quarta-feira, agosto 15, 2007

O desporto regional


Têm sido feitos ao longo destes últimos anos fortes investimentos no desporto regional. Destaco, e bem, a construção de boas infra-estruturas desportivas. São investimentos, que a prazo poderão ter retorno, humano e financeiro. Ficam por faltar maiores apostas na divulgação destes equipamentos junto da população local (p.e. Desporto para Todos) e junto de segmentos no exterior que estão disponíveis para viajar e pagar as despesas destas actividades.

À parte disto, tem sido injectado milhões nos clubes profissionais de alta competição, com destaque para o Marítimo, Nacional e União. Só para terem uma ideia, os dois primeiro-divisionários, têm apresentado ao longo destes últimos anos o quarto e quintos maiores orçamentos da 1ª Liga. Não se deve a grandes proezas de gestão dos dirigentes, mas, à subsídio dependência destes clubes do Governo Regional. O facto de estarem a ser transferidas verbas para o futebol e desporto profissional, altamente dependente dos dinheiros públicos, desviam verbas significativas de outros sectores que mereciam maior apoio, nomeadamente em áreas sociais.

Chegamos ao ponto de ter atletas estrangeiros, que comportam grandes custos (viagens, ordenados, alojamentos, famílias), a representar clubes e associações de bairro. Veja-se o exemplo do Ponta do Pargo.
Alguns clubes e modalidades disputam e marcam presença em campeonatos nacionais à custa dos estrangeiros. A principal razão para haver este forte apoio público, a formação, foi sempre o parente pobre. Para os que conhecem o desporto regional, sabem bem que o atleta madeirense foi sempre desconsiderado em relação ao estrangeiro. Nunca houve interesse dos dirigentes de valorizar o atleta madeirense. As excepções existem, mas porque são protegidos dos Presidentes dos clubes…
Conheço exemplos, em que a prova é no Porto Santo, mas são mais os dirigentes, os amigos, os familiares, etc. que o número de atletas. Tudo porque as viagens são à borla, ou melhor, suportadas pelo erário público. Hoje, os dirigentes desportivos, que durante anos andaram mal-habituados e comportaram-se como meninos ricos, reclamam mais. Mas muito pouco ou nada lhes foi exigido. E tem sido assim.

Alguém consegue dar-me um exemplo de um projecto desportivo regional sustentável e exemplar, que tenha construído os alicerces para o futuro? Fico a aguardar a vossa resposta, porque eu desconheço.

A espaços, houve mesmo assim alguns bons resultados (p.e. andebol), mas, viam-se que eram projectos desportivos e empresariais pouco sustentáveis (p.e. CAB, hóquei do Porto Santo, etc.)

Ao que parece irão agora, e bem, avançar com os clubes-escola, reduzindo as verbas para a formação dos clubes. Ao que parece eram utilizados indevidamente para o sector profissional.

As recentes resoluções de Governo, apontam para a redução de 25% de dotação pública para o futebol profissional. Está previsto uma redução faseada ao longo dos próximos cinco anos, mas mesmo assim de forma muito ligeira. Por exemplo, para a época 2007/2008 e em comparação com o ano anterior a redução será de apenas de 3%.
O Governo Regional, e pelo IDRAM, conhece tudo isto, mesmo dando alguns sinais de mudança no rumo das políticas desportivas, não acredito em alterações significativas. E fica muito por fazer. Para quando a alienação da participação do Governo Regional nas Sociedades Desportivas?

Sem contar com as infra-estruturas, custa-me a admitir que ao fim destes anos de forte investimento público e esforço dos madeirenses, o resultado seja quase zero.

Sem comentários: