sábado, setembro 22, 2007

A decisão de Carlos Pereira

Como funchalense fico triste por ver a minha cidade perder um vereador corajoso, inteligente e honesto. Como amigo do Carlos fico feliz por ele sair da CMF.
No entanto, o mais importante da sua decisão é que o Carlos continua a decidir pela sua cabeça, baseado nos seus princípios, nas suas convicções e com respeito pela sua integridade enquanto Homem. E digo decisão, porque, querendo, ele podia recorrer para o Tribunal Constitucional. O que, na minha opinião, fazia sentido já que a sanção imposta pelo atraso na entrega da declaração de património viola o princípio da proporcionalidade.
Mas o Carlos é coerente. Atrasou-se na entrega da malfadada declaração e assume as consequências da sua falha. A exigência que ele defende para os detentores de cargos públicos, ele aplica-a no seu caso. Embora não se possa comparar um atraso na entrega de uma declaração - erro burocrático - com casos de aproveitamento dos cargos públicos para obter vantagens pessoais inlegitimas, i.e., corrupção.
Mas, apesar de se ter atrasado na entrega da declaração - facto aliás normal do nosso dia-a-dia e que não devia merecer sanção tão radical - ele podia ter escolhido mentir na sua defesa, alegando que nunca recebeu a notificação. Mas escolheu dizer a verdade.
Ele podia ter continuado apegado ao cargo e recorrido desta decisão. Mas ele escolheu estar apegado apenas à sua consciência.
Ele podia se agarrar a uma teoria da conspiração. Mas preferiu enfrentar o seu erro.
Ele podia ter uma atitude arrogante e nunca reconhecer que errou. Mas ele preferiu pedir publicamente desculpa aos que o elegeram.
É por o Carlos ser assim que eu estive ao seu lado na candidatura à Câmara, estive ao seu lado na difícil batalha que travou pela transparência na CMF e estou ao seu lado nesta decisão.
Com a sua candidatura, o Carlos deu uma lição de cidadania e coragem muito raras na Madeira.
Com esta decisão, o Carlos dá-nos uma lição de honestidade, responsabilidade, despreendimento, humildade e coerência daquelas que já não existem no lodaçal em que se tornou a política portuguesa.
Nessa xafarica tudo vale para se manterem agarrados ao tacho, seja público ou partidário, a verdade de hoje é a mentira de amanhã, a incoerência, a cobardia e mentira são o dia-a-dia dos nossos "mui dignos" representantes.
O Carlos, através dos seus actos, provou que é diferente.
É disto que é feito um líder. De ser o que avança quando todos recuam (caso da candidatura à CMF), de conseguir levar consigo mesmo aqueles que lhe diziam no seu primeiro dia da candidatura "que estava ferido de morte", de não pedir nada que ele não esteja disposto a fazer, de dar o exemplo no assumir dos seus erros. De não vergar perante as dificuldades, de não estar agarrado a tachos, de pensar pela sua cabeça. De ser humilde nas derrotas e nas vitórias. De ser um verdadeiro jogador de equipa, colocado sempre o interesse do grupo à frente dos seus interesses individuais. Mas além da sua indiscutível capacidade de liderança, o Carlos é um técnico competente, um cidadão do mundo com uma cultura acima de média, um excelente gestor de projectos e equipas e um trabalhador incansável.
Mesmo aqueles, que por uma razão o outra não gostam dele, reconhecem as suas qualidades. Pelo menos assim faziam antes da sua candidatura.
Como madeirense que anseia por uma mudança de fundo no panorama político da Região, espero que o PS e os madeirenses em geral, percebam que só com pessoas como o Carlos Pereira (muitíssimo raras) é que isso poderá ser possível.
É por reconhecer as sua qualidades e de saber como são raras em política, é que de forma incondicional digo-lhe: podes contar comigo para as próximas batalhas.
Um abraço e obrigado por seres quem és.

2 comentários:

aff disse...

concordo, mas a reacção inicial ao processo e á sentença não foi a mais sensata.

Anónimo disse...

AJJ está de acordo quanto a que a lei é errada.
Curioso!