sábado, dezembro 06, 2008

Especificidade do ensino na Madeira

Não deve constituir surpresa para ninguem que sou um apoiante de um modelo de avaliação dos professores muito próximo do que é defendido pelo ministério da educação.
Como não não é surpresa para ninguem que neste assunto estou longe de estar próximo da linha de pensamento dos meus colegas de partido cá na Madeira.
Existem muitos dirigentes do PS-M, que por serem professores, se sentem representantes do grupo social, ou da classe social, que lhes dá directamete influência.
Não me incomoda nada que estes tenham uma posição radicalmente diferente da minha, tal como não me incomoda que se dentro do PS-M a sua posição for a maioritária, essa posição seja a posição oficial do partido na região. Afinal de contas a democracia é isso mesmo: seguir a maioria sem por em causa os direitos dos individuos.
Asseguro que os meus direitos a ter uma opinião diferente nunca foram postos em causa.

As condições de exercicio da docência na Madeira e no restante território nacional não são exactamente as mesmas, e no ambito da autonomia que temos, defendo que devem ser encontradas alternativas diversas que tenham como objectivo a resolução mais eficaz dos problemas regionais.
A Madeira tem uma grande carência de profissionais da área da educação, tendo a necessidade de recrutar grande parte (>40%) dos seus quadros fora da região.
Apesar de muitos não o assumirem abertamente, muitos docentes trabalham na Madeira apenas porque não conseguirem lugar perto de casa. A Madeira não é a sua primeira opção, e à primeira oportunidade voltam para as suas terras e para perto das suas famílias.
Tudo isto cria especificidades muito próprias para o exercicio da docência na Madeira, como cria grandes desafios aos nossos governantes no sentido de conseguirem captar para cá, não as sobras mas sim aqueles que procuram melhores condições de desenvolvimento profissional.
É neste quadro que o estatuto da carreira docente regional tal como o modelo de avaliação docente tomam papeis essenciais, sendo certo que um quadro remuneratório mais vantajoso que no restante território nacional pode ter aqui um papel fundamental.
Com grandes entraves à progressão na carreira, dificilmente a Madeira conseguirá captar mão de obra competente e necessária. Por outro lado, com um sistema de avaliação "demasiado" simplista e que não tenha em consideração as diversas vertentes essenciais ao bom desempenho da carreira docente, dificilmente conseguiremos uma melhoria continua do ensino.

Por fim não nos podemos esquecer que se tivermos na Madeira um sistema radicalmente diferente do que existe no restante território nacional, estaremos a criar graves entraves à mobilidade dos docentes entre a Madeira e o continente, podendo a Madeira ser prejudicada pela falta de capacidade de atracção desses profissionais.

1 comentário:

Alexandro Pestana - www.miradouro.pt disse...

Que venha a avaliação porque se os alunossão avaliados, os docentes também tem de o ser... e as razões estão aqui: www.forum-ensino.com