segunda-feira, março 09, 2009

Relativizar o catastrofismo II

Há muita gente que defende que em questões ambientais, a mentira pode ajudar a chegar ao objectivo (dum mundo mais verde).
Segundo essa linha de pensamento, se exagerarmos nas consequências e inventarmos outras novas (nunca demonstradas) as pessoas mudarão mais depressa os seus hábitos.
Existem muito boas razões para todos mudarmos de hábitos de vida, não precisamos inventar problemas que não colam com a realidade.
Vem isto a propósito do post sobre a devastação da floresta Amazónica, ao qual uma massa de fieis do ambientalismo se mostraram completamente indignados.

Segundo um dos comentários a floresta amazónica perdeu 20% da sua área desde 1970. Ora isto significa que perdeu em média cerca de 0,5% da sua área por ano entre 1970 e 2009. Consequentemente, 0,02% (4x0,005%) significa que a tal devastação catastrófica é 25 vezes inferior à média dos últimos 39 anos.

Muitos consideram que o ideal era não ter sido cortada uma única árvore, no entanto muitos dos que querem que o Brasil se abstenha de retirar valor económico da floresta amazónica, além de terem espatifado as suas próprias florestas, nunca contribuíram economicamente para que o Brasil preserve a maior floresta do mundo. Se os benefícios da floresta são globais então os sacrifícios (económicos) também terão de ser.

5 comentários:

Scherzan disse...

Caro Tino.
Repare bem no que escreve.
Eu compreendo e julgo que toda gente também, que o Brasil pode e deve tirar proveito dos recursos que tem.
No entanto o que toda gente defende é que tem de haver uma compensação.
Não se esqueça que o terreno roubado à floresta é feito de maneira ilegal. Ninguém paga o terreno ao m2. Simplesmente apoderam-se dele. Depois vem o dizimar da fertilidade com produtos tóxicos e desflorestação que obviamente todos o resultado. Santa Catarina foi recentemente prova disso. Depois vem as consequências à escala global.
O Brasil tem de saber que tem parte da solução para que não soframos as consequências de um planeta sem oxigénio. Isto, é claro. Já nem falo das espécies que desaparecem. Mas quem é que não é sensível a isso?
Veja lá se nos desse na veneta aos madeirenses começar a cortar a madeira da Laurisilva? Mesmo que fosse para pastar gado ou ocupação de terrenos para cultivo?
A escala é muito menor, mas repare que há uma proporcionalidade directa.
Imagine...

Scherzan disse...

Só um acrescento. Não tenho conhecimento de alguém que tenha espatifado florestas com a importância que tem a Amazónia.
É já admitido que o ser humano estragou mais em 50 anos, que em toda a vivência do Homo Sapiens Sapiens.
Haja bom senso no uso de recursos e que esta "trupe de fiéis" estaja para ficar e impedir nem que seja moralmente a imbecilidade do ser humano.

Tino disse...

Sherzan,
Só para clarificar, o estado de Santa Catarina fica a mais de 1500 Km a Sul da floresta amazónica.

3RRR disse...

Caro Tino,
era legítimo que desatássemos a derrubar floresta Laurissilva desde que isso desse dinheiro? Realmente madeira de vinhático ou de til são excelentes madeiras e são capazes de produzir móveis de excelente qualidade, mas isso justificaria o seu abate? Ainda que fosse ao ritmo de 10 árvores/ano? Afinal de contas, a Madeira tem a maior mancha de floresta laurissilva em todo o mundo.

Scherzan disse...

Tino, mas foi vítima da mesma desflorestação que acontece na amazónia.
Também há floresta no sul do Brasil.