É com algum dissabor que noto na sociedade madeirense uma elevada tolerância à corrupção. Dizem-me frequentemente que todos os politicos são corruptos, e que se estivessem outros no poder que a corrupção seria igual ou pior. No fundo é aquela máxima que diz que o poder corrompe.
Esta forma de pensar denota uma resignação que pode ser o nosso maior inimigo, criando uma sociedade que perante as dificuldades é incapaz de admitir que pode e deve mudar, incapaz de criar ruturas construtivas. Este aceitar da corrupção envolve também o sentimento de que essas mesmas pessoas, as resignadas, não fazem parte do jogo. Sentem que os corruptos beneficiam do acesso ao poder, mas não são capazes de admitir que elas próprias são as grandes prejudicadas.
Não podemos negar que este sentimento de tolerância/impotência em relação à corrupção tem sido alimentado por uma justiça light, também ela permeável à corrupção, que não tem querido contribuir para criar em Potugal um estado de direito democrático.
João Cravinho, dizia há uns meses atrás numa entrevista que Portugal está se aproximando perigosamente dum ponto sem retorno, no que diz respeito à corrupção.
Infelizmente acho que já passamos esse ponto, e que a partir de agora todas as medidas serão muito mais duras. Chegamos ao ponto em que todos conhecem um corrupto. Muitas vezes está dentro de casa, e ninguem quer denunciar os familiares, amigos ou colegas.
4 comentários:
A enttevista de Miguel Albuquerque ao Diario é um mimo de hipocrisia e cinismo. Por ser tão cínico e hipócrita não se demite.
Esse sentimento de "tolerância à corrupção" que o nosso "bloguista" Tino se refere, na minha humilde opinião reflecte um "adormecimento" que nós temos a esses fenómenos.
Numa sociedade como a nossa em que há um "déficit" de massa crítica e uma sensação de impunidade por parte dos prevaricadores secundado pela manietação dos agentes judiciários, a corrupção só tem caminho para se instalar. Enquanto deixarmos que o populismo demagógico da classe política reinante, tomar todas as decisões e arbitrariedades a seu belo prazer, este "enclave madeirense" continuará a ser um verdadeiro "off-shore" da justiça portuguesa...
Há uma ampla tolerância à corrupção que no caso da Madeira é agravada pelo facto de as pessoas não perceberem que os dinheiros/recursos "desviados" não são objectivamente da União Europeia/Governo da República mas sim nossos. Não é a UE ou GR que estão a ser roubados mas os madeirenses com a agravante de que este dinheiro fácil cria um ambiente inflacionista nas obras públicas e mesmo no nosso dia a dia.
A PJ e o MP dependem de Lisboa!!
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