ainda têm no presente enquanto lugares de memória da imensa tragédia que representou o tráfico transatlântico e a escravidão africana nas colônias européias ? Segundo as estimativas mais recentes (www.slavevoyages.org), Portugal e posteriormente sua ex-colônia, o Brasil, foram juntos responsáveis por quase a metade dos 12 milhões de cativos transportados através do Atlântico.

Em respeito à história e à memória dos milhões de vítimas do tráfico atlântico de escravos, viemos através desta carta aberta repudiar a omissão do papel que tiveram esses lugares no comércio atlântico de africanos escravizados. Convidamos todos aqueles que têm um compromisso com a pesquisa do tráfico atlântico de escravos e da escravidão a repudiar que essa história seja banalizada e apagada em prol da exaltação de um passado português glorioso expresso na suposta "beleza" arquitetural de tais sítios de morte e tragédia.



Ana Lucia Araujo, Howard University, Washington DC, Estados Unidos
Arlindo Manuel Caldeira, professor, Centro de História de Além-Mar, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
Mariana Pinho Candido, Princeton University, Princeton, Estados Unidos
Michel Cahen, CNRS, Centre d’Études de l’Afrique, Bordeaux, França
Christine Chivallon, CNRS, Centre d’Études de l’Afrique, Bordeaux, França
Myriam Cottias, CNRS, Diretora do Centre International de recherches sur les esclavages, Paris, França
Hebe Mattos, Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, Brasil
Maurice Jackson, Georgetown University, Washington, Estados Unidos
Hendrik Kraay, University of Calgary, Canadá
Jane Landers, Vanderbilt University, Nashville, Estados Unidos
Jean-Marc Masseaut, Cahiers Anneaux de la Mémoire, Nantes, França
Claudia Mosquera Rosero-Labbé, Universidad Nacional de Colombia, Bogotá, Colombia
João José Reis, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil
Anna Seiderer, Museu Real da África Central, Tervuren, Bélgica
Simão Souindola, Historiador, Luanda, Angola
Jean-Michel Mabeko-Tali, Howard University, Washington, Estados Unidos

Sincerely,

Retirado daqui