domingo, novembro 11, 2007

A nota de imprensa que a comunicação social madeirense censurou

Ex.mo Senhor
Chefe de Redacção

NOTA DE IMPRENSA

1. À margem e a despropósito do evento em que participava, quis o Sr. Vice-Presidente do Governo Regional também dar o seu contributo contencioso condenando o OE para 2008 pelo facto de este não contemplar verbas para a convergência do tarifário da electricidade.
2. Ora, é por demais conhecido que a gestão da convergência tarifária não compete ao OE, mas sim à ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) através da rubrica Custos de Interesse Económico Geral, ou Uso Global do Sistema (UGS) pago por todos os consumidores.
3. Assim, pelas afirmações vindas a público, o Sr. Vice-Presidente, que tutela a EEM, revela-se totalmente incompetente ou simplesmente mentiroso.
4. Pelo que aconselhamos os madeirenses (e o Sr. Vice-Presidente, em particular) a consultar o sítio www.erse.pt onde por exemplo poderão ver o Destaque de 2007.10.15: “Proposta de Tarifas e Preços de Energia Eléctrica e Outros Serviços a vigorarem em 2008”.
5. Aí poder-se-á verificar que para a Madeira e para os Açores o UGS atribui 2,5% dos custos das Tarifas de Venda a Clientes Finais (TVCF), respectivamente 75 e 59 Milhões de Euros para os Açores e para a Madeira, como sobrecustos da convergência tarifária e que são afinal um custo extra para os consumidores do Continente.
6. Mais se poderá verificar que nos consumidores finais domésticos típicos a TVCF na Madeira ainda fica inferior (98 %) aos do Continente e que sem este esforço nacional da convergência tarifária o aumento médio da energia eléctrica no Continente seria de 0,6% em vez de 2,9%, enquanto, pelo contrário, esse aumento seria de 65,8% nos Açores e de 56,9% na Madeira.
7. Melhor seria o Sr. Vice-Presidente estar atento às dívidas de clientes à EEM, que, de acordo com a Conta de Gerência de 2005, eram de 114 milhões de Euros, que seguramente não serão de cidadãos anónimos eventualmente com fornecimento cortado, mas serão sim, essencialmente, dívidas do Governo Regional e das Câmaras Municipais. Só assim poderia, com alguma dignidade, arrogar-se de que: “Com muito esforço temos mantido o preço da energia nos valores iguais aos do continente”.

Funchal, 9 de Novembro de 2007

A Direcção do Grupo Parlamentar do PS-M


A parte a bold foi simplesmente truncada, dando a ideia que as dividas seriam dos consumidores normais e não do governo regional e das autarquias.

3 comentários:

amsf disse...

Já é bom que o Governo Regional reconheça que a electricidade na Madeira é subsidiada por todos os portugueses através da ERSE. Acredito que esta realidade é desconhecida por 99% dos madeirenses. Conhecer os mecanismos concretas da forma como tal é feito já seria muita areia para a camionete do Vice-Presidente.
Aliás, neste âmbito acho que o Governo da República está a cometer um grave erro ao não permitir que a ERSE aumente os preços da energia eléctrica pois a ERSE ou seja todos nós estamos a acumular uma grande dívida que terá que ser paga mais tarde ou mais cedo. É necessário que os consumidores tenham consiência que os preços da energia electrica não estão reflectir os reais custos da sua produção. Esta situação tende-se a agravar com as subidas dos combústíveis e com a aposta em energias alternativas que estão a ser pagas aos produtores acima do valor pago pelos consumidores.

Anónimo disse...

Já é habitual termos jornalismo de meia-tigela na Madeira que corta muitas vezes o essencial da noticia... Será que alguns jornalistas andam a receber pela porta do cavalo pra fazerem disto? O diabo que jure!

MouTal disse...

Esse vosso governo não é melhor que a câmara PCP cá da minha cidade, até parece que andaram juntos à escola.
Os procedimentos são iguais.