O deputado Carlos Pereira (PS),no seu blog, afirma que no modo de pensar a solução para a crise económica "tudo deve ser feito numa perspectiva pragmática e de bom senso afinando o equilíbrio entre o mercado e o estado."
Sem qualquer tipo de critica ao Carlos, podemos constatar que em Portugal as ideias, em vez de dirigirem a realidade, foram e são, quase sempre, ditadas pelas necessidades de acção, impostas pela vida e pelas exigências da emoção. Os portugueses, em geral, não amam as ideias na sua pureza, antes amam a vida e só utilizam as ideias para uma posterior acção sobre ela. Não somos puros intelectuais, mas sobretudo homens de forte instinto realista que manobramos as ideias ao sabor da conveniência de outros fins espirituais ou materiais que temos em vista.
Acresce que somos um povo desconfiado e de espírito conservador perante as ideias novas, daí o carácter fortemente inclinado para compromissos, para equilíbrios, que não nos permite ter um pensamento problemático da realidade de forma sistemática, mas antes nos dá um enorme apego ao pensamento sistemático que nos dá a segurança da certeza. Mas que é empobrecedor já que como dizia Kierkegaard "a liberdade não nasce da certeza, mas da incerteza".
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