segunda-feira, outubro 15, 2007

Ricardo Barbeito



Neste trabalho de Ricardo Barbeito podemos ver três caixotes de lixo de cores diferentes (branco, verde e preto), em que cada um tem inscrito uma das seguintes frases:

SOMOS AQUILO QUE SOMOS

SOMOS AQUILO QUE PENSAMOS QUE SOMOS

SOMOS AQUILO QUE PENSAM QUE SOMOS

É pena que haja quem se ache no direito de tentar mudar aquilo que somos porque somos diferentes do que são.

5 comentários:

Anónimo disse...

Bom. Parece um perfeito cocózinho. E incompleto ainda por cima. Somos também, para dizer as coisas em vernáculo, aquilo que a puta que o pariu fêz. Quanto ao parágrafo final, aos "outros" (mauzinhos por definição já se vê) mudarem aquilo que somos, não explica aquela história da censura de que já falamos e vocês - refiro-me ao blogue - praticam. Vocês quando censuram fazem-no para mudar os outros, porque são aquilo que são, porque estão bem assim já sabem tudo e são os maiores, ou só porque sim ? Ou será a velha história em tempos posta de forma lapidar, pelo velho Millôr Fernandes: Mando eu é democracia, manda você é ditadura! Pode ser explicado ? Suponho que não, de resto a pergunta era retórica.

Tino disse...

A arte sempre soube mal a quem lida mal com a diferença.

Se de alguma maneira houve alguem que enfiou o barrete, temos pena.
Pode-se ou não gostar de algum tipo de arte ou de alguma obra de arte, mas não é admissivel que o estado seja o definidor do que serve e do que não serve.

Ricardo Barbeito disse...

Boa Noite!

Antes que comecem em grandes discussões acerca do que isto pode ou não ser, aconselho a tentarem perceber o que este trabalho quer dizer. Antes de mais, como autor do mesmo, tenho o dever de explicar os pressupostos que o definem. Primeiro, os contentores são: um amarelo, outro azul, e outro verde. Ao contentor amarelo está associada a frase "somos aquilo que pensamos que somos"; ao contentor verde, "somos aquilo que os outros pensam que somos" e, finalmente, ao azul está associada a frase "somos aquilo que (realmente)somos". Ora bem, quanto ao resto, devo tambem mencionar que estes três contentores apresentam-se inacessíveis por se encontrarem dentro de uma espécie de gaiola executada em rede de galinheiro (pormenor que não se evidencia pela fotografia). Para além destes elementos, perto daquilo encontram-se 6 caixas com as seguintes palavras: "redescobrir", "requestionar", "reinterpretar", "recomeçar", "reinventar" e finalmente "recuperar".

Pois bem, este trabalho pretende chamar a atenção, questionar e apelar à reflexão acerca do ser humano como ser racional, social, criativo, imaginativo, a espécie superior do mundo animal, etc.
Se repararem bem, os contentores têm as cores da reciclagem: o amarelo remete para as máscaras que todos nós usamos, o nosso aspecto físico, aquilo que queremos ser em relação ao meio onde vivemos, socializamos, etc; o verde, reciclagem de vidros, está relacionado com os juízos de valor aos quais estamos todos sujeitos, tem a ver com aquele provérbio dos telhados de vidro. Finalmente o Azul tem a ver com o que é orgânico em nós, ou seja, relaciona-se com a nossa parte meramente biológica.
Em relação à estrutura que os tornam inacessíveis, remete para toda a estrutura molécular e genética que nos caracteriza como espécie (e nos distinguem das outras), bem como toda a estrutura social que nos caracteriza e nos molda desde que nascemos...

Este trabalho apela para a necessidade da humanidade se reciclar, facto impossível de acontecer porque a nossa natureza não o permite... E, já que não podemos mudar como espécie, resta a cada um de nós ter as atitudes correctas em relação a tudo o que nos rodeia. Basta ver e tentar perceber o que se passa à nossa volta...

Tino disse...

Ricardo Barbeito,
Obrigado pela explicação e obrigado pela visita.

Anónimo disse...

Caro Tino Out15 1047PM

Concordo contigo que não é bonito o Estado ser o controleiro das artes, embora em todos os tempos (muitas vezes por ser o pagante) o tenha feito. Só não percebo o que tenha eu a ver com isso. É evidente que se tem o direito de gostar disto ou daquilo, até do que indevidamente é tido nestes desgraçados tempos por arte. Seja como fôr, é de certa maneira pueril discutir aquilo que só o crivo do tempo classificará, em definitivo, como arte ou lixo. Faço notar apenas que aquela pequena questão da censura esqueceu. Mas como desta vez na verdade não houve censura, só uma pequena habilidade, partamos do princípio que da outra, aquela em que houve, foi um acidente.