À hora de almoço tentei ler o pasquim semanário de propaganda de "Miguelista" e aquilo é um hino à falta de vergonha na cara, à manipulação, à falta de isenção, à total ausência de pluralismo, uma negação de todas as regras deontológicas, sem o minímo de seriedade. Uma vergonha. Gente desta diz-se jornalista?
Solidificou-se na mente dos jornalistas (os verdadeiros) a concepção de que não se deve denunciar estes agentes de propaganda partidária que manipulam os órgãos de comunicação social. Devem ser solidários. Corporativistas. Pois enganam-se, é por permitirem que gente desta use o título de jornalista, sendo comissários políticos, que depois toda a classe é desconsiderada. E que, consequentemente, vocês os bons profissionais não são respeitados nem considerados.
3 comentários:
Cá está de novo, o bastardo do DN, ao serviço do Miguel Albuquerque, contra Cunha Silva (Agostinho Silva vs Ricardo Oliveira, na luta interna do diário). Só agora ele descobriu a auditoria do TC sobre as participadas que o próprio DN-M publicou com os demais órgãos de comunicação social há um ano. Estão falidas, tal como está a câmara do Funchal. Rsponsável máximo: o secretário das finanças, Ventura garcês, ao serviço do qual está o Agostinho Silva.
Vejam:
"Inspecções financeiras põem a nu fragilidades dos 'delfins'
A 'inspecção interna' enumera irregularidades na Câmara Municipal do Funchal; TC garante que as Sociedades de Desenvolvimento estão "tecnicamente falidas"
Data: 18-08-2007
Miguel Albuquerque e João Cunha e Silva centralizam as atenções políticas da actualidade na Madeira. Fiscalizadas as suas áreas de jurisdição, os inspectores do Governo Regional e do Tribunal de Contas 'chumbam' a gestão financeira de um e de outro. Ambos contam, contudo, com o apoio e cobertura públicos do presidente Jardim, sob o argumento de que agem em prol do desenvolvimento, e não em proveito próprio, nas irregularidades que lhes foram detectadas.
Na quarta-feira, o DIÁRIO publica os dados mais expressivos do Relatório da Inspecção Administrativa e Financeira ao Município do Funchal, de onde ressaltam diversas violações dos planos em vigor e outras irregularidades processuais.
O Tribunal de Contas, por seu turno, não é menos brando em relação às 'Sociedades de Desenvolvimento' de Cunha e Silva: no final de 2005 estavam "tecnicamente falidas". Isto apesar de os investimentos das sociedades de desenvolvimento serem concretizados com recurso a financiamentos bancários e, por isso, terem endividamento.
Segundo os dados que constam da Auditoria às Participações da RAM em Entidades Societárias e Não Societárias-2005, o TC escreve que as quatro sociedades de desenvolvimento, tuteladas pela Vice-Presidência, estavam entre as oito entidades com capitais próprios negativos. A SDPS - Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo com -2,3 milhões de euros, a SDPO - Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste com -3,1 milhões de euros, a SMD - Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento com -438 mil euros, e a SDNM - Sociedade de Desenvolvimento do Norte com -7,6 milhões.
"Este grupo de empresas apresentava uma descapitalização significativa, indiciadora de uma fraca sustentabilidade dos negócios prosseguidos que, caso não venha a ser corrigida pelos titulares de capital, pode colocar em causa a sua continuidade", refere o TC.
Segundo os dados constantes da Auditoria, o volume de negócios global das Sociedades de Desenvolvimento e da MPE - Madeira Parques Empresariais cifrava-se nos 4,2 milhões de euros, com o passivo global a ascender a assustadores 500 milhões de euros.
Face ao mesmo volume de negócios global, as empresas tuteladas pela Vice-Presidência tiveram um resultado líquido global de quase 20 milhões de euros. A situação líquida global é negativa em 9,6 milhões de euros, o que sustenta a falência técnica a que alude o relatório do Tribunal de Contas.
Outra conclusão possível é que os resultados operacionais negativos no valor de 10,7 milhões de euros revelam que a actividade desenvolvida pelas sociedades de desenvolvimento é altamente deficitária, não gerando receitas para os custos incorridos.
Conjugados as diferentes variantes, conclui-se que face à percentagem que o Governo Regional detém em cada uma das sociedades e na MPE, e considerando o seus respectivos resultados líquidos negativos, a Região Autónoma assumiu um custo acrescido nos seus resultados de 15,8 milhões de euros.
MADEIRA PARQUES
MPE - Madeira Parques Empresariais foi alvo de uma auditoria específica, por parte do TC, cujos inspectores lhe apontam algumas irregularidades com semelhanças às detectadas pela inspecção do GR à autarquia de Miguel Albuquerque. Designadamente, no domínio do controlo interno, o TC constatou a "ausência de orientações, normas ou procedimentos escritos de âmbito genérico reguladores da actuação da MPE, tendo sido detectada a existência de debilidades ao nível do acompanhamento e verificação dos processos e documentos".
Por outro lado, acrescenta o TC, os estudos preliminares de viabilidade económica dos projectos promovidos pela MPE "mostram-se pouco sustentados, observando-se que em geral as previsões aí delineadas foram largamente ultrapassadas, quer no que se refere ao período de execução quer quanto ao custo global dos investimentos". Os inspectores acrescentam que em nenhum dos estudos realizados foram quantificadas as necessidades de mercados, ou de algum modo se apresentou uma aproximação da procura estimada. "Tão-pouco foram realizados estudos de avaliação prévia relativamente à localização, ao dimensionamento e à operacionalidade dos parques a construir", sentencia o TC.
Detalhes de uma polémica
O verniz 'estalou' na sequência da inauguração da Casa do FC Porto no Funchal, que o presidente Pinto da Costa desmarcara à última hora. Em causa estiveram supostos melindres protocolares, envolvendo Jardim, Cunha e Albuquerque, que nunca foram esclarecidos.
Naquele domingo, 31 de Outubro de 2004, Albuquerque acendeu o rastilho, ao anunciar que convidava os campeões europeus do FCP para uma recepção na CMF, com uma referência dirigida a Cunha e Silva: "Esperamos que não haja jogadas nem canalhices de terceiros com ambições desmedidas".
João Cunha e Silva reagiu violentamente contra a "costumeira gentinha medíocre", denunciando que a Câmara do Funchal tinha uma fonte que do tempo que tem "passa metade a fazer negociatas e a outra metade a fazer intrigas". Por isso, só havia duas hipóteses: Albuquerque foi enganado, ou gostava de se enganar. Estabelecendo outra comparação, acrescentou: "Estamos na política para apresentar trabalho e obra (...) e não para produzir 'fait-divers' nos jornais que servem muitas vezes para os que querem esconder problemas, inércias, insuficiências, falta de trabalho e obra".
Miguel Albuquerque não perdeu tempo e subiu, ainda mais, o tom de guerra. "Os insultos e ameaças do Dr. João Cunha e Silva são dirigidos a companheiros de partido e inserem-se na sua habitual estratégia de pseudopurificação e pseudovitimização, separando os 'dele' e os 'outros', obsessão prejudicial que já começa a sentir-se, quer no partido quer em sectores da vida pública regional".
No rescaldo da inédita troca de acusações, o presidente da Câmara Municipal veio a terreiro pedir uma inspecção para clarificar todas as dúvidas lançadas pelo seu colega de partido. O que viria a ser ratificado pelo Conselho de Governo.
Em Janeiro de 2005 dois grupos de inspectores - da Administração Pública e da Inspecção Regional de Finanças - deram entrada na autarquia e só de lá saíram decorridos oito meses.
O relatório final demorou a ser ultimado, pois só ficou concluído mais de dois anos depois. Pelo meio há quem assegure que houve tentativas para travar o documento, o que não terá sido possível face a uma certa pressão de alguns órgãos judiciais.
Agora, no rescaldo das conclusões do relatório administrativo e financeiro, não é possível 'tirar a limpo' a questão das 'negociatas'. Isso será matéria para o Ministério Público, se considerar os indícios suficientemente fortes.
CÂMARA DO FUNCHAL
Inobservância, em alguns casos, do critério de adjudicação fixado no programa do concurso e caderno de encargos
Atrasos na execução dos trabalhos e incumprimento do prazo contratual
Não imputação ao empreiteiro de multa calculada nos termos fixados no contrato
Inexistência de documentos de onde constem as razões e os factos que determinaram os atrasos dos trabalhos nas obras
Falta de elaboração dos autos de suspensão de trabalhos nas obras
Incorrecta qualificação de alguns trabalhos a mais, por não se enquadrarem nos pressupostos legais
Desrespeito pelo princípio da boa-fé na elaboração de autos de medição para o cumprimento das obrigações estipuladas nos contratos-programa de financiamento celebrados com o GR
Pagamento de alguns autos de medição com recurso ao 'factoring'
Utilização indevida de recibos pelos empreiteiros a favor da CMF aquando do recebimento das importâncias das sociedades de 'factoring', para cumprimento de obrigações previstas nos contratos-programa do GR
* Fonte: Relatório da Inspecção Financeira ao Município do Funchal
MADEIRA pARQUES eMPRESARIAIS
Do conjunto de parques construídos pela MPE, apenas o do Estreito de Câmara de Lobos se encontrava abrangido pelas normas de Avaliação de Impacte Ambiental
A 31 de Dezembro de 2005, apenas três dos dez parques construídos pela MPE tinham empresas a laborar, sendo o PE da Camacha aquele que apresentava a maior taxa de ocupação efectiva
Existência de irregularidades frequentes ao nível da elaboração das actas do Conselho de Administração, com deliberações 'avulsas' sem menção nas actas das reuniões das datas em que foram tomadas e com erros de valores
Foram localizadas mais que uma cópia da mesma factura em que os dados diferem, assim como duas cópias da mesma factura que têm descritivo diferente, apesar do carimbo "está conforme original".
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à MPE-Ano 2005
ParquE empresarial Estreito de C. Lobos
Embora os terrenos de implantação do PE atinjam uma área total de 407,4 mil m2, a área útil dos lotes representa apenas 29% da área adquirida (117,5 mil m2). Elevado índice de áreas não aproveitáveis
Obra do parque (Construtora do Tâmega + Avelino Farinha & Agrela - 11,95 milhões de euros) sofreu sucessivos atrasos, tendo sido autorizadas cinco prorrogações de prazo. Fundamentação das prorrogações "nem sempre se mostrou consistente e compatível com a realidade no terreno".
Até Maio de 2006, o montante da revisão de preços facturado era de 1.510.172,72 euros, sendo esse valor provisório, dado que a conta final da empreitada ainda estava por elaborar
Em resultado dos atrasos verificados na execução da obra, os custos com a assessoria de fiscalização passaram de 22.250,00 euros para 125.415,00 euros.
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à MPE-Ano 2005
Parque empresarial de Machico
O TC constatou que, nos casos de expropriação de terrenos, os valores por metro quadrado foram "substancialmente superiores aos resultantes da sua aquisição por via do direito privado".
Das parcelas adquiridas, uma área de 43.854 metros quadrados não foi necessária à construção do parque, tendo a MPE procedido à sua alienção, donde resultou uma menos-valia contabilística de 8.491,11 euros para a empresa.
Contrariando a disciplina jurídica que consagra o princípio da estabilidade, a proposta escolhida para a empreitada de concepção/construção do parque corresponde à proposta reformulada apresentada pela Zagope, a pedido da MPE, em momento anterior à adjudicação.
As alterações ao projecto transformaram-no numa empreitada diferente, que exigia o recurso a procedimentos adjudicatórios concorrenciais.
Foram realizados trabalhos não previstos no montante de 303.998,16 euros, decorrentes de erros da responsabilidade da MPE.
A documentação consultada deixa pressupor que a prestação de serviços de assessoria à fiscalização da empreitada cessou um mês antes da sua conclusão.
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à MPE-Ano 2005
FrenTe Mar Porto da Cruz
Desvio face ao previsto situou-se nos 85,2%, ascendendo o montante necessário à sua construção a cerca de 1,9 milhões de euros.
A área de inserção abrangia uma parcela de terreno que constituía domínio privado municipal, sem que exista qualquer acto expresso autorizador da sua afectação à actividade da SMD
Não constam do processo elementos comprovativos da obtenção de parecer sobre a construção, nem da solicitação de pareceres da Capitania do Porto do Funchal e da Alfândega do Funchal
O valor da despesa envolvida obrigava à realização de consulta restrita a duas entidades, mas a elaboração do projecto de arquitectura foi feita por ajuste directo
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à SMD-Ano 2004
SociEdade Metropolitana de Desenvol-vimento
Entre os 14 projectos da SMD, seis foram candidatos a co-financiamento dos fundos comunitários (POPRAM III), dos quais cinco foram recusados, aguardando ainda a SMD pela decisão em relação ao último.
À data da auditoria, os trabalhos adjudicados pela SMD relativos a empreendimentos em curso atingem 102,1 milhões de euros, registando-se um desvio orçamental relativo a oito desses que representam 43,5% do total de investimentos previstos, o que traduz desde logo um financiamento adicional de 13,7 milhões de euros
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à SMD-Ano 2004.
Agostinho Silva
Inspecções financeiras põem a nu fragilidades dos 'delfins'
A 'inspecção interna' enumera irregularidades na Câmara Municipal do Funchal; TC garante que as Sociedades de Desenvolvimento estão "tecnicamente falidas"
Data: 18-08-2007
Miguel Albuquerque e João Cunha e Silva centralizam as atenções políticas da actualidade na Madeira. Fiscalizadas as suas áreas de jurisdição, os inspectores do Governo Regional e do Tribunal de Contas 'chumbam' a gestão financeira de um e de outro. Ambos contam, contudo, com o apoio e cobertura públicos do presidente Jardim, sob o argumento de que agem em prol do desenvolvimento, e não em proveito próprio, nas irregularidades que lhes foram detectadas.
Na quarta-feira, o DIÁRIO publica os dados mais expressivos do Relatório da Inspecção Administrativa e Financeira ao Município do Funchal, de onde ressaltam diversas violações dos planos em vigor e outras irregularidades processuais.
O Tribunal de Contas, por seu turno, não é menos brando em relação às 'Sociedades de Desenvolvimento' de Cunha e Silva: no final de 2005 estavam "tecnicamente falidas". Isto apesar de os investimentos das sociedades de desenvolvimento serem concretizados com recurso a financiamentos bancários e, por isso, terem endividamento.
Segundo os dados que constam da Auditoria às Participações da RAM em Entidades Societárias e Não Societárias-2005, o TC escreve que as quatro sociedades de desenvolvimento, tuteladas pela Vice-Presidência, estavam entre as oito entidades com capitais próprios negativos. A SDPS - Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo com -2,3 milhões de euros, a SDPO - Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste com -3,1 milhões de euros, a SMD - Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento com -438 mil euros, e a SDNM - Sociedade de Desenvolvimento do Norte com -7,6 milhões.
"Este grupo de empresas apresentava uma descapitalização significativa, indiciadora de uma fraca sustentabilidade dos negócios prosseguidos que, caso não venha a ser corrigida pelos titulares de capital, pode colocar em causa a sua continuidade", refere o TC.
Segundo os dados constantes da Auditoria, o volume de negócios global das Sociedades de Desenvolvimento e da MPE - Madeira Parques Empresariais cifrava-se nos 4,2 milhões de euros, com o passivo global a ascender a assustadores 500 milhões de euros.
Face ao mesmo volume de negócios global, as empresas tuteladas pela Vice-Presidência tiveram um resultado líquido global de quase 20 milhões de euros. A situação líquida global é negativa em 9,6 milhões de euros, o que sustenta a falência técnica a que alude o relatório do Tribunal de Contas.
Outra conclusão possível é que os resultados operacionais negativos no valor de 10,7 milhões de euros revelam que a actividade desenvolvida pelas sociedades de desenvolvimento é altamente deficitária, não gerando receitas para os custos incorridos.
Conjugados as diferentes variantes, conclui-se que face à percentagem que o Governo Regional detém em cada uma das sociedades e na MPE, e considerando o seus respectivos resultados líquidos negativos, a Região Autónoma assumiu um custo acrescido nos seus resultados de 15,8 milhões de euros.
MADEIRA PARQUES
MPE - Madeira Parques Empresariais foi alvo de uma auditoria específica, por parte do TC, cujos inspectores lhe apontam algumas irregularidades com semelhanças às detectadas pela inspecção do GR à autarquia de Miguel Albuquerque. Designadamente, no domínio do controlo interno, o TC constatou a "ausência de orientações, normas ou procedimentos escritos de âmbito genérico reguladores da actuação da MPE, tendo sido detectada a existência de debilidades ao nível do acompanhamento e verificação dos processos e documentos".
Por outro lado, acrescenta o TC, os estudos preliminares de viabilidade económica dos projectos promovidos pela MPE "mostram-se pouco sustentados, observando-se que em geral as previsões aí delineadas foram largamente ultrapassadas, quer no que se refere ao período de execução quer quanto ao custo global dos investimentos". Os inspectores acrescentam que em nenhum dos estudos realizados foram quantificadas as necessidades de mercados, ou de algum modo se apresentou uma aproximação da procura estimada. "Tão-pouco foram realizados estudos de avaliação prévia relativamente à localização, ao dimensionamento e à operacionalidade dos parques a construir", sentencia o TC.
Detalhes de uma polémica
O verniz 'estalou' na sequência da inauguração da Casa do FC Porto no Funchal, que o presidente Pinto da Costa desmarcara à última hora. Em causa estiveram supostos melindres protocolares, envolvendo Jardim, Cunha e Albuquerque, que nunca foram esclarecidos.
Naquele domingo, 31 de Outubro de 2004, Albuquerque acendeu o rastilho, ao anunciar que convidava os campeões europeus do FCP para uma recepção na CMF, com uma referência dirigida a Cunha e Silva: "Esperamos que não haja jogadas nem canalhices de terceiros com ambições desmedidas".
João Cunha e Silva reagiu violentamente contra a "costumeira gentinha medíocre", denunciando que a Câmara do Funchal tinha uma fonte que do tempo que tem "passa metade a fazer negociatas e a outra metade a fazer intrigas". Por isso, só havia duas hipóteses: Albuquerque foi enganado, ou gostava de se enganar. Estabelecendo outra comparação, acrescentou: "Estamos na política para apresentar trabalho e obra (...) e não para produzir 'fait-divers' nos jornais que servem muitas vezes para os que querem esconder problemas, inércias, insuficiências, falta de trabalho e obra".
Miguel Albuquerque não perdeu tempo e subiu, ainda mais, o tom de guerra. "Os insultos e ameaças do Dr. João Cunha e Silva são dirigidos a companheiros de partido e inserem-se na sua habitual estratégia de pseudopurificação e pseudovitimização, separando os 'dele' e os 'outros', obsessão prejudicial que já começa a sentir-se, quer no partido quer em sectores da vida pública regional".
No rescaldo da inédita troca de acusações, o presidente da Câmara Municipal veio a terreiro pedir uma inspecção para clarificar todas as dúvidas lançadas pelo seu colega de partido. O que viria a ser ratificado pelo Conselho de Governo.
Em Janeiro de 2005 dois grupos de inspectores - da Administração Pública e da Inspecção Regional de Finanças - deram entrada na autarquia e só de lá saíram decorridos oito meses.
O relatório final demorou a ser ultimado, pois só ficou concluído mais de dois anos depois. Pelo meio há quem assegure que houve tentativas para travar o documento, o que não terá sido possível face a uma certa pressão de alguns órgãos judiciais.
Agora, no rescaldo das conclusões do relatório administrativo e financeiro, não é possível 'tirar a limpo' a questão das 'negociatas'. Isso será matéria para o Ministério Público, se considerar os indícios suficientemente fortes.
CÂMARA DO FUNCHAL
Inobservância, em alguns casos, do critério de adjudicação fixado no programa do concurso e caderno de encargos
Atrasos na execução dos trabalhos e incumprimento do prazo contratual
Não imputação ao empreiteiro de multa calculada nos termos fixados no contrato
Inexistência de documentos de onde constem as razões e os factos que determinaram os atrasos dos trabalhos nas obras
Falta de elaboração dos autos de suspensão de trabalhos nas obras
Incorrecta qualificação de alguns trabalhos a mais, por não se enquadrarem nos pressupostos legais
Desrespeito pelo princípio da boa-fé na elaboração de autos de medição para o cumprimento das obrigações estipuladas nos contratos-programa de financiamento celebrados com o GR
Pagamento de alguns autos de medição com recurso ao 'factoring'
Utilização indevida de recibos pelos empreiteiros a favor da CMF aquando do recebimento das importâncias das sociedades de 'factoring', para cumprimento de obrigações previstas nos contratos-programa do GR
* Fonte: Relatório da Inspecção Financeira ao Município do Funchal
MADEIRA pARQUES eMPRESARIAIS
Do conjunto de parques construídos pela MPE, apenas o do Estreito de Câmara de Lobos se encontrava abrangido pelas normas de Avaliação de Impacte Ambiental
A 31 de Dezembro de 2005, apenas três dos dez parques construídos pela MPE tinham empresas a laborar, sendo o PE da Camacha aquele que apresentava a maior taxa de ocupação efectiva
Existência de irregularidades frequentes ao nível da elaboração das actas do Conselho de Administração, com deliberações 'avulsas' sem menção nas actas das reuniões das datas em que foram tomadas e com erros de valores
Foram localizadas mais que uma cópia da mesma factura em que os dados diferem, assim como duas cópias da mesma factura que têm descritivo diferente, apesar do carimbo "está conforme original".
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à MPE-Ano 2005
ParquE empresarial Estreito de C. Lobos
Embora os terrenos de implantação do PE atinjam uma área total de 407,4 mil m2, a área útil dos lotes representa apenas 29% da área adquirida (117,5 mil m2). Elevado índice de áreas não aproveitáveis
Obra do parque (Construtora do Tâmega + Avelino Farinha & Agrela - 11,95 milhões de euros) sofreu sucessivos atrasos, tendo sido autorizadas cinco prorrogações de prazo. Fundamentação das prorrogações "nem sempre se mostrou consistente e compatível com a realidade no terreno".
Até Maio de 2006, o montante da revisão de preços facturado era de 1.510.172,72 euros, sendo esse valor provisório, dado que a conta final da empreitada ainda estava por elaborar
Em resultado dos atrasos verificados na execução da obra, os custos com a assessoria de fiscalização passaram de 22.250,00 euros para 125.415,00 euros.
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à MPE-Ano 2005
Parque empresarial de Machico
O TC constatou que, nos casos de expropriação de terrenos, os valores por metro quadrado foram "substancialmente superiores aos resultantes da sua aquisição por via do direito privado".
Das parcelas adquiridas, uma área de 43.854 metros quadrados não foi necessária à construção do parque, tendo a MPE procedido à sua alienção, donde resultou uma menos-valia contabilística de 8.491,11 euros para a empresa.
Contrariando a disciplina jurídica que consagra o princípio da estabilidade, a proposta escolhida para a empreitada de concepção/construção do parque corresponde à proposta reformulada apresentada pela Zagope, a pedido da MPE, em momento anterior à adjudicação.
As alterações ao projecto transformaram-no numa empreitada diferente, que exigia o recurso a procedimentos adjudicatórios concorrenciais.
Foram realizados trabalhos não previstos no montante de 303.998,16 euros, decorrentes de erros da responsabilidade da MPE.
A documentação consultada deixa pressupor que a prestação de serviços de assessoria à fiscalização da empreitada cessou um mês antes da sua conclusão.
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à MPE-Ano 2005
FrenTe Mar Porto da Cruz
Desvio face ao previsto situou-se nos 85,2%, ascendendo o montante necessário à sua construção a cerca de 1,9 milhões de euros.
A área de inserção abrangia uma parcela de terreno que constituía domínio privado municipal, sem que exista qualquer acto expresso autorizador da sua afectação à actividade da SMD
Não constam do processo elementos comprovativos da obtenção de parecer sobre a construção, nem da solicitação de pareceres da Capitania do Porto do Funchal e da Alfândega do Funchal
O valor da despesa envolvida obrigava à realização de consulta restrita a duas entidades, mas a elaboração do projecto de arquitectura foi feita por ajuste directo
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à SMD-Ano 2004
SociEdade Metropolitana de Desenvol-vimento
Entre os 14 projectos da SMD, seis foram candidatos a co-financiamento dos fundos comunitários (POPRAM III), dos quais cinco foram recusados, aguardando ainda a SMD pela decisão em relação ao último.
À data da auditoria, os trabalhos adjudicados pela SMD relativos a empreendimentos em curso atingem 102,1 milhões de euros, registando-se um desvio orçamental relativo a oito desses que representam 43,5% do total de investimentos previstos, o que traduz desde logo um financiamento adicional de 13,7 milhões de euros
* Fonte: Auditoria do Tribunal de Contas à SMD-Ano 2004.
Agostinho Silva
É triste que as pessoas se escondam sob a capa cobarde do anonimato para insultar e denegrir a imagem de jornalistas e órgãos de comunicação. Há algum tempo, um bloque era, todo ele, anónimo ('Toupeiras')e mostrava bem o baixo nível de algumas pessoas que participam nestes espaços. Os insultos que o 'anónimo' anterior deixou são uma vergonha. Sem coragem, mas de boca cheia, é possível chamar tudo... mas que herói! Vai ao ponto de colocar a assinatura do autor do texto que copiou, mas esconde a sua. Será por medo?
Do mesmo modo, creio que os próprios autores deste blogue poderiam poderiam pensar duas vezes antes de colocarem rótulos a todos. A obsessão pelos jornalistas é doentia. Neste campo, infelizmente, copiam os maus exemplos do presidente do GR. Mas, como são uns rapazes novos, pode ser que o tempo lhes traga algum juízo...
Jorge Freitas Sousa - jornalista do Diário de Notícias
Sr. Jorge Freitas Sousa,
se calhar você alguma razão. Reconheço que às vezes, no calor da luta,posso me exceder na adjectivação de alguns jornalistas.
Mas posso lhe garantir que a nossa obsessão não é pelos jornalistas, mas pelo jornalismo.
E é assim porque (pensamos?!) que compreendemos um bocadinho de psicologia de massas e, nesse sentido, temos sempre presente que existe uma relação de dependência psicologica entre o jornalista e o cidadão que lê a notícia ou a opinião. Como diz Ramonet "o segundo poder é o mediático - instrumento de influência, de acção e de decisão incontestáveis - de tal forma que o poder política só aparece em 3.ºlugar". Ora, para alguém, que como nós, percebe como é que essa influência é usada na Madeira, em prol de quem e com que objectivos, não pode deixer de causar indignação certas formas de fazer "jornalismo" como por exemplo acontece com os profissionais de comunicação já referidos neste blog.
Mas, fizemos essas criticas colocando o nome das pessoas que criticamos e baseados em exemplos concretos e assinamos por baixo.
E digo-lhe mais,estou disponível para ouvir quem me quiser explicar porque estou errado nessas criticas.
Continue o bom trabalho.
Cumprimentos,
Paulo Barata
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