quarta-feira, dezembro 10, 2008

Mudança de Paradigma

Quando se fala em mudança de paradigma da economia da Madeira, aludindo a uma mudança de uma economia assente na construção civil para uma economia baseada na inovação e nas novas tecnologias da informação e das comunicações, de que se fala na realidade?

Na realidade fala-se de uma mudança clara de prioridades em termos de investimentos. Não se fala em transferir de um ano para o outro todo o dinheiro da economia velha para a economia nova.

Nada como dar um exemplo para tornar claro como se pode dar essa mudança e quais as implicações na economia.
Neste momento, as obras públicas absorvem mais de 50% do investimento, enquanto a área da inovação fica-se pelos 0,5% aproximadamente. Ora, se durante uma legislatura aumentar-mos o dinheiro para inovação em 25% ao ano, que é um aumento significativo, isso significa que teremos sucessivamente 0,5%; 0,63%; 0,79%; 0,98%; e 1,22%.
Do outro lado, o investimento em obras públicas e construção civil teria descido de 50% para 48,8%.
Numa legislatura seria possível mais que duplicar os fundos para inovação e novas tecnologias sem que do lado da economia velha houvesse uma perda significativa e sem que houvesse o desemprego em massa que alguns vaticinam.

O problema é que neste momento não só não estamos perante uma mudança de paradigma como estamos perante um acentuar do status quo. Mais investimento em betão e menos em inovação. Mais investimento na continuidade e menos na mudança. Mais investimento na homogeneidade e menos investimento na diversificação.

Assim não vamos lá. Precisamos de fazer o caminho da mudança, da diversificação e da inovação.
Muitos jovens madeirenses estão neste momento a estudar e querem encontrar oportunidades na Madeira. Se a mudança não for feita rapidamente, o mais provável é que venhamos a perder estes jovens, que procurarão trabalho e oportunidades onde elas existirem.

2 comentários:

Duarte Gouveia disse...

Concordo, mas acrescento mais uns detalhes...

Mudar de paradigma para uma economia baseada na inovação também implica que a Região deixe de pensar que é o seu "investimento" directo que determina o rumo...

Parece-me que é muito mais o discutir e definir que áreas é que a Madeira será especialista e actuar para que as condições infraestruturais necessárias para que essa estratégia seja implementada pela sociedade civil.

O PDES (Plano de Desenvolvimento Economico e Social) que foi discutido e aprovado há uns 2 anos e aponta totalmente para a Sociedade da Informação.
Já nessa altura o PS disse que o plano estava bom, pena era que a actuação ano a ano no Orçamento continuasse a ser orientada para o betão em vez de ser orientada à Sociedade da Informação.

amsf disse...

Suponho que a Sociedade de Informação será prioritária assim que os laranjinhas acabem os seus cursos de engenharia, informática, tecnologia, etc e façam lobby para que assim seja! Só quando os decisores políticos estiverem preparados para lucrarem pessoalmente com essa mudança de paradigma é que o executarão. Infelizmente é assim que as coisas funcionam...