sexta-feira, março 06, 2009

Relativizar o catastrofismo


A notícia de que a Amazónia perdeu 754 Km quadrados de área florestal em apenas 3 meses, tem de ser enquadrado no que é a dimensão brutal da maior floresta do mundo.
Na imagem, coloco uma representação do que é a área correspondente a 754 Km quadrados (quadrado branco). Se considerar-mos que a área desflorestada não está concentrada, além do facto de poder ter havido erros de medição das imagens por satélite, cheira-me a catastrofismo infundado.
Mas isto é uma opinião como outra qualquer.

7 comentários:

Scherzan disse...

Infundado?
Mas você tem ideia do que são 754 Km2?
É quase a área total de todo o arquipélago da Madeira. Em 3 meses?
E faz ideia do que já desapareceu até hoje?
Infundado uma ova. Um dia que sinta na pele a reais efeitos da desflorestação vão mudar esse ponto de vista antiquado.

3RRR disse...

E fazes ideia da quantidade de espécies animais e plantas que habitam nesses 754 km2 (que é quase a área da Madeira)? Num ano já passam para 3015 km2.
É certo que a Amazónia é imensa (cerca de 5 M Km2), mas não é infinita. A questão está na atitude com que se está a tratar a Amazónia.
Pessoalmente o nosso legado não pode ser de destruir a torto e a direito. A continuar assim, a absorção de carbono vai sendo diminuída, contribuindo drasticamente para o aquecimento global, diminuição das áreas de gelos polares, aumento dos níveis de água doce nos oceanos (principalmente o Atlântico), quebra da corrente do México, colapso dos climas.

Fábio Teixeira disse...

Julgar estas notícias como alarmismo desnecessário é apenas mais um passo para a destruição acelerada da natureza que continuamos a levar a cabo.

Tino disse...

A Amazónia tem mais de 5,5M Km2, o que significa que 574 Km2 representam menos de 0,005% da sua área.
Pode parecer muito numa escala pequena, como é a de uma ilha, mas é uma insignificância na escala da floresta amazónica.

Fábio Teixeira disse...

Caro Tino, em relação à Amazónia brasileira, da área florestada em 1970 só restam 80%.

Multiplique esses "meros" 0,005% em 3 meses por duas ou três gerações.

Melhor ainda, já que falamos de uma floresta que não tem nem 30, nem 300, nem 3000 anos, mas sim cerca de 55 milhões de anos, repita-me lá que estas reduções são uma insignificância.

http://rainforests.mongabay.com/amazon/deforestation_calculations.html

Michelangelo disse...

Tino,

Concordo contigo em muitos temas mas tendo a discordar das tuas opiniões em respeito a questões ambientais!

Tens uma aversão à mais típica das teorias do aquecimento global e parece-me que estendes essa aversão a toda e qualquer questão que remotamente te pareça que possa validar a mesma...com que então o desaparecimento de uma área florestal do tamanho da Madeira em 3 meses é pouco significativo?!

Só para perceber diz-me lá o que seria para ti significativo em 3 meses??? Metade da amazónia? Mesmo aí ainda sobrava metade, certo? :)

3RRR disse...

Caro Tino,
vou fazer uma comparação a ver se também é um exagero: o bacalhau.

O bacalhau habita (ou habitava) uma vasta área no Atlântico Norte, em tudo comparável (se não mesmo maior) com a Amazónia. Em finais do século XIX e até meados do século XX praticou-se a pesca intensiva do peixe. Ainda que o seu número fosse baixando irrisoriamente de ano para ano, o resultado é o que se vê: bacalhau à beira da extinção, devido à sua captura desmesurada. Tem de haver uma regeneração efectiva das espécies, sejam vegetais ou animais. É certo que parte da Amazónia é replantada, mas essa mesma área é logo abatida num período máximo de 5 anos.
Em relação ao aproveitamento económico da Amazónia por parte do Brasil, recordo a frase que a Greenpeace costuma mencionar nestas questões: quando a última árvore for derrubada, quando o último animal for caçado e o último peixe pescado, eles vão ver que o dinheiro não se come.