Agora mais a sério, a crise do PSD não é de agora. Essa começou com o abandono de Durão. Claro que o desastre Santana, apoiado por Jardim, aprofundou a crise e permitiu que o PS tivesse a sua primeira maioria absoluta. Marques Mendes herdou a crise não é o responsável por ela. Devo dizer que Mendes começou bem. Credibilizou o PSD quando cortou com Valentim Loureiro e Isaltino Morais, foi humilde em reconhecer que o PSD estava em crise e era necessário muito reflexão interna para que o PSD pudesse encontrar o seu caminho.
Mas, aconteceu a Mendes o que às vezes acontece a uns tipos que ganham pouco mas têm a sua vida equilibrada e planeada, mas que de repente ganham o totoloto. Deslumbram-se. Passam a gastar por conta e quando vão ver estão na bancarota e sem crédito. Ora, a desgraça do PSD foi as autárquicas de 2005 e as presidenciais de 2006. Com essas vitórias, Mendes esqueceu o seu plano e começou a viver de ilusões. Pensava ele que todos os problemas do PSD se tinham resolvido e que agora era uma passeio até ganhar as legislativas.
Talvez esta falta de realismo se deva aquilo que muitos têm apontado, i.e., nenhum dos dirigentes do PSD teve a responsabilidade de gerir uma instituição privada, toda a sua vida profissional foi feita na política.
Já António Borges é exactamente o oposto. Toda a sua vida profissional foi feita no sector privado. E com sucesso. Por isso acho pertinente recordar as suas declarações em Março de 2005, em vésperas de Congresso do PSD. Na altura Borges defendeu que a crise no PSD estava de tal forma instalada que era necessária uma refundação baseada na seriedade e na honestidade. E que 4 anos não eram demais para o fazer. Podiam até ser pouco. Ninguém lhe ligou e vejam o que aconteceu.
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