As declarações do Papa Bento XVI a propósito do uso do preservativo no combate ao SIDA levantaram uma onda de condenação em todo o mundo, esquecendo no entanto que as condições em muitos países africanos são bem diferentes dos países desenvolvidos.
Enquanto que na Europa muita gente não usa preservativo porque não quer, e não tenham dúvida que muita gente não usa, em muitos países africanos muita gente não usa preservativo por diversas razões, nomeadamente por não ter acesso a informação e não ter acesso aos próprios preservativos.
Já o disse. Não considero que a igreja se deva meter na vida sexual das pessoas, e muito menos na vida de pessoas que nem são católicas, mas se houvesse uma hipótese remota de alguém em África ser influenciado pelas palavras do papa, reduzindo o número de relações não estáveis, com certeza que os objectivos de redução da propagação do SIDA em África seriam pelo menos tão válidos como os que têm sido atingidos até agora com as campanhas de uso do preservativo.
O grande problema é que devido à crónica falta de informação e de recursos, os africanos nem vão passar a usar o preservativo nem vão mudar os seus hábitos sexuais.
No meu entender, o grande erro da igreja é colocar em lados opostos o uso do preservativo e a abstinência. Ambos podem e devem ser usados como arma contra o flagelo do SIDA. Não compreender isto é condenar milhares de pessoas à morte.
Sem comentários:
Enviar um comentário