Eu sinto-me com total legitimidade para dizer o que penso sobre os últimos acontecimentos relativos a todo o processo de votação na generalidade do OE2008. Recordo-me que em finais de 2006 estar isolado sobre a então proposta de lei de Finanças para a nossa Região. O tempo veio dar-me razão.
Tudo isto para quê?
Não sei se com o intuito de recuperar tempo perdido, o certo é que a Direcção do PS-M não conduziu o processo da votação do Orçamento de Estado para 2008 da melhor forma. Marca-se a agenda politica com a devida sensatez e equilíbrio. Não a tudo o custo. Eu relembro que por diversas vezes o sentido de voto do PS-M na Assembleia Legislativa sobre algumas ‘’reivindicações’’ ao Governo da República colocadas sob a forma de Proposta de Resolução vindas da maioria ou da restante oposição tinham sistematicamente o voto contra do PS…Onde andavam nessa altura?
Para além disso, entendo que o anúncio público do sentido de voto da Direcção do PS foi extemporâneo. Por dois motivos:
1) Este processo exigia primeiro uma negociação, esgotando todas as possibilidades, e por fim determinar então uma posição e um sentido de voto. Ora, neste caso foi tudo ao contrário. Começaram pelo fim. Talvez com o intuito de exercer pressão junto do Governo Sócrates e dos Deputados do PS na AR, iniciaram o processo deixando a ideia de votarem contra o OE, por último é que apareceram a apresentar as devidas propostas manifestando o desejo de negociar.
2) O único documento que existe até ao momento é uma proposta. Nada ainda de definitivo. Só agora é que se iniciam as discussões e apresentação de propostas em sede de comissões especializadas na AR. A ter de anunciar publicamente uma tomada de posição seria sempre após esta fase, e aqui sim, se necessário abster-se ou mesmo votar contra no caso de rejeição das propostas apresentadas pelos Deputados eleitos pelo PS-M. Ou seja, só em vésperas da votação na especialidade em plenário que acontecerá apenas no final deste mês.
3 comentários:
O sr. Claudio Torres tem todo o direito de dizer o que pensa sobre esta matéria, mas o problema é que opina sem conhecer todo o processo relacionado com o OE. Desconhece os passos tomados, as reuniões, as promessas e a nossa acção política sobre esta questão. A direcção seguiu a melhor estratégia, a mais correcta e a mais benéfica para o PS-M e para os madeirenses. O PS-M agora tem um líder forte, que não se curva perante a força do PS Nacional.
Mas já entendei que a estratégia de desvalorizar o PS-M é sempre a mesma, se nos curvamos e temos medo dos de lá somos acusados, se os enfrentamos e não cedemos nem abdicamos dos nossos projectos e estratégia também somos acusados. Em fim, já estamos habituados.
Concordo com o Dr. Rui Caetano. Desde que JCG seja consequente! E não se deixe levar pelas confusões e vaidedezinhas de alguns PSs de direita que ainda o rodeiam.
E desde que o PS-M não se deixe influenciar pelo PND regional.
Interessante perspectiva com a qual, todavia, não concordo. Primeiro: os deputados da Assembleia Legislativa em causa foram eleitos pela Madeira pelo que devem, em primeiro lugar, respeitar a orientação da actual direcção do partido. Qualquer desvio transmite para a opinião pública, queira-se ou não, uma imagem de partido dividido.
Segundo:O Governo da República não deve precisar que seja o PS-M a lembrar quais são as suas obrigações. Não é um tema aberto a negociação mas sim uma obrigação que já está em atraso!
Terceiro: sou da opinião que o PS-M tem pecado pelo facto de não colocar aquilo que considera ser os legítimos interesses da Madeira em primeiro lugar: inclusivamente primeiro que os interesses de um qualquer Governo da República, seja ele do PS ou não. Esta direcção, parece-me, percebeu essa situação e pretende mudar. Cabe aos deputados na assembleia da república aceitar essas orientações, sobretudo se são os mesmos cujas propostas e visões foram rejeitadas pelos madeirenses...Caros socialistas madeirenses percebam uma coisa: enquanto não houver solidariedade total com a direcção do PS-M, seja ela qual for, e mesmo que não se concorde com o seu projecto, o partido não vai a lado nenhum!!! Ainda não deu para perceber, ao fim destes anos todos?? Se não se acham capazes de ser solidários afastem-se sem sabotagens, armadilhas ou alardes e deixem quem acredita no projecto fazer o seu trabalho. Quando chegar a altura certa, leia-se eleições para a direcção do PS-M, apresentem-se com o seu projecto e visão. É assim que se faz um partido forte capaz de lidar de igual para igual com o PSD-M e enfim conseguir vencer eleições.
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