terça-feira, dezembro 02, 2008

Novas Oportunidades

O programa "novas oportunidades" veio permitir que muita gente que por razões diversas tinham abandonado o ensino precocemente, pudesse por um lado efectuar o reconhecimento de competências entretanto obtidas, e por outro lado prosseguir com os estudos.
Foi a primeira vez em que efectivamente se passou das palavras à acção no que diz respeito à formação ao longo da vida. Antes deste programa, a aprendizagem ao longo da vida era uma mera retórica permanentemente travada pela falta de reconhecimento das competências adquiridas ao longo de anos e anos de trabalho de muitos adultos.
Continua a existir quem considere que os percursos das aprendizagens deve ser semelhante para toda a gente, independentemente de estar em idade escolar ou de estar integrado na vida activa, ignorando que por esse caminho nunca conseguirão aumentar as competências de uma população adulta integrada no mercado de trabalho.

Ainda este fim de semana, o semanário Sol trazia um artigo que mostrava alguma indignação, ou pelo menos alguma surpresa, pelo facto de uma senhora com o 6º ano ter conseguido em apenas um ano, quer através do reconhecimento de competências quer através da formação complementar, atingir o ensino superior.
No mesmo artigo é dito que a tal senhora, já no ensino superior, tem conseguido obter resultados muito satisfatórios, mostrando que tem todas as competências necessárias para estar no ensino superior, apesar de muitos considerarem que o importante é o caminho e não as competências obtidas.
Mas o mesmo artigo mostra algo muito mais profundo sobre o nosso país, que é o facto de continuarmos a ser um país de invejosos em que o trabalho dos outros continua a ser visto como irrelevante para o sucesso das pessoas. Invejamos que os outros atinjam um patamar igual ou superior ao nosso, desvalorizando completamente o trabalho, esforço e capacidade de quem lutou por ter uma vida melhor.

É por isso que o programa "novas oportunidades" é também uma nova oportunidade para o país. Uma oportunidade de olhar para o trabalho dos outros e mobilizarmo-nos a também fazer melhor.

7 comentários:

Scherzan disse...

Este blog às vezes parece uma site de propaganda do governo da república.
Só tenho a dizer que perde muito com isso. Nem tudo o que os senhores de Lisboa fazem, é de facto bom. Têm de admitir isso, ainda para mais quando os gestores do blog são madeirenses. Deviam também fazer criticas ao que nãp está bem.
Quando ao post, este novo programa está a diplomar barbaridades. A piada das piadas, é que vão entrar na universidade gente sem bases nenhumas, que aproveitando o sistema, tiram lugar a quem estaria em melhores condições de o fazer.
Mas como parece que este país é um mar de rosas, não nos resta mais do que deixar andar e mais tarde baterem com a cabeça na parede.
Não entendam isto como um bota abaixo. Creio que tanto quanto sei ,é unanime esta opinião na comunidade universitária nacional.

Tino disse...

Sherzan,
A razão que me levou a falar deste programa tem a ver com o facto de muitos madeirenses terem acesso a ele.
Tenho alguns colegas que nem sonhavam continuar os seus estudos e neste momento estão em vias de acabar a escolaridade obrigatória.
Pode parecer pouco mas para quem ficou a poucas disciplinas de concluir o 9º ou o 12º faz uma diferença tremenda.
Tenho mesmo um colega com quarenta e poucos anos que entrou na universidade da Madeira.

Não escrevi este post para apoiar o programa, apesar de o poder fazer sem complexos nenhuns, fi-lo para mostrar o meu apoio àqueles que se esforçam para prosseguir a sua formação, com todas as dificuldades inerentes a estar a trabalhar e ter uma vida familiar que ocupa muito tempo.

Anónimo disse...

MAS QUE DROGA!

Confesso que não entendo esta estratégia de meter a cabeça na areia. Esta manhã, dos seis projectos discutidos na Assembleia, quatro versaram assuntos directa ou indirectamente relacionados com dramas sociais. Todos levaram chumbo por parte da maioria política. Desde logo, uma proposta do PS-M que visava a instituição do "Parlamento Aberto sobre a Toxicodependência". Um jornada, em suma, aberta a alunos e professores, técnicos de saúde, magistrados, representantes de instituições policiais e membros do governo; depois, uma proposta do Bloco de Esquerda no sentido da criação de uma "Comunidade Terapêutica", no âmbito da toxicodependência, capaz de dar resposta aos dramas que por aí andam. Novo chumbo! Nem com a argumentação das aterradoras estatísticas, nem com a notícia da apreensão, ainda ontem, no aeroporto do Funchal, de 75 kg de cocaína oriunda da Venezuela, nem com a narração do que se passa em alguns bairros sociais da Região, nem com aquilo que todos sentem que a droga avassala e com difícil controlo, a maioria não foi sensível e disse não, isto é, disse NÃO à necessidade de instalação de uma designada "Comunidade Terapêutica", sempre com o estafado argumento que o governo está atento.
Estou certo que quando acordarem será tarde. Na década de 90, apesar das denúncias, a maioria ignorou a droga e os estragos que começava a produzir na Madeira, nesta década continua a varrer para debaixo do tapete um problema muito grave, quando se sabe (e parece-me natural) que para apanhar ou desmantelar uma rede, certamente muitos quilogramas entram na Região sem possibilidades de controlo. Muito ainda fazem as polícias. Certo é que ela está aí, com milhares de seringas trocadas, com muitos dramas familiares e muito silêncio político. Pergunto: a quem servirá este silêncio? Aos traficantes?
Qualquer pessoa de bom senso não entende este comportamento da maioria política.

in http://comqueentao.blogspot.com

Scherzan disse...

É um facto que o programa ajuda aqueles por uma ou outra situação não puderam estudar. Esses terma sempre o apoio de quem quer que seja. O problema maior, serão os oportunistas. Aqueles que por preguiça não estudaram e de uma momento para o outro, estão lado a alado a concorrer a lugares na universidade contra aqueles que se esforçaram e se sacrificaram pelo estudo e pela escola. Essa é a injustiça. Sou de acordo que essa oportunidade seja negada a que não mostrasse empenho durante a escolaridade obrigatória e/ou por iniciativa própria não acabasse os estudos sendo que numa altura como esta, e desde que estudo, que o factor financeiro nunca foi problema na edicação portuguesa. O que houve foi falta de vontade e a esses sim, não deverão ter a "nova oportunidade".
Gostava de saber a sua opinião quanto a estes casos.
Bem haja

amsf disse...

1º - Nem todos deixaram de estudar por preguiça...nestas coisas o dinheiro também conta...

2º - Não conheço o suficiente para dizer se estes alunos tem a vida mais facilitada no acesso à universidade, no entanto suponho que se forem um embuste não conseguem acabar o curso!

Anónimo disse...

Tino gostei do que disseste, esta nova oportunidade veio permitir mesmo que muitas pessoas que não pensavam prosseguir com os estudos voltem a eles, agora aqui vejo e lamento que muita gente critique este novo incentivo, ou porque são muito egoistas, ou então chegaram "longe" nos estudos por mera sorte, e tenham receio que os menos conseguidos que abraçam agora esta nova oportunidade os passe à frente, vejo muitas pessoas que nunca terminaram o secundário, mas por vezes ultrapassam capacidades que muitos universitários não têm. Grande abraço!

Anónimo disse...

Tino gostei do que disseste, esta nova oportunidade veio permitir mesmo que muitas pessoas que não pensavam prosseguir com os estudos voltem a eles, agora aqui vejo e lamento que muita gente critique este novo incentivo, ou porque são muito egoistas, ou então chegaram "longe" nos estudos por mera sorte, e tenham receio que os menos conseguidos que abraçam agora esta nova oportunidade os passe à frente, vejo muitas pessoas que nunca terminaram o secundário, mas por vezes ultrapassam capacidades que muitos universitários não têm. Grande abraço!